DEFESA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE

JUSCILAINE GOMES MARTINS

            Oceanóloga  (FURG)

 

 

Orientadora: Profa. Deborah Pinheiro Dick

 

Título: “MATÉRIA ORGÂNICA EM SOLO ARENOSO SUBTROPICAL COM DIFERENTES MANEJOS DOS RESÍDUOS DE COLHEITA DO EUCALIPTO

 

Data: 02/04/2018, às 16h, na Sala de Reuniões do Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia/UFRGS

 

Banca Examinadora:

-Prof. Cimélio Bayer – Departamento de Solos/UFRGS;

-Prof. Daniel Hanke – UNIPAMPA; e

-Dra. Josiléia Acordi Zanatta – EMBRAPA Florestas.

 

 

Resumo:

A matéria orgânica do solo (MOS) tem um papel importante na qualidade do solo, portanto, é fundamental compreender a sua dinâmica para definir o manejo mais adequado para cada cultura e tipo de solo. O cultivo de eucalipto geralmente ocorre em solos de baixa fertilidade, tais como os arenosos. Nestas áreas, o processo de colheita é uma das principais causas de depleção da MOS, sendo este um ponto crítico para a manutenção da qualidade do solo. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do manejo dos resíduos da colheita do eucalipto nos teores e na composição das frações química da MOS. O experimento foi realizado em um Neossolo Quatzarênico, usado para silvicultura nos últimos 30 anos, no sul do Brasil, sob clima subtropical úmido. Foram avaliados três manejos, em blocos completos ao acaso, com quatro repetições: remoção dos resíduos (RR) – remoção de todos os resíduos da colheita (folhas, galhos, cascas e serrapilheira do ciclo anterior); manutenção dos resíduos (MR) – manutenção de todos os resíduos da colheita e; remoção dos resíduos e serrapilheira (RT) - remoção total dos resíduos da colheita e impedimento da formação de nova serrapilheira, por meio de um sombrite acima do solo. Após seis anos do manejo dos resíduos, o solo foi amostrado em seis camadas até 1m de profundidade. Os teores de C e N foram determinados por análise elementar, as substâncias húmicas (SH) foram fracionadas, quantificadas e sua composição química determinada por espectroscopia FTIR. A assinatura isotópica δ13C foi realizada em um analisador elementar com espectrômetro de massas acoplado. Os lipídios livres extraídos com solução diclorometano:metanol (3:1) e a fração de n-alcanos determinada por cromatografia gasosa (GC/MS). O manejo MR contribuiu para aumentar o teor de C e N nas camadas superficiais do solo, porém, não o suficiente para diferir de RR e RT. As frações das SH indicaram que a serrapilheira formada após a remoção dos resíduos contribui principalmente para frações mais lábeis da MOS, como o ácido fúlvico, enquanto os resíduos da colheita contribuem para as frações humina (HU) e ácido húmico (HA). A espectroscopia FTIR indica que a HU, quando comparada aos AH, é constituída por estruturas mais alifáticas. Os perfis de n-alcanos demonstraram que a manutenção dos resíduos aumenta a contribuição de MOS herdada diretamente da vegetação em todo o perfil, enquanto o efeito da nova serrapilheira ocorre principalmente até 20 cm de profundidade. Embora o acúmulo de C e N tenha sido limitado pelo baixo teor de argila do solo, conclui-se que o manejo dos resíduos de colheita é suficiente para alterar a contribuição relativa das frações químicas da matéria orgânica, o que pode refletir na dinâmica da MOS e na qualidade do solo.