SEMINÁRIO EM CIÊNCIA DO SOLO



FERTILIDADE E ESTOQUE DE NUTRIENTES DO SOLO EM SISTEMAS INTEGRADOS DE PRODUÇÃO DE GRÃOS E OVINOS DE CORTE

Lucas Aquino Alves, Engº Agr ( UFSM )   13/6/2018, quarta-feira, 14h, sala PG08   

A inserção do componente animal no sistema de produção agrícola pode alterar a dinâmica dos nutrientes e, consequentemente, a fertilidade do solo ao longo do tempo. Essa mudança ocorre de forma distinta de acordo com o arranjo adotado, em função tanto da intensidade quanto da frequência dos componentes animais e vegetais. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da presença do animal em diferentes intensidades e métodos de pastoreio em dois sistemas de cultivo agrícola, após 13 anos com cultura de grãos no verão e pastagem com ovinos no inverno no subtrópico brasileiro. O estudo foi conduzido em um experimento de longo prazo iniciado em 2003 sob um Plintossolo Argilúvico Distrófico típico, disposto em um delineamento de blocos casualizados em fatorial com parcelas subdivididas, testando duas intensidades de pastejo (moderada - 2,5 vezes o potencial de consumo dos animais e baixa – 5,0 vezes o potencial de consumo dos animais), dois métodos de pastoreio (contínuo e rotacionado) subdivididas em dois sistemas de cultivo (monocultura de soja/soja e rotação de soja/milho). Os atributos químicos avaliados foram: pH em água; Al, Ca e Mg trocáveis; P e K disponíveis; acidez potencial (H+Al); saturação por bases (V); saturação por Al (m); CTC efetiva (t), CTC potencial (T), carbono orgânico (C), estoque de P, K, Ca, Mg, C e Nitrogênio (N) nas profundidades de 0-5, 5-10, 10-20, 20-30 e 30-40 cm. O sistema com rotação com milho acidificou mais o solo ao longo do tempo apresentando pH cerca 0,3 unidades (pH = 3,9) menor em comparação ao monocultivo (pH = 4,2) nas profundidades de 5-40 cm. Em contrapartida, a t foi aproximadamente 20% superior na rotação (3,9 cmolc dm-3) em relação à monocultura (3,3 cmolc dm-3) na camada de 0-5 cm, já para intensidade de pastoreio, verificou-se valor de t 15% superior na baixa intensidade (3,9 cmolc dm-3) em comparação a intensidade moderada (3,4 cmolc dm-3) . O teor de C alterou nas camadas superficiais, de 0-10 cm, para sistema de cultivo e método de pastoreio, sendo que no monocultivo o teor de C foi de 1,4%, e na rotação 1,1%, para intensidade de pastoreio, a intensidade baixa foi de 1,4% e a moderada de 1,2%. O estoque de C para a camada de 0-40 cm foi maior onde se teve monocultivo de soja e intensidade pastejo baixa. Os demais atributos (Al, Ca, Mg, P, K, H+Al, V, m e T) não foram afetados pelos tratamentos. Conclui-se que, embora a rotação de culturas promova aumentos na CTC efetiva do solo, ela intensifica o processo de reacidificação ao longo do tempo, e que em um sistema de monocultivo, aliado a uma intensidade de pastejo baixa, para este caso, aumenta-se os teores e o estoque de C no solo.