Alterações físicas, químicas e mineralógicas em solos sob florestamento de Eucalyptus spp.

Estéfane Chaves, doutoranda no PPG CS, M Sc Ciência do Solo (UFSM), Engª Agrª (UFSM).

Orientador: Alberto Vasconcellos Inda Jr.

Data: 4ª-feira, 4/JUL/2018, às 14h na Sala PG08 - FAGRO - UFRGS

A atividade agrícola tem contribuído, na maioria das vezes, no melhoramento das propriedades químicas e físicas do solo. No entanto, em algumas situações, alguns efeitos são prejudiciais, como degradação do solo e do ecossistema. Estudos recentes revelam impactos da atividade humana nas propriedades físicas, químicas e biológicas de solos cultivados. Alguns trabalhos apontam que os solos florestados com Eucalyptus spp. sofrem alterações importantes em suas propriedades químicas. Isso se deve, principalmente, à reação de acidificação da sua rizosfera, devido ao elevado teor de H+Al. A mineralogia da fração argila tem expressiva importância no entendimento e elucidação do comportamento de solos sob diferentes manejos. Como o setor florestal compreende extensas áreas no sul do Brasil, estudos que visam ações de preservação e uso racional dos recursos (água do solo, fertilizantes) e que limitam as perdas econômicas e ambientais são necessários. Neste contexto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar mudanças físicas, químicas e mineralógicas em um Argissolo Vermelho sob plantio de Eucalyptus spp. no estado do Rio Grande do Sul. Amostras de solo foram coletadas em um horto florestal pertencente à CMPC Celulose Riograndense, localizado no município de Arroio dos Ratos. As amostras foram coletadas em triplicata (três trincheiras) nas camadas 0-5, 5-10, 10-20, 20-40, 40-60, 60-80 cm de profundidade em condição de uso plantação de eucalipto com 16 anos de cultivo, e em condição de solo controle, vegetado com campo nativo. Foram realizadas análises de granulometria, área superficial específica (ASE), suscetibilidade magnética (SM), espectroscopia de refletância difusa (RD), de difratometria de raios x (DRX), e químicas do complexo sortivo do solo. A análise dos dados foi realizada com o programa estatístico Rbio, que processa as análises via software R. Resultados preliminares mostram que as análises por RD indicaram amostras hematítico-goethíticas no solo sob florestamento, enquanto sob a condição controle de campo nativo as amostras foram classificadas como goethítico-hematíticas. É possível que o amarelecimento do solo sob campo nativo se deva a maior umidade e conteúdo de matéria orgânica em relação ao solo sob florestamento, condições que podem favorecer a dissolução seletiva da hematita em detrimento da goethita. As análises químicas mostraram que o pH, os teores de Mg2+, K+ e H+Al, e a CTC diferiram estatisticamente entre os solos sob usos distintos. Para limitar a acidificação e manter a produção de biomassa, o solo sob floresta recebeu dois ciclos de adubação e calagem com aplicação de calcário dolomítico, fosfato natural, superfosfato e NPK. Entretanto, o solo florestado apresentou menores valores de pH e teor de Mg2+. A calagem não foi suficiente para corrigir completamente a acidificação deste solo. Considerando a presença de mica no material de origem do solo em estudo, tinha-se a expectativa da presença de argilominerais 2:1, onde a acidificação e a liberação de Al na solução favoreceriam a formação de argilominerais 2:1 com hidroxi-alumínio entrecamadas (2:1 HE). Para isso, a fração argila (<2 μm) foi fracionada em subfrações infra-micrométricas (<0,05, 0,05 - 0,1 e 0,1 - 2 μm) para um estudo detalhado por DRX. Porém, este Argissolo encontra-se extremamente intemperizado, e provavelmente as condições ambientais não foram favoráveis para a estabilidade e permanência destes minerais no solo. Os resultados dos difratogramas apresentaram abundância de caulinita e muito baixa concentração de argilominerais 2:1. A floresta de Eucalyptus spp, foi capaz de promover a alteração da proporção dos óxidos de ferro em superfície devido principalmente a alteração do teor e da qualidade da matéria orgânica incorporada ao solo.