SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

 

Quarta-feira, 03/OUT/18, 14h, na sala PG 08

 

Cultivos de cobertura e o funcionamento do sistema solo em diferentes escalas

 

Cristhian Hernández Gamboa

 

Doutorando em Ciência do Solo, Engenheiro em Agroecologia (UNIMINUTO, Colômbia), MSc Ciência do Solo (UFPR),

 

Orientador: Cimélio Bayer

 

Resumo:

O solo funciona como um sistema vivo, produto de complexas interações entre plantas, biota edáfica e minerais. O fluxo de matéria e energia via resíduos vegetais e rizodeposição promove a autoorganização de partículas com diferentes níveis de complexidade, representada pela formação de agregados. Dependendo do nível de complexidade emergem propriedades relacionadas com resistência à erosão, adequados fluxo de ar e água, acúmulo de C e disponibilidade de nutrientes, entre outras, que irão capacitar o sistema solo a cumprir suas funções no ecossistema.  Em macro escala (cm) o sistema solo pode parecer homogêneo, no entanto, em escalas menores (µm) a heterogeneidade é evidente.  A arquitetura física desenvolvida em camadas ou em cada nível de organização (agregados) é de alta complexidade. O arranjo das partículas incide no tamanho, distribuição e conectividade dos poros, influenciando a repartição desigual de recursos (água, ar, nutrientes) e o distanciamento entre grupos bacterianos. Criam-se então ambientes e microambientes diferentes, onde os processos que neles acontecem mudam de um nível de organização para outro. Diante estas mudanças na arquitetura física, surgem as perguntas que orientam esta pesquisa: como acontece o funcionamento do sistema solo em diferentes escalas [macroescala (camadas superficiais x subsuperficiais) e microescala (macroagregados x microagregados)]? Qual o efeito do aporte e qualidade dos resíduos de cultivos de cobertura no funcionamento do solo nestas escalas? Neste trabalho propõe-se testar a hipótese que entre as escalas apresentar-se-ão funções diferenciadas, mas complementares. Na camada superficial e nos macroagregados predominam funções associadas à ciclagem e fluxos de água, ar e nutrientes, e nas camadas subsuperficiais e microagregados predominam funções de armazenamento.  O aporte e qualidade do resíduo de cultivos de cobertura condicionará a intensidade e complementariedade das funções do solo nas escalas avaliadas. O estudo está sendo desenvolvido num experimento conduzido por 35 anos em plantio direto e sob 5 sistemas de culturas de cobertura com níveis crescentes de aporte e qualidade dos resíduos ao solo, e cujas avaliações envolverão atributos físicos, químicas e biológicos do solo.