SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

Composição química de biochar de aguapé e acácia negra, sua relação com o teor e composição da MOS e disponibilidade de fósforo em solos subtropicais.

Luana Bottezini (Engª Agrª UFSM/CESNORS)

Orientadora: Deborah P. Dick

Quarta-feira, 14/NOV/18, 14h, sala PG 08, FAGRO/UFRGS

Resumo:
Materiais pirogênicos resultam da degradação térmica em atmosfera limitada e/ou ausente em oxigênio e temperatura controlada chamada pirólise. Quando estes materiais são pirolisados com o objetivo específico de aplicação no solo, visando a melhoria das suas características, denominam-se biochar. A composição química do biochar é dependente da matéria prima e condições de produção, podendo levar a diferentes resultados quando o mesmo é aplicado ao solo. O fósforo (P), é um dos macronutrientes essenciais para o desenvolvimento, sobrevivência e produção das plantas. O aumento na demanda por fósforo advinda do aumento da população mundial, aliado à oferta limitada de suas fontes e ao apelo ambiental pelo uso racional deste recurso natural torna necessária uma gestão correta deste, bem como a busca por alternativas para superar tais limitações. Neste contexto, este projeto está sendo desenvolvido com o objetivo de investigar o efeito da adição ao solo de materiais pirogênicos de diferentes biomassas (finos de carvão de acácia negra (FC) e biocarvão de aguapé (BC)) e produzidos em diferentes temperaturas de pirólise (400, 500 e 600 °C) no pH do solo, teor e composição de matéria orgânica, formas de P bem como o fornecimento de fósforo para as plantas em dois solos subtropicais. O primeiro estudo investigou a composição química da MOS e das formas de P dos FC e BC’s. Com o aumento da temperatura ocorreu uma diminuição da proporção de estruturas O-alquil e aumento concomitante das estruturas aromáticas e em todas as matrizes o P ocorreu na forma de fosfatos. Quanto às formas de P extraíveis por NaOH-EDTA determinadas por RMN de 31P líquido, a forma mais lábil de P nos BC’s diminui com o aumento da temperatura de pirólise. Em contrapartida, o teor de P-disponível (método da resina) apresentou valores semelhantes para as diferentes matrizes. O segundo estudo demonstrou que os FC aumentaram pH do solo tanto em condição de saturação como em 60% da capacidade de retenção de água do Argissolo e do Latossolo, sendo que para este último, o efeito foi menor. Quanto à composição química da MOS a adição de FC aumentou o teor de C para ambos os solos, em relação à testemunha, enquanto no tratamento com calagem ocorreu diminuição do teor de C e de N. Para o Argissolo a razão C:N foi maior para a maior dose de FC aplicada e menor para a testemunha. Para o Latossolo não foram encontradas diferenças no teor de N e na razão C:N. Os BC’s e FCs possuem capacidade de alterar as características físico-químicas do solo, e contém grupos de P na sua constituição que podem ser prontamente liberados para o solo.