SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

Balanço de GEE em preparos e coberturas durante safra de arroz

Mario Felipe Mezzari

Engenheiro Agrônomo (IFC), Mestrando em Ciência do Solo (UFRGS)

Orientador: Prof. Cimélio Bayer

Quarta-feira, 21/NOV/18, 15h, na sala PG 08

RESUMO

O plantio direto (PD) em áreas de arroz irrigado têm sido preconizado como uma prática essencial visando a manutenção dos estoques de C orgânica e da qualidade do solo, aumento da produtividade das culturas, mas pouco se sabe quanto ao seu efeito na emissão de gases de efeito estufa (GEE) principalmente quando associado com plantas de cobertura de inverno. O presente estudo foi baseado num experimento com 22 anos de duração conduzido sobre um Gleissolo Háplico na Estação Experimental do Arroz do IRGA, em Cachoeirinha, e teve como objetivo avaliar o potencial do PD em mitigar as emissões de GEE quando associado ao pousio invernal e com as coberturas de azevém, aveia branca e cornichão. O tratamento referencia foi o sistema de preparo convencional (PC) com pousio invernal. Quando sob pousio invernal, o solo em PD emitiu 20,2% (142,5 kg CH4 ha-1) menos do que o solo em PC. No solo em PD a emissão variou de 550,6 a 643,6 kg CH4 há-1 nas diferentes coberturas de solo. A dinâmica temporal das emissões de CH4 no solo teve uma relação estreita com a variação dos valores de Eh medidos a uma profundidade de 0,0-5,0 cm do solo. A emissão de N2O variou de 0,81 e 1,37 kg N-N2O ha-1 entre os diferentes sistemas de manejo mas não se verificou uma relação direta com estes. As taxas anuais de sequestro de C no solo em PD com as diferentes coberturas invernais variaram de 0,3 a 0,6 Mg ha-1 em relação ao solo em PC. O balanço de GEE no solo em PD variou de -1,13 a -3,55 Mg CO2eq ha-1 demostrando o potencial do solo em mitigar as emissões de GEE, com destaque para o cultivo de azevém no inverno que apresentou o maior potencial de mitigação. Os resultados demonstram que o PD com cobertura invernal tem potencial de aumento dos estoques de C orgânicos dos solos de terras baixas, além de proporcionar uma redução na emissão líquida de GEE para a atmosfera. Portanto, trata-se de uma técnica que potencialmente pode trazer benefícios agronômicos e ambientais para os sistemas de produção de arroz irrigado em terras baixas.