SEMINÁRIO EM CIÊNCIA DO SOLO

QUALIDADE DO SOLO, MATÉRIA ORGÂNICA E EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA EM MANEJOS DE RESÍDUOS DA COLHEITA DO EUCALIPTO

Jackson Freitas Brilhante de São José,
Engº Florestal (UFV), M.Sc. Ciência do Solo (UFRGS)

Orientador: Cimélio Bayer

Quarta-feira, 12/DEZ, 14h, sala PG08, FAGRO/UFRGS

Resumo

O estado do Rio grande do Sul possui 780 mil ha de florestas plantadas sendo o eucalipto a principal espécie. As florestas se destacam pelo alto potencial em sequestrar C-CO2 da atmosfera durante o seu crescimento. Porém, a adoção de sistemas de colheita de árvores inteiras (“whole-tree”) e o uso dos resíduos da colheita do eucalipto para fins energéticos tem levado a remoção desses materiais das áreas florestais, cujos reflexos na disponibilidade de nutrientes, qualidade do solo, produtividade florestal e emissões de GEE são desconhecidos. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto do manejo de resíduos da colheita do eucalipto sobre a qualidade do solo, estoque de carbono orgânico e nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) em solo arenoso (2% de argila) no Sul do Brasil. Um experimento foi instalado no município de Barra do Ribeiro em Neossolo Quartazarênico com cinco manejos de resíduos da colheita do eucalipto: (i) SRSS-Remoção de todos os resíduos da colheita do cultivo anterior (casca, galhos e folhas) + remoção da serrapilheira do novo plantio por meio de uso de sombrite; (ii) SRCS -Remoção de todos os resíduos da colheita do cultivo anterior (casca, galhos e folhas);CRC -Manutenção da casca e folhas da colheita do cultivo anterior; CRG -Manutenção de galhos e folhas da colheita do cultivo anterior e (v) CR-Manutenção de todos resíduos da colheita do cultivo anterior (casca, galhos e folhas). Três estudos sobre o impacto do manejo dos resíduos da colheita do eucalipto foram realizados: (i) Indicadores de qualidade do solo, (ii) estoques de C orgânico no solo; e (iii) balanço de GEE. Os resultados do estudo II e III indicam que a manutenção dos resíduos da colheita do eucalipto é um manejo que promove aumento nos estoques de C orgânico em solos arenosos e contribui para a qualidade do solo e produtividade florestal. Além disso, ela é uma estratégia mitigadora do potencial de aquecimento global (PAG), sendo a taxa anual de retenção de C-CO2 o principal componente, já que a emissão anual de N-N2O e o influxo de C-CH4 são baixos em solos arenosos.