DEFESA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE

ITAUANE OLIVEIRA DE AQUINO

            Engenheira Agrônoma (UFPI)

 

 

Orientadora: Profa. Deborah Pinheiro Dick

 

Título: “TEOR E COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA MATÉRIA ORGÂNICA EM ARGISSOLO DO ACRE EM DIFERENTES SISTEMAS DE MANEJO”.

 

 

Data: 20/03/2019, a partir das 08:30h, na Sala de Defesas 1 do Prédio Central da Faculdade de Agronomia/UFRGS

 

Banca Examinadora:

-Dr. Falberni de Souza Costa – Centro de Pesquisa Agroflorestal do Acre/EMBRAPA

-Prof. Cimélio Bayer – Departamento de Solos/UFRGS; e

-Profa. Amanda Posselt Martins – Departamento de Solos/UFRGS.

 

 

Resumo:

Resultados sobre efeitos do plantio direto (PD) no Estado do Acre são escassos e para que o sistema de produção agrícola nesse ambiente seja sustentável é essencial à investigação do impacto do PD na matéria orgânica do solo (MOS). Nesse contexto, objetivo principal deste trabalho foi avaliar o impacto do manejo do solo no teor e na composição química da matéria orgânica do solo (MOS) em solo de textura arenosa a média sob clima tropical úmido. O experimento foi realizado em um Argissolo Amarelo distrófico, Mâncio Lima, Acre. O delineamento experimental foi blocos ao acaso dispostos em parcelas subdivididas com três repetições. Nas parcelas principais foram alocados os sistemas de manejo PD e plantio convencional (PC), e nas subparcelas foram dispostos os tratamentos: Testemunha (T), leguminosa+gramínea como plantas de cobertura (LG), LG com adubação de P e calagem (LGPC). Em amostras coletadas até 1 m foram determinados os atributos químicos de fertilidade e granulométricos, sendo desenvolvidos dois estudos para alcançar os objetivos. No estudo I foram determinados os teores de C (CCS) e de N (NCS) por combustão seca e a assinatura isotópica (δ13C) e (δ15N). Os resultados obtidos indicam que após 10 anos, o sistema PD com planta de cobertura e correção do solo não alterou os teores de C e de N. Possivelmente as condições climáticas locais (elevadas temperatura e precipitação) conduzem à rápida mineralização do resíduo das culturas, não havendo contribuição relevante dos mesmos para a MOS. O sistema de preparo do solo (PC ou PD) não afetou a composição isotópica da MOS, devido provavelmente à rápida ciclagem dos resíduos vegetais nesse ambiente. Porém, independente do manejo, o tratamento LGPC apresentou um enriquecimento em 13C em profundidade sugerindo mineralização da matéria orgânica endógena e entrada material oriundo de gramíneas e milho (plantas C4). No estudo II a composição química da MOS foi investigada por espectroscopia de FTIR e de RMN de 13C RMN CP/MAS e o perfil de n-alcanos foi determinado por GC-MS após extração em Sohxlet. A composição química da MOS de Argissolo sob uso agrícola em clima tropical apresenta maior proporção de grupos alifáticos e aromáticos do que usualmente observado em Argissolos sob clima subtropical. As condições climáticas da região e a pouco expressiva interação organo-mineral, levam à elevada taxa de decomposição dos resíduos e enriquecimento de estruturas recalcitrantes. A intensa decomposição dos resíduos nas áreas analisadas é corroborada pela predominância de lipídios de cadeia curta (CMC≤C21) de origem microbiana e pelo relativamente elevado grau de degradação dos lipídios herdados de plantas (1,8 ≤ IPCL ≤ 2,2) na MOS.