DEFESA DE DISSERTAÇÃO

 

BALANÇO DE GASES DE EFEITO ESTUFA EM ARROZ IRRIGADO SOB SISTEMAS CONSERVACIONISTAS DE MANEJO NO SUBTRÓPICO BRASILEIRO

 

MÁRIO FELIPE MEZZARI, Engo. Agrônomo (IFC)

 

Orientador: Cimélio Bayer

 

08/04/2019, 09:30h, na Sala de Reuniões do Departamento de Solos - Faculdade de Agronomia/UFRGS

 

Banca Examinadora:

-Prof. Paulo César do Nascimento – PPG Ciência do Solo/UFRGS;

-Dr. Tiago Zschornack – AgroBrasil; e

-Dra. Walkyria Bueno Scivittaro – EMBRAPA Clima Temperado.

 

 

Resumo:

As lavouras de arroz irrigado têm sido apontadas como umas das principais fontes de gases de efeito estufa (GEE) na agricultura no subtrópico brasileiro, em especial do metano (CH4). Entretanto, a adoção dos preceitos da agricultura conservacionista como o plantio direto (PD), uso de plantas de cobertura e rotação de culturas podem favorecer a redução da emissão de GEE, sobretudo pela retenção de C na matéria orgânica do solo. A fim de confirmar essa hipótese, foram desenvolvidos dois estudos com o objetivo de avaliar o potencial do PD associado a diferentes coberturas de solo no inverno (pousio, azevém, aveia branca e cornichão) (Estudo 1) e da inserção da soja e milho em rotação com o arroz no verão (Estudo 2) em mitigar as emissões de GEE de um Gleissolo Háplico em comparação aos sistemas tradicionais de cultivo de arroz [preparo convencional (PC) associado ao pousio invernal no Estudo 1 e monocultura de arroz irrigado no Estudo 2]. Os resultados do Estudo 1 demonstram que a emissão foi influenciada pelo preparo do solo com redução de 16% em PD em comparação ao PC, ambos associados ao pousio invernal. As taxas anuais de acúmulo de C orgânico no solo variaram entre 0,4 e 0,7 Mg ha-1em comparação ao sistema tradicional de manejo. O acúmulo de C no solo em PD anulou em 11 a 14% as emissões de CH4e N2O no balanço de GEE de acordo com a cobertura de solo em PD na entressafra. No Estudo 2 foi observado que a emissão de CH4no solo cultivado com milho e soja foi, em média, 99% menor do que no solo cultivado com arroz irrigado, cujo efeito foi parcialmente anulado pelas maiores emissões de N2O do solo. O índice de emissão de GEE por unidade de energia bruta produzida (PAGpEB) demonstrou a maior eficiência produtiva da cultura do milho (11,3 kg Ceq. ha-1Gcal-1) comparada à soja (75,2 Ceq. ha-1Gcal-1) e ao arroz irrigado (113,2 Ceq. ha-1Gcal-1). A adoção de técnicas como o plantio direto (PD) e plantas de cobertura em lavouras de arroz irrigado podem favorecer a redução da emissão de GEE e o acúmulo de C orgânico do solo. Por sua vez, a rotação de culturas com milho e soja apresenta forte potencial de mitigação das emissões de GEE em terras baixas, tradicionalmente cultivadas com arroz irrigado no sistema de monocultivo.