SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

 

Quarta-feira, 05/JUN/19, 14h, na sala PG 08

 

Título: Formas e frações de fósforo no solo sob efeito de raízes em sistema integrado de produção agropecuária de longo prazo

 

Diego Cecagno

Doutorando em Ciência do Solo, Engenheiro Agrônomo (UFRGS), MSc Ciência do Solo (UFRGS)

 

Orientador: Prof. Ibanor Anghinoni

 

Resumo:

O fósforo (P) é um dos nutrientes mais limitantes em solos ácidos. Sistemas conservacionistas de manejo, como os sistemas integrados de produção agropecuária em semeadura direta aumentam os teores de P no solo. Compreender o processo de acúmulo e disponibilização das formas e frações de P é fundamental para garantir a sustentabilidade dos sistemas agropecuários no longo prazo. A hipótese desse trabalho é que as raízes das plantas aumentam as formas lábeis de P no solo, especialmente as orgânicas, e que o pastejo de espécies hibernais favorece o acúmulo de formas orgânicas de P no solo. Assim, o objetivo do trabalho foi avaliar as formas e frações de P do solo na presença e ausência de raízes em função do pastejo em sistema integrado de produção soja-bovinos de corte de longa duração em plantio direto. Para isso, amostras indeformadas de solo das camadas de 0-6 e 15-21 cm foram coletadas após o ciclo de pastejo de aveia preta+azevém (após 13 anos) e de soja (após 13,5 anos) de áreas pastejadas e não pastejadas. Na metade das amostras de solo foi realizado o cultivo de aveia preta+azevém e de soja, sob condições controladas, para obtenção de solo sob efeito das raízes e na outra metade somente com solo sem plantas. O P das amostras de solo foi extraído com NaOH-EDTA e os extratos foram submetidos à análise de ressonância magnética nuclear de P (31P-RMN). Também foram analisadas as frações de P por fracionamento de Hedley. Após, os dados de fracionamento de P do foram submetidos à análise de variância (p<0,05) e comparados pelo teste de Tukey (p<0,05), seguido da análise de caminhos. Os espectros de 31P-RMN revelaram maior presença de ortofosfato, seguido por fosfato monoester, fosfonatos e traços de fosfato diester. Os teores de P são maiores na camada de solo de 0-6 cm (em média, 65 % maior do que na camada de 15-21 cm) e, dentro dessa camada, no tratamento sem pastejo (em média, 11 % maior do que na presença de pastejo), independentemente da forma (orgânica ou inorgânica), fração (lábil, moderadamente e pouco lábil) e época de avaliação. No verão, quando não há raízes de soja, há uma predominância de ciclagem de P orgânico no solo. No inverno, sem raízes de pastagem, a disponibilização de P do solo é preferencialmente de formas inorgânicas. Na rizosfera de plantas de aveia preta + azevém há contribuição de ambas as formas de P. Assim, refutam-se ambas as hipóteses ao se concluir que as raízes das plantas não exercem influência no acúmulo de P no solo, e que a ausência de pastejo aumenta as formas de P orgânico e inorgânico no solo.