DEFESA DE TESE

 

“DINÂMICA DE FÓSFORO NO SOLO EM SISTEMA INTEGRADO DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA”

 

DIEGO CECAGNO, Engo. Agrônomo (UFRGS), MSc Ciência do Solo (UFRGS)

 

Orientador: Ibanor Anghinoni

 

 

02/08/2019, 14h, na Sala de Reuniões DSOLOS/FAGRO/UFRGS

 

Banca Examinadora:

-Deborah Pinheiro Dick – PPG Ciência do Solo/UFRGS;

-Jessé Rodrigo Fink – Instituto Federal do Paraná – Palmas/PR (através de videoconferência/Skype); e

-Tadeu Luis Tiecher – Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Porto Alegre/RS.

 

 

 

Resumo:

Em um cenário de escassez mundial de fertilizantes e com pressão da sociedade por uma agricultura conservarcionista, emergem como alternativa, os sistemas integrados de produção agropecuária em semeadura direta. Assim, é importante compreender a dinâmica de fósforo nesses sistemas e as alterações ocasionadas pelas plantas durante seu desenvolvimento. Neste contexto, o objetivo desta pesquisa foi avaliar a dinâmica do fósforo no solo com e sem influência de pastejo e de raízes de plantas de soja e de aveia preta + azevém em camadas de solo. Para isto, amostras de solo de dois experimentos em casa de vegetação, um com soja e outro com aveia preta + azevém, foram utilizados. Em ambos os experimentos, o solo foi coletado em duas camadas nos tratamentos com e sem pastejo de um experimento de longa duração em sistema integrado de produção de soja e bovinos de corte. Na metade dos potes com solos das camadas de 0-6 e 15-21 cm, na casa de vegetação, não havia plantas e na outra metade foi feito o cultivo com um grande número de plantas de soja e da pastagem dos tratamentos com e sem pastejo bovino, para obter o solo sob influência das raízes (rizosfera). A partir das amostras desses experimentos, foram realizados três estudos para investigar a influência do pastejo (com e sem), da rizosfera de plantas de inverno e verão (pastagem e soja). O primeiro estudo avaliou a cinética de sorção de fósforo. Verificou-se, então, que a capacidade máxima de adsorção de fósforo e a constante de energia de ligação de fósforo foram maiores na camada subsuperficial do solo no cultivo da soja e da pastagem. Por outro lado, os coeficientes de dessorção foram maiores na camada superficial, em ambos os cultivos. O segundo estudo avaliou as formas e frações de fósforo no solo. Neste, os teores de fósforo foram maiores na camada superficial, independentemente da sua forma e labilidade. Maiores teores desse nutriente também foram obtidos na camada superficial do solo após o cultivo da soja, bem como maiores teores de fósforo orgânico por efeito das raízes da pastagem. O terceiro estudo investigou as espécies de fósforo na solução do solo, em que o fósforo predominou em suas formas livres, independentemente do pastejo das plantas de cobertura de inverno, do cultivo de soja e da camada de solo. O teor dos cátions em solução rege a distribuição das espécies de fósforo, com incremento na proporção de espécies de fósforo ligadas aos cátions trivalentes na presença de raízes de pastagem. Conclui-se, que no pastejo bovino hibernal em produção integrada com soja, os menores teores de fósforo orgânico e inorgânico na camada de solo superficial não modificam a cinética de sua adsorção e dessorção em relação ao sem pastejo. As raízes de soja apenas acidificam o solo, mas não exercem influência sobre a cinética, formas, frações e espécies de fósforo. Por outro lado, as raízes da pastagem, além de acidificar o solo, incrementam os teores de carbono, as formas orgânicas e as espécies de fósforo ligado aos cátions trivalentes.