SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

 

Quarta-feira, 25/SET/19, 14h, na sala PG 08

 

Título: RESÍDUOS DE COURO E CARVÃO MINERAL APLICADOS EM ARGISSOLO VERMELHO: IMPACTOS APÓS 23 ANOS

 

 

Fernanda Canez Marcon

Doutoranda em Ciência do Solo, Licenciada em Ciências Biológicas (PUCRS), MSc Ciência do Solo (UFRGS)

 

Orientador: Prof. Carlos Gustavo Tornquist

Co-Orientador: Prof. Pedro Alexandre Varella Escosteguy

 

Resumo:

O grande volume de resíduos contaminados com metais gerado pelos curtumes e beneficiamento do carvão mineral apresenta elevado risco ambiental. De outra parte, estes resíduos contêm nutrientes e/ou potencial corretivo da acidez do solo, justificando estudos sobre aplicação em solo agrícola. Um experimento foi instalado em 1996 em Argissolo Vermelho (UM São Jerônimo) da EEA-UFRGS para avaliar impactos em solos agrícolas de duas aplicações de resíduos de couro de curtume do Vale dos Sinos (RS) e rejeitos de beneficiamento do carvão mineral (COPELMI, Minas do Leão). O presente estudo foi conduzido após 23 anos da aplicação destes resíduos, nas camadas 0-10, 10-20, 20-30, 30-40 e 40-50 cm, utilizando os seguintes tratamentos: T1 - controle (sem resíduos); T3 - lodo da indústria de couro; T6 - combinação do T3 e rejeitos do beneficiamento de carvão mineral. Foram determinados os teores dos metais Cd, Ni, Pb e Cr adicionados com os resíduos, com a premissa de que os atributos e propriedades afetam formas e espécies e, portanto, a mobilidade desses metais no perfil do solo. Os teores pseudo-totais de Cd, Ni, Pb e Cr foram determinados conforme EPA 3050b. Os resultados de Cr indicaram teores muito superiores ao T1 (9 mg Cr kg-1): 74 mg Cr kg-1 no T3 e 169 mg Cr kg-1 no T6. No entanto, pela recuperação do resultado de solo padrão, foi identificada baixa eficiência na leitura de Cr com acetileno no EAA. Testes com a utilização da combinação de acetileno+óxido nitroso apresentaram excelente recuperação na comparação com o solo padrão (100%) e demonstraram que os teores pseudo-totais de Cr são próximos ao determinado por L. Bianchin (PPGCS, 2011) – 162 mg kg-1 em T3 e de 262 mg kg-1 em T6, na camada até 20 cm. Esse resultado era esperado pela alta concentração de Cr aplicada pelos resíduos e pela alta estabilidade do elemento no solo. Diferente dos resultados anteriores foi o aumento de Cr também em camadas subsuperficiais: 11, 14 e 21 mg kg-1 no T1, T3 e T6 na camada de 40-50 cm, demonstrando a diminuição da estabilidade de Cr no perfil do solo. As leituras de Cd ficaram abaixo do limite de detecção e os de Pb não apresentaram diferença significativa em comparação ao T1. Até 20 cm, os teores de Ni foram inferiores ao Valores de Referência de Qualidade de solos para a região. As próximas etapas do estudo priorizarão o Cr, envolvendo a extração sequencial de Cr nas frações solúvel+trocável, óxidos amorfos e cristalinos, matéria orgânica e residual. Em sequência, serão estimadas de espécies de Cr(III) na solução do solo com software Visual Minteq.