SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

 

Quarta-feira, 09/OUT/19, 14h, na sala PG 08

 

Título: FRAÇÕES DE FÓSOFORO NO SOLO EM SISTEMA INTEGRADO DE PRODUÇÃO DE GRÃOS E OVINOS DE CORTE DE LONGA DURAÇÃO

 

Júlia de Assis

Mestranda em Ciência do Solo, Engenheira Agrônoma (UFRGS)

 

Orientadora: Profa. Amanda Posselt Martins

 

Resumo:

Os sistemas integrados de produção agropecuária (SIPA), que unem a atividade da lavoura e da pecuária em uma mesma área, são uma alternativa para a intensificação sustentável do uso da terra, proporcionando maior diversidade e menor risco na renda do produtor rural. O manejo empregado no SIPA, seja na fase lavoura ou na fase pecuária, pode afetar a dinâmica de muitos nutrientes no solo e, dentre eles, o fósforo (P). O P é absorvido pelas plantas, e exportado no SIPA através dos grãos e da carne. Porém, sua ciclagem acontece através do retorno da matéria seca produzido pelas plantas (cuja qualidade do resíduo depende das espécies vegetais) e das excretas dos animais (cuja intensidade de retorno e de impacto na produção de forragem depende da intensidade de pastejo e do método de pastoreio). Ao retornar via ciclagem, o P se apresenta em sua forma orgânica, estando principalmente na fração lábil. Assim, hipotetiza-se que quanto maior for a ciclagem de P em um dado sistema de produção, maior será a sua fração lábil. Nesse contexto, o objetivo do presente trabalho foi determinar as frações de P do solo em diferentes manejos de um SIPA na fase lavoura (rotação soja/milho e monocultura soja/soja) e na fase pecuária (ovinos de corte), com intensidades de pastejo (moderado e leve) e métodos de pastoreio (contínuo e rotativo) no perfil do solo, em uma área de plantio direto de longo prazo. A área experimental está localizada na Estação Experimental Agronômica da UFRGS, no município de Eldorado do Sul-RS. Foram coletadas amostras de solo aos 14 anos após o início do experimento, nas camadas  de 0-5, 5-10, 10-20, 20-30 e 30-40 cm, para posterior análise de fracionamento do P no solo pelo método de Hedley com modificações de Condron. Os resultados foram submetidos à análise de variância e ao teste de Tukey (p<0,05). Foi verificado que, independentemente do manejo da fase pecuária, o manejo da fase lavoura com monocultura de soja apresentou maiores teores de P lábil na camada até 10 cm de profundidade, em comparação à rotação soja/milho. Por outro lado, independentemente do manejo da fase lavoura e apenas com a intensidade de pastejo moderada, verificou-se que o P lábil na camada de 5-10 cm é maior com o método de pastoreio rotativo, em comparação ao contínuo. Para a intensidade de pastejo leve, não há influência do método de pastoreio no teor de P lábil. Tais resultados demonstram que é possível aumentar a eficiência do adubo fosfatado aplicado no SIPA, uma vez que a labilidade desse nutriente é influenciada por manejos da fase lavoura e da fase pecuária.