SEMINÁRIO EM CIÊNCIA DO SOLO

 

Quarta-feira, 06/NOV/2019, após o Seminário de Roberto de Rossi Ferreira, na sala PG 08

 

Título: Uso de leguminosa hibernal e plantio direto na produção de arroz irrigado: Respostas de solo e planta às modificações no ciclo do nitrogênio em solo de terras baixas

 

Adriano Vilmar Garcia

Mestrando em Ciência do Solo, Engenheiro Agrônomo (UFRGS)

 

Orientadora: Profa. Amanda Posselt Martins

 

 

Resumo:

O nitrogênio (N) é um dos nutrientes mais importantes na nutrição de cereais. Com a crescente demanda por maiores produções de arroz (Oryza sativa) irrigado, vem ganhando destaque o cultivo de plantas leguminosas de inverno que fixam N para o cereal em sucessão, além da adoção de manejo mais conservacionista do solo – como o plantio direto. Em solos de terras baixas com cultivo de arroz irrigado, onde predomina o pousio no inverno, há a necessidade de estudos que busquem aliar o melhor manejo econômico e ambiental deste nutriente. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo avaliar o N mineral na solução do solo, sua relação com a produção de massa seca da parte aérea (MSPA) e produtividade de grãos do arroz irrigado em plantio direto cultivado com diferentes doses de N e com o trevo-persa (Trifolium resupinatum) como planta de cobertura no inverno. O experimento foi conduzido no Centro Tecnológico Integrar/Agrinova no ano agrícola de 2018/2019, localizado no município de Capivari do Sul, Rio Grande do Sul, em um Planossolo Háplico. Os tratamentos consistiram em dois manejos de inverno e cinco doses de N para o arroz irrigado em sucessão. Os manejos de inverno consistiram em: 1) pousio; e 2) cultivo do trevo-persa. Ambos tiveram o cultivo estival de arroz irrigado em plantio direto (revolvimento apenas para alocação das taipas). No arroz irrigado, foram testadas doses de adubação nitrogenada (0, 50, 100, 150 e 200 kg N/ha) em ambos os manejos, com a aplicação na forma de ureia no estágio V3. Foram realizadas 6 coletas de solução do solo na 1ª, 2ª, 3ª, 5ª, 7ª e 9ª semana após o alagamento do arroz (SAA). O nitrogênio mineral (amônio + nitrito + nitrato) foi analisado pelo método de Kjeldahl (destilação com arraste de vapor). Na diferenciação do primórdio floral (DPF) do arroz, foi realizada a coleta da MSPA e, no estádio R7, foi feita a colheita para determinação de produtividade de grãos com casca. Os dados foram submetidos à análise de variância, regressão e ao teste de Tukey (p<0,05) para comparação de médias. A concentração de N mineral na solução do solo respondeu de forma positiva e linear às doses aplicadas (r²=0,94), em ambos os sistemas, independentemente da SAA. O cultivo hibernal do trevo-persa incrementou em 2 mg N/L, em média, em comparação ao pousio durante todo o período de amostragem e independentemente da dose de N aplicada no arroz. A MSPA do arroz variou de 5,4 a 12,9 t/ha para as doses de 0 e 150 kg N/ha, respectivamente, e independentemente do manejo de inverno. Na comparação entre manejos de inverno, o maior resultado de produção de MSPA do arroz foi com o trevo-persa, com produção média de 2,1 t/ha a mais que com o pousio. A produtividade de grãos foi influenciada pela dose de N aplicada e pelo manejo de inverno. Entre os manejos de inverno, houve incremento de produção de arroz com o cultivo hibernal de trevo-persa, diferenciando-se nas doses de 0 e 150 kg de N/ha das áreas com pousio hibernal, com incremento de 1,1 e 1,8 t/ha de grãos de arroz, respectivamente. Desta maneira, podemos concluir que a dinâmica do N na solução do solo durante o cultivo do arroz é influenciada pelo cultivo do trevo-persa no inverno e também pelas doses de N aplicadas. A produção de MSPA e de grãos do arroz é responsiva até a dose de 150 kg de N/ha e ao cultivo de trevo-persa no inverno, devido à maior disponibilidade de N no solo, resultante da decomposição dos resíduos da leguminosa. Portanto, mais estudos devem ser elaborados na intenção de calibrar a recomendação de adubação nitrogenada para o arroz irrigado que tenha como cultivo hibernal antecessor uma planta leguminosa.