SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

 

Quarta-feira, 13/NOV/2019, após o Seminário de Glaciele Barbosa Valente, na sala PG 08

 

Título: Cultivos de cobertura e o funcionamento do sistema solo em diferentes escalas

 

Cristhian Hernandez Gamboa

Doutorando em Ciência do Solo, Engenheiro em Agroecologia (UNIMINUTO/Colômbia), MSc Ciência do Solo (UFPR)

 

 

Orientador: Prof. Cimélio Bayer

 

Resumo:

O solo funciona como um sistema vivo, produto de complexas interações entre plantas, biota edáfica e minerais. O fluxo de matéria e energia via resíduos vegetais e rizodeposição promove a autoorganização de partículas com diferentes níveis de complexidade, representada pela formação de agregados. Dependendo do nível de complexidade emergem propriedades relacionadas com resistência à erosão, adequados fluxo de ar e água, acúmulo de C e disponibilidade de nutrientes, entre outras, que irão capacitar o sistema solo a cumprir suas funções no ecossistema.  Em meso escala (cm) o sistema solo pode parecer homogêneo, no entanto, em escalas menores (µm) a heterogeneidade é evidente.  A arquitetura física desenvolvida em camadas superficiais e subsuperficiais ou em diferentes classes de organização (agregados) apresentam alta complexidade. O arranjo das partículas incide no tamanho, distribuição e conectividade dos poros, influenciando a repartição desigual de recursos (água, ar, nutrientes) condicionando a atividade dos grupos bacterianos. Criam-se então ambientes e microambientes diferentes, onde os processos que neles acontecem mudam de um nível de organização para outro. Diante estas mudanças na arquitetura física, surgem as perguntas que orientam esta pesquisa: como acontece o funcionamento do sistema solo em diferentes escalas [mesoescala (camadas superficiais x subsuperficiais) e microescala (macroagregados x microagregados)]? Qual o efeito de gramíneas e gramíneas+leguminosas no funcionamento do solo nestas escalas? Neste trabalho propõe-se testar a hipótese que em cada escala apresentar-se-ão funções diferenciadas, mas complementares, assim na camada superficial e nos macroagregados predominam funções associadas a fluxos de água, ar e nutrientes e ciclagem e, na camada subsuperficial e microagregados predominam funções de armazenamento.  A presencia de efeito de gramíneas e gramíneas+leguminosas condicionará a intensidade e complementariedade das funções do solo nas escalas avaliadas. O estudo está sendo desenvolvido num experimento conduzido por 36 anos em plantio direto sob 5 tratamentos: 3 sistemas de culturas de cobertura, A/M (Aveia/Milho), AV/M (Aveia-Vica/Milho), AV/MC (Aveia-Vica/Milho-Caupi) e dois sistemas controle DESC (descoberto com baixa presencia de plantas durante o ano sem culturas) PANG (Pangola pastagem permanente) sem N. Os resultados preliminares evidenciam que: a nível de meso-escala (camadas superficial 0-5 cm e subsuperficial 5-15 cm) o ambiente físico é afetado pelos sistemas de cultura, que por sua vez condiciona a intensidade dos fluxos de agua, ar, atividade microbiana e acúmulo de C. Sistemas como AVMC e PANG se autorganizam em níveis mais complexos e refletem diferenciação e complementariedade de processos nas camadas, como por exemplo: a infiltração e condução de agua (0-5 cm) e seu armazenamento (5-15 cm) o que se reflete em maior disponibilidade de agua no sistema.