SEMINÁRIOS EM CIÊNCIA DO SOLO

 

Quarta-feira, 11/DEZ/2019, após o Seminário de Mariana Fernandes Ramos, na sala PG 08

 

Título: “Características de materiais pirogênicos e fornecimento de fósforo ao solo

 

Luana Bottezini

Doutoranda em Ciência do Solo, Engenheira Agrônoma (UFSM), MSc Ciência do Solo (UFRGS)

 

Orientadora: Profa. Deborah Pinheiro Dick

 

Resumo:

A partir do descobrimento das terras pretas de índio na região amazônica, surgiu o interesse pelo estudo de materiais pirogênicos, com foco inicial de sequestro de carbono. Posteriormente os estudos se estenderam para outras áreas tais como energia, biotecnologia, engenharias, química, dentre outras, incluindo-se a ciência do solo. Estes materiais pirogênicos podem ser resíduos de produção de bio-óleos, carvão vegetal, ou produzidos em condições controladas de temperatura e oxigênio, com o objetivo específico de aplicação no solo e nesse caso, são chamados de biochar. Nesse contexto, o objetivo do nosso trabalho foi estudar a composição química e as formas e disponibilidade de fósforo (P) no solo por três biochar’s (BC’s) produzidos a partir de aguapé em três diferentes temperaturas de pirólise (400, 500 e 600°C) e de finos de carvão (FC) de madeira de acácia negra. Para isso foram desenvolvidos três estudos: 1) caracterização química e espectroscópica dos BC’s e FC; 2) avaliação da influência de FC no pH e nos grupos químicos da matéria orgânica de Argissolo e Latossolo em experimentos de incubação; e 3) avaliação da influência dos BC’s no  pH do solo e disponibilidade de P em Argissolo em experimento de incubação. Nesta oportunidade, apresentaremos apenas parte dos resultados dos estudos 1 e 3. No primeiro estudo, nossa hipótese foi  que, com o aumento da temperatura de pirólise, ocorreria uma diminuição da proporção dos grupos de P lábeis nos BC’s e o FC por apresentar menor teor de P na biomassa de origem apresentaria menor proporção de P lábil em comparação aos BC’s. Nossa primeira hipótese foi comprovada uma vez que ocorreu diminuição dos tipos de grupos de P com o aumento da temperatura e aumento da condensação. De fato, BC400 apresentou maior diversidade de grupos funcionais de P, enquanto para BC600 apenas o grupo dos monoesteres de P, considerados bons precursores de fosfato. Ainda que o teor de PT pouco foi afetado pela temperatura, ocorreu diminuição do teor de P disponível (determinado pelo método da resina) com o aumento da temperatura de pirólise. Em relação a segunda parte da hipótese, a mesma foi rejeitada, uma vez que os FC apresentaram maior proporção Presina/PT do que os BC’s ainda que seu teor de PT seja maior.  No estudo três, o BC500 demonstrou um aumento significativo do pH do Argissolo aos 30 dias após a incubação do solo (DAI) e o valor de pH superou ao do tratamento com  calagem até os 30 DAI. Ao final da incubação (100 DAI), o pH entre os BC’s não difere e todos superam o da testemunha e são inferiores à calagem, com tendência de crescimento. Portanto, nesse estudo, nossa hipótese de que BC’s produzidos em maior temperatura de pirólise proporcionariam maior aumento do pH do solo foi rejeitada. De maneira geral, concluímos que os grupamentos químicos de P dos materiais pirogênicos e as formas lábeis de P, bem como sua capacidade de correção do pH do solo são afetadas simultaneamente pelo material de origem e pela temperatura de pirólise. É imprescindível que cada material seja analisado individualmente conforme o objetivo de aplicação no solo.