Justificativa

A falta de uma memória sistematizada dos concursos públicos de arquitetura e urbanismo realizados no Estado do Rio Grande do Sul foi a lacuna do conhecimento que motivou o desenvolvimento da pesquisa. Em termos de documentação de concursos, muito pouco restou. Até recentemente pesquisadores enfrentavam dificuldades em encontrar informações e material gráfico sobre esta produção da Arquitetura Brasileira, face à falta de acervos sistematizados e as dificuldades de conservação e disponibilização dos projetos tanto pelos próprios autores e/ou familiares dos arquitetos (normalmente depositários desses acervos), quanto pelas instituições encarregadas de preservá-los. Muitas vezes documentos importantes se deterioram de maneira irreversível ou até mesmo desaparecem.

Por outro lado, em geral, é minimizada a importância dos concursos e seus processos, no desenvolvimento da cultura arquitetônica. Bastaria evocar obras pioneiras da arquitetura moderna latino-americana e brasileira como o edifício-sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o processo de seleção do projeto para o Ministério da Educação e Saúde Pública, ambos de 1935, realizados no Rio de Janeiro, para dar a dimensão da qual se reveste a contribuição da história dos concursos nos contextos latino-americano e brasileiro.

A Arquitetura Moderna no Rio Grande do Sul, especialmente a de Porto Alegre, promovida por profissionais locais, da Região do Prata e do eixo Rio de Janeiro – São Paulo; se afirmou também, segundo Demétrio Ribeiro, tendo como base os concursos públicos. Lamentavelmente essa produção tanto passado quanto presente, ainda está insuficientemente documentada e sistematizada, sendo importante a continuidade e atualização permanete deste trabalho.

Remanesce portanto, da importância desta pesquisa não apenas o material organizado, durante mais de vinte anos, mas a contribuição na criação de uma cultura no sentido de, coletar, sistematizar, documentar e difundir a produção projetual, através de acervos.