As professoras Celma Paese e Daniela Mendes Cidade, do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, publicaram o ensaio “Cartografia do Inundômetro: Espectralidade e Tragédia Climática” no periódico internacional Cadernos de Arte Pública | Public Art Journal. O trabalho é assinado também por Marjory da Motta Martins, do Memorial do Rio Grande do Sul.
Publicado em agosto de 2026, o artigo apresenta um ensaio visual construído a partir da produção fotográfica da ação urbana Cartografia do Inundômetro, realizada na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, em 2025, um ano após a histórica enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024.
A ação consistiu na instalação, no espaço urbano, de uma régua de dois metros de altura marcada na cota de 1,72 metro — nível atingido pelas águas no local. Denominado Inundômetro, o dispositivo funcionou como um monumento efêmero e um disparador de narrativas, tornando visível e corporal a dimensão da inundação em um espaço cujo cotidiano já não apresentava, de forma evidente, as marcas deixadas pela tragédia.
O trabalho parte da reflexão sobre a presença e a ausência das marcas da catástrofe na cidade. A partir de referências como Jacques Derrida e Marie-José Mondzain, o ensaio aborda o Inundômetro, a ação urbana e a fotografia como elementos capazes de suspender a linearidade do tempo e aproximar a presença dos corpos da ausência das águas.
Durante a ação, os passantes foram convidados a relacionar a altura da água à escala de seus próprios corpos e a compartilhar memórias, testemunhos e experiências relacionadas à enchente. O acervo produzido a partir desses encontros constitui uma cartografia afetiva da tragédia e é apresentado no artigo por meio das imagens resultantes da intervenção.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o projeto de extensão Cartografia da Hospitalidade, vinculado à Faculdade de Arquitetura da UFRGS, e o Memorial do Rio Grande do Sul. Ao reunir arte, memória e espaço urbano, a ação propõe uma reflexão sobre os efeitos da tragédia climática e sobre a urgência de novas formas de proteção e de reinvenção do habitar contemporâneo.
