{"id":357,"date":"2023-07-16T16:33:00","date_gmt":"2023-07-16T19:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/?p=357"},"modified":"2023-08-28T14:53:47","modified_gmt":"2023-08-28T17:53:47","slug":"fruicoes-sobre-o-estrutural-e-o-organico-em-propostas-de-arte-natureza-e-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/2023\/07\/16\/fruicoes-sobre-o-estrutural-e-o-organico-em-propostas-de-arte-natureza-e-tecnologia\/","title":{"rendered":"Frui\u00e7\u00f5es sobre o estrutural e o org\u00e2nico em propostas de arte, natureza e tecnologia"},"content":{"rendered":"\n<p>Por<em> Mauro Esp\u00edndola<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os termos<em> arte, natureza e tecnologia<\/em> formam uma instigante conex\u00e3o com nosso atual projeto de pesquisa, implicado em processos de cria\u00e7\u00e3o que produzem converg\u00eancias com conceitos e imagens em seus respectivos desdobramentos e procedimentos na dire\u00e7\u00e3o dessa triangula\u00e7\u00e3o. A partir dessas experi\u00eancias sugere-se, nesta breve postagem, uma aprecia\u00e7\u00e3o sobre pr\u00e1ticas art\u00edsticas lan\u00e7adas pelo coletivo holand\u00eas <em>Studio Drift<\/em> e pelo artista paulista Henrique Oliveira, desejando a eventuais interessados uma boa frui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"456\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-21.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-358\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-21.png 456w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-21-267x300.png 267w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">STUDIO DRIFT&nbsp; <a href=\"https:\/\/studiodrift.com\">https:\/\/studiodrift.com<\/a><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Fundado em 2007 pelos artistas holandeses Lonneke Gordijn (1980) e Ralph Nauta (1978), o coletivo \u00e9 reconhecido\u200b\u200b por experimenta\u00e7\u00f5es que abarcam arte, design, tecnologia, ci\u00eancia e natureza, combinando processos que envolvem esculturas, instala\u00e7\u00f5es e performances. Selecionamos tr\u00eas obras que participaram da primeira exposi\u00e7\u00e3o da dupla no Brasil, intitulada<em> Studio Drift<\/em> \u2013 Vida em Coisas, sob curadoria de Alfons Hug e Marcello Dantas, no espa\u00e7o expositivo do Centro Cultural Banco do Brasil, localizado no Rio de Janeiro.<br>A tecnologia de ponta, o movimento e o emprego da luz s\u00e3o elementos b\u00e1sicos de constru\u00e7\u00e3o dos trabalhos da dupla. Segundo Marcello Dantas, \u201cexiste uma racionalidade por tr\u00e1s da obra deles, que \u00e9 a possibilidade da natureza e da tecnologia viverem em harmonia\u201d. Na obra <em>SHYLIGHT<\/em>, um grupo de objetos de seda com apar\u00eancia bot\u00e2nica produz movimentos que simulam o comportamento das plantas abrindo e fechando, conceito que tamb\u00e9m se aproxima do gravitropismo, o crescimento vegetal estimulado pela for\u00e7a gravitacional exercida pela Terra. O <em>Drift <\/em>questiona objetos feitos pelos humanos em sua tend\u00eancia a uma forma est\u00e1tica, enquanto tudo o que \u00e9 natural est\u00e1 constantemente sujeito a metamorfoses e adapta\u00e7\u00f5es ao ambiente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-22.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-359\" style=\"width:654px;height:482px\" width=\"654\" height=\"482\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-22.png 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-22-300x221.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-22-510x377.png 510w\" sizes=\"(max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>SHYLIGHT <\/em>(2006\/2014)<em>. <\/em>Alum\u00ednio, a\u00e7o inoxid\u00e1vel polido, seda, luzes de LED, rob\u00f3tica.<br><a href=\"https:\/\/studiodrift.com\/work\/shylight\/\">https:\/\/studiodrift.com\/work\/shylight\/<\/a><br>Cr\u00e9dito da imagem: Ossip van Duivenbode<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Uma outra escultura cin\u00e9tica, intitulada <em>EGO<\/em>, criada originalmente para compor o cen\u00e1rio da \u00f3pera <em>L\u2019Orfeu<\/em>, materializa conex\u00e3o entre performance e a instala\u00e7\u00e3o, tem sua forma constru\u00edda por um bloco de linhas de fibra de n\u00e1ilon e oscila por meio de uma delicada coreografia gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o de oito motores, cada qual com seu algoritmo, fornecendo mobilidade ao alternar a tens\u00e3o dos fios.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-23.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-360\" style=\"width:680px;height:514px\" width=\"680\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-23.png 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-23-300x227.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-23-510x387.png 510w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>EGO <\/em>(2020)<em>. <\/em>Fibras de n\u00e1ilon, motores, alum\u00ednio, software.<br><a href=\"https:\/\/studiodrift.com\/film\/ego\/\">https:\/\/studiodrift.com\/film\/ego\/<\/a><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O coletivo compreende o cubo como representa\u00e7\u00e3o da uma unidade b\u00e1sica de constru\u00e7\u00e3o. No v\u00eddeo <em>DRIFTER<\/em>, cubos de concreto armado levitam em meio a uma paisagem verdejante como monolitos imantados que se tocam e se unem, formando aglomerados em cont\u00ednua e progressiva concentra\u00e7\u00e3o, gerando um agrupamento colossal como uma imensa ru\u00edna no meio da floresta. A obra, de car\u00e1ter hipn\u00f3tico, cria tens\u00f5es e prop\u00f5e reflex\u00f5es sobre a coexist\u00eancia e a ocupa\u00e7\u00e3o da humanidade na natureza, convidando o observador a meditar sobre o relacionamento entre ambientes vivos.<br>Alinhados com o t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o, o <em>Studio Drift<\/em> enuncia uma indaga\u00e7\u00e3o que posiciona suas ideias: \u201cComo um objeto inanimado pode imitar essas mudan\u00e7as que expressam o car\u00e1ter e as emo\u00e7\u00f5es?&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-11.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-361\" style=\"width:681px;height:289px\" width=\"681\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-11.jpg 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-11-300x127.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-11-510x217.jpg 510w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>DRIFTER<\/em> (2016).<em> <\/em>V\u00eddeo, 11\u2019:12\u201d<br><a href=\"https:\/\/youtu.be\/be9Y0nJWZ9M\">https:\/\/youtu.be\/be9Y0nJWZ9M<\/a><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-362\" style=\"width:560px;height:896px\" width=\"560\" height=\"896\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-24.png 320w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-24-188x300.png 188w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">HENRIQUE OLIVEIRA<br>1973, Ourinhos, SP. Vive e trabalha em S\u00e3o Paulo, SP<br><a href=\"http:\/\/www.henriqueoliveira.com\/defaultBR.asp\">http:\/\/www.henriqueoliveira.com\/defaultBR.asp<\/a><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Henrique Oliveira inicia sua trajet\u00f3ria com investiga\u00e7\u00f5es no universo da pintura, mas seu trabalho passa a ser reconhecido a partir da s\u00e9rie <em>Tapumes<\/em>, instala\u00e7\u00f5es pensadas como desdobramento do fazer pict\u00f3rico, vindo a se tornar uma pesquisa de complexa organicidade. As chapas que utiliza, tamb\u00e9m conhecidas como <em>madeirite<\/em>, s\u00e3o compostas de l\u00e2minas de madeira prensadas com cola e \u00e9 material originalmente usado como prote\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria que delimita o entorno de obras arquitet\u00f4nicas, sendo reaproveitado e reempregado em ocupa\u00e7\u00f5es urbanas como nos barracos constru\u00eddos em muitas comunidades e sob viadutos, um reflexo de profundas desigualdades sociais.<br>O primeiro trabalho da s\u00e9rie <em>Tapumes<\/em>, no esp\u00edrito de pintura-instala\u00e7\u00e3o, \u00e9 apresentado em 2004 no programa <em>Proj\u00e9teis <\/em>da FUNARTE, no Pal\u00e1cio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-12.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-363\" style=\"width:674px;height:441px\" width=\"674\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-12.jpg 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-12-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-12-510x335.jpg 510w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Tapumes <\/em>(2004). Madeira compensada, 4 x 12 x 1,1m.<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Uma nova s\u00e9rie nomeada <em>Imersivos <\/em>designa um mergulho para dentro da obra. Apresentado em 2007, no Ita\u00fa Cultural (S\u00e3o Paulo), a instala\u00e7\u00e3o T\u00fanel convida a uma imers\u00e3o inusitada e visceral, percorrendo um imenso organismo que conduz sensorialmente a muitas experimenta\u00e7\u00f5es, inclu\u00edda a cinematogr\u00e1fica, fazendo lembrar, ali\u00e1s, de alguns filmes que ficaram muito conhecidos por propor um percurso no corpo humano, como <em>Viagem Fant\u00e1stica <\/em>(1966), dirigido por Richard Fleischer, <em>Viagem Ins\u00f3lita <\/em>(1987), produzido por Steven Spielberg e, mais recentemente, <em>Di Humani Corporis Fabrica<\/em> (2022), dos diretores e cinegrafistas Verena Paravel e Lucien Castaing-Taylor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-13.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-364\" style=\"width:611px;height:411px\" width=\"611\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-13.jpg 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-13-300x202.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-13-510x344.jpg 510w\" sizes=\"(max-width: 611px) 100vw, 611px\" \/><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-14.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-365\" style=\"width:614px;height:413px\" width=\"614\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-14.jpg 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-14-300x202.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-14-510x344.jpg 510w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>T\u00fanel<\/em> (2007). Vistas internas. Madeira compensada, PVC, cera de abelha, 2 x 30 x 3m.<br><em>Trabalhos em espa\u00e7os externos<\/em><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ao ocupar \u00e1reas externas das cidades e suas constru\u00e7\u00f5es, os grandes tapumes das instala\u00e7\u00f5es de Oliveira pulsam como formas vivas e introduzem um surpreendente universo on\u00edrico nos espa\u00e7os p\u00fablicos. No texto <em>Tapumes <\/em>composto para o Pr\u00eamio CNI SESI Marcant\u00f4nio Vila\u00e7a 2009\/10, Ricardo Resende escreve: \u201cHenrique Oliveira construiu uma grande instala\u00e7\u00e3o que aconteceu no centro de Porto Alegre. A grande escultura ou a grande instala\u00e7\u00e3o ou ainda a grande pintura sa\u00eda de dentro de uma casa velha, como se esta estivesse regurgitando para a cidade a sua mem\u00f3ria viva. Chegava a ser uma vis\u00e3o assustadora. Uma situa\u00e7\u00e3o que se via de fora, da rua ou da cal\u00e7ada oposta. Quando se caminhava por ali ou pelas janelas dos carros, era uma surpresa avistar a instala\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-15-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-367\" style=\"width:656px;height:936px\" width=\"656\" height=\"936\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-15-1.jpg 359w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-15-1-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Tapumes \u2013 Casa dos Le\u00f5es<\/em> (2009). VII Bienal do Mercosul, Porto Alegre.<br>Foto: Eduardo Ortega<br><em>Moinho<\/em><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A bienal holandesa de <em>IJssel<\/em>, tradicionalmente realizada com exposi\u00e7\u00f5es a c\u00e9u aberto, explorou na edi\u00e7\u00e3o de 2021 a liga\u00e7\u00e3o entre pessoas e paisagem. Intitulada <em>TIJ, TIME and TEMPORARILY<\/em> (Mar\u00e9, tempo e temporalidade, em livre tradu\u00e7\u00e3o), a curadoria prop\u00f4s reflex\u00f5es sobre o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na paisagem a partir das seguintes quest\u00f5es: <em>Que efeitos as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ter\u00e3o sobre a paisagem e seus habitantes? O que pode ser feito para minimizar ou prevenir os efeitos? E que oportunidades ela possivelmente oferece? Que efeito tem o fator TEMPO na nossa paisagem e nos desafios?<\/em> Henrique Oliveira participa com a obra ef\u00eamera <em>Moinho<\/em>, com a perspectiva de reafirmar o universo cambiante entre o impremedit\u00e1vel e o imagin\u00e1rio, uma opera\u00e7\u00e3o no limiar entre os tecidos da fic\u00e7\u00e3o e da realidade. Sobre essa dualidade, em entrevista \u00e0 revista <em>on line<\/em> <em>designboom<\/em> (<a href=\"https:\/\/www.designboom.com\/art\/henrique-oliveira-intervening-fabric-reality-interview-05-18-2021\/\">https:\/\/www.designboom.com\/art\/henrique-oliveira-intervening-fabric-reality-interview-05-18-2021\/<\/a>) Oliveira nos conta: \u201cinteressa-me muito a ideia de intervir no tecido do real.&nbsp;Isto fala da relev\u00e2ncia da escultura no mundo contempor\u00e2neo, da sua capacidade de sobreviver fora da aura protetora do museu e de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o com p\u00fablicos para al\u00e9m dos habituais frequentadores de espa\u00e7os dedicados \u00e0 arte\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-16.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-368\" style=\"width:661px;height:439px\" width=\"661\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-16.jpg 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-16-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-16-510x340.jpg 510w\" sizes=\"(max-width: 661px) 100vw, 661px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Moinho<\/em> (2021). IJssel Biennale, Holanda. Madeira compensada e terra. 4 x 12 x 8m.<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-17.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-369\" style=\"width:668px;height:446px\" width=\"668\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-17.jpg 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-17-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-17-510x342.jpg 510w\" sizes=\"(max-width: 668px) 100vw, 668px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Moinho<\/em> (detalhe).<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Para concluir esta postagem, nos ocorreu colocar lado a lado as obras <em>Drifter<\/em> e <em>Xilonoma Chamusquius<\/em>, pensando em sugerir breves considera\u00e7\u00f5es que apontam similaridades e distanciamentos entre o coletivo <em>Drift<\/em> e Henrique Oliveira. Diante do observador, o cubo de <em>Drifter<\/em> (n\u00e3o esteve na mostra do CCBB), feito aparentemente de concreto armado, flutua misteriosamente no espa\u00e7o. J\u00e1 na proposi\u00e7\u00e3o de Oliveira entranhas chamuscadas irrompem ocupando o ambiente. <em>Drift<\/em> argumenta que seu trabalho se refere ao livro <em>Utopia<\/em> (Thomas More, 1516) e sonha o improv\u00e1vel; Oliveira constr\u00f3i um t\u00edtulo remetido \u00e0 nomenclatura cient\u00edfica, apresentando a ideia de um tumor de madeira e emprestando a sensa\u00e7\u00e3o de se presenciar um abcesso proeminente e irrefre\u00e1vel.&nbsp;&nbsp;<br>Est\u00e3o presentes, em ambos planos po\u00e9ticos, paralelos carregados de contextos metam\u00f3rficos e que discutem coexist\u00eancia e transitoriedade. Contudo, para al\u00e9m das disparidades entre a tecnologia digital de um e a engenharia org\u00e2nica de outro, desperta-nos um certo interesse a evoca\u00e7\u00e3o de distintas materialidades, supostamente evidenciadas na acarea\u00e7\u00e3o entre o cimento e a madeira; mem\u00f3ria mineral no bloco de concreto em contraposi\u00e7\u00e3o com a mem\u00f3ria vegetal do compensado; os contrastes entre as sinas no processo de coes\u00e3o cubiforme (concreto armado) em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 celulose fragmentada (vegetal desaglomerado); o cubo sint\u00e9tico inanimado versus a forma org\u00e2nica viva; linhas retas inflex\u00edveis x linhas curvas e dobr\u00e1veis. Enquanto o cubo \u00e9 insond\u00e1vel, o tapume se abre para interioridades.<\/p>\n\n\n\n<p>Real\u00e7a uma conflu\u00eancia, de toda forma, que coloca em pauta as ilimitadas extrapola\u00e7\u00f5es sobre o meio ambiente, causa de brutal devasta\u00e7\u00e3o da natureza e que sugere, em uma perspectiva cr\u00edtica, a retomada de territ\u00f3rios ancestrais, um ato de reterritorializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-25.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-370\" style=\"width:666px;height:500px\" width=\"666\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-25.png 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-25-300x225.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-25-510x384.png 510w\" sizes=\"(max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">&nbsp;<em>Drifter<\/em> (2017-21)<br>T\u00e9cnica mista, rob\u00f3tica, sistema de rastreamento.<br>4,0 x 2,0 x 2,0m<br>Foto: Ronald Smits<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-26.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-371\" style=\"width:671px;height:492px\" width=\"671\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-26.png 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed-26-300x220.png 300w\" sizes=\"(max-width: 671px) 100vw, 671px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Xilonoma Chamusquius<\/em> (2010).<br>Madeira compensada queimada, pigmentos<br>3,3 x 4,4 x 0,9m.<br>Foto: Everton Ballardin<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>DRIFT \u2013 vida em coisas<\/em>. Cat\u00e1logo do Centro Cultural Banco do Brasil. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/ccbb.com.br\/programacao-digital\/acervo-digital\/\">https:\/\/ccbb.com.br\/programacao-digital\/acervo-digital\/<\/a>&gt;. Acessado em 15\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p><em>DRIFT<\/em>. P\u00e1gina do Studio Drift na internet. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/studiodrift.com\/&gt;. Acessado em 09\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Studio DRIFT. Canal no YouTube. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/www.youtube.com\/@studiodrift5342&gt; Acessado em 01\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Movimentos vegetais<\/em>. Blog de biologia no portal UOL. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/biologia\/movimentos-vegetais.htm\">https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/biologia\/movimentos-vegetais.htm<\/a>&gt; Acessado em 01\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Two Years After Studio Drift\u2019s Floating Monolith Dazzled the Armory Show, It\u2019s Back and It\u2019s Bigger Than Ever<\/em>. Artnet News. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/news.artnet.com\/art-world\/finland-studio-drift-1481722&gt; Acessado em 01\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Henrique Oliveira. P\u00e1gina do artista na internet. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"http:\/\/www.henriqueoliveira.com\/defaultBR.asp\">http:\/\/www.henriqueoliveira.com\/defaultBR.asp<\/a>&gt;. Acessado em 01\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Tapumes. Ricardo Resende. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/www.henriqueoliveira.com\/portu\/depo2.asp?cod_menu=2&amp;flg_Lingua=1&amp;cod_Depoimento=32&gt;. Acessado em 03\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p><em>De Humani Corporis Fabrica<\/em>. Trailer do document\u00e1rio. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wBu0Dh8wy0U&gt;. Acessado em 05\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p><em>rooted in nature, henrique oliveira reflects on intervening in the fabric of reality<\/em>. Revista designboom. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/www.designboom.com\/art\/henrique-oliveira-intervening-fabric-reality-interview-05-18-2021\/&gt;. Acessado em 06\/06\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p><em>IJsselbi\u00ebnnale 2023<\/em><strong>. Henrique Oliveira, Mill. <\/strong>Dispon\u00edvel em &lt; https:\/\/ijsselbiennale.nl\/kunstenaars\/henrique-oliveira\/&gt;. Acessado em 06\/06\/2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mauro Esp\u00edndola Os termos arte, natureza e tecnologia formam uma instigante conex\u00e3o com nosso atual projeto de pesquisa, implicado em processos de cria\u00e7\u00e3o que produzem converg\u00eancias com conceitos e imagens em seus respectivos desdobramentos e procedimentos na dire\u00e7\u00e3o dessa triangula\u00e7\u00e3o. A partir dessas experi\u00eancias sugere-se, nesta breve postagem, uma aprecia\u00e7\u00e3o sobre pr\u00e1ticas art\u00edsticas lan\u00e7adas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":370,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,3],"tags":[36,42,44,39,38,43,41],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=357"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":393,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/357\/revisions\/393"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artenaturezatecnologia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}