A arte de nossa aldeia


 30/jul/2011, 7h00min

A arte de nossa aldeia

Os prêmios são uma tradição de longa data e são importantes para as categorias profissionais. Eles têm o sentido, tanto de auto reconhecimento do próprio grupo de especialistas, de seus valores e de seu desenvolvimento, quanto de difusão social da categoria no âmbito da sociedade. Não por acaso, tantos prêmios são entregues anualmente; desde os mais internacionalmente reconhecidos, como o Nobel ou o Oscar, até os mais singelos, como os destaques da escola do bairro. Talvez, alguns deles sejam apenas jogadas de marketing, ou mesmo, tenham seus resultados francamente manipulados, mas isso não invalida a existência deste tipo de reconhecimento. Afinal, valorizar, destacando méritos, é uma forma de estimular a continuidade de um investimento no crescimento e na qualificação.

Por isso, aproveito o ensejo da exposição que se encontra no Paço Municipal de Porto Alegre, apresentando os ganhadores do V Premio Açorianos de Artes Plásticas, promovido pela Secretaria de Cultura do município, para comentar esta premiação. O Prêmio Açorianos é o mais importante para as categorias artísticas da cidade de Porto Alegre, tendo sido instituído pela Prefeitura Municipal, em 1977, para os melhores de cada ano em teatro e dança. A partir de 1990, começaram a ser premiados os melhores do ano em música, a partir de 1994, os melhores do ano em literatura e, a partir de 2006, também, os melhores em Artes Plásticas.

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O prestígio recebido por essa distinção é representativo da importância que a comunidade dá ao seu campo artístico, o quanto reconhece e valoriza esta produção. Que ela seja mais conhecida e reconhecida também faz parte de nossa formação cultural enquanto coletividade. Afinal, não vivemos só de Grammy e Oscar, estes, aliás bem distante de nossa realidade, representam de certa forma uma subserviência cultural nada produtiva. Nós somos o que realizamos, e, se não nos reconhecemos nisso, estamos com a auto-imagem bastante fragilizada e deveríamos nos indagar um pouco mais sobre essa condição. Não é somente a dependência econômica e política que deve ser questionada. Para que uma produção artística se desenvolva ela precisa de apoio econômico, mas precisa, principalmente, de reconhecimento de sua comunidade de origem. Que o universal se nutre do local é um tema bastante antigo e conhecido, mas pouco vivenciado.

O Premio Açorianos de Artes Plásticas – nome de alcance simbólico, que homenageia os fundadores da cidade – foi criado pelo empenho da então Coordenadora do setor na Prefeitura, Ana Luz Pettini, com seu grupo de colaboradores. O premio, que vem nomeando talentos e trabalhos realizados a cada ano, consiste de um troféu – escultura especialmente criada para o evento por Xico Stockinger – e uma quantia em dinheiro oferecida para a categoria Artista Destaque Especial do Ano. Já foram premiados nesta categoria, em 2006, Luciano Zanette, em 2008, Walmor Corrêa, em 2009, Karin Lambrecht, em 2010, Flávio Gonçalves e em 2011, Martin Streibel.

As demais categorias premiadas são: Artista Homenageado, Melhor Exposição Individual e Melhor Exposição Coletiva, Destaque em Pintura, em Escultura, em Desenho, em Cerâmica, em Gravura, em Mídias Tecnológicas, em Fotografia, Artista Revelação, Projeto Alternativo, Curadoria de Exposição, Produção de Textos Sobre Artes Plásticas, Espaço Institucional e Apoio/Patrocínio. Na edição deste ano, o certame destaca, ainda, os 50 anos do Atelier Livre, com alguns troféus especiais. Considerando que a arte contemporânea tem como proposta a diluição das categorias,tradicionais (pintura, escultura, desenho…) criando mesclas e borrando limites; a manutenção desta divisão nos destaques do premio gera alguns problemas: dificulta, muitas vezes o trabalho dos jurados e confunde o público.

O processo de seleção conta com duas equipes de jurados, uma de indicação e outra de premiação, constituídas por especialistas – artistas, professores, críticos, curadores – escolhidos entre representantes das diversas instituições da área. Os resultados da seleção com a entregada dos prêmios é feita no Teatro Renascença, em uma festa que reúne a comunidade das artes Plásticas, com seus diferentes grupos, todos juntos para comemorar – 8 de maio, Dia do Artista Plástico – os destaques das diferentes categorias. Muita gente feliz, alguns desiludidos, mas sempre restando a esperança de que no próximo ano haverá outra edição, e aqueles que não levaram os troféus deste ano poderão ter uma nova chance.

3Complementando o evento, ocorre, ainda, a Exposição de trabalhos dos premiados, na Pinacoteca Aldo Locatelli, no Paço Municipal. Pode-se dizer que o local não dá conta de apresentar uma real amostragem da produção de cada premiado, eles são muitos, e só é apresentado um trabalho de cada artista. No entanto, ela oferece uma idéia da variedade das tendências artísticas em desenvolvimento no Estado, e uma oportunidade de saber o que vai acontecendo nas Artes Plásticas, em uma perspectiva bem democrática.

 

Podes ler o texto original na página do SUL21 Aqui.

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