{"id":1026,"date":"2001-10-13T00:18:43","date_gmt":"2001-10-13T00:18:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1026"},"modified":"2017-08-20T21:22:05","modified_gmt":"2017-08-20T21:22:05","slug":"identidade-uma-memoria-a-ser-enfrentada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2001\/10\/13\/identidade-uma-memoria-a-ser-enfrentada\/","title":{"rendered":"Identidade, uma mem\u00f3ria a ser enfrentada"},"content":{"rendered":"<h4><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/13.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1034\" title=\"1\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/13-1024x486.png\" alt=\"\" width=\"744\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/13-1024x486.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/13-300x142.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/13.png 1348w\" sizes=\"(max-width: 744px) 100vw, 744px\" \/><\/a>Artigo para\u00a0<em><a title=\"revista periscope\" href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/casthaliamagazine2.htm\" target=\"_blank\">Revista Periscope<\/a> &#8211; <\/em>Espa\u00e7o de veicula\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos e reflex\u00f5es de artistas. &#8211; N\u00ba 2, Ano 1, Out. 2001<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-size: xx-large;\">Identidade, uma mem\u00f3ria a ser enfrentada.<\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><i>Maria Am\u00e9lia Bulh\u00f5es<\/i><\/p>\n<p><i>&#8220;La memoria que nadie puede censurar. La memoria que vamos elegiendo para nuestra legitimaci\u00f3n en el mundo. La memoria que sirve para que otros recuperem la suja. La memoria de un hombre que, unida a otra y otra y a otra llega a formar la memoria de todos los hombres.&#8221;<br \/>\nNelson Herrera Ysla<\/i><br \/>\nO indiv\u00edduo realiza, a cada momento, reelabora\u00e7\u00f5es daquelas recorda\u00e7\u00f5es que melhor lhe permitem estruturar seu presente, de maneira que, o passado se refaz constantemente num devir. Tamb\u00e9m socialmente, em cada \u00e9poca e em cada local, os homens recorrem a diferentes usos das lembran\u00e7as coletivas como forma de compreender, ou justificar, o presente. A mem\u00f3ria funciona assim como um referente das identidades, pois \u00e9 nela que est\u00e3o guardadas as mais caras lembran\u00e7as \u00e9 nela que se nutrem as redes sociais de sentido. \u00c9 ela que faz reviver um passado que, presente em cada um, conduz escolhas e possibilidades de constru\u00e7\u00e3o de um futuro. Manter viva a mem\u00f3ria coletiva \u00e9 uma maneira de impedir o vazio, de evitar a destrui\u00e7\u00e3o das identidades. N\u00e3o um passado embalsamado, servindo de refer\u00eancia a uma hist\u00f3ria que conserva privil\u00e9gios de minorias mas sim lembran\u00e7as vivas, capazes de concorrerem na descoberta dos sentidos sociais. Identidades que existem em cada um, enquanto hist\u00f3ria vivida, enquanto cadeia de gera\u00e7\u00f5es, embora na maioria das vezes socialmente se busque constru\u00ed-la de maneira artificial, enquanto ideologias e mascaramentos.<br \/>\nMas, na contemporaneidade, problem\u00e1ticas mais complexas se introduzem no campo das identidades. A globaliza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das redes de informatiza\u00e7\u00e3o estabeleceu uma intercomunica\u00e7\u00e3o de signos que rompeu com as territorialidades impondo a temporalidade do presente permanente. Como se comportam as redes de sentido tradicionais e os v\u00ednculos de coes\u00e3o social nesta nova din\u00e2mica internacional?<br \/>\nEsta complexidade \u00e9 mais dif\u00edcil de ser abordada em pa\u00edses sujeitos a uma condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de periferia e domina\u00e7\u00e3o. Um franc\u00eas pouco se pergunta sobre sua identidade, ela est\u00e1 inscrita no cotidiano da vida social e cultural de seu pa\u00eds, com todas as suas conseq\u00fc\u00eancias. No Brasil, no entanto, esse questionamento ressurge continuamente em nossa tradi\u00e7\u00e3o cultural. Como bem analisou Octavio Souza, a identidade nacional brasileira \u00e9 ing\u00eanua nos per\u00edodos do neo classicismo e do romantismo, se torna cientificista no final do s\u00e9culo XIX, ganha teor revolucion\u00e1rio na d\u00e9cada de 50 e permanece hoje como tema da cr\u00edtica sociol\u00f3gica, antropol\u00f3gica ou liter\u00e1ria.(<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#nota1\">1<\/a>)<a name=\"texto1\"><\/a><br \/>\nEste n\u00e3o parece ser um debate superado, pelo contr\u00e1rio reaparece continuamente, sob o manto de distintas colora\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Neste momento, em que os processos de internacionaliza\u00e7\u00e3o da cultura colocam na ordem do dia a renova\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os de identidade cultural regionais, o tema retorna. Os indiv\u00edduos, em geral, buscam encontrar nos seus referenciais locais \u00e2ncoras para sobreviver a homogeneiza\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 imposta pela sociedade de consumo, em seu af\u00e3 de ampliar mercados. Quando se questiona o papel transformador dos meta-discursos, evidenciam-se as impossibilidades de modelos nacionalistas, j\u00e1 experimentados sem sucesso. Assim um amplo debate se estabelece, buscando novos v\u00ednculos de coes\u00e3o, que permitam pensar as identidades nesta din\u00e2mica nacional\/internacional da crise das utopias. As corriqueiras oposi\u00e7\u00f5es interno\/externo, passado\/futuro, nacional\/internacional, organizadas em l\u00f3gica bin\u00e1rias n\u00e3o parecem mais se adequar nesta ordem descentralizada.<br \/>\nOs atores sociais que buscam abordar a problem\u00e1tica da identidade em l\u00f3gicas mais ramificadas parecem ter mais sucesso. Eles trabalham com modelos provis\u00f3rios, com recortes mais complexos que correspondem as novas organiza\u00e7\u00f5es do poder e as rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas da ordem social. Sem respostas definitivas, no \u00e2mbito deste tema algumas explora\u00e7\u00f5es reflexivas se desenvolvem.<br \/>\nComo abordar, de forma mais cr\u00edtica, identidades mais ramificadas?<br \/>\nPara responder a esta quest\u00e3o \u00e9 preciso, de antem\u00e3o, reconhecer as dificuldades com o enfrentamento do passado, no Brasil(<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#nota2\">2<\/a>)<a name=\"texto2\"><\/a>. Um passado de depend\u00eancia e domina\u00e7\u00e3o, no qual, ao mesmo tempo, as elites locais exerciam uma coer\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel sobre os povos ind\u00edgenas e africanos, e submetiam-se a uma subalternidade humilhante em rela\u00e7\u00e3o aos seus pares europeus. Uma cadeia perversa de sujei\u00e7\u00e3o, que condicionou, no universo ideol\u00f3gico das elites, o reconhecimento do conchavo e do apadrinhamento como pr\u00e1ticas louv\u00e1veis e desej\u00e1veis, al\u00e9m de uma passiva aceita\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de periferia. Um passado constru\u00eddo sobre a explora\u00e7\u00e3o do trabalho escravo, que procura esconder a negritude da maioria da popula\u00e7\u00e3o, sob mascarados preconceitos raciais, que ocultam verdadeiras discrimina\u00e7\u00f5es sociais. Escravid\u00e3o que ensinou a conviv\u00eancia com n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o do trabalho e de viol\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao ser humano que justificam uma presen\u00e7a, quotidiana, da mis\u00e9ria e da degrada\u00e7\u00e3o. Escravid\u00e3o, que construiu no imagin\u00e1rio social um desvalor do trabalho manual, com conseq\u00fc\u00eancias funestas na estrutura produtiva e nas pr\u00e1ticas art\u00edsticas.(<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#nota3\">3<\/a>)<a name=\"texto3\"><\/a> Este passado fala de fatos que, a maioria, gostaria que n\u00e3o houvessem ocorrido, mas ao deneg\u00e1-lo, sob forma de amn\u00e9sia coletiva, est\u00e3o favorecendo seu retorno recalcado em leituras acr\u00edticas e fantasiosas.<br \/>\nA mem\u00f3ria \u00e9 \u00fanica e m\u00faltipla ao mesmo tempo, ela pertence a cada indiv\u00edduo mas ela pertence a sociedade e n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de disassoci\u00e1-las. Por isso, encarar de frente um passado comum, pode restituir, a cada cidad\u00e3o, individual e socialmente, a capacidade de reconhecer sua identidade, aquela que traz marcada em seu ser, a ferro e fogo pela hist\u00f3ria de seus ancestrais. Assumir esta hist\u00f3ria talvez restitua-lhes a capacidade de interferir na constru\u00e7\u00e3o de um futuro mais pluralista. Por\u00e9m, \u00e9 mais c\u00f4modo manter esta amn\u00e9sia coletiva que afasta os indiv\u00edduos de sua identidade, para continuar ingenuamente, procurando por ela em um passado dourado e glorioso. Este tem sido o processo social mais tradicional levado a cabo por amplos setores da cultura nacional. Entretanto, atores mais cr\u00edticos desta mesma intelectualidade t\u00eam assumido, ao longo de sua hist\u00f3ria, de forma dolorosa e profunda, esta tarefa de desenterramento.<br \/>\nNos momentos de tens\u00e3o, em que se constituem novos desafios para a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, nutre-se uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica bastante rica na qual muitos equ\u00edvocos hist\u00f3ricos podem tomar outro endere\u00e7amento, a partir dos processos de simboliza\u00e7\u00e3o que as artes realizam.<br \/>\nInteressa aqui, especialmente, detectar como, no campo das artes pl\u00e1sticas, este trabalho cr\u00edtico tem sido realizado nos \u00faltimos anos, analisando suas possibilidades, limites e perspectivas. Para desenvolver esta an\u00e1lise, \u00e9 importante identificar os marcos de um panorama internacional no qual as propostas locais integram-se, uma vez que esta produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica n\u00e3o pode ser pensada fora de uma internacionaliza\u00e7\u00e3o no bojo da qual ela se formou. Muito mais ainda neste momento em que o processo de globaliza\u00e7\u00e3o dissemina a l\u00f3gica de uma cultura unit\u00e1ria e homogeneizadora.<br \/>\nNeste panorama, vale destacar um processo de estetiza\u00e7\u00e3o generalizado, que atua em diversos n\u00edveis da sociedade. Exemplos contundentes deste processo, dominante na realidade em diferentes inst\u00e2ncias, desde o cotidiano at\u00e9 a pol\u00edtica, podem ser identificados, mais claramente, na publicidade. Ela \u00e9 capaz de transformar qualquer tipo de produto em um prot\u00f3tipo de beleza, e signo de uma forma de vida ideal. Para a publicidade, que cobre de belas imagens o cotidiano de milhares de indiv\u00edduos, n\u00e3o existem pessoas feias ou defeituosas, n\u00e3o existe pobreza ou sujeira. O mundo se tornou, sob sua \u00f3tica, asceticamente perfeito. A pr\u00f3pria guerra passou a ser &#8216;est\u00e9tica&#8217;, em suas formas televisivas. Nenhuma imagem mais, choca os indiv\u00edduos envolvidos pela prote\u00e7\u00e3o visual da sociedade do simulacro.<br \/>\nMas, como afirma Wolfang Welsch, &#8216;Onde tudo \u00e9 belo, nada mais \u00e9 belo; estimula\u00e7\u00e3o ininterrupta conduz ao embotamento; estetiza\u00e7\u00e3o vira anestetiza\u00e7\u00e3o&#8230;. No meio da hiperestetiza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 necessidade de \u00e1reas esteticamente baldias'(<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#nota4\">4<\/a>)<a name=\"texto4\"><\/a><br \/>\nNeste universo de imagens, belas e vazias, setores mais cr\u00edticos das artes pl\u00e1sticas desempenham a \u00e1rdua tarefa de criar &#8216;\u00e1reas esteticamente baldias&#8217;. Tentam estabelecer rupturas nesta falsa perfei\u00e7\u00e3o, remetendo cada espectador de volta para um mundo bem menos ideal, mas, talvez, muito mais humano. Evidenciando os aspectos mais torpes e baixos da realidade, alguns artistas querem trazer de volta uma humanidade perdida num af\u00e3 de falsas pretens\u00f5es. Eles o fazem, rompendo radicalmente com os padr\u00f5es tradicionais de um belo idealizado, expondo o feio, o tosco e o abjeto. Estes artistas abdicam dos caminhos f\u00e1ceis, para jogar o p\u00fablico, mesmo contra sua vontade, nas profundidades do inferno. Assim como Dante, em sua Divina Com\u00e9dia, eles querem descer novamente \u00e0s profundezas da alma humana. Tarefa dif\u00edcil, em um mundo de superficialidades promovidas pela sociedade do espet\u00e1culo e da propaganda.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o mundo contempor\u00e2neo est\u00e1 re pleto de imagens, que invadem todos os espa\u00e7os, tragando cada indiv\u00edduo, e de certa forma anestesiando seu olhar. Ao fazer do olhar o grande ve\u00edculo da comunica\u00e7\u00e3o, a publicidade lan\u00e7a um desafio \u00e0s artes visuais. Como conseguir apreender a aten\u00e7\u00e3o de um espectador acostumado ao ritmo vertiginoso do zapping publicit\u00e1rio?<br \/>\nGilbert Drurand afirma que &#8216;h\u00e1 muitas formas de iconoclasmo. Uma, por falta, puritana, \u00e9 a de Bizancio\u2026A outra, mais insidiosa, \u00e9 de algum modo, por excesso&#8230;&#8230;o iconoclasmo da segunda esp\u00e9cie, por excesso, por evapora\u00e7\u00e3o do sentido, foi o tra\u00e7o constitutivo e continuamente agravado da cultura ocidental.'(<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#nota5\">5<\/a>) <a name=\"texto5\"><\/a>Como superar ent\u00e3o este vazio de significa\u00e7\u00e3o, caracter\u00edstico da imagem da propaganda?<br \/>\nTorna-se necess\u00e1rio interferir neste adormecimento do olhar, revitalizando este \u00f3rg\u00e3o de sentido humano, t\u00e3o solicitado e ao mesmo tempo t\u00e3o massacrado na contemporaneidade. Os setores mais cr\u00edticos das artes pl\u00e1sticas exercem o trabalho da falha e do lapso, reivindicando para a arte a presen\u00e7a do olhar. Tentam introduzir na simboliza\u00e7\u00e3o um outro sentido, um outro endere\u00e7amento, recuperando seu papel na constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, a n\u00edvel individual e social. Buscam encontrar na imagem seu car\u00e1ter latente, trabalhando com o que ela mostra em si mesma e com o que ela esconde de seu sentido. Pois as imagens, assim como as palavras, contam com seus significados n\u00e3o evidentes, que se mostram somente em um segundo ou terceiro olhar. Os artistas n\u00e3o usam o entulhamento e a repeti\u00e7\u00e3o exaustiva como forma de atordoamento, mas tentando dar \u00e0s imagens seu tempo pr\u00f3prio, esperando que o espectador as deixa falar.<br \/>\nNesta quest\u00e3o imbrica-se um terceiro desafio, com o qual se enfrentam alguns setores das artes pl\u00e1sticas, neste momento. Como assumir uma condi\u00e7\u00e3o particular e complexa de pensar o mundo atrav\u00e9s das imagens?<br \/>\nA modernidade colocou toda uma s\u00e9rie de indaga\u00e7\u00f5es, relativas aos meios expressivos e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das linguagens visuais, no centro dos questionamentos art\u00edsticos. Obteve-se, assim, a partir de in\u00fameras investiga\u00e7\u00f5es, uma s\u00e9rie de conquistas no dom\u00ednio ferramental da linguagem. O artista pl\u00e1stico pode portanto, hoje, fazer da imagem uma forma de presentifica\u00e7\u00e3o, um &#8216;estar no mundo&#8217; que o interpela. Na medida em que pode encontrar na imagem os mesmos registros &#8211; real simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio &#8211; que encontra na linguagem verbal, alguns artistas trabalham explorando este campo de alternativas. A arte contempor\u00e2nea mais cr\u00edtica nega-se a ser um elemento decorativo ou publicit\u00e1rio, ela se prop\u00f5e a assumir, com todos os riscos, essa empresa de pensar o mundo, manipulando as especificidades e as possibilidades deste pensamento visual descoberto pelas vanguardas do in\u00edcio do s\u00e9culo.<br \/>\nMas, como, dentro deste novo campo de possibilidades, construir redes de sentido? Como estabelecer v\u00ednculos de coes\u00e3o em pa\u00edses divididos por diferen\u00e7as sociais marcantes e por um passado de domina\u00e7\u00e3o? Talvez se possa pensar em identidades que se resolvem mais dial\u00e9ticamente, com l\u00f3gicas mais ramificadas, onde haja espa\u00e7o para a diferen\u00e7a. Concep\u00e7\u00f5es de identidade mais subjetivas, que expressem lutas de poder internas mas que evitem com rigor o risco de uma fragmenta\u00e7\u00e3o total. Tarefa dif\u00edcil e que somente pode ser tentada com propostas provis\u00f3rias, complexas e transit\u00f3rias. No quadro destes desafios, alguns artistas pl\u00e1sticos brasileiros t\u00eam assumido, em seus trabalhos, um exerc\u00edcio das lembran\u00e7as coletivas que podem ser uma contribui\u00e7\u00e3o ao pensar dessas identidades h\u00edbridas que aqui se constru\u00edram, sem fazer disto novos exotismo.<br \/>\nNeste texto, interessa em especial, sondar as formas como estes artistas pl\u00e1sticos t\u00eam participado desta empreitada, seus limites e suas possibilidades. Selecionou-se, para esta an\u00e1lise, tr\u00eas artistas, de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, que de distintas maneiras, abordaram aspectos da hist\u00f3ria brasileira, de maneira bastante cr\u00edtica: Jo\u00e3o C\u00e2mara, do Recife; Cildo Meireles, do Rio de Janeiro e Rosangela Ren\u00f3, de Minas Gerais. Eles se debru\u00e7aram sobre as recorda\u00e7\u00f5es coletivas, de tempos mais long\u00ednquos ou de tempos mais pr\u00f3ximos, perscrutando a constru\u00e7\u00e3o de realidades atuais nestes diferentes momentos.<br \/>\nA quest\u00e3o da viol\u00eancia social \u00e9 evidente e, muito intensa, em todos os trabalhos analisados, o que imp\u00f5e indagar sobre sua presen\u00e7a nesta sociedade e em seu imagin\u00e1rio. A viol\u00eancia, com a qual convivem quotidianamente todos os brasileiros, \u00e9 trabalhada por estes artistas como forma de constru\u00e7\u00e3o de novas condi\u00e7\u00f5es de relacionamento com a realidade. Eles buscam tornar vis\u00edvel os traumas que, socialmente, muitos se esfor\u00e7am por esquecer. Cada um deles mostra de alguma maneira como a arte, enquanto &#8216;representa\u00e7\u00e3o&#8217;- dispositivo imagin\u00e1rio &#8211; pode processar, em identidades fr\u00e1geis e amb\u00edguas, esta viol\u00eancia real de lembran\u00e7as que se tornaram perversas e destruidoras pelo recalque de uma amn\u00e9sia coletiva.<br \/>\nJo\u00e3o C\u00e2mara, por exemplo, desenvolveu uma s\u00e9rie de trabalhos sobre os momentos finais do governo de Getulio Vargas que entitulou &#8216;Cenas da vida brasileira -1930-1954. Nestas telas, ele fragmenta o espa\u00e7o pict\u00f3rico num processo obsessivo de desconstru\u00e7\u00e3o\\reconstru\u00e7\u00e3o, fazendo emergir os sentimentos contradit\u00f3rios que estiveram envolvidos neste processo hist\u00f3rico. Sentimentos que, presentes ainda hoje no imagin\u00e1rio da sociedade brasileira, justificam as dificuldades encontradas pelos historiadores em sua abordagem. Estas imagens falam de emo\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias, de uma forma muito mais intensa e complexa do que o conseguem as an\u00e1lises de documentos de \u00e9poca.<br \/>\nPode-se afirmar que, de alguma maneira, a perversa cadeia de domina\u00e7\u00e3o, que faz das elites locais, ao mesmo tempo, senhores e servos, se materializa nestes corpos contorcidos e fragmentados. S\u00e3o formas que dizem de uma unidade imposs\u00edvel, por\u00e9m desejada. A quase monocromia das telas n\u00e3o esconde a viol\u00eancia destes acontecimentos que envolveram assassinatos e suic\u00eddios, mobilizando multid\u00f5es revoltadas pelas ruas, em todo o pa\u00eds. Pelo contr\u00e1rio, ela emerge pulsante, sob os terrosos e os vermelhos.<br \/>\nQuem conhece os rostos dos personagens pode encontr\u00e1-los, um a um, desfilando despeda\u00e7ados pelo espa\u00e7o pict\u00f3rico. Mas, quem n\u00e3o os conhece nada perde da for\u00e7a expressiva dos acontecimentos pois, apesar de figurativos, os trabalhos dizem, enquanto poesia dram\u00e1tica, superando qualquer relato descritivo dos fatos. Por isso, eles s\u00e3o ricos no sentido de possibilitarem a emerg\u00eancia de um passado recalcado, de uma viol\u00eancia degradante, desumana, que transforma indiv\u00edduos em marionetes desarticulados. Pode-se dizer que s\u00e3o quadros \u00e9picos, um \u00e9pico \u00e0s avessas, que questiona o her\u00f3ico, que n\u00e3o conduz os personagens a palcos e gl\u00f3rias, mas os atira destro\u00e7ados nos abismos de sua humanidade contradit\u00f3ria.<br \/>\nExplorando \u00e0 exaust\u00e3o as ambig\u00fcidades do governo Vargas, Jo\u00e3o C\u00e2mara realizou um trabalho que o classifica como um pintor hist\u00f3rico, no sentido de uma tradi\u00e7\u00e3o que remonta ao s\u00e9culo XIX. Mas ele renova esta tradi\u00e7\u00e3o introduzido uma cr\u00edtica contempor\u00e2nea radical, que se constr\u00f3i atrav\u00e9s da fragmenta\u00e7\u00e3o das imagens. Sua import\u00e2ncia adv\u00e9m de um total compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de um discurso, onde significante e significado interagem. Um discurso qu e n\u00e3o oculta, mas pelo contr\u00e1rio, p\u00f5e a mostra as a irregularidades dessas lembran\u00e7as coletivas.<br \/>\nCildo Meireles utiliza recursos pl\u00e1sticos totalmente diversos; ele trabalha com instala\u00e7\u00f5es, uma categoria art\u00edstica dif\u00edcil de definir. Um de seus primeiros e mais pol\u00eamicos trabalhos foi &#8216;Tiradentes: Totem homenagem ao preso pol\u00edtico&#8217;. Ele instalou em uma pra\u00e7a p\u00fablica, em Belo Horizonte, um poste de madeira onde amarrou galinhas vivas e ao qual ateou fogo. A morte dos animais, seus ru\u00eddos desesperados e o fogo ardendo eram imagens de uma viol\u00eancia total, dizendo ao p\u00fablico estarrecido da viol\u00eancia de sua sociedade. A dor pela morte dos animais colocava-os frente a uma dor maior, pelas mortes terr\u00edveis a que foram submetidos muitos homens em diferentes momento da hist\u00f3ria brasileira. Se muitas pessoas reagiam enco lerizados contra a morte dos animais, com duras cr\u00edticas ao seu trabalho, porque ent\u00e3o se submetiam calados \u00e0s agress\u00f5es que estavam sendo cometidas, quotidianamente, contra in\u00fameros setores da popula\u00e7\u00e3o?<br \/>\nDe certa forma, Cildo colocava o espectador frente a frente com a denega\u00e7\u00e3o permanente da viol\u00eancia que a sociedade brasileira realiza, no ocultamento de seu passado.<br \/>\nMais recentemente, ele realizou outro trabalho em que volta seu olhar para a hist\u00f3ria de seu pa\u00eds. Numa instala\u00e7\u00e3o, elaborada dentro de um projeto denominado &#8220;Miss\u00f5es&#8217;, o artista construiu um enorme superf\u00edcie quadrangular, qual um gigantesco recipiente repleto de moedas brilhantes. Pendentes do teto, sobre esta superf\u00edcie, presos por fios invis\u00edveis, caiam ossos. Uma coluna de h\u00f3stias interligava os ossos \u00e0s moedas. Do conjunto emanava, ao mesmo tempo, uma id\u00e9ia de morte e uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel ao olhar, pelo brilho das moedas. A rela\u00e7\u00e3o entre os materiais utilizados, moedas, ossos e h\u00f3stias, deixava bem claro que riqueza e morte foram as duas faces de uma mesma realidade, e de que a religi\u00e3o cat\u00f3lica participou de maneira marcante deste banquete. A explora\u00e7\u00e3o do trabalho humano, para o qual a maioria fecha seus olhos, \u00e9 a fonte de todas as riquezas que se produziram neste pa\u00eds, desde o tempo da col\u00f4nia. Explora\u00e7\u00e3o que ainda permanece, e que se presentificava na dimens\u00e3o traum\u00e1tica da obra de Cildo Meireles.<br \/>\nRosangela Ren\u00f3 tem um trabalho tamb\u00e9m diferente dos anteriores, ela organiza ambientes com fotos. N\u00e3o se pode dizer que ela seja uma fot\u00f3grafa no sentido usual do termo, pois n\u00e3o realiza necessariamente as foto que utiliza. Ela as procura por suas imagens como uma esp\u00e9cie particular de ready- made, objetos pr\u00e9-fabricados, deposit\u00e1rios de lembran\u00e7as an\u00f4nimas. Segundo Paulo Herkenhoff &#8216;Aqui est\u00e1 uma ir\u00f4nica refer\u00eancia \u00e0 contru\u00e7\u00e3o e a busca de aura na fotografia. Para a artista, a amn\u00e9sia social embutida na ideologia ou deliberadamente provocada alimenta-se da pr\u00f3pria fotografia, na pervers\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria isual para ent\u00e3o produzir recalcamento(<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#nota6\">6<\/a>)<a name=\"texto6\"><\/a>. Ao tentar lutar contra a amn\u00e9sia que a sociedade imp\u00f5e, Rosangela Ren\u00f3 revida com seu pr\u00f3prio veneno: a impessoalidade levada ao extremo.<br \/>\nEm seu trabalho &#8216;Imemorial&#8217;, por exemplo, ela consultou os arquivos da Novacap (empresa construtora de Bras\u00edlia), em busca de fotos de oper\u00e1rios mortos durante a constru\u00e7\u00e3o da cidade. Encontrando nestes arquivos, inesperadas imagens de crian\u00e7as oper\u00e1rias, ela as incorporou em seu trabalho. As fotografias em pel\u00edcula ortocrom\u00e1tica dos mortos, ampliadas e colocadas no piso em bandejas de metal, davam id\u00e9ia de tumbas, contrastando de forma chocante com as foto em cores escuras, das crian\u00e7as, nas paredes. As imagens &#8216;presentificam&#8217; uma cadeia de explora\u00e7\u00e3o do trabalho, que faz parte da hist\u00f3ria nacional e cuja viol\u00eancia na maioria das vezes se quer esquecer. A explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e o mortic\u00ednio fizeram parte da hist\u00f3ria desta capital moderna desde a sua origem. Com seu trabalho, Rosangela quer impedir que isto seja esquecido.<br \/>\nA exclus\u00e3o social do indiv\u00edduo e, a sua nega\u00e7\u00e3o enquanto sujeito, \u00e9 tratada por ela nos retratos, sequenciados e indiferenciadamente repetidos, que transmitem uma sensa\u00e7\u00e3o de ausente presen\u00e7a em &#8216;Cicatrizes&#8217;. Esta forma de nega\u00e7\u00e3o do sujeito \u00e9 o tema que ela retoma quando recolheu fotos do arquivo m\u00e9dico de um pres\u00eddio, de 1920-40. Foram mais de 15000 fotos processadas. Estas fotos mostravam marcas, cicatrizes, tatuagens, formas de fuga ao anonimato da condi\u00e7\u00e3o destes indiv\u00edduos, cujo encarceramento e indiferencia\u00e7\u00e3o de tratamento negavam a individualidade humana. Nestas amb\u00edguas &#8216;marcas pessoais&#8217; ela identificava a hist\u00f3ria de uma viol\u00eancia cont\u00ednua e reinteirada. As fotos expostas contam a trajet\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira com os presos, fazendo deles &#8216;n\u00e3o indiv\u00edduos&#8217;. Mas elas mostram, tamb\u00e9m as rea\u00e7\u00f5es destes, tentando atrav\u00e9s de cicatrizes e tatuagens marcar sua individualidade t\u00e3o fr\u00e1gil.<br \/>\nCada um a sua maneira, estes artistas, com suas &#8216;obras&#8217;, tentam revelar verdades desagrad\u00e1veis de um passado, que a maioria gostaria de esquecer para sempre. Frente a uma amn\u00e9sia coletiva, tecida socialmente ao longo de gera\u00e7\u00f5es, eles exp\u00f5em as marcas do esquecimento. Eles fazem a exuma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, e, al\u00ed inde o esquecimento seria o agenciamento da morte a arte reintegra uma &#8216;presen\u00e7a&#8217;e aponta para a constru\u00e7\u00e3o de um Sujeito soci al mais plural e complexo. Eles presentificam as aus\u00eancias, trabalhando com a falha e o lapso. Suas obras assumem a dimens\u00e3o traum\u00e1tica de atos que trabalham sobre o recalque que mapeiam sombras. Atos que instauram diferen\u00e7as, possibilitando ver a exclus\u00e3o que foi constantemente negada na hist\u00f3ria her\u00f3ica, autorizada e apolog\u00e9tica das elites locais.<br \/>\nPossibilitar, pelo discurso, o retorno de viv\u00eancias dolorosas, por muito tempo ocultadas, n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m a tarefa da psican\u00e1lise na estrutura\u00e7\u00e3o das identidades?<br \/>\nNeste sentido, arte e psican\u00e1lise n\u00e3o teriam um objetivo comum na constru\u00e7\u00e3o de identidades mais cr\u00edticas e pluralistas?<br \/>\nFrente a uma sociedade homogeneizadora, tentativas de recuperar aspectos de um passado recalcado pelo esquecimento n\u00e3o seriam, portanto, maneiras de assumir identidades mais ramificadas e complexas?<br \/>\nNa busca de formas cr\u00edticas de enfrentar um passado comum, com suas lembran\u00e7as indiz\u00edveis, arte e psican\u00e1lise talvez estejam atuando juntas pois, em tempos de globaliza\u00e7\u00e3o identidades culturais n\u00e3o podem ser constru\u00e7\u00f5es nacionalistas idealizadas. Assim, os trabalhos destes artistas realizam a cr\u00edtica a cultura, mostrando, sob diferentes prismas, como a mem\u00f3ria de um passado, que quiseram assassinar, pode sobreviver sob os tra\u00e7os deslocados e condensados da arte para reencontrar a vida.<\/p>\n<p>__________________________________________________<\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/span><\/p>\n<p><a name=\"nota1\"><\/a>1. SOUZA, Oct\u00e1vio.<i> Fantasia de Brasil<\/i>, S\u00e3o Paulo, Escuta, 1994. (<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#texto1\">voltar<\/a>)<br \/>\n<a name=\"nota2\"><\/a>2. Basta ver que os temas mais dif\u00edceis da hist\u00f3ria nacional, como escravid\u00e3o e independ\u00eancia, recebem tratamentos superficiais e acr\u00edticos na maioria dos comp\u00eandios escolares. (<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#texto2\">voltar<\/a>)<br \/>\n<a name=\"nota3\"><\/a>3. Um exemplo desta repercuss\u00e3o, nas artes pl\u00e1sticas, \u00e9 o dem\u00e9rito com que muitas vezes \u00e9 visto o trabalho manual que estas pr\u00e1ticas envolvem. Isto tem como conseq\u00fc\u00eancia uma forte oposi\u00e7\u00e3o entre fazer e pensar, com a supervaloriza\u00e7\u00e3o do segundo. (<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#texto3\">voltar<\/a>)<br \/>\n<a name=\"nota4\"><\/a>4. WELSCH, Wolfgang. &#8216;<i>Estetiza\u00e7\u00e3o e estetiza\u00e7\u00e3o profunda ou a respeito da atualidade da est\u00e9tica nos dias de hoje<\/i>&#8216; In Porto Arte , n\u00famero 9 ,Porto Alegre, Instituto de Artes\/UFRGS, 1990. (<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#texto4\">voltar<\/a>)<br \/>\n<a name=\"nota5\"><\/a>5. DURAND, Gilbert. <i>A Imagina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica<\/i>. Lisboa, Martins Fontes, 1986. (<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#texto5\">voltar<\/a>)<br \/>\n<a name=\"nota6\"><\/a>6. HERKENHOFF, Paulo. <i>Ros\u00e2ngela Ren\u00f3<\/i>. S.Paulo, EDUSP, 1997. (<a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm#texto6\">voltar<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Leia <a href=\"http:\/\/www.casthalia.com.br\/periscope\/mariaameliabulhoes\/identidadeumamemoriaaserenfrentada.htm\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/h4>\n<p><!--{NETBLOG_EXPORT} --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo para\u00a0Revista Periscope &#8211; Espa\u00e7o de veicula\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos e reflex\u00f5es de artistas. &#8211; N\u00ba 2, Ano 1, Out. 2001 &nbsp; Identidade, uma mem\u00f3ria a ser enfrentada. Maria Am\u00e9lia Bulh\u00f5es &#8220;La memoria que nadie puede censurar. La memoria que vamos elegiendo para nuestra legitimaci\u00f3n en el mundo. La memoria que sirve para que otros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1034,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false},"categories":[449,14],"tags":[92,405,33,274],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1026"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3692,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions\/3692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}