{"id":1306,"date":"1999-04-17T10:07:08","date_gmt":"1999-04-17T10:07:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1306"},"modified":"2017-08-20T22:05:24","modified_gmt":"2017-08-20T22:05:24","slug":"simposio-internacional-de-escultura-superando-opacidades-del-imaginario-de-la-ciudad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/1999\/04\/17\/simposio-internacional-de-escultura-superando-opacidades-del-imaginario-de-la-ciudad\/","title":{"rendered":"Simp\u00f3sio Internacional de Escultura: Superando Opacidades Del Imaginario de la Ciudad"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/DSCN0420.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1307 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/DSCN0420.jpg\" alt=\"DSCN0420\" width=\"721\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/DSCN0420.jpg 2887w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/DSCN0420-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/DSCN0420-1024x588.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 721px) 100vw, 721px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><strong><br \/>\nLocal<\/strong>: Guadalajara, M\u00e9xico.<\/h4>\n<h4><strong>Data:<\/strong> 1999<\/h4>\n<p>Texto do Semin\u00e1rio, apresentado em uma mesa de debates neste Simp\u00f3sio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Superando opacidades no imagin\u00e1rio da cidade<\/strong><br \/>\nMaria Am\u00e9lia Bulh\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Presen\u00e7a instigante<\/strong><br \/>\nO Museu de Belas Artes da Universidade de Guadalajara apresentou ao longo do m\u00eas de dezembro uma vis\u00e3o alterada de sua fachada. Em seu entorno foram colocadas sete grandes esculturas de ferro. Com sua monumentalidade, diversidade de propostas e resultados pl\u00e1sticos, elas atra\u00edram o olhar dos transeuntes e impactaram o de seus tradicionais freq\u00fcentadores.<br \/>\nEssas obras fazem parte de um projeto amplo e complexo: o Simp\u00f3sio Internacional de Esculturas. Passear por entre elas \u00e9 uma boa forma de iniciar seu conhecimento. Partindo pela direita da fachada principal, se encontra a pe\u00e7a de Fancine Secretam, artista su\u00ed\u00e7a radicada na Bol\u00edvia h\u00e1 mais de 30 anos. Ela trabalha a partir de signos da cultura ind\u00edgena e pr\u00e9-colombiana. Em sua escultura, se entrela\u00e7am placas de ferro recortado com signos gr\u00e1ficos geom\u00e9tricos que se desdobram no ar com mais de quatro metros de altura. Denominada Oferenda para receber o canto dos p\u00e1ssaros, ela prop\u00f5e uma leitura pessoal e contempor\u00e2nea dos amuletos ind\u00edgenas- illas- que buscam, por meios m\u00e1gicos, harmonizar as rela\u00e7\u00f5es dos homens com as forcas da natureza. A colora\u00e7\u00e3o vermelha da escultura ressalta seu sentido m\u00edtico, sugerindo tamb\u00e9m o sangue com que muitos destes amuletos eram recobertos. Reatualizando tradi\u00e7\u00f5es, Secretan busca colocar, no seio da vida urbana, meios de recuperar formas mais sens\u00edveis de relacionamento, resultantes de vis\u00f5es abertas ao multiculturalismo.<br \/>\nAo seu lado est\u00e1 a obra de Nabil Basbous, artista liban\u00eas, descendente de uma fam\u00edlia tradicional de escultores, que criou uma pe\u00e7a com a forma b\u00e1sica de uma serpente. Ele estudou arqueologia, e a escolha desse tema tem a ver com o fato de que essa imagem m\u00edtica t\u00e3o forte aparece em in\u00fameras culturas, entre elas a sua e a mexicana. Esse s\u00edmbolo cont\u00e9m muitos sentidos; nessa escultura, tamb\u00e9m pintada de vermelho, Basbous incorpora a for\u00e7a energ\u00e9tica desse animal como representa\u00e7\u00e3o da vida<br \/>\nOutro animal \u00e9 evocado por Francisco Gazitua, escultor chileno, com forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica na Inglaterra, cuja obra vem a seguir. O cavalo aparece como tem\u00e1tica no trabalho desse artista, integrando um grande projeto, como j\u00e1 o foram anteriormente as \u00e1rvores e os barcos. Tradicionalmente ele utiliza por um largo tempo um tema, que vai desdobrando com met\u00f3dico experimentalismo. Nesse caso, o animal foi escolhido por ser amplamente utilizado na cultura andina, e Gazitua pretende execut\u00e1-lo em uma gigantesca pe\u00e7a que ser\u00e1 colocada em meio \u00e0 cordilheira em seu pa\u00eds. Para tal, j\u00e1 fez in\u00fameros estudos do tema, com dobraduras e encaixes. A escultura colocada na frente do Museu, em Guadalajara, mantendo a cor natural oxidada do metal, realiza um desdobramento de planos em que se integram in\u00fameros experimentos de linguagem.<br \/>\nAinda nessa fachada do Museu, se encontra a obra de Jean Paul Chablais, artista franc\u00eas, de forma\u00e7\u00e3o autodidata. Diferentemente das anteriores, ele prop\u00f5e um desdobramento horizontal de forma. Nessa pe\u00e7a, embora ele inove na utiliza\u00e7\u00e3o do metal, a forma ainda remete a seus materiais tradicionais -pedra e madeira- com a tens\u00e3o e movimento sempre presente. O titulo, Equil\u00edbrio, refor\u00e7a sua inten\u00e7\u00e3o de jogar com a inestabilidade visual e real, tentando captar o vazio como elemento estrutural. Chablais deixa perceber claramente a alus\u00e3o a um balan\u00e7o tencionado.<br \/>\nNa fachada oposta do Museu, encontra-se a obra de Serge Gongolf, artista belga, professor da \u00c9cole de Beaux Arts de Namur e Correspondent de l\u2019Academie Royale de Belgique. Sua pe\u00e7a constitui um imenso p\u00f3rtico com uma fratura na parte superior. Pintada de amarelo, ela se abre ao azul do c\u00e9u, dando prosseguimento ao trabalho de uma geometria po\u00e9tica que o artista vem desenvolvendo ao longo de v\u00e1rios anos. Se, inicialmente, ele elaborava suas esculturas em formas compactas, agora ele as desmonta, deixando que o espa\u00e7o as penetre e que elas se desdobrem nessa integra\u00e7\u00e3o. Dono de esmerada t\u00e9cnica e dom\u00ednio formal, ele cria uma interven\u00e7\u00e3o visual marcante.<br \/>\nAo seu lado, est\u00e1 a obra de Jose Villa Soberon, artista cubano, que estudou em Praga. A pe\u00e7a aqui realizada faz parte de sua s\u00e9rie de obeliscos, na qual procura atualizar uma forma tradicional de esculturas p\u00fablicas para render tributo. Ele incorpora a essa estrutura b\u00e1sica, que pode ser encontrada em in\u00fameras culturas ao largo do mundo, elementos da pl\u00e1stica caribenha -algo da est\u00e9tica negra- ainda que bastante estilizados. Villa utiliza esses desenhos n\u00e3o em um sentido ilustrativo, mas como parte de um processo de elabora\u00e7\u00e3o cultural bem mais complexo. Com essa proposta, busca pensar o espa\u00e7o da arte p\u00fablica enquanto elemento de perman\u00eancia cultural, mesmo se transit\u00f3rio em termos de dura\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<br \/>\nTerminando o percurso, encontra-se a obra de Irineu Garcia, artista brasileiro, com forma\u00e7\u00e3o de arquiteto, que pensa a escultura como um espa\u00e7o dentro de outro espa\u00e7o, em um desdobramento infinito. Ele integra de forma bem resolvida o metal e a pedra: uma po\u00e9tica geometria em metal oxidado se articula com a beleza da pedra quase em seu estado bruto. Deixando perceber um s\u00f3lido dom\u00ednio formal e t\u00e9cnico, Garcia faz com que o metal funcione como suporte, sustentando uma imensa pedra fissurada ao meio, de onde surgem pequenas plantas, intencionalmente ali colocadas. Em uma din\u00e2mica integra\u00e7\u00e3o espacial, ele sugere a vida emergindo em dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA cidade contempor\u00e2nea oferece aos seus habitantes um poliss\u00eamico conjunto de imagens: autdoors, letreiros luminosos, o fluxo cont\u00ednuo de autom\u00f3veis, vitrines e todo tipo de in\u00fameras interfer\u00eancias visuais. O movimento constante tira dos indiv\u00edduos a no\u00e7\u00e3o de passado e futuro, vive-se em um presente permanente, em um tempo em que n\u00e3o h\u00e1 mais lugar para o olhar contemplativo. As imagens se sobrep\u00f5em e os tempos tamb\u00e9m, uma opacidade se estabelece. A arte busca abrir seu lugar, tornando mais transl\u00facido o v\u00e9u que recobre os sentidos.<br \/>\nAo se inscreverem como um conjunto no espa\u00e7o da malha urbana, as obras do Simp\u00f3sio Internacional de Escultura criaram um percurso que envolveu o espectador, estabelecendo um tempo em suspens\u00e3o e um espa\u00e7o de complexidade visual marcante. Elas tornaram poss\u00edvel, simultaneamente, tocar o passado e o futuro com um simples olhar. Estavam ali, mas, ao mesmo tempo, eram resultado de um processo de produ\u00e7\u00e3o ainda vivo e ostentavam a marca de um vir-a-ser. Criavam um vasto lugar de tr\u00e2nsito em que se introduziam outros tempos e espa\u00e7os. Para melhor compreender o instigante percurso dessas sete pe\u00e7as, faz-se necess\u00e1rio um retorno, reconstituindo as complexas etapas do seu projeto, para perceber sua amplitude e desfrutar das in\u00fameras repercuss\u00f5es que j\u00e1 se permitem antever.<\/p>\n<p><strong>Anterioridade marcante<\/strong><br \/>\nEste evento iniciou-se muitos meses antes, com o trabalho integrado de Suny Ramires, diretora do Museu de Belas Artes, e Dolores Ortiz, escultora e professora da Universidade. O projeto integrou in\u00fameros setores dessa institui\u00e7\u00e3o, os quais se mobilizaram para a realiza\u00e7\u00e3o de algo in\u00e9dito e ousado.<br \/>\nQuando se olha o conjunto das obras realizadas, em sua magn\u00edfica realidade formal, fica dif\u00edcil, talvez, imaginar todos os pre\u00e2mbulos que anteciparam a vinda dos artistas e a realiza\u00e7\u00e3o dos trabalhos, ao longo dos dias 17 a 27 de novembro. Muitas pequenas e grandes tarefas precisaram ser realizadas, v\u00e1rios preparativos foram necess\u00e1rios para que tudo corresse na harmoniosa efici\u00eancia que aqui foi encontrada.<br \/>\nUma criteriosa sele\u00e7\u00e3o de escultores de prest\u00edgio, atuantes em diferentes pa\u00edses, prosseguiu com o convite, a cada um deles, para participar com seu trabalho. Vale destacar os motivos que mobilizaram esses artistas, levando-os a abandonar a calma e conforto de seus atelieres para participar desta experi\u00eancia coletiva. Segundo seus pr\u00f3prios depoimentos, eles percebem neste tipo de evento a oportunidade de um prof\u00edcuo encontro com outros profissionais da \u00e1rea, sendo o di\u00e1logo considerado por eles como o grande m\u00f3vel dessa viagem. Destacam, tamb\u00e9m, a condi\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rio que esses momentos propiciam. Gongolf, por exemplo, comenta que a sua abertura para formas menos compactas se deu em um evento de esculturas em neve, no Canad\u00e1, onde experimentou pela primeira vez uma proposta que se assemelhava a um p\u00f3rtico, e que a escultura aqui realizada foi a primeira de grande porte que criou dentro dessa nova forma. Gazitua observou que essa foi sua primeira obra monumental executada dentro do novo tema- cavalos- que est\u00e1 desenvolvendo. Chablais tamb\u00e9m comentou que esta escultura se encontra entre as primeiras experi\u00eancias que realiza em metal. Todos os artistas, sem exce\u00e7\u00e3o, afirmaram que os coment\u00e1rios dos colegas nessas oportunidades, assim como as atividades em conjunto, s\u00e3o fundamentais para a consolida\u00e7\u00e3o de seus trabalhos pessoais, e que a troca de informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas tamb\u00e9m \u00e9 muito enriquecedora.<br \/>\nNo circuito das artes visuais, a escultura det\u00e9m pouco espa\u00e7o, comparativamente com a pintura, por exemplo. Os concursos, em geral, s\u00e3o muito restritos em termos de tem\u00e1ticas e especifica\u00e7\u00f5es; assim, eventos mais livres como este, em que o artista n\u00e3o est\u00e1 sujeito a temas ou outras restri\u00e7\u00f5es conceituais, se colocam como uma importante alternativa aos centros de poder das artes visuais. Com uma cuidadosa sele\u00e7\u00e3o dos participantes, \u00e9 poss\u00edvel obter resultados diferenciados, em que a variedade de propostas enriquece a qualidade do conjunto. Para os artistas essa \u00e9 uma atividade que vale a pena potencializar.<br \/>\nSe, para os artistas, essa foi uma importante oportunidade profissional, para os alunos do curso de Artes Visuais da Universidade de Guadalajara, que se integraram intensamente em todas as atividades, recebendo orienta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e t\u00e9cnicas, foi uma experi\u00eancia inesquec\u00edvel. Uma aprendizagem que superou em muito aquela recebida em sala de aula, pois envolveu informa\u00e7\u00f5es oriundas de diferentes pa\u00edses e culturas. Todos os alunos expressaram a intensidade desta experi\u00eancia e sua satisfa\u00e7\u00e3o em participar do evento. A partir desse contato intenso e permanente, com muitas conversas e trocas afetivas, verdadeiras amizades se estabeleceram. Tamb\u00e9m os oper\u00e1rios tiveram oportunidade de descobrir um novo \u00e2ngulo em seu trabalho. Acostumados aos produtos da ind\u00fastria, eles viram-se diante de novos desafios em termos de criatividade t\u00e9cnica, aos quais responderam com grande entusiasmo e compet\u00eancia. Surpresos com os resultados, todos foram expressaram com entusiasmo o quanto gratificante foi a atividade. Alguns, inclusive, despertaram para a possibilidade de criar e de trabalhar para outros artistas, sentindo-se mais capacitados depois do exerc\u00edcio realizado ao longo desses dias de intenso labor.<br \/>\nO mais importante, entretanto, foi o acontecimento inusitado que ocorreu em pleno centro da cidade, permitindo que os transeuntes cotidianos desse percurso pudessem observar, no espa\u00e7o urbano, a instala\u00e7\u00e3o de verdadeiros atelieres, com oper\u00e1rios e artistas trabalhando durante todo o dia. Soldas, lixadeiras, esmerilhadoras e guindastes eram utilizados permanentemente, em uma faina que transformava seus trajetos. Os artistas viam passar as pessoas, conversavam com elas, respondendo a perguntas e atendendo a todo tipo de curiosidade. Um processo de democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento possibilitou que o fazer das obras se abrisse inteiramente ao p\u00fablico, em toda sua intimidade. A partir dessa experi\u00eancia o di\u00e1logo se instaurou, proporcionando amplas perspectivas e criando novas rela\u00e7\u00f5es do espectador com a obra. Rela\u00e7\u00f5es em bases ao mesmo tempo mais profundas, por envolverem um n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o mais complexa sobre o processo criativo, e mais horizontais, por romperem com as hierarquias sacralizantes do sistema das artes.<\/p>\n<p><strong>Persist\u00eancias dinamizadoras<\/strong><br \/>\nO Projeto do Simp\u00f3sio Internacional de Escultura n\u00e3o se encerrou com as obras colocadas em frente ao Museu. Sua continuidade se desdobra com a aloca\u00e7\u00e3o delas no espa\u00e7o de um dos Institutos da Universidade. Cada escultura encontrar\u00e1 seu espa\u00e7o na rela\u00e7\u00e3o com a arquitetura e a paisagem, criando novos fatos urbanos, reativando lugares, determinando trajetos e ressemantizando a arquitetura. Elas indagar\u00e3o aos transeuntes sobre os pontos de vista e os \u00e2ngulos que est\u00e3o habituados a ver, levando-os a forjar um novo olhar sobre a cidade. Sua presen\u00e7a ser\u00e1 um marco, dirigindo a percep\u00e7\u00e3o do solit\u00e1rio passante, a suscitar di\u00e1logos, e estabelecendo leituras simb\u00f3licas.<br \/>\nAssim, o Campus Universit\u00e1rio ganhar\u00e1 uma nova visualidade. No Centro Universit\u00e1rio de Ci\u00eancias da Sa\u00fade, ser\u00e1 colocada a pe\u00e7a de Nabil Basbous, uma serpente que se remete ao s\u00edmbolo da medicina. No Centro de Ci\u00eancias Sociais e Humanidades, a obra de Jean Paul Chablais procura, segundo suas pr\u00f3prias palavras, evidenciar o balan\u00e7o necess\u00e1rio entre indiv\u00edduo e sociedade.<br \/>\nSerge Gangolf, no Centro de Ci\u00eancias Exatas e Engenharia, coloca sua \u201cporta que se abre para o futuro e o conhecimento, cuja quebra de continuidade aponta a necessidade de desenvolvimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nIrineu Garcia, ao introduzir na sua estrutura met\u00e1lica pedra e plantas, est\u00e1 valorizando o di\u00e1logo com a natureza, que o Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e Agropecu\u00e1rias realiza em seu trabalho.<br \/>\nNo Centro de Arte Arquitetura e Design, Francisco Gazitua faz al\u00e7ar v\u00f4o seu cavalo estilizado, valorizando o movimento e o esp\u00edrito criativo desse espa\u00e7o de arte.<br \/>\nFrancine Secretan coloca seu \u201camuleto\u201d no Centro de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Administrativas, contrabalan\u00e7ando com sua vis\u00e3o m\u00e1gica as certezas do mundo dos neg\u00f3cios e estabelecendo um rico di\u00e1logo.<br \/>\nO \u201cobelisco\u201d de Jose Villa no Centro Universit\u00e1rio da Costa retoma tradi\u00e7\u00f5es culturais ancestrais para reafirmar sua presen\u00e7a de costa a costa.<br \/>\nNa rela\u00e7\u00e3o dessas obras com cada um dos pr\u00e9dios, a cidade enriquece seu patrim\u00f4nio cultural e a paisagem urbana se dinamiza. Trajetos se alteram, novas perspectivas visuais se estabalecem. Para cada escultura est\u00e1 sendo criada uma ambienta\u00e7\u00e3o: um canteiro no entorno, um caminho circundando. A arquitetura se depara com um novo acontecimento em seu espa\u00e7o, um inesperado que cria uma tens\u00e3o. Essas obras estabelecer\u00e3o um poss\u00edvel hiato no cotidiano de cada cidad\u00e3o, um tempo de reflex\u00e3o ou um espa\u00e7o para o desfrute visual que os leve a perceber, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, que a presen\u00e7a humana se imp\u00f5e.<br \/>\nEssas esculturas no espa\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o s\u00e3o meros objetos ali colocados, elas passam a fazer parte da cidade, s\u00e3o como palavras inscritas em uma superf\u00edcie, tra\u00e7ando leituras po\u00e9ticas. Elas fazem falar os espa\u00e7os, evocam sentimentos e ideais, testemunham o indeterminado, o inexprim\u00edvel em sua luta contra a impot\u00eancia da imagina\u00e7\u00e3o. Assim, o resultado do Simp\u00f3sio Internacional de Escultora permanecer\u00e1 na malha urbana com os influxos dos v\u00e1rios cruzamentos que foram oportunizados pela presen\u00e7a dos artistas de diversos espa\u00e7os do planeta, com diferentes viv\u00eancias culturais. S\u00e3o influ\u00eancias materiais, concretamente percebidas nas obras que ficaram na cidade, mas s\u00e3o tamb\u00e9m elementos mais sutis, sugest\u00f5es est\u00e9ticas, fragmentos de sentido diferenciados que ali se instalaram. Mem\u00f3rias das quais este cat\u00e1logo \u00e9 testemunha e documento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Local: Guadalajara, M\u00e9xico. 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