{"id":1576,"date":"2012-09-28T20:26:38","date_gmt":"2012-09-28T20:26:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1576"},"modified":"2014-12-16T21:25:03","modified_gmt":"2014-12-16T21:25:03","slug":"a-arte-e-fruto-de-uma-excepcionalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2012\/09\/28\/a-arte-e-fruto-de-uma-excepcionalidade\/","title":{"rendered":"A arte \u00e9 fruto de uma excepcionalidade?"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"color: #000000;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">28\/09\/2012<\/span><\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #333300;\">A arte contempor\u00e2nea est\u00e1 colocando em crise esse valor que permeia o campo art\u00edstico desde sua origem no Renascimento, quando Giorgio Vasari apresentou a ideia do artista com g\u00eanio criador. Hoje, alguns setores defendem a perman\u00eancia desse car\u00e1ter excepcional da arte enquanto outros propugnam sua supera\u00e7\u00e3o por modelos mais alinhados ao cotidiano e descomprometidos com grandes revela\u00e7\u00f5es. A 30\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo toma partido nessa disputa.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #333300;\">Com uma larga e bem diversificada hist\u00f3ria, a Bienal de S\u00e3o Paulo colecionou sucessos e fracassos, fazendo com que a cada dois anos seja esperada com muitas d\u00favidas e expectativas. Sua trig\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o foi inaugurada dia 7 de setembro, sob o t\u00edtulo \u201cimin\u00eancia das po\u00e9ticas\u201d, com curadoria geral do venezuelano Luis P\u00e9rez-Oramas, e uma equipe formada por Andr\u00e9 Severo, Tobi Maier e Isabela Villanueva. Para o curador geral, \u201co destino da bienal era achar um lugar que deveria estar entre o mercado, as feiras de arte e o museu\u201d. Seu destino \u201centre lugares\u201d foi encontrado em uma mostra muito homog\u00eanea, sem a presen\u00e7a dos figur\u00f5es tradicionalmente apresentados em museus nem dos destaques comerciais das galerias. Um conjunto que questiona com muita compet\u00eancia o ato art\u00edstico como excepcionalidade, assumindo uma participa\u00e7\u00e3o mais inserida nas diferentes inst\u00e2ncias da sociedade, com pr\u00e1ticas mais pr\u00f3ximas \u00e0 vida cotidiana.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #333300;\">Para montar o conjunto expositivo da 30\u00aa Bienal, a curadoria realizou uma arqueologia recente, apresentando v\u00e1rios artistas do in\u00edcio do s\u00e9culo, que apontam tend\u00eancias e abordagens. Tem-se, por exemplo, August Sander (Alemanha, 1876\/1964) com as cole\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas de car\u00e1ter antropol\u00f3gico, Alan Kaprow (EUA, 1927\/2006) com as fotos e os v\u00eddeos de atos perform\u00e1ticos, Arthur Bispo do Ros\u00e1rio (Brasil,1909\/89) com o colecionismo e as montagens, Robert Smithson (EUA, 1938\/73) com a \u201carte da terra\u201d ou Anna Oppermann (Alemanha, 1940\/93) com os ambientes e instala\u00e7\u00f5es.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/16.png\"><span style=\"color: #333300;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1577\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/16.png\" alt=\"1\" width=\"415\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/16.png 415w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/16-300x260.png 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/span><\/a><\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">A partir desta arqueologia foram elaboradas cartografias de sentidos, estabelecendo redes que interconectam artistas e obras, permitindo que cada um reforce as significa\u00e7\u00f5es dos demais. A l\u00f3gica organizacional da 30\u00aa Bienal \u2013 por \u201cconstela\u00e7\u00f5es\u201d de artistas cujos trabalhos dialogam e se tangenciam \u2013 pode ser percebida claramente ao longo da visita. Esses agrupamentos, se em alguns momentos podem parecer algo redundantes em suas proposi\u00e7\u00f5es, no geral refor\u00e7am tend\u00eancias e questionam a m\u00edtica modernista do artista original, deixando perceber como cada um deles se insere em conjuntos interativos. O Guia da Exposi\u00e7\u00e3o explana essas leituras, mostrando doze poss\u00edveis agrupamentos, propostos pelo olhar da curadoria.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">Os estudos fotogr\u00e1ficos de Mark Morrisroe (1959\/89), que constroem um painel da cultura punk nos EUA, se encontram com as fotos de Alair Gomes de garotos na praia, no Rio de Janeiro, acrescentado-lhes um vi\u00e9s voyeur er\u00f3tico, ou com as de Alfredo Cortina, que fotografou sua mulher durante mais de 30 anos, em diferentes territ\u00f3rios, tra\u00e7ando uma hist\u00f3ria cultural. Todos eles trabalham com a repeti\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica, criando s\u00e9ries que refor\u00e7am o car\u00e1ter ao mesmo tempo documental e po\u00e9tico de suas imagens.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/24.png\"><span style=\"color: #333300;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1578\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/24.png\" alt=\"2\" width=\"450\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/24.png 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/24-285x300.png 285w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/span><\/a><\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">Essa tend\u00eancia repetitiva \u00e9 bastante evidente, tamb\u00e9m, na instaura\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es como processo criativo. Assim, a grande maioria dos participantes n\u00e3o se apresenta com as obras de grande porte, que caracterizaram edi\u00e7\u00f5es anteriores da Bienal. Predominam conjuntos de a\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00f5es que, como um todo, estabelecem a din\u00e2mica processual e a est\u00e9tica de cada artista. Os resultados deixam perceber um toque de obsessividade, em que a repeti\u00e7\u00e3o faz a diferen\u00e7a, realizando na pr\u00e1tica as propostas conceituais de Deleuze e Guatari. A repeti\u00e7\u00e3o, a classifica\u00e7\u00e3o, o ordenamento, o arquivismo t\u00eam presen\u00e7a garantida, sejam com conjuntos de imagens e objetos apropriados, como fazem Anna Oppermann, Hans-Peter Feldmann ou f.marquespenteado, seja na din\u00e2mica de elabora\u00e7\u00e3o do trabalho como fazem Fr\u00e9deric Bruly Bouabr\u00e9, Sheila Hicks ou Nino Cais.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/33.png\"><span style=\"color: #333300;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1579\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/33.png\" alt=\"3\" width=\"410\" height=\"558\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/33.png 410w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/33-220x300.png 220w\" sizes=\"(max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/span><\/a><\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">A mais forte caracter\u00edstica desta Bienal \u00e9 o car\u00e1ter experimental e a dimens\u00e3o investigativa das obras expostas. S\u00e3o tend\u00eancias conceituais e processuais que se desdobram em in\u00fameras po\u00e9ticas individuais. As fotos e os v\u00eddeos de atos perform\u00e1ticos documentam a experimenta\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo, por parte de Bas Jan Ader e de Sigurdur Gudmundsson. As propostas de intera\u00e7\u00e3o de Ricardo Basbaum, os experimentos do lugar, de Helio Fervenza e as experi\u00eancias divertidas de PPPP (Produtos Peruanos para Pensar) tamb\u00e9m seguem nessa dire\u00e7\u00e3o. S\u00e3o artistas que se perguntam sobre o mundo, sobre a vida e sobre arte; que n\u00e3o apontam respostas, mas fazem de suas reflex\u00f5es pr\u00e1ticas criativas instigantes.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/41.png\"><span style=\"color: #333300;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1580\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/41.png\" alt=\"4\" width=\"445\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/41.png 445w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/41-300x222.png 300w\" sizes=\"(max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><\/span><\/a><\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #333300;\">Assim como est\u00e3o presentes produ\u00e7\u00f5es que dialogam e questionam momentos da hist\u00f3ria da arte e da tradi\u00e7\u00e3o cultural ocidental, como Runo Lagomarsino, Ian Hamilton Finlay ou Elaine Reichek, tamb\u00e9m encontram-se pr\u00e1ticas que foram assumidas pelo meio art\u00edstico, apesar de terem sido concebidas totalmente \u00e0 margem deste. Nesses casos est\u00e3o Arthur Bispo do Ros\u00e1rio, um marco no conceito de organiza\u00e7\u00e3o do mundo por cole\u00e7\u00f5es, e Ferdinand Deligni (Fran\u00e7a, 1913-96), que atuou no interior da Fran\u00e7a com crian\u00e7as altistas, desenvolvendo m\u00e9todos de trabalho que envolviam a comunidade local. Estar dentro ou fora do sistema \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o relativa para uma mostra que se pretende \u201centre lugares\u201d.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #333300;\">Embora na sua grande maioria n\u00e3o se apresentem artistas consagrados nos grandes circuitos internacionais, percebe-se a maturidade dos selecionados, quase todos com mais de 30 anos, e com um conjunto de obras consistente e coeso. Chama a aten\u00e7\u00e3o o grande n\u00famero de obras apresentadas por cada artista, o que permite compreender seu pensamento e o desenvolvimento de suas pesquisas. Os textos explicativos e os dados nas fichas ao lado de cada trabalho funcionam muito bem, possibilitando uma boa compreens\u00e3o do que est\u00e1 sendo visto. Os mediadores do n\u00facleo educativo est\u00e3o atuando todo o tempo, e podem ser consultados ainda o guia e o cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de \u00e1udio da Oi, dispon\u00edvel para uso via celular. Segundo a curadoria, \u201caspiramos \u00e0 claridade e \u00e0 funcionalidade, e tal como nossa equipe expogr\u00e1fica manteve eixos abertos que oferecem uma dimens\u00e3o de transpar\u00eancia dentro do Pavilh\u00e3o\u201d. O p\u00fablico tem v\u00e1rias possibilidades de acesso ao universo da mostra, fazendo da visita uma rica experi\u00eancia que tenta romper com o preconceito de uma arte contempor\u00e2nea que ningu\u00e9m entende.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #333300;\">Esta n\u00e3o ser\u00e1, possivelmente, uma bienal pol\u00eamica, com manchete nos jornais e debates p\u00fablicos exacerbados, mas o visitante encontrar\u00e1 grandes atrativos visuais e espa\u00e7o para reflex\u00f5es. Al\u00e9m da grande mostra localizada no pavilh\u00e3o do Ibirapuera, encontram-se outras obras esparramadas pela cidade, em locais como a Casa Modernista, a Casa do Bandeirante, a Capela do Morumbi, o Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (MASP) o Museu da Arte Brasileira da FAAP, o Instituto Tomie Otake e ainda na Avenida Paulista e na Esta\u00e7\u00e3o da Luz. Mas isso tudo fica para outro papo.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #800000;\">Leia o texto original <a href=\"http:\/\/arte.elpais.com.uy\/a-arte-e-fruto-de-uma-excepcionalidade\/#.U6c3-_ldU9Y\" target=\"_blank\">Aqui.<\/a><\/span><\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28\/09\/2012 &nbsp; A arte contempor\u00e2nea est\u00e1 colocando em crise esse valor que permeia o campo art\u00edstico desde sua origem no Renascimento, quando Giorgio Vasari apresentou a ideia do artista com g\u00eanio criador. 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