{"id":1591,"date":"2011-08-21T21:06:53","date_gmt":"2011-08-21T21:06:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1591"},"modified":"2014-12-17T00:10:53","modified_gmt":"2014-12-17T00:10:53","slug":"sul21-para-que-serve-a-historia-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2011\/08\/21\/sul21-para-que-serve-a-historia-da-arte\/","title":{"rendered":"Para que serve a Hist\u00f3ria da Arte?"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #333300;\">21\/ago\/2011, 8h08min<\/span><\/h4>\n<h3><span style=\"color: #800000;\"><strong> Para que serve a Hist\u00f3ria da Arte?<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">A Hist\u00f3ria da Arte interfere diretamente na forma como olhamos, analisamos e avaliamos qualquer produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, seja antiga ou atual. Partimos de crit\u00e9rios e classifica\u00e7\u00f5es tradicionalmente estabelecidos, sem nos darmos conta do car\u00e1ter arbitr\u00e1rio dos mesmos. A maioria desses conceitos derivam-se da Hist\u00f3ria da Arte, uma disciplina recente \u2013 segunda metade do s\u00e9culo XVIII \u2013 , fundada sob as imposi\u00e7\u00f5es do gosto neocl\u00e1ssico europeu.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">Nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas da cultura ocidental, a ampla divulga\u00e7\u00e3o dessa Hist\u00f3ria da Arte, atrav\u00e9s de publica\u00e7\u00f5es para especialistas e de colet\u00e2neas para o grande p\u00fablico, faz com que sejam reconhecidos como dignos de m\u00e9rito artistas e obras que nunca foram vistos de perto, relegando as produ\u00e7\u00f5es locais a um limbo em que permanecem desconhecidas e pouco compreendidas.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">Assim, \u00e9 com muita satisfa\u00e7\u00e3o que vimos o surgimento de uma s\u00e9rie de novos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Arte, no Pa\u00eds, nos \u00faltimos anos \u2013 UFRJ, UERJ, UFSP, e, entre eles, o do Instituto de Artes da UFRGS-, os quais abrem novas possibilidades de romper com a Hist\u00f3ria da Arte tradicional e resgatar as pr\u00e1ticas pl\u00e1sticas locais. Criado em 2010, pelo projeto REUNI (plano do governo federal para a expans\u00e3o do ensino p\u00fablico superior), o curso da UFRGS funciona no hor\u00e1rio noturno. Um de seus diferenciais importantes \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de professores dos departamentos de Artes Visuais, M\u00fasica e Arte Dram\u00e1tica. Os alunos, \u00e0 medida que discutem a hist\u00f3ria das artes visuais, t\u00eam tamb\u00e9m um pouco de hist\u00f3ria da m\u00fasica e do teatro de cada per\u00edodo.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\"><a style=\"font-weight: bold; font-style: inherit; color: #9d0006 !important;\" href=\"http:\/\/www.artes.ufrgs.br\/graduacao\/artes-visuais\/bacharelado-em-historia-da-arte\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #333300;\">Desenvolvido em 4 anos, o foco do curso \u00e9 formar historiadores da arte e pessoas que possam trabalhar com pesquisa nessa \u00e1rea, principalmente pensando em arte no Rio Grande do Sul e no Brasil.<\/span><\/a><\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">Em seu conjunto, esses novos cursos de Hist\u00f3ria da Arte v\u00eam atender ao incremento de investimento econ\u00f4mico nas artes visuais que vem se realizando na \u00faltima d\u00e9cada e o conseq\u00fcente aumento num\u00e9rico das institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas. O expressivo volume de recursos para a \u00e1rea significa um maior n\u00famero de exposi\u00e7\u00f5es, de publica\u00e7\u00f5es e de diversos tipos de projeto, ampliando a demanda por pessoal qualificado para o desenvolvimento dessas atividades profissionais.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00c9 imposs\u00edvel pensar a arte no Brasil fora de uma internacionaliza\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 sob o signo da domina\u00e7\u00e3o cultural desde o per\u00edodo colonial. Para sua hegemonia ideol\u00f3gica, o colonizador introduziu o Barroco como modelo visual, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 imag\u00e9tica ind\u00edgena e africana, cuja produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica foi destru\u00edda ou relegada \u00e0 categoria de artesanato. Posteriormente, o academicismo, trazido por escolas europ\u00e9ias, imp\u00f4s-se sobre os regionalismos nascentes, criando um Sistema de Arte e estabelecendo novas hierarquiza\u00e7\u00f5es. Sempre em ondas de atualiza\u00e7\u00e3o, foram se construindo novos modelos art\u00edsticos, buscando seus referenciais na Europa, e, posteriormente, nos Estados Unidos. Introjetavam, assim, concep\u00e7\u00f5es de subalternidade e depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos mesmos p\u00f3los onde buscavam tamb\u00e9m seus modelos econ\u00f4micos.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">Em 1550, em Floren\u00e7a, Giorgio Vasari criou, com seu livro Vida de Homens Ilustres, o conceito de arte e de sua hist\u00f3ria, porque, como ele mesmo dizia, queria salvar os artistas e as obras de uma segunda morte, a morte pelo esquecimento. A import\u00e2ncia do desenvolvimento de uma Hist\u00f3ria da Arte est\u00e1 em dar a determinada produ\u00e7\u00e3o uma visibilidade, um sentido, um significado, uma interpreta\u00e7\u00e3o A maioria das obras art\u00edsticas, no Pa\u00eds, est\u00e1 morta pelo esquecimento, portanto, urge abrir-lhes uma nova vida, pela sua documenta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise. Dessa forma, o p\u00fablico poder\u00e1 conhecer melhor sua hist\u00f3ria e identific\u00e1-la como legitima. O que se delineia para estes novos cursos \u00e9 o desafio de construir uma mem\u00f3ria cr\u00edtica e reflexiva dessa produ\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, de realizar a sua divulga\u00e7\u00e3o e a sua difus\u00e3o, atrav\u00e9s de material (imagens e textos) acess\u00edvel e amplamente distribu\u00eddo.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">Nesse sentido, um projeto interessante foi desenvolvido pelo curso de Hist\u00f3ria da Arte da UFRGS, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Paula Ramos. Uma viagem que aconteceu entre os dias 16 e 24 de julho, reuniu 25 pessoas que visitaram as seguintes cidades: Rio Grande, S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, Pelotas, Jaguar\u00e3o, Piratini e Bag\u00e9. A escolha privilegiou cidades que j\u00e1 foram muito ricas, tendo se inserido no ciclo econ\u00f4mico e cultural articulado em torno das charqueadas. O grupo, formado por professores e alunos do curso visitou, em cada lugar, museus, igrejas, centros culturais, cemit\u00e9rios, al\u00e9m de ter ouvido palestras de pesquisadores e professores locais.<\/span><\/h4>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/18.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1592\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/18.png\" alt=\"1\" width=\"624\" height=\"457\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/18.png 624w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/18-300x219.png 300w\" sizes=\"(max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/25.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1593\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/25.png\" alt=\"2\" width=\"626\" height=\"458\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/25.png 626w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/25-300x219.png 300w\" sizes=\"(max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/34.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1594\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/34.png\" alt=\"3\" width=\"623\" height=\"456\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/34.png 623w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/34-300x219.png 300w\" sizes=\"(max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/42.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1595\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/42.png\" alt=\"4\" width=\"623\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/42.png 623w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/42-300x219.png 300w\" sizes=\"(max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">O desenvolvimento dos estudos na \u00e1rea de Hist\u00f3ria da Arte, assim como sua ampla difus\u00e3o, \u00e9 decisivo na legitima\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o local. Uma arte de diferentes \u00e9pocas e origens necessita de uma reflex\u00e3o que lhe d\u00ea suporte. Especialistas com uma forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida capacitam-se com compet\u00eancias espec\u00edficas para essa tarefa. Fortalecer a \u00e1rea de pesquisa e reflex\u00e3o te\u00f3rica tem conseq\u00fc\u00eancias na legitima\u00e7\u00e3o da arte e implica\u00e7\u00f5es diretas na amplia\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">Hoje, no Brasil, destacam-se dois desafios para a Hist\u00f3ria da Arte, o primeiro \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um amplo e diversificado levantamento da produ\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica local, considerando estudos que contemplem as diversidades regionais em termos tanto hist\u00f3ricos como contempor\u00e2neos. O segundo \u00e9 o desenvolvimento de uma cr\u00edtica da tradi\u00e7\u00e3o positivista e classificat\u00f3ria da hist\u00f3ria da arte, que permita pensar novas possibilidades de an\u00e1lise dessa produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">A revis\u00e3o cr\u00edtica da Hist\u00f3ria em geral, hoje em curso, apresenta como desdobramento novas formas de abordar tamb\u00e9m a Hist\u00f3ria da Arte. A cr\u00edtica da forma tradicional de desenvolver esta disciplina passa por leituras que d\u00eaem conta de outros fen\u00f4menos, que permitam que cada objeto ou evento seja visto na sua circunst\u00e2ncia, dentro de sua perspectiva. Questiona-se o relato \u00fanico e hegem\u00f4nico (euroc\u00eantrico) no qual, toda a produ\u00e7\u00e3o que foge \u00e0 linha estil\u00edstica dominante fica esquecida e marginal. \u00c9 com novos conceitos que se pode pensar as diferentes produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas a partir de sua realidade salvando-as, assim, do esquecimento. A desconstru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da disciplina passa pela dissolu\u00e7\u00e3o de sua linearidade e de suas hegemonias simb\u00f3licas, apostando na diversidade, no hibridismo, e nas pequenas mem\u00f3rias, para pensar criticamente acerca das pr\u00e1ticas art\u00edsticas de diferentes regi\u00f5es deste mundo globalizado, em diferentes \u00e9pocas.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #800000;\">Podes ler o texto original na p\u00e1gina do SUL21\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/para-que-serve-a-historia-da-arte\/\" target=\"_blank\">Aqui.<\/a><\/span><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21\/ago\/2011, 8h08min Para que serve a Hist\u00f3ria da Arte? &nbsp; A Hist\u00f3ria da Arte interfere diretamente na forma como olhamos, analisamos e avaliamos qualquer produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, seja antiga ou atual. 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