{"id":1634,"date":"2011-09-11T18:54:16","date_gmt":"2011-09-11T18:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1634"},"modified":"2014-12-17T00:04:30","modified_gmt":"2014-12-17T00:04:30","slug":"sul21-poeticas-de-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2011\/09\/11\/sul21-poeticas-de-viagem\/","title":{"rendered":"Po\u00e9ticas de viagem"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #333300;\"><strong><span class=\"text\">11\/set\/2011, 9h33min<\/span><\/strong><\/span><\/h4>\n<h3 style=\"color: #9d0006;\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>Po\u00e9ticas de viagem<\/strong><\/span><\/h3>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/11.png\"><span style=\"color: #333300;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1635 alignleft\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/11.png\" alt=\"1\" width=\"327\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/11.png 327w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/11-300x246.png 300w\" sizes=\"(max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><\/span><\/a>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A oitava edi\u00e7\u00e3o da Bienal de Artes Visuais do MERCOSUL foi inaugurada neste s\u00e1bado, agitando a cidade e toda a regi\u00e3o sul do pa\u00eds. Apresentada pelo curador geral Jos\u00e9 Roca como uma mostra voltada ao p\u00fablico local, que n\u00e3o freq\u00fcenta grandes mostras internacionais, ela traz algumas obras mais antigas, bastante conhecidas dos especialistas da \u00e1rea, ao lado de obras in\u00e9ditas de jovens artistas. O que unifica este conjunto \u00e9 o tema geral da proposta curatorial \u2013 Ensaios de Geopol\u00edticas \u2013 apresentado atrav\u00e9s de sete segmentos. Casa M, o primeiro a ser aberto ao p\u00fablico, foi comentado anteriormente nesta coluna \u2013 \u00c9 uma casa muito, muito, especial. Dois outros deles se encontram nos armaz\u00e9ns do cais do porto: Geopo\u00e9ticas, com curadoria de Jos\u00e9 Roca e Cadernos de Viagem, com curadoria de Alexia Tala. Um terceiro segmento Cidade N\u00e3o Vista, com curadoria de Cau\u00ea Alves, se distribui pelo centro em diversos locais. No Museu de Arte do RGS, MARGS, est\u00e1 a mostra Al\u00e9m Fronteiras, com curadoria de Aracy Amaral, e no Santander Cultural, a mostra de Eugenio Dittborn, artista chileno homenageado dessa Bienal.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A Bienal, que \u00e9 o maior, mais importante e mais caro evento de artes visuais na cidade e no Estado, ser\u00e1 abordada aqui atrav\u00e9s de cada vez um dos seus segmentos, que estar\u00e3o dispon\u00edveis para visita ao longo do per\u00edodo da mostra, entre 10 de setembro e 15 de novembro. Como a Casa M j\u00e1 foi abordada, passaremos, agora, para os Cadernos de Viagem. A escolha desse segmento levou em conta dois aspectos: primeiro, numa abordagem do territ\u00f3rio do Estado, numa proposta de partir do local para o global. O segundo aspecto, foi de ordem pr\u00e1tica, j\u00e1 que essa mostra envolve 9 artistas, um pequeno n\u00famero diante das demais, permitindo o tratamento dentro do curto prazo entre a abertura da Bienal para imprensa e a abertura para o grande p\u00fablico.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/2.png\"><span style=\"color: #333300;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1636 alignright\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/2.png\" alt=\"2\" width=\"407\" height=\"660\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/2.png 407w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/2-185x300.png 185w\" sizes=\"(max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><\/span><\/a>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Cadernos de Viagem pode ser pensado como uma continuidade \u00e0 proposta j\u00e1 apresentada por Ticio Escobar na sexta edi\u00e7\u00e3o da Bienal Tr\u00eas Fronteiras, abordando a rela\u00e7\u00e3o local\/global. Naquela ocasi\u00e3o, quatro artistas foram convidados a visitar a regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, onde se encontram as tr\u00eas fronteiras Brasil, Argentina e Paraguai, para, a partir de suas experi\u00eancias nestes deslocamentos desenvolverem suas pr\u00e1ticas art\u00edsticas. Na mostra atual, os trajetos foram feitos pelo territ\u00f3rio do Rio Grande do Sul, que foi percorrido por 9 artistas, dando origem \u00e0s diferentes propostas que est\u00e3o documentadas na exposi\u00e7\u00e3o. Elas expressam uma forte intera\u00e7\u00e3o com estes espa\u00e7os geoculturais, e constituem a mem\u00f3ria dessas viagens. A curadora, em seu texto no cat\u00e1logo, destaca a tem\u00e1tica da viagem como uma forma de rela\u00e7\u00e3o com os territ\u00f3rios e a import\u00e2ncia dos diferentes olhares que possibilita. Um grande mapa do Estado, desenhado na parede ao fundo do espa\u00e7o expositivo do Armaz\u00e9m A7, apresenta o tra\u00e7ado dos trajetos de cada um dos artistas envolvidos.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Os primeiros tr\u00eas artistas trabalham com comunidades, buscando estabelecer di\u00e1logos interculturais e explorar aspectos das culturas locais, em sua trajet\u00f3ria pelo territ\u00f3rio. Beatriz Santiago, de Porto Rico, apresenta um v\u00eddeo de 8 min, produzido com imagens de oper\u00e1rios na sa\u00edda das f\u00e1bricas, em Caxias do Sul. Num exerc\u00edcio de antropologia visual, a artista documenta este momento em que eles passam de uma condi\u00e7\u00e3o de figura coletiva imagin\u00e1ria de trabalhadores para posi\u00e7\u00e3o em que recuperam sua condi\u00e7\u00e3o de individualidade. Acoplado ao v\u00eddeo, uma improvisa\u00e7\u00e3o sonora realizada por um grupo de m\u00fasicos da cidade.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Bernardo Oyarz\u00fan, do Chile, viveu durante 18 dias na aldeia de Koenju, da etnia Mby\u00e1-Guarani na regi\u00e3o das Miss\u00f5es. Ali ele deu continuidade a seu trabalho em torno da identidade ind\u00edgena. Sua obra est\u00e1 organizada em duas partes: um texto composto de letras fabricadas em barro, escrito em Guarany, cujo sentido para ele resume a pr\u00f3pria cultura apresentada, e um v\u00eddeo em que um ind\u00edgena vestido \u00e0 ocidental, com o rosto pintado relata um conto em l\u00edngua Guarany.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A dupla Kochta &amp; Kallein, da Finl\u00e2ndia desenvolveu, com a comunidade de Teot\u00f4nia, uma performance gravada em v\u00eddeo, sob a forma de um coro, cuja letra da m\u00fasica cantada s\u00e3o reclama\u00e7\u00f5es sobre coisas do cotidiano da popula\u00e7\u00e3o. Esse projeto \u201ccoro de queixas\u201d j\u00e1 foi desenvolvido com outras comunidades, em outros pa\u00edses. \u00a0 \u00a0\u00a0<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Dois artistas trabalharam com a tem\u00e1tica da paisagem local, buscando revis\u00e1-la dentro de suas respectivas iconografias pessoais. Marco Sari, de Porto Alegre, realizou interfer\u00eancias na paisagem da regi\u00e3o de Bag\u00e9, cuja planaridade do espa\u00e7o, onde o verde e o azul se encontram foi destacada. Em uma foto, apresentou uma vista do horizonte, em que um tecido verde colocado frente \u00e0 c\u00e2mara torna mais acentuada esta cor no ambiente fotografado. Tamb\u00e9m trabalhou com cadernos de desenho, onde linhas horizontais em verde e azul tentam reproduzir de forma po\u00e9tica a paisagem visitada.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Nick Rands, da Inglaterra, realizou uma viagem seguindo um trajeto, desenhado por ele na forma de um quadrado sobre o mapa. Neste trajeto, de forma sistem\u00e1tica em uma kilometragem definida apriori por ele, foi coletando terra e fazendo fotos do c\u00e9u. O trabalho apresenta seus tradicionais quadrados pintados na parede com a terra coletada e com pontos que remetem aos 84 locais onde recolheu as terras. Em parede oposta s\u00e3o apresentadas, em back light, tr\u00eas imagens simult\u00e2neas dos c\u00e9us fotografados nestes mesmos pontos, que v\u00e3o se alyernando.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/3.png\"><span style=\"color: #333300;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1637\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/3.png\" alt=\"3\" width=\"625\" height=\"505\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/3.png 625w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/3-300x242.png 300w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/span><\/a><\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A experi\u00eancia da fronteira como uma problem\u00e1tica geopol\u00edtica atraiu outros dois artistas, que a visitaram de formas bem pessoais. Sebastian Romo, do M\u00e9xico, deslocou-se pela regi\u00e3o de Riveira, entre Brasil e Uruguai, fotografando marcos de fronteira e documentando a vida neste espa\u00e7o fluido, em que as nacionalidades se interconectam. Sua obra se constitui, de um lado, de uma retomada de seu atelier e da documenta\u00e7\u00e3o coletada, e de outro, da reprodu\u00e7\u00e3o cenogr\u00e1fica de um posto de fronteira. \u00c9 poss\u00edvel ao espectador transitar por estes dois espa\u00e7os vivenciando a viagem de seu autor. Marcelo Moscheta, de Campinas, realizou o que denomina Deslocando territ\u00f3rios, uma coleta de pedras na regi\u00e3o da fronteira que p\u00f5e em quest\u00e3o a tem\u00e1tica das fronteiras ao transport\u00e1-las de um lado a outro dos territ\u00f3rios uruguaios e brasileiros. Na Bienal, exp\u00f4s essas pedras, com placas catalogando os dados cartogr\u00e1ficos dos lugares de onde foram retiradas. \u00c9 um ato simb\u00f3lico que se enquadra em seu projeto arqueol\u00f3gico de organiza\u00e7\u00e3o da paisagem natural.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Mais preocupados com as quest\u00f5es da imagem e suas representa\u00e7\u00f5es, outros dois artistas buscaram elementos das culturas locais para discutir repert\u00f3rios est\u00e9ticos ou estil\u00edsticos. Maria Elvira Escall\u00f3n, da Inglaterra, vivendo na Col\u00f4mbia,esteve visitando a regi\u00e3o das Miss\u00f5es e realizou interven\u00e7\u00f5es escult\u00f3ricas \u2013 colunas, capteis e outros detalhes arquitet\u00f4nicos \u2013 em arvores nativas. Assim, ela imprime na natureza signos do processo cultural desenvolvido nesta regi\u00e3o pela a\u00e7\u00e3o dos jesu\u00edtas junto aos ind\u00edgenas, cuja mem\u00f3ria vai se perdendo com o tempo. Mateo L\u00f3pez, da Col\u00f4mbia, visitou a cidade de Il\u00f3polis, no interior do Estado, onde fez apontamentos, sob forma de desenhos que organizou no que ele define projeto para um jornal. O artista conecta formas da natureza com estruturas geom\u00e9tricas, criando o que poderia ser um texto visual, leg\u00edvel como a escrita.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Em seu conjunto, a mostra se constitui em uma instigante oportunidade de visitar nosso pr\u00f3prio ambiente geopol\u00edtico de uma forma inusitada e po\u00e9tica, conduzidos pelas experi\u00eancias de viagem dos artistas convidados. Acredito que esta seja uma boa forma de olharmos com mais curiosidade e interesse um territ\u00f3rio que nos circunda e que muitas vezes pouco conhecemos.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #800000;\">Podes ler o texto original na p\u00e1gina do SUL21\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/poeticas-de-viagem\/\" target=\"_blank\">Aqui.<\/a><\/span><\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>11\/set\/2011, 9h33min Po\u00e9ticas de viagem \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A oitava edi\u00e7\u00e3o da Bienal de Artes Visuais do MERCOSUL foi inaugurada neste s\u00e1bado, agitando a cidade e toda a regi\u00e3o sul do pa\u00eds. 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