{"id":1743,"date":"2011-10-23T19:57:49","date_gmt":"2011-10-23T19:57:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1743"},"modified":"2014-12-16T23:08:31","modified_gmt":"2014-12-16T23:08:31","slug":"sul21-uma-experiencia-de-relacoes-interculturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2011\/10\/23\/sul21-uma-experiencia-de-relacoes-interculturais\/","title":{"rendered":"Uma experi\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es interculturais"},"content":{"rendered":"<h4><strong><span style=\"color: #333300;\">\u00a0<span class=\"text\">23\/out\/2011, 10h00min<\/span><\/span><\/strong><\/h4>\n<h3 style=\"color: #9d0006;\"><span style=\"color: #800000;\">Uma experi\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es interculturais<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Esta semana visitei pela segunda vez o\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"font-weight: bold; font-style: inherit; color: #9d0006 !important;\" href=\"http:\/\/www.museodelbarro.org\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #800000;\">Centro de Artes Visuales Museo Del Barro<\/span><\/a><\/span>, em Assun\u00e7\u00e3o, Paraguai, e gostaria de dividir as emo\u00e7\u00f5es e as reflex\u00f5es que essas visitas me provocaram. A primeira delas, foi a surpresa de encontrar na capital paraguaia, onde os poucos museus de arte n\u00e3o s\u00e3o nada representativos nem entusiasmantes, um pr\u00e9dio e uma cole\u00e7\u00e3o de alto padr\u00e3o. O Museu \u00e9 de m\u00e9dio porte, mas impressiona por sua bela arquitetura, em tijolos a vista com alguns planos de concreto, desdobrando-se em uma constru\u00e7\u00e3o labir\u00edntica. Sua estrutura \u00e9 adequada para apresentar um conjunto complexo de obras, de forma articulada e muito bem concebida conceitualmente. O pr\u00e9dio abriga uma cole\u00e7\u00e3o de arte mesti\u00e7a (assim denominam a arte popular), outra de arte ind\u00edgena e outra de arte contempor\u00e2nea, al\u00e9m de dispor de um espa\u00e7o para exposi\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias. Esse acervo \u00e9 composto de pe\u00e7as que v\u00eam do s\u00e9culo XVII at\u00e9 a atualidade, selecionadas preponderantemente em uma perspectiva est\u00e9tico simb\u00f3lica e n\u00e3o antropol\u00f3gica, como comumente as duas primeiras cole\u00e7\u00f5es s\u00e3o abordadas. Essa concep\u00e7\u00e3o formadora do acervo \u00e9 possivelmente seu grande diferencial, uma vez que subverte as abordagens que separam as pr\u00e1ticas art\u00edsticas estabelecendo posturas subalternas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte erudita ocidental. Ainda que se possa criticar a segmenta\u00e7\u00e3o desse conjunto art\u00edstico em tr\u00eas cole\u00e7\u00f5es, encontr\u00e1-las convivendo de forma articulada e harmoniosa \u00e9 uma experi\u00eancia enriquecedora para o olhar e o esp\u00edrito.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A segunda reflex\u00e3o, conduziu-me a pensar sobre os valores simb\u00f3licos e sua instaura\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es que cada objeto ou evento estabelece com o sistema simb\u00f3lico vigente. A Est\u00e9tica, a Hist\u00f3ria da Arte e a Cr\u00edtica de Arte s\u00e3o os discursos que manejam os conceitos e as significa\u00e7\u00f5es que definem essas legitima\u00e7\u00f5es, e as institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas s\u00e3o os locais onde as mesmas se processam. Assim, uma pe\u00e7a exposta para venda em uma feira de artesanato tem um valor simb\u00f3lico hierarquicamente inferior, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela exposta em um museu. Isso porque a inser\u00e7\u00e3o de um objeto no museu passa por uma conex\u00e3o deste objeto com todos os demais que ali se encontram, e que, de alguma forma, constituem a tradi\u00e7\u00e3o da arte nessa sociedade. Processa-se, assim, sua articula\u00e7\u00e3o em um conjunto referencial que permite sua leitura dentro dos conceitos da est\u00e9tica e das correntes art\u00edsticas vigentes. No Museo Del Barro pode-se observar um trabalho de valora\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica das pr\u00e1ticas art\u00edsticas ind\u00edgenas, mesti\u00e7as e eruditas. Ao selecionarem pelo vi\u00e9s est\u00e9tico as pe\u00e7as para a forma\u00e7\u00e3o das cole\u00e7\u00f5es, colocam estas diferentes produ\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es de igualdade. A arquitetura e a museografia refor\u00e7am estas inter-rela\u00e7\u00f5es, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 segmenta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas nem data\u00e7\u00f5es, mas organiza\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas \u2013 santos, m\u00e1scaras, vestimentas, rendas, urnas, cestaria, etc\u2026 Dois grandes colecionadores, Carlos Colombino em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s artes mesti\u00e7as, e Ticio Escobar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte ind\u00edgena, foram os articuladores conceituais do Museu. O acervo de arte erudita est\u00e1 organizado por artistas e por cole\u00e7\u00f5es, abrangendo uma produ\u00e7\u00e3o bem mais ampla do que a contempor\u00e2nea, com obras inclusive do s\u00e9culo XIX. Uma poss\u00edvel lacuna nessas cole\u00e7\u00f5es, que acompanham a produ\u00e7\u00e3o atual destes tr\u00eas segmentos, talvez seja a falta de obras de arte de rua, uma produ\u00e7\u00e3o que possivelmente daria um car\u00e1ter mais contempor\u00e2neo \u00e0s reflex\u00f5es que a visita ao Museu suscita.<\/span><\/h4>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/22.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1746\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/12.png\" alt=\"1\" width=\"563\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/12.png 563w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/12-300x193.png 300w\" sizes=\"(max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/32.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1745\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/32.png\" alt=\"3\" width=\"329\" height=\"618\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/32.png 329w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/32-159x300.png 159w\" sizes=\"(max-width: 329px) 100vw, 329px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/22.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1744\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/22.png\" alt=\"2\" width=\"567\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/22.png 567w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/22-300x193.png 300w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A terceira reflex\u00e3o, me fez lembrar que, na Am\u00e9rica Latina, em termos art\u00edsticos, se evidenciam dois n\u00edveis de exclud\u00eancia. O primeiro, diz respeito \u00e0s quest\u00f5es de depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos p\u00f3los art\u00edsticos hegem\u00f4nicos em n\u00edvel internacional e, portanto, aos problemas de reconhecimento de sua produ\u00e7\u00e3o. O segundo, imbrica-se com as grandes diferen\u00e7as econ\u00f4micas internas e as rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o, que se expressam na pouca, ou nenhuma participa\u00e7\u00e3o de in\u00fameros segmentos sociais no sistema da arte. Por isso, \u00e9 de grande import\u00e2ncia a atua\u00e7\u00e3o do Museo Del Barro, desenvolvendo rela\u00e7\u00f5es interculturais. Esta pode ser uma estrat\u00e9gia que d\u00ea conta das controv\u00e9rsias nos usos das representa\u00e7\u00f5es sociais da arte e seus sentidos.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A quarta reflex\u00e3o, foi sobre a qualidade das pe\u00e7as vendidas na loja do museu, de excelente qualidade est\u00e9tica e com uma variedade de encher os olhos. \u00c9 dif\u00edcil sair de l\u00e1 sem adquirir algo, como uma lembran\u00e7a dos momentos deliciosos ali passados. Entretanto, para os viciados em livrarias de museus h\u00e1 uma desilus\u00e3o, as publica\u00e7\u00f5es oferecidas s\u00e3o poucas e de qualidade gr\u00e1fica bastante destoante com o que se pode ver no acervo. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 livros de arte em geral, ou de teoria da arte, fora aqueles publicados localmente e estreitamente relacionados aos temas do museu. Este panorama n\u00e3o destoa do que se encontra nas outras livrarias da cidade, mas considerando a qualidade do museu, era de se esperar algo mais. Este seria um bom lugar para difundir uma reflex\u00e3o qualificada sobre arte aos interessados, ampliando o leque de leituras.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Finalmente, ficou a vontade de visitar mais museus como este, que ampliem essa experi\u00eancia e aprofundem pol\u00edticas cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es interculturais. Esse tipo de proposta rompe paradigmas e aborda de forma problematizada as dificuldades de enfrentar as diferen\u00e7as, seja por parte dos artistas ou dos demais integrantes do sistema da arte.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><span style=\"color: #800000;\">Coment\u00e1rios<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1748\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario1.png\" alt=\"comentario1\" width=\"717\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario1.png 717w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario1-300x135.png 300w\" sizes=\"(max-width: 717px) 100vw, 717px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario2.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1747\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario2.png\" alt=\"comentario2\" width=\"722\" height=\"529\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario2.png 722w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario2-300x219.png 300w\" sizes=\"(max-width: 722px) 100vw, 722px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #800000;\">Podes ler o texto original na p\u00e1gina do SUL21\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/uma-experiencia-de-relacoes-interculturais\/\" target=\"_blank\">Aqui.<\/a><\/span><\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a023\/out\/2011, 10h00min Uma experi\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es interculturais &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Esta semana visitei pela segunda vez o\u00a0Centro de Artes Visuales Museo Del Barro, em Assun\u00e7\u00e3o, Paraguai, e gostaria de dividir as emo\u00e7\u00f5es e as reflex\u00f5es que essas visitas me provocaram. 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