{"id":1752,"date":"2011-11-20T20:12:38","date_gmt":"2011-11-20T20:12:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1752"},"modified":"2014-12-16T23:04:12","modified_gmt":"2014-12-16T23:04:12","slug":"sul21-talvez-outras-perguntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2011\/11\/20\/sul21-talvez-outras-perguntas\/","title":{"rendered":"Talvez outras perguntas"},"content":{"rendered":"<h4><strong><span class=\"text\" style=\"color: #333300;\">20\/nov\/2011, 1h02min<\/span><\/strong><\/h4>\n<h3 style=\"color: #9d0006;\"><span style=\"color: #800000;\">Talvez outras perguntas<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o desta coluna foi encabe\u00e7ada por uma indaga\u00e7\u00e3o: Por que arte on-line? Refletindo sobre ela uma outra quest\u00e3o emerge: Por que arte?<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 As respostas podem variar de acordo com as rela\u00e7\u00f5es de cada um com o tema. Para os artistas, provavelmente, ela pode atender necessidades de simboliza\u00e7\u00e3o, como express\u00e3o e forma de comunica\u00e7\u00e3o, como um ve\u00edculo da\u00a0 criatividade. Para cr\u00edticos, ela pode ser um espa\u00e7o de reflex\u00e3o sobre os diferentes termos de representa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e da sociedade. Para colecionadores, possivelmente, ela representa a realiza\u00e7\u00e3o de desejos, sendo express\u00e3o de um tipo de vida e de valores. Para\u00a0<em style=\"font-weight: inherit;\">marchands<\/em>, ela constitui um mercado bastante peculiar, com muito status e lucros vari\u00e1veis. Para diretores de institui\u00e7\u00f5es ela \u00e9 um patrim\u00f4nio da humanidade pelo qual zelar. Mas, para que serve a arte para o p\u00fablico em geral, para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o que ocasionalmente visita uma exposi\u00e7\u00e3o ou um museu ou cruza inesperadamente com uma interfer\u00eancia urbana?<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Um processo generalizado de estetiza\u00e7\u00e3o se desenvolve na sociedade contempor\u00e2nea, com exemplos contundentes que se evidenciam desde o mais simples ato di\u00e1rio at\u00e9 a complexidade da vida pol\u00edtica. A publicidade \u00e9 capaz de transformar qualquer tipo de produto em um prot\u00f3tipo de beleza, ou signo de uma forma de vida ideal, cobrindo de belas imagens o cotidiano de milhares de indiv\u00edduos. Para ela n\u00e3o existem pessoas feias ou defeituosas, n\u00e3o existe pobreza ou sujeira. O mundo se tornou, sob sua \u00f3tica, asceticamente perfeito. A pr\u00f3pria guerra passou a ser est\u00e9tica em suas formas televisivas. Nenhuma imagem mais, choca um p\u00fablico envolvido\u00a0 pela prote\u00e7\u00e3o visual da sociedade do espet\u00e1culo. \u00a0Entretanto, como afirma Wolfang Welsch, \u201c<em style=\"font-weight: inherit;\">Onde tudo \u00e9 belo, nada mais \u00e9 belo; estimula\u00e7\u00e3o ininterrupta conduz ao embotamento; estetiza\u00e7\u00e3o vira anestetiza\u00e7\u00e3o. No meio da hiperestetiza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 necessidade de \u00e1reas esteticamente baldias\u201d.\u00a0<\/em>Talvez para isso sirva arte. Com seus setores mais cr\u00edticos ela se empenha na \u00e1rdua tarefa de criar \u201c\u00e1reas esteticamente baldias\u201d. Estabelecendo rupturas nesta falsa perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel remeter o espectador de volta para um mundo bem menos ideal, mas, possivelmente, muito mais humano?<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Evidenciando aspectos muitas vezes torpes e baixos da realidade, alguns artistas querem trazer de volta viv\u00eancias perdidas no af\u00e3 de falsas pretens\u00f5es de perfei\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia. Para tal, eles rompem radicalmente com os padr\u00f5es tradicionais de um belo idealizado, expondo o feio, o tosco e mesmo o abjeto. Estes artistas abdicam dos caminhos f\u00e1ceis, para colocar o p\u00fablico, mesmo contra sua vontade, nos abismos do real. Assim como Dante, em sua Divina Com\u00e9dia, eles querem descer novamente \u00e0s profundezas da alma humana. Tarefa dif\u00edcil, em um mundo de superficialidades promovidas pela sociedade da publicidade e da propaganda.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">As imagens, assim como as palavras, contam com seus significados n\u00e3o evidentes, que se mostram somente em um segundo ou terceiro momento. Talvez a \u00a0arte venha para tentar superar o vazio de significa\u00e7\u00e3o, interferindo no adormecimento do olhar, revitalizando este \u00f3rg\u00e3o de sentido, t\u00e3o solicitado e ao mesmo tempo t\u00e3o massacrado na contemporaneidade. Quem sabe atrav\u00e9s da \u00a0arte seja poss\u00edvel \u00a0encontrar um outro sentido para a imagem, explorando o que ela mostra em si mesma e tamb\u00e9m que ela esconde. Servir\u00e1 a arte para que o espectador tome consci\u00eancia de que algo lhe escapa ao olhar, que \u00e9 imposs\u00edvel captar todas as nuances?<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ao fazer do olhar o grande ve\u00edculo da comunica\u00e7\u00e3o, a sociedade lan\u00e7a um desafio \u00e0s artes visuais. Como conseguir apreender a aten\u00e7\u00e3o de um espectador acostumado ao ritmo vertiginoso do zapping publicit\u00e1rio? Assim, a arte se abre para quest\u00f5es da vida humana, atavez dela \u00e9 poss\u00edvel reconstru\u00ed-la em seu imagin\u00e1rio, elaborando a rela\u00e7\u00e3o com a perda do divino que faz parte do mundo atual. O mundo contempor\u00e2neo est\u00e1 repleto de imagens, que invadem todos os espa\u00e7os, tragando cada indiv\u00edduo, e de certa forma anestesiando-o. Gilbert Durand afirma que pode haver mais de uma forma de interdi\u00e7\u00e3o da imagem. Uma delas, a mais conhecida \u00e9 puritana, prega a aus\u00eancia. Outra, mais insidiosa, nega poder \u00e0 imagem por excesso, pela evapora\u00e7\u00e3o do seu sentido. Esse \u00faltimo \u00e9 o tra\u00e7o constitutivo e continuamente agravado da cultura ocidental. Por isso o conjunto de inst\u00e2ncias respons\u00e1veis pelo que se faz, se v\u00ea e se divulga como arte constitui um \u00e2mbito relevante do imagin\u00e1rio social contempor\u00e2neo. Elas reativam o poder da imagem, reservando no pensamento pragm\u00e1tico e funcionalista de nossa sociedade um espa\u00e7o para a inquietude, a d\u00favida e a incerteza. Nesse dom\u00ednio simb\u00f3lico, signos abertos colocam-se como tentativas, ao mesmo tempo prazerosas e dolorosas, de lidar com o desconhecido de uma maneira po\u00e9tica. Pr\u00e1ticas art\u00edsticas abrem lugar para o incompleto e o inesperado, sem oferecer respostas, mas sim questionamentos.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Arte para que o p\u00fablico leigo tenha um espa\u00e7o para a imagina\u00e7\u00e3o em uma sociedade eminentemente racional, um lugar de imin\u00eancia, que resguarde a capacidade de suspens\u00e3o e de vir a ser. Evitando respostas definitivas ou esclarecimentos superficiais ela pode \u00a0ser um saud\u00e1vel espa\u00e7o de experi\u00eancias,\u00a0 ampliando possibilidades vivenciais.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #800000;\">Podes ler o texto original na p\u00e1gina do SUL21\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/talvez-outras-perguntas\/\" target=\"_blank\">Aqui.<\/a><\/span><\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>20\/nov\/2011, 1h02min Talvez outras perguntas &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o desta coluna foi encabe\u00e7ada por uma indaga\u00e7\u00e3o: Por que arte on-line? Refletindo sobre ela uma outra quest\u00e3o emerge: Por que arte? \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 As respostas podem variar de acordo com as rela\u00e7\u00f5es de cada um com o tema. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1987,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false},"categories":[67],"tags":[36,37,38],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1752"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1752"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1752\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2112,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1752\/revisions\/2112"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}