{"id":1755,"date":"2011-11-26T20:28:29","date_gmt":"2011-11-26T20:28:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1755"},"modified":"2014-12-16T23:03:14","modified_gmt":"2014-12-16T23:03:14","slug":"sul21-arte-mercado-e-invencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2011\/11\/26\/sul21-arte-mercado-e-invencao\/","title":{"rendered":"Arte, mercado e inven\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4><strong><span class=\"text\">26\/nov\/2011, 15h34min<\/span><\/strong><\/h4>\n<h3 style=\"color: #9d0006;\"><span style=\"color: #800000;\">Arte, mercado e inven\u00e7\u00e3o<\/span><\/h3>\n<h4><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Esta coluna tem apresentado algumas abordagens da cena das artes visuais no Estado, acompanhando o calend\u00e1rio de eventos e desenvolvendo tamb\u00e9m algumas reflex\u00f5es mais conceituais. Nesta semana, prop\u00f5e-se abordar o circuito\u00a0 art\u00edstico por um \u00e2ngulo que ainda n\u00e3o havia sido focado \u2013 o mercado de arte \u2013 a partir da atua\u00e7\u00e3o da galeria\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bolsadearte.com.br\/site\/pt\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #333300;\">Bolsa de Arte de Porto Alegre<\/span>.<\/a><\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/13.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1756 alignleft\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/13.png\" alt=\"1\" width=\"362\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/13.png 362w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/13-246x300.png 246w\" sizes=\"(max-width: 362px) 100vw, 362px\" \/><\/a>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <span style=\"color: #333300;\">Compreendido como a comercializa\u00e7\u00e3o de obras de artistas vivos, em busca de reconhecimento social e valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para seus trabalhos, o mercado moderno tem papel decisivo na consolida\u00e7\u00e3o de suas carreiras. No Rio Grande do Sul, ele teve origem recente, inaugurando-se com a cria\u00e7\u00e3o, em Porto Alegre, ao longo da d\u00e9cada de 60, das primeiras galerias dedicadas, basicamente, \u00e0 venda de obras de arte, como a Galeria do Instituto dos Arquitetos (1961); a Galeria Espa\u00e7o (1964); a Portinari (1964), a Domus (1963), a Carraro (1967), a Mondrian Atelier de Arte (1965); a Leopoldina (1965), a Lak\u00b4Art (1965); a Sete Povos (1965) e a Did\u00e1tica (1967). Entretanto, nesse momento, o mercado de arte n\u00e3o se consolidou plenamente e as galerias dificilmente ultrapassaram uma d\u00e9cada de atua\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o modelo de funcionamento delas era, basicamente, a intermedia\u00e7\u00e3o de vendas, sem programas espec\u00edficos de atua\u00e7\u00e3o, sem planos de marketing e sem est\u00edmulos ao colecionismo. Tampouco foram estabelecidos propostas mais ousadas de parceria com empresas para a organiza\u00e7\u00e3o de eventos ou o incremento dos acervos p\u00fablicos. Esse tipo de atua\u00e7\u00e3o se manteve, com poucas exce\u00e7\u00f5es, expandindo-se at\u00e9 os anos 80, quando mostrou seus limites, exigindo a incorpora\u00e7\u00e3o de din\u00e2micas comerciais mais adequadas \u00e0 economia contempor\u00e2nea. A renova\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 80 tamb\u00e9m se evidenciou com as novas tend\u00eancias na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. A emerg\u00eancia da chamada Gera\u00e7\u00e3o 80, desdobramento das correntes neo expressionista alem\u00e3 e italiana, trouxe \u00e0 cena um grande n\u00famero de novos artistas. A maioria deles estava ligada \u00e0 pintura, elemento que trouxe um novo f\u00f4lego no desenvolvimento e consolida\u00e7\u00e3o do mercado de arte.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Foi no bojo destas novas condi\u00e7\u00f5es que\u00a0 a Bolsa de Arte de Porto Alegre iniciou suas atividades, mais especificamente no ano de 1980. Desde ent\u00e3o, a Galeria realizou mais de 250 exposi\u00e7\u00f5es focada em artistas locais j\u00e1 consagrados e na consolida\u00e7\u00e3o de artistas emergentes. Ela tem participado ativamente no fortalecimento da carreira de diversos expoentes locais, al\u00e9m de trazer para o mercado do RS muitos nomes nacionais. Com seu foco, atualmente, na arte contempor\u00e2nea, a galeria representa alguns importantes artistas do cen\u00e1rio nacional de artes visuais.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 No entanto, o mercado de arte no Rio Grande do Sul \u00e9 bastante restrito, com a atua\u00e7\u00e3o de poucas galerias trabalhando, preponderantemente, com artistas e consumidores locais. N\u00e3o h\u00e1 grandes impulsos em dire\u00e7\u00e3o a novos espa\u00e7os que possibilitem a amplia\u00e7\u00e3o da clientela e a difus\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o fora de suas fronteiras regionais. Em uma \u00e9poca em que os mercados se globalizam, esse tipo de din\u00e2mica mostra limites. A Bolsa de Arte, reagindo a essa tend\u00eancia, tem participado de feiras de arte, tanto no Brasil quanto no exterior; uma pr\u00e1tica importante para expandir sua atua\u00e7\u00e3o e divulgar a arte produzida no Estado.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O mercado local \u00e9, al\u00e9m disso, muito conservador. A maioria das galerias trabalha com as categorias art\u00edsticas mais tradicionais, com destaque da pintura e da escultura, em suas tem\u00e1ticas figurativas, com poucas op\u00e7\u00f5es comerciais para as atua\u00e7\u00f5es de vanguarda. Essa caracter\u00edstica dificulta a amplia\u00e7\u00e3o do leque de consumidores, n\u00e3o incluindo um p\u00fablico mais jovem e internacionalizado em seus padr\u00f5es de consumo. Inovadora em termos empresariais, a Bolsa de Arte, no in\u00edcio de 2011, deixou a Rua Quintino Bocai\u00fava, onde atuou durante 30 anos, abrindo seu novo endere\u00e7o na Rua Visconde do Rio Branco 365.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O projeto arquitet\u00f4nico desse espa\u00e7o mant\u00e9m duas caracter\u00edsticas fundamentais da casa antiga: o grande plano em vermelho na fachada, em que se pode ler o nome da galeria, e o jardim interno dedicado \u00e0 escultura. Esses dois elementos oferecem aos freq\u00fcentadores habituais uma sensa\u00e7\u00e3o de continuidade com o momento anterior. A mudan\u00e7a para um local maior, e mais adequado aos trabalhos contempor\u00e2neos de grande porte, evidencia a confian\u00e7a da Galeria no desenvolvimento deste tipo de mercado, voltando-se para novos p\u00fablicos, assim como para novos colecionadores.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Como parte de sua ativa programa\u00e7\u00e3o, neste momento encontra-se na galeria a mostra individual\u00a0<\/em><span style=\"font-weight: bold; font-style: inherit;\"><em style=\"font-weight: inherit;\"><span style=\"color: #800000;\">\u00daltima cena<\/span>\u00a0<\/em><\/span><em style=\"font-weight: inherit;\">do artista<\/em>\u00a0Eduardo Haesbaert<em style=\"font-weight: inherit;\">. Com curadoria de Adolfo Montejo Navas, e com a participa\u00e7\u00e3o de uma dezena de colaboradores no quadro de sua produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o apresentados os recentes trabalhos do artista. I<\/em>naugurada no dia 22 de novembro, segue em exibi\u00e7\u00e3o at\u00e9 o dia 23 de dezembro, aberta para <span style=\"color: #800000;\">v<span style=\"font-weight: bold; font-style: inherit;\">isita\u00e7\u00e3o de segunda a sexta, das 10h30 \u00e0s 19h e s\u00e1bado, das 10h \u00e0s 13h30<\/span><\/span>. Eduardo Heasbaert, que desde 1994 \u00e9 respons\u00e1vel pelo atelier de gravura e pela manuten\u00e7\u00e3o do acervo da Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo, realizou v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es individuais na Bolsa de Arte nos \u00faltimos anos. O artista participou de in\u00fameras mostras coletivas e recebeu diversos pr\u00eamios ao longo de sua carreira.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\"><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O trabalho de Heasbaert apresenta espa\u00e7os arquitet\u00f4nicos conhecidos pelo p\u00fablico, mas que s\u00e3o por ele alterados de maneira a produzir um inquietante estranhamento. O uso preponderante do preto sobre o branco como cores \u00fanicas, tamb\u00e9m corrobora este aspecto desestabilizador. O curador em seu texto comenta: \u201c<em style=\"font-weight: inherit;\">um roteiro de obras que descortinam diversas situa\u00e7\u00f5es enigm\u00e1ticas. Miragens que negam nosso maior princ\u00edpio de realidade, o ch\u00e3o, o firme onde est\u00e1 inscrito o senso de gravidade, onde assentamos nosso pr\u00f3prio peso das coisas<\/em>\u201d. Realmente, os ambientes que o artista constr\u00f3i questionam as certezas e as racionalidades, abrindo\u2013se para o vir a ser da imagem. A mostra \u00e9 composta por alguns poucos quadros e um magn\u00edfico caderno de artista cujas folhas foram convertidas em um v\u00eddeo que, apresentado em um ambiente escuro, se desdobra na parede e sobre os p\u00e9s do visitante. Nesse ambiente constru\u00eddo, mais uma vez a geometria espacial que o artista domina com maestria vai sendo subvertida e com ela algumas certezas v\u00e3o sendo destru\u00eddas. Caminha-se por um universo de fantasia que desafia a imagina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h4>\n<p style=\"color: #5b5b5b;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/23.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1757\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/23.png\" alt=\"2\" width=\"664\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/23.png 664w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/23-300x188.png 300w\" sizes=\"(max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/a><\/p>\n<h4 style=\"color: #5b5b5b;\">\u00a0<span style=\"color: #333300;\"> \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Essa exposi\u00e7\u00e3o que se encontra na Bolsa de Arte diz bem de seu projeto empresarial, \u00e9 uma proposta contempor\u00e2nea, desafiadora em termos visuais, que atrai o espectador e o conquista sensorialmente. Obras que podem ser comercializadas, mas que exigem um cliente pouco convencional, que a galeria tem contribu\u00eddo para formar.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario11.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1758\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario11.png\" alt=\"comentario1\" width=\"715\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario11.png 715w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/comentario11-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 715px) 100vw, 715px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><strong><span style=\"color: #800000;\">Podes ler o texto original na p\u00e1gina do SUL21\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/arte-mercado-e-invencao\/\" target=\"_blank\">Aqui.<\/a><\/span><\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>26\/nov\/2011, 15h34min Arte, mercado e inven\u00e7\u00e3o \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Esta coluna tem apresentado algumas abordagens da cena das artes visuais no Estado, acompanhando o calend\u00e1rio de eventos e desenvolvendo tamb\u00e9m algumas reflex\u00f5es mais conceituais. 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