{"id":1942,"date":"2011-12-23T16:48:03","date_gmt":"2011-12-23T16:48:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1942"},"modified":"2014-12-16T22:57:47","modified_gmt":"2014-12-16T22:57:47","slug":"museu-sensivel-exposicao-feminista-arte-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2011\/12\/23\/museu-sensivel-exposicao-feminista-arte-de-mulheres\/","title":{"rendered":"Museu sens\u00edvel, exposi\u00e7\u00e3o feminista, arte de mulheres"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #333300;\"><strong><span class=\"text\">23\/dez\/2011, 17h11min<\/span><\/strong><\/span><\/h4>\n<h3><span style=\"color: #800000;\">Museu sens\u00edvel, exposi\u00e7\u00e3o feminista, arte de mulheres<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00c9 com curiosidade e expectativa que se percorre a mostra <em>O Museu sens\u00edvel<\/em>, que se inaugurou dia 19 de dezembro, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, MARGS. Organizada no \u00e2mbito do projeto curatorial da nova diretoria, segue o mesmo modelo de grande coletiva, n\u00e3o cronol\u00f3gica, linear ou hier\u00e1rquica das duas anteriormente realizadas. Esse tipo de proposta abre ao p\u00fablico in\u00fameras possibilidades de leitura, colocando-o em contato com uma diversidade de linguagens e tempos, o que exige um esfor\u00e7o reflexivo para obter uma melhor compreens\u00e3o do que est\u00e1 sendo visto.<\/span><\/h4>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1943\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/1.png\" alt=\"1\" width=\"670\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/1.png 670w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/1-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 A exposi\u00e7\u00e3o, que prop\u00f5e uma reavalia\u00e7\u00e3o da atual cole\u00e7\u00e3o do Museu, conta com obras de 132 artistas mulheres, todas pertencentes exclusivamente ao acervo do MARGS. Embora o curador, Gaud\u00eancio Fidelis, afirme que o t\u00edtulo da mostra est\u00e1 \u201clonge de relacionar o feminino com caracter\u00edsticas culturais historicamente constru\u00eddas\u201d, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o conectar seu significado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e suas obras.\u00a0Como posicionar-se quanto a essas rotula\u00e7\u00f5es culturalmente estabelecidas? Neg\u00e1-las, assumi-las ou buscar um caminho de supera\u00e7\u00e3o dessas estereotipias?<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 A tem\u00e1tica da aus\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o feminina no campo art\u00edstico \u00e9 bem antiga e tem grandes repercuss\u00f5es, principalmente nos EUA, onde os movimentos feministas denunciam essa situa\u00e7\u00e3o com veem\u00eancia. Um texto cl\u00e1ssico desta discuss\u00e3o \u00e9 Why Have There Been No Great Women Artists, de <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.miracosta.cc.ca.us\/home\/gfloren\/nochlin.htm\" target=\"_blank\">Linda Nochlin<\/a><\/strong><\/span>. Nesse texto a conclus\u00e3o final da autora \u00e9 de que a arte n\u00e3o \u00e9 uma atividade livre, aut\u00f4noma de um indiv\u00edduo super-dotado, mas sim negociada e determinada pelas institui\u00e7\u00f5es sociais espec\u00edficas, sejam elas academias de arte, sistemas de patroc\u00ednio e mitos do campo art\u00edstico. As mulheres est\u00e3o sujeitas a essas estruturas, e, assim como os demais indiv\u00edduos as condi\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o delas nessas estruturas passam pelo espa\u00e7o que conseguem obter na sociedade como um todo.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Segundo o cr\u00edtico de arte Paulo Herkenhof, entretanto, essa discuss\u00e3o n\u00e3o tem lugar no Brasil por que, aqui, a hist\u00f3ria da arte n\u00e3o pode ser escrita sem referenciar as grandes artistas mulheres que foram fundamentais nesse percurso, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Ligia Clark entre outras. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres em diferentes campos de trabalho tem uma larga trajet\u00f3ria de dificuldades e resist\u00eancias, \u00e9 poss\u00edvel que fato do meio de arte nacional ser pouco estruturado em termos profissionais tenha propiciado a significativa participa\u00e7\u00e3o das mulheres. Afinal, n\u00e3o sendo este um campo muito concorrido, o sexo feminino encontrou menos competi\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o do que em outros.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 A mostra do MARGS est\u00e1, segundo o curador, centrada em obras e n\u00e3o em individualidades. A ideia \u00e9 abrir espa\u00e7o e valorizar a presen\u00e7a feminina no meio art\u00edstico ga\u00facho, apesar deste conjunto t\u00e3o amplo e diversificado correr o risco de criar homogeneidades que simplificam a compreens\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es ricas e complexas. A exposi\u00e7\u00e3o exige do p\u00fablico uma visita atenta, com leitura detalhada das etiquetas de informa\u00e7\u00e3o que acompanham cada trabalho, para evitar abordagens superficiais. Buscar o comprometimento do espectador pode ser uma interessante estrat\u00e9gia da institui\u00e7\u00e3o, entretanto, cabe ao p\u00fablico assumir esse desafio.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Diferentes tempos, categorias e tend\u00eancias estil\u00edsticas convivem ao longo de qualquer percurso escolhido, numa afirma\u00e7\u00e3o da cont\u00ednua e permanente participa\u00e7\u00e3o das mulheres no universo da arte local. A exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m documenta o crescimento no acervo do MARGS em 2011, com obras, em sua maioria, doadas pelas pr\u00f3prias artistas, como \u00e9 j\u00e1 caracter\u00edstico desta cole\u00e7\u00e3o desde a sua forma\u00e7\u00e3o. A doa\u00e7\u00e3o de artistas sempre foi a grande fonte de obras para o Museu \u2013 j\u00e1 em 1959, Jo\u00e3o Fahrion doou as duas excelentes gravuras de K\u00e4the Kollwitz que se encontram expostas. Este fato evidencia a inexist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas de aquisi\u00e7\u00e3o, diferentemente de muitos pa\u00edses onde a compra de obras \u00e9 uma pr\u00e1tica rotineira. Os artistas vivem, ou deveriam viver, de seu trabalho, pois sem essa possibilidade, a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 arte \u00e9 quase sempre descont\u00ednua.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Uma importante caracter\u00edstica da mostra \u00e9 a diversidade de categorias art\u00edsticas, com a predomin\u00e2ncia num\u00e9rica da cer\u00e2mica, da tape\u00e7aria e dos trabalhos sobre papel (desenho, gravura e fotografia). Considerando que, desde o Renascimento, a pintura e a escultura det\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica, sendo consideradas \u201cartes maiores\u201d, chama a aten\u00e7\u00e3o o pequeno n\u00famero destas. \u00c9 como se \u00e0s mulheres coubessem as artes menores, que elas tornam maior com sua dedica\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia.<\/span><\/h4>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1946\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2.png\" alt=\"2\" width=\"666\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2.png 666w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/2-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Na tape\u00e7aria se destacam os trabalhos de Berenice Gorini e Zoravia Betiol, ambas de grande porte e datadas de 1977, dando um testemunho da import\u00e2ncia que essa categoria art\u00edstica teve na \u00e9poca. Em cer\u00e2mica os trabalhos de Tania Resmini e Marlies Riter, incorporados ao acervo em 2011, mostram a atualidade desta t\u00e9cnica tradicional. As gravuras documentam diferentes \u00e9pocas, desde a j\u00e1 citada K\u00e4the Kollwitz, passando por Rose Lutzenberger, obra de 1976, Suzana Sommer, de 1982, Maristela Salvatori, de 1982, Nilza Haertel, de 1984, Marta Loguercio, de 1990, Miriam Tolpolar, de 1991 e Maria Lucia Cattani, de 1993. Essa categoria tem um destaque hist\u00f3rico na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica do estado e os trabalhos apresentados evidenciam sua import\u00e2ncia, embora, necessariamente, n\u00e3o sejam o que de melhor as artistas expostas produziram.<\/span><\/h4>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/3.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1947\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/3.png\" alt=\"3\" width=\"670\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/3.png 670w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/3-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 No desenho, uma categoria bastante contempor\u00e2nea, destacam-se os trabalhos de 2011, de Teresa Poester e Gisela Waetge, e os mais antigos de Maria Tomaselli, 1978 e Ana Alegria, de 1981. Algumas obras em fotografia se encaminham para a linha conceitual, como \u00e9 o caso de \u201cEpidermic Scapes\u201d, de Vera Chaves Barcelos, \u201cNoturnos\u201d, de Dione Veiga Vieira, e \u201cMapa\u201d, de Marina Camargo. A pintura tem pouca presen\u00e7a, como j\u00e1 se comentou, com destaques para Karin Lambrecht, com uma tela de 1986, e Lenir de Miranda, com tela de 2005, e uma mais antiga, de Maria L\u00ecdia Magliani, de 1978. Observam-se, ainda, importantes deriva\u00e7\u00f5es na escultura, que, fugindo \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, desenvolve-se como o objeto pop de Romanita Disconzi, de 1981, e as atuais obras de Elaine Tedesco e Lia Menna Barreto.<\/span><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 A participa\u00e7\u00e3o de artistas do Rio e de S\u00e3o Paulo evidencia di\u00e1logos que o MARGS estabelece, ao longo de sua trajet\u00f3ria, com inst\u00e2ncias desses importantes polos de legitima\u00e7\u00e3o art\u00edstica no pa\u00eds. Os nomes presentes na mostra\/acervo t\u00eam bastante representatividade no panorama nacional, como Tarsila do Amaral, Maria Bonomi, Renina Katz, Mira Schendel, Regina Silveira, Tomie Ohtake, Jac Lerner, Beatriz Milhazes, Gilda Vogt e Lygia Pape. Chama a aten\u00e7\u00e3o que a maior parte destes trabalhos foram doa\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es, diferentemente dos locais, na sua maioria recebidas das pr\u00f3prias artistas.<\/span><\/h4>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/4.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1944\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/4.png\" alt=\"4\" width=\"376\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/4.png 376w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/4-224x300.png 224w\" sizes=\"(max-width: 376px) 100vw, 376px\" \/><\/a><\/p>\n<h4><span style=\"color: #333300;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 Com tantos nomes fica dif\u00edcil dar destaques e importantes artistas, com certeza, ficaram de fora destes coment\u00e1rios, em que se procurou pontuar algumas refer\u00eancias para os visitantes. Mostras coletivas de grande porte como esta sempre dificultam a apreens\u00e3o do trabalho de cada participante. Abordar categorias art\u00edsticas tem suas restri\u00e7\u00f5es, uma vez que a arte contempor\u00e2nea tende a diluir fronteiras e mesclar t\u00e9cnicas, mas nesta exposi\u00e7\u00e3o elas ainda funcionam como importante informa\u00e7\u00e3o. A melhor proposta, entretanto, \u00e9 que cada visitante viva a experi\u00eancia est\u00e9tica como uma aventura, em que pode fazer seu pr\u00f3prio percurso e suas pr\u00f3prias descobertas.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><span style=\"color: #800000;\"><strong>Veja a coluna original clicando <a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/museu-sensivel-exposicao-feminista-arte-de-mulheres\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #333300;\">aqui.<\/span><\/a><\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #800000;\">Coment\u00e1rios<\/span><\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/comentarios.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1945 alignleft\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/comentarios.png\" alt=\"comentarios\" width=\"715\" height=\"328\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/comentarios.png 715w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/comentarios-300x137.png 300w\" sizes=\"(max-width: 715px) 100vw, 715px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23\/dez\/2011, 17h11min Museu sens\u00edvel, exposi\u00e7\u00e3o feminista, arte de mulheres &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00c9 com curiosidade e expectativa que se percorre a mostra O Museu sens\u00edvel, que se inaugurou dia 19 de dezembro, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, MARGS. 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