{"id":1988,"date":"2012-01-28T02:59:09","date_gmt":"2012-01-28T02:59:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=1988"},"modified":"2019-04-01T00:30:05","modified_gmt":"2019-04-01T00:30:05","slug":"arte-que-se-espalha-pela-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2012\/01\/28\/arte-que-se-espalha-pela-cidade\/","title":{"rendered":"A arte que se espalha pela cidade"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<p class=\"entry-meta\">Publicado em:\u00a0<time class=\"entry-time\" datetime=\"2012-01-28T05:32:04-03:00\">janeiro 28, 2012<\/time><\/p>\n<\/header>\n<p>Como descobrir que a cidade se n\u00e3o encontra esvaziada de pessoas e atividades culturais neste per\u00edodo do ano? Procure por \u201cArtemosfera\u201d, que est\u00e1 dando um impulso nas artes visuais, desde que se inaugurou em novembro, com atividades de pintura do marco com o nome do projeto, que contou com a participa\u00e7\u00e3o ativa do p\u00fablico, no Parque Farroupilha. O encerramento dessas atividade ser\u00e1 em 31 de janeiro, contando com um evento, dia 7 de fevereiro, no Chal\u00e9 da Pra\u00e7a XV, ocasi\u00e3o em que ser\u00e1 apresentado o cat\u00e1logo e o CD documental de todo o trabalho.<\/p>\n<div id=\"attachment_1989\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/12709089.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1989\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1989\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/12709089.jpg\" alt=\"Foto: T\u00e1rlis Schneider\" width=\"350\" height=\"234\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1989\" class=\"wp-caption-text\">Foto: T\u00e1rlis Schneider<\/p><\/div>\n<p>Com seu nome bastante sugestivo, este projeto foi gestado pelo marketing corporativo do Grupo RBS, e contou com a curadoria de Cezar Prestes. A proposta teve como marco conceitual a conscientiza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio da cidade e sua preserva\u00e7\u00e3o. Colocou-se o desafio de olhar, pensar, valorizar e cuidar desse patrim\u00f4nio. A escolha dos participantes levou em considera\u00e7\u00e3o a amplia\u00e7\u00e3o e a diversifica\u00e7\u00e3o dos segmentos criativos a serem envolvidos, indo al\u00e9m das artes visuais e abrangendo arquitetos e designers. Os crit\u00e9rios para sele\u00e7\u00e3o dos 51 participantes considerou serem todos moradores de Porto Alegre e estarem envolvidos com quest\u00f5es urbanas em seu trabalho pessoal.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o dos locais para instala\u00e7\u00e3o das obras foi gestada em conjunto pelo curador, pelos representantes do setor de eventos da RBS, e por setores da Prefeitura Municipal. Muitos condicionantes estiveram envolvidos, com o objetivo de atingir o maior raio poss\u00edvel dentro da malha urbana, respeitando as exig\u00eancias da legisla\u00e7\u00e3o vigente. Houve um mapeamento dos poss\u00edveis locais, que foi apresentados aos artistas para a defini\u00e7\u00e3o final de onde cada um atuaria. Um aspecto importante do projeto \u00e9 seu car\u00e1ter profissional, pagando cach\u00ea aos artistas pela cria\u00e7\u00e3o, e contratando empresas para a execu\u00e7\u00e3o das obras com o acompanhamento de cada autor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/download.png\"><img loading=\"lazy\" width=\"545\" height=\"933\" class=\"size-full wp-image-1993 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/download.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/download.png 545w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/download-175x300.png 175w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na planilha acima \u00e9 poss\u00edvel identificar todos os artistas participantes, os nomes das obras e os locais de implanta\u00e7\u00e3o de cada uma delas. Os tr\u00eas marcados em vermelho ainda n\u00e3o tiveram seus trabalhos instalados. As quatro obras em destaque foram assumidas individualmente por cada um dos patrocinadores oficiais \u2013 Chevrolet, TIM, Zaffari e Braskem.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es do projeto se encontram <a href=\"http:\/\/zh.clicrbs.com.br\/rs\/entretenimento\/artemosfera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no site da Zero Hora<\/a>, ali podendo ser obtida a lista completa dos artistas participantes com um mini curr\u00edculo de cada um, o Google Map com a localiza\u00e7\u00e3o das obras, not\u00edcias, fotos e v\u00eddeos referentes ao desenvolvimento do projeto em suas v\u00e1rias etapas. O site divulga, ainda, o regulamento de um concurso de fotos de pessoas junto \u00e0s obras do projeto.<\/p>\n<div id=\"attachment_1989\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Artemosfera-Bonde-Artemosfera-1368-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1989\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1989\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Artemosfera-Bonde-Artemosfera-1368-2.jpg\" alt=\"Foto: T\u00e1rlis Schneider\" width=\"350\" height=\"234\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1989\" class=\"wp-caption-text\">Foto: T\u00e1rlis Schneider<\/p><\/div>\n<p>Uma primeira op\u00e7\u00e3o de visita \u00e9 utilizar o mapa disponibilizado no site, indicando os locais onde se encontram as obras, e realizar trajetos individuais seguindo essas indica\u00e7\u00f5es. Encontrar todas as obras nesse processo n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Mais tranquilo \u00e9 chegar todo s\u00e1bado e domingo, um pouco antes das 15h, em frente \u00e0 Prefeitura Velha de Porto Alegre e tomar um dos dois \u00f4nibus que fazem o percurso, Zona Sul ou Zona Norte, para conhecer, em tr\u00eas horas, todas as obras dispostas em cada uma das duas zonas da cidade. Os \u00f4nibus foram adesivados com um trabalho de Eduardo Vieira da Cunha que remete para as mem\u00f3rias dos bondes que circularam at\u00e9 a d\u00e9cada de 70 em Porto Alegre. Um deles apresenta no seu interior uma esp\u00e9cie de galeria, com reprodu\u00e7\u00f5es de trabalhos de jovens artistas. Eles quase sempre lotam, mostrando o interesse do p\u00fablico, considerando o calor desse hor\u00e1rio, o que poderia desanimar um pouco. O problema \u00e9 que, somente nos s\u00e1bado e domingos h\u00e1 os \u00f4nibus, e que saem no mesmo hor\u00e1rio, um para cada zona, impossibilitando uma visita\u00e7\u00e3o completa no mesmo dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1989\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Artemosfera-Carmem-Gamba-0257-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1989\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1989\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Artemosfera-Carmem-Gamba-0257-2.jpg\" alt=\"Foto: T\u00e1rlis Schneider\" width=\"350\" height=\"234\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1989\" class=\"wp-caption-text\">&gt; Foto: T\u00e1rlis Schneider<\/p><\/div>\n<p>Uma terceira possibilidade \u00e9 ir descobrindo algumas obras de forma inesperada quando se circula pela cidade. Para isso \u00e9 preciso se inteirar do projeto e ficar atento \u00e0 presen\u00e7a das altera\u00e7\u00f5es propostas na visualidade normal da cidade. Em qualquer uma das formas o esfor\u00e7o para visita\u00e7\u00e3o vale a pena, pois algumas obras muito interessantes aguardam os transeuntes atentos e interessados. Atrav\u00e9s das interfer\u00eancias dispersas do Artemosfera podem ser percebidos novos sentidos no cotidiano. A arte transforma a paisagem urbana, fazendo dela mais do que uma vis\u00e3o em tr\u00e2nsito, criando fendas para mostrar sentidos ocultos ao primeiro olhar. Considerando que indiv\u00edduo v\u00ea o mundo a partir de suas viv\u00eancias do espa\u00e7o f\u00edsico, e que o lugar constitui um fator de equil\u00edbrio ps\u00edquico, vivenci\u00e1-lo de forma aberta e criativa \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Nas artes visuais, a paisagem come\u00e7a a aparecer no renascimento, e teve sua origem estreitamente ligada com a observa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os geogr\u00e1ficos. A palavra paysage, de origem francesa, deriva de pays, e pode significar tanto uma regi\u00e3o como uma na\u00e7\u00e3o. Nessa origem etimol\u00f3gica, encontra-se evidente sua liga\u00e7\u00e3o com a no\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio, uma vez que qualquer pa\u00eds tem como premissa uma base geogr\u00e1fica. Na contemporaneidade, no contexto da globaliza\u00e7\u00e3o, a ordem estabelecida pelos Estados Nacionais foi posta em xeque. Novas din\u00e2micas econ\u00f4micas, pol\u00edticas e culturais se estabeleceram, tornando mais complexo o comportamento dos indiv\u00edduos em rela\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios. Perdeu-se aquela rela\u00e7\u00e3o direta com um espa\u00e7o espec\u00edfico, visto que muitos n\u00edveis espaciais se cruzam. O local sofre profundas interfer\u00eancias do nacional e do internacional, e de diferentes formas tamb\u00e9m neles passou a interferir. A mistura, a interfer\u00eancia e a hibridiza\u00e7\u00e3o passaram a ser as notas dominantes da rela\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos com o seu entorno. No \u201cArtemosfera\u201d alguns artistas buscaram explorar estas complexidades, desenvolvendo rela\u00e7\u00f5es com as comunidades, e estimulando que os moradores do entorno passem a cuidar das obras instaladas, sentindo as como suas.<\/p>\n<div id=\"attachment_1989\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Artemosfera-Walmor-Correa-2146-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1989\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1989\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Artemosfera-Walmor-Correa-2146-2.jpg\" alt=\"Foto: T\u00e1rlis Schneider\" width=\"350\" height=\"234\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1989\" class=\"wp-caption-text\">Foto: T\u00e1rlis Schneider<\/p><\/div>\n<p>Alguns projetos cong\u00eaneres, mais antigos e consolidados, como o \u201cSkulptur Projekte\u201d de Munster, na Alemanha, e o \u201cArte Cidade\u201d, em S\u00e3o Paulo, envolvem interven\u00e7\u00f5es urbanas provis\u00f3rias, com a participa\u00e7\u00e3o de consagrados artistas nacionais e internacionais. O <a href=\"http:\/\/www.skulptur-projekte.de\/aktuell\/?lang=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">primeiro<\/a> \u00e9 montado a cada dez anos, e teve em 2007 sua quarta edi\u00e7\u00e3o. O <a href=\"http:\/\/www4.pucsp.br\/artecidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">segundo<\/a> tamb\u00e9m apresentou quatro edi\u00e7\u00f5es, em 1994, 1995, 1997, e 2002. Projetos de grande impacto, eles tiveram ampla repercuss\u00e3o no meio art\u00edstico, abrindo grandes debates. O \u201cArtemosfera segue no bojo destas experi\u00eancias, acrescentando novos aspectos. A \u00eanfase no engajamento da popula\u00e7\u00e3o em diferentes atividades interativas, a diversidade dos segmentos criativos envolvidos e o fato de serem todos os artistas moradores de Porto Alegre, s\u00e3o alguns de seus fatores diferenciais. O projeto se prop\u00f5e a ativar as rela\u00e7\u00f5es dos habitantes com o patrim\u00f4nio cultural da cidade, sem a implanta\u00e7\u00e3o de obras permanentes. Consta nos contratos que os trabalhos devem ser desativados no final de janeiro, embora alguns deles pare\u00e7am ter car\u00e1ter mais duradouro. O objetivo \u00e9 criar dispositivos moment\u00e2neos para explorar os espa\u00e7os urbanos, integrando as rela\u00e7\u00f5es dos moradores com os seus territ\u00f3rios. Uma arte se esparramando pela cidade, modificando-a e dialogando com ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4>Veja a coluna original clicando <a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/a-arte-que-se-espalha-pela-cidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui.<\/a><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em:\u00a0janeiro 28, 2012 Como descobrir que a cidade se n\u00e3o encontra esvaziada de pessoas e atividades culturais neste per\u00edodo do ano? 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