{"id":2116,"date":"2012-03-10T21:13:09","date_gmt":"2012-03-10T21:13:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=2116"},"modified":"2019-04-01T00:26:08","modified_gmt":"2019-04-01T00:26:08","slug":"quem-tudo-quer-tudo-pode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2012\/03\/10\/quem-tudo-quer-tudo-pode\/","title":{"rendered":"Quem tudo quer tudo pode"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<p class=\"entry-meta\">Publicado em:\u00a0<time class=\"entry-time\" datetime=\"2012-03-10T15:40:33-03:00\">mar\u00e7o 10, 2012<\/time><\/p>\n<\/header>\n<p>Um exerc\u00edcio de poder do desejo \u00e9 o que se evidencia na exposi\u00e7\u00e3o O triunfo do contempor\u00e2neo, que se inaugurou dia 6 de mar\u00e7o, no Santander Cultural <a href=\"http:\/\/www.santandercultural.com.br\/programacao\/artesvisuais.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.santandercultural.com.br\/programacao\/artesvisuais.asp<\/a>, com curadoria de Gaud\u00eancio Fidelis. A mostra, concebida a partir do acervo do Museu de Arte Contempor\u00e2nea \u2013 MAC \u2013 do Rio Grande do Sul, comemora seus vinte anos de exist\u00eancia. A ata de cria\u00e7\u00e3o, o acervo e um conjunto de exposi\u00e7\u00f5es realizadas em diferentes locais s\u00e3o os trunfos dessa institui\u00e7\u00e3o, que segue buscando um espa\u00e7o f\u00edsico adequado para sua instala\u00e7\u00e3o. Resultante do desejo de um grupo de artistas e intelectuais comprometidos com a supera\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o moderna no estado, a cria\u00e7\u00e3o do Museu foi um ato simb\u00f3lico significativo na consolida\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias art\u00edsticas contempor\u00e2neas. A cria\u00e7\u00e3o do MAC fez parte de um conjunto de muitos esfor\u00e7os, como a cria\u00e7\u00e3o do Mestrado e Doutorado em Artes Visuais da UFRGS, da Bienal do MERCOSUL, da Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo e da Funda\u00e7\u00e3o Vera Chaves, entre outros, que concorreram para que, hoje, se possa dizer que a arte contempor\u00e2nea no estado \u00e9 uma corrente consolidada.<\/p>\n<p>Gestado e mantido sob a \u00f3tica da inclus\u00e3o, este acervo n\u00e3o se prop\u00f5e a estabelecer sele\u00e7\u00f5es de qualidade e hierarquiza\u00e7\u00e3o das obras, mas valoriz\u00e1-las como contribui\u00e7\u00f5es culturais, hist\u00f3ricas e art\u00edsticas do meio em que se inserem. Assim, o desejo de contemporaneidade, evidente na proposta da exposi\u00e7\u00e3o e no texto do cat\u00e1logo, dialoga com o conjunto das obras mostradas. Um largo espectro de trabalhos, com predom\u00ednio da pintura, da escultura e da fotografia, com poucos v\u00eddeos e nenhuma instala\u00e7\u00e3o ou performance, categorias art\u00edsticas mais representativas da contemporaneidade. Presentes obras de artistas de outros estados do Brasil (o Par\u00e1 est\u00e1 bastante representado), o destaque num\u00e9rico \u00e9 para os nomes locais, e, praticamente, inexistem as conex\u00f5es internacionais, t\u00edpicas da arte contempor\u00e2nea. A qualidade dos trabalhos apresentados n\u00e3o oculta os limites deste acervo, constitu\u00eddo predominantemente de obras doadas por artistas, em que alguns nomes referenciais est\u00e3o ausentes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6130-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2117 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6130-2.jpg\" alt=\"MG_6130-2\" width=\"463\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6130-2.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6130-2-300x209.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6130-2-768x534.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 463px) 100vw, 463px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na contemporaneidade, podem ser vistas exposi\u00e7\u00f5es em que predominam telas e esculturas mais tradicionais e de vi\u00e9s moderno, assim como tamb\u00e9m exposi\u00e7\u00f5es de objetos, instala\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos ou performances, mais ousadas e contestadoras. Os que aceitam um tipo de obra, em geral, s\u00e3o bastante refrat\u00e1rios \u00e0s outras, e, no cerne do sistema da arte, uma ferrenha disputa entre regimes art\u00edsticos diversos se desenvolve. A variedade de produ\u00e7\u00f5es, bem como a inexist\u00eancia de crit\u00e9rios minimamente aceitos por todos dificultam, hoje, a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ou n\u00e3o arte, dilacerando os limites do sistema institucional e questionando a atua\u00e7\u00e3o dos museus.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6147-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2118 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6147-2.jpg\" alt=\"MG_6147-2\" width=\"478\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6147-2.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6147-2-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 478px) 100vw, 478px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tentando aclarar estas disputas, Nathalie Heinisch, em um livro cujo t\u00edtulo j\u00e1 demonstra a complexidade da situa\u00e7\u00e3o \u2013 Pour en finir avec la querele de l\u2019art contemporain \u2013 prop\u00f5e distinguir tr\u00eas maneiras diferentes de conceber a arte hoje. A primeira, seria cl\u00e1ssica, baseada na figura\u00e7\u00e3o e respeitando as regras acad\u00eamicas de imita\u00e7\u00e3o do real. Os artistas inseridos nesta tend\u00eancia trabalham com os grandes temas: natureza morta, paisagem, retratos e respeitam os suportes tradicionais (pintura, escultura, gravura, desenho). Sua aceita\u00e7\u00e3o, em geral, \u00e9 local, restrito ao grupo que a reconhece. Uma Segunda tend\u00eancia seria moderna, baseada na express\u00e3o da subjetividade do artista, valorizada por sua autenticidade, garantida pela assinatura e pelo estilo de cada autor. Os seus seguidores respeitam e valorizam a obra de arte e os limites dos suportes tradicionais, renegando a dimens\u00e3o idealizada da figura e adotando rela\u00e7\u00f5es formais que fogem \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6371-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2119 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6371-2.jpg\" alt=\"MG_6371-2\" width=\"479\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6371-2.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6371-2-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A terceira tend\u00eancia seria a contempor\u00e2nea, que repousa essencialmente sobre a experimenta\u00e7\u00e3o de todo tipo de ruptura e transgress\u00e3o, desde os crit\u00e9rios art\u00edsticos aos quadros disciplinares, morais e jur\u00eddicos. O valor da arte para eles n\u00e3o reside mais no objeto, mas num conjunto de media\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre o artista e o espectador, e pelas redes relacionais que se estabelecem atrav\u00e9s de eventos\/espet\u00e1culos.<\/p>\n<p>A conviv\u00eancia conflitiva entre esses diversificados regimes est\u00e9ticos, al\u00e9m do uso de espa\u00e7os marginais, tais como galp\u00f5es, bares e a pr\u00f3pria rua, incorporados como locais de exposi\u00e7\u00e3o pressionam as institui\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas a lidarem de maneira articulada com objetos e criadores de diferentes origens. Campos e atores \u00e0 margem do circuito oficial s\u00e3o integrados ao sistema institucional atrav\u00e9s de in\u00fameras e diversificadas estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6376-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2120 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6376-2.jpg\" alt=\"MG_6376-2\" width=\"291\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6376-2.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6376-2-195x300.jpg 195w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/MG_6376-2-668x1024.jpg 668w\" sizes=\"(max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Segundo o curador Gaud\u00eancio Fidelis, \u201cO t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o no Santander Cultural faz uma alus\u00e3o ao dom\u00ednio da atualidade sobre o terreno da arte e da cultura e sua capacidade de mobilizar sentimentos de inclus\u00e3o, cosmopolitismo, barreiras culturais, liberdade de express\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o de problemas de tradu\u00e7\u00e3o cultural que, se postos em contraposi\u00e7\u00e3o a uma perspectiva historicista, podem propiciar significativas fontes de aprendizado e experi\u00eancia do mundo\u201d. Para desenvolver esse pensamento, Fidelis optou por uma estrat\u00e9gia de exibi\u00e7\u00e3o das obras seguindo a tend\u00eancia labir\u00edntica, j\u00e1 proposta por ele anteriormente, que recusa historicidades, criando in\u00fameras possibilidades de leitura a partir de justaposi\u00e7\u00f5es. Na museografia, ou design da exposi\u00e7\u00e3o, prop\u00f4s romper com o cubo branco da galeria imposto pela modernidade, mesmo considerando que o espa\u00e7o do Santander j\u00e1 \u00e9, em si, uma ruptura com este modelo. Para tal o curador, partindo de sua experi\u00eancia na escultura, criou uma s\u00e9rie de displays que, ao mesmo tempo, servem de suporte para algumas obras e funcionam, como ele mesmo afirma, como uma exposi\u00e7\u00e3o dentro de outra. Um momento interessante foi a apropria\u00e7\u00e3o pelo artista Carlos Asp, de um desses displays, para intervir diretamente sobre ele, instaurando uma obra original e dial\u00f3gica.<\/p>\n<p>Um aspecto importante dessa mostra \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e das autoridades para a import\u00e2ncia e a abrang\u00eancia da arte contempor\u00e2nea no estado, com artistas que ultrapassam as fronteiras locais e, ao mesmo tempo, com a aus\u00eancia de um espa\u00e7o adequado, que abrigue essa produ\u00e7\u00e3o, construindo sua mem\u00f3ria. Visitar a exposi\u00e7\u00e3o oportuniza uma experi\u00eancia de diversidade e uma viv\u00eancia do desejo do contempor\u00e2neo que todos merecem se dar.<\/p>\n<h4>Veja a coluna original clicando<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/quem-tudo-quer-tudo-pode\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> aqui<\/a>.<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em:\u00a0mar\u00e7o 10, 2012 Um exerc\u00edcio de poder do desejo \u00e9 o que se evidencia na exposi\u00e7\u00e3o O triunfo do contempor\u00e2neo, que se inaugurou dia 6 de mar\u00e7o, no Santander Cultural http:\/\/www.santandercultural.com.br\/programacao\/artesvisuais.asp, com curadoria de Gaud\u00eancio Fidelis. A mostra, concebida a partir do acervo do Museu de Arte Contempor\u00e2nea \u2013 MAC \u2013 do Rio Grande [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false},"categories":[67],"tags":[36,69,46,91],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2116"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2116"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4470,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions\/4470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}