{"id":2260,"date":"2012-04-06T22:16:39","date_gmt":"2012-04-06T22:16:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=2260"},"modified":"2019-04-01T00:23:11","modified_gmt":"2019-04-01T00:23:11","slug":"como-falar-sobre-artes-visuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2012\/04\/06\/como-falar-sobre-artes-visuais\/","title":{"rendered":"Como falar sobre artes visuais?"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<p class=\"entry-meta\">Publicado em:\u00a0<time class=\"entry-time\" datetime=\"2012-04-06T10:27:45-03:00\">abril 6, 2012<\/time><\/p>\n<\/header>\n<p>A palavra e a imagem estabelecem caminhos diferentes de percep\u00e7\u00e3o e express\u00e3o, mas muitas pontes se colocam entre eles. Duas oportunidades interessantes e diferentes de experienciar estas conex\u00f5es me foram oferecidas em um curto per\u00edodo de tempo, abrindo um leque de reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>Em Joinville foram criados, em 2002, o Museu da Arte Contempor\u00e2nea Schwanke, e em 2003, o instituto com o mesmo nome, que est\u00e3o desenvolvendo uma s\u00e9rie de atividades. Embora n\u00e3o tenha uma sede f\u00edsica, o Museu ter\u00e1 uma vers\u00e3o virtual, que est\u00e1 em produ\u00e7\u00e3o, com o projeto aprovado pela Lei de Incentivos Fiscais, e j\u00e1 ativa bastante o meio local com importantes eventos. No dia 29 de mar\u00e7o realizou dentro do Projeto Arte Contempor\u00e2nea: Produ\u00e7\u00e3o e Curadoria, em parceria com a UNIVILLE, uma mesa com o artista Nuno Ramos, tendo como debatedoras Rosangela Scherem (UDESC) e Taiza Moraes (UNIVILLE), a primeira da \u00e1rea de artes visuais e a segunda da literatura. A conversa, que durou seis horas, com dois intervalos de 15 minutos, abordou o diversificado trabalho do artista, que engloba artes pl\u00e1sticas, literatura, cinema, m\u00fasica e outros experimentos que podem ser vistos <a href=\"http:\/\/www.nunoramos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em seu site<\/a>.<\/p>\n<p>O artista apresentou dois v\u00eddeos e uma s\u00e9rie de imagens de seus trabalhos e respondeu a in\u00fameras perguntas das debatedoras e do p\u00fablico. Com clareza, objetividade e bastante conhecimento dos seus campos de atua\u00e7\u00e3o, Nuno Ramos evidenciou uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a seu trabalho e \u00e0 sua gera\u00e7\u00e3o. Segundo ele, \u201cmeu lugar \u00e9 a ambival\u00eancia, e se eu trago alguma coisa para a arte brasileira \u00e9 o erro\u2026O que vale na obra de arte \u00e9 o que algu\u00e9m determinou na \u00e9poca o seu valor\u201d. Diferentemente do personagem de \u201cO traje do Rei\u201d, o artista informa ao p\u00fablico \u201cestou nu\u201d e exp\u00f5e a sincera humanidade de sua nudez. Deixando claro suas inquieta\u00e7\u00f5es com posi\u00e7\u00f5es acomodadas e f\u00e1ceis, ele afirma ainda: \u201cGosto de ver o espectador numa posi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil dentro das minhas obras como se ele n\u00e3o tivesse acesso a elas\u201d. Ele nomeia inclusive algumas de suas obras como \u201canti penetr\u00e1veis\u201d, em alus\u00e3o \u00e0s obras de Helio Oiticica \u2013 os penetr\u00e1veis \u2013 que convidavam o espectador a adentr\u00e1-las e se deixar envolver.<\/p>\n<p>O artista apresentou dois v\u00eddeos e uma s\u00e9rie de imagens de seus trabalhos e respondeu a in\u00fameras perguntas das debatedoras e do p\u00fablico. Com clareza, objetividade e bastante conhecimento dos seus campos de atua\u00e7\u00e3o, Nuno Ramos evidenciou uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a seu trabalho e \u00e0 sua gera\u00e7\u00e3o. Segundo ele, \u201cmeu lugar \u00e9 a ambival\u00eancia, e se eu trago alguma coisa para a arte brasileira \u00e9 o erro\u2026O que vale na obra de arte \u00e9 o que algu\u00e9m determinou na \u00e9poca o seu valor\u201d. Diferentemente do personagem de \u201cO traje do Rei\u201d, o artista informa ao p\u00fablico \u201cestou nu\u201d e exp\u00f5e a sincera humanidade de sua nudez. Deixando claro suas inquieta\u00e7\u00f5es com posi\u00e7\u00f5es acomodadas e f\u00e1ceis, ele afirma ainda: \u201cGosto de ver o espectador numa posi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil dentro das minhas obras como se ele n\u00e3o tivesse acesso a elas\u201d. Ele nomeia inclusive algumas de suas obras como \u201canti penetr\u00e1veis\u201d, em alus\u00e3o \u00e0s obras de Helio Oiticica \u2013 os penetr\u00e1veis \u2013 que convidavam o espectador a adentr\u00e1-las e se deixar envolver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"1170\" height=\"878\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Yfga89p0Do?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Uma segunda oportunidade de ouvir falar sobre arte ocorreu em Porto Alegre, na RODA \u2013 Rodada de Debates sobre Arte, organizada pelas Coordena\u00e7\u00f5es de Cinema, V\u00eddeo e Fotografia e Artes Pl\u00e1sticas da Prefeitura Municipal, dias 3 e 4 de abril na <a href=\"http:\/\/www.salapfgastal.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Usina do Gas\u00f4metro<\/a>. O encontro, orientado pelo princ\u00edpio da diversidade e da autonomia, se prop\u00f5e a investigar o cen\u00e1rio art\u00edstico contempor\u00e2neo, com a participa\u00e7\u00e3o de conferencistas de forma\u00e7\u00e3o bastante heterog\u00eanea. Faz parte ainda do evento a proje\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de filmes originais de arte \u201cArte doc.\u201d que poder\u00e3o ser vistos ao longo da semana pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>No primeiro dia, participaram Elaine Tedesco, artista pl\u00e1stica e professora da UFRGS, Fabio Cypriano, cr\u00edtico de arte da Folha de S. Paulo e Storm Janse van Rensburg, curador independente da \u00c1frica do Sul. Cada um deles abordou praticamente uma cena art\u00edstica; Tedesco observou a cena local pelo \u00e2ngulo do artista, Cypriano a cena nacional e suas conex\u00f5es internacionais, pelo vi\u00e9s da cr\u00edtica da arte, e Rensburg a cena sul-africana, pela perspectiva do cr\u00edtico. O debate se desenvolveu das 18h,30 at\u00e9 as 22h, com boa participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Sem cair em lamenta\u00e7\u00f5es ou jogos acusat\u00f3rios, as apresenta\u00e7\u00f5es expuseram posturas duras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s respostas f\u00e1ceis e \u00e0 busca de valores de consumo massificado que proliferam no campo da arte. Foram apresentados contrapontos, divulgando modelos de atua\u00e7\u00e3o com que os palestrantes se identificam, discutindo seus limites e potencialidades. Tedesco partiu de seu trabalho \u201c<a href=\"http:\/\/elainetedesco.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Observat\u00f3rio 4SGP<\/a>\u201d para pensar o artista como estando em um observat\u00f3rio a olhar ao seu redor, percebendo como cada trabalho atua no sistema da arte, e como dialoga com o que est\u00e1 acontecendo. Sobre a cena local, concordou com uma opini\u00e3o do p\u00fablico sobre a presen\u00e7a de uma tend\u00eancia relacional, observou a pouco significativa produ\u00e7\u00e3o de pintura da nova gera\u00e7\u00e3o, e a import\u00e2ncia dos ateli\u00eas coletivos.<\/p>\n<p>Cypriano destacou em suas an\u00e1lises a expans\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o do mercado de arte nos \u00faltimos dez anos, com a aten\u00e7\u00e3o acentuada das galerias nas feiras de arte \u2013 galerias brasileiras participam em m\u00e9dia de sete feiras ao ano \u2013 e o desenvolvimento de produ\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para esse tipo de evento. Observou que a tradi\u00e7\u00e3o experimental voltou-se para feiras, com o retorno ao objeto e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do desenho e da pintura. Criticou a atua\u00e7\u00e3o interconectada de curadores e galeristas na constru\u00e7\u00e3o de valores para a arte. Contrap\u00f4s a esse cen\u00e1rio a atua\u00e7\u00e3o de curadores, como Paulo Herkenhoff, que desenvolvem um modelo de exposi\u00e7\u00e3o como experimenta\u00e7\u00e3o, em oposi\u00e7\u00e3o ao modelo ilustrativo (de uma ideia ou conceito) ou ao corporativo (por t\u00e9cnicas ou suportes).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"1170\" height=\"878\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UsmjeHo6CO8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Rensburg, ex diretor da <a href=\"http:\/\/www.goodman-gallery.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Goodman Galleriy Cape Town<\/a> apontou as dificuldades do Apartheid para o desenvolvimento da arte na \u00c1frica do Sul e os preconceitos que envolvem e encobrem as escolhas art\u00edsticas no pa\u00eds. Apresentou um v\u00eddeo de uma banda local com a participa\u00e7\u00e3o de um artista pl\u00e1stico que desenvolve uma forte, instigante e complexa visualidade.<\/p>\n<p>No segundo dia, foram apresentadas duas confer\u00eancias, de Sam McAuliffe, professor da Goldsmiths University de Londres e de Susanne Pfeffer, curadora do KW Instituto de Arte Contempor\u00e2nea. McAuliffe abordou de forma bastante did\u00e1tica as teorias de Adorno relativas \u00e0 autonomia da arte, destacando a contradit\u00f3ria afirma\u00e7\u00e3o do autor \u201cA arte \u00e9 aut\u00f4noma e n\u00e3o \u00e9\u201d. A partir dela, explorou a discuss\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o da arte de incrementar sua pr\u00f3pria aboli\u00e7\u00e3o, diluindo-se na vida, e de como ela se produz nesse espa\u00e7o de liberdade e integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pfeffer apresentou um pouco da cena art\u00edstica berlinense a partir de sua atua\u00e7\u00e3o como curadora de uma das mais importantes e inovadoras institui\u00e7\u00f5es atuantes <a href=\"http:\/\/kw-berlin.com\/english\/set_index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">neste meio<\/a>. Com muitas imagens, mostrou como apoiou os artistas em suas ousadias criativas, modificando em muitos momentos os espa\u00e7os expositivos para montagem das obras. Ela destacou o fato de Berlin ser, hoje, um local de muita fermenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mais aberto e din\u00e2mico do que a maioria das grandes metr\u00f3poles internacionais. Apontou a curadoria como uma tarefa de pesquisa do que est\u00e1 acontecendo e \u201ccuidadora\u201d, dando suporte ao artista para executar sua proposta, pensando ainda no p\u00fablico e como ele vai poder se envolver com a mostra.<\/p>\n<p>Todas essas falas conduzem possibilidades diferenciadas de entrada no universo art\u00edstico. A pluralidade faz parte do panorama visual contempor\u00e2neo, as diferen\u00e7as de abordagem correspondem a ele, e tamb\u00e9m permitem uma maior proximidade com ele. O mundo das imagens n\u00e3o se abre magicamente ao olhar, tem nuances e complexidades que as palavras ajudam a perceber e a explorar. Em v\u00e1rios momentos os debates t\u00eam alargado o campo da arte, conectando seus integrantes e ampliando a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Posturas cr\u00edticas e muita informa\u00e7\u00e3o se fazem necess\u00e1rias para o aprofundamento desses di\u00e1logos.<\/p>\n<h4>Voc\u00ea pode ler esse texto no <a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/como-falar-sobre-artes-visuais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sul 21<\/a><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em:\u00a0abril 6, 2012 A palavra e a imagem estabelecem caminhos diferentes de percep\u00e7\u00e3o e express\u00e3o, mas muitas pontes se colocam entre eles. Duas oportunidades interessantes e diferentes de experienciar estas conex\u00f5es me foram oferecidas em um curto per\u00edodo de tempo, abrindo um leque de reflex\u00f5es. 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