{"id":2466,"date":"2015-11-20T12:38:31","date_gmt":"2015-11-20T12:38:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=2466"},"modified":"2015-11-20T12:38:31","modified_gmt":"2015-11-20T12:38:31","slug":"despertando-interesse-e-construindo-olhares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2015\/11\/20\/despertando-interesse-e-construindo-olhares\/","title":{"rendered":"Despertando interesse e construindo olhares"},"content":{"rendered":"<p align=\"JUSTIFY\">Neste pa\u00eds enorme, uma quest\u00e3o importante a se colocar \u00e9 sobre a necessidade de a arte ser cada vez mais descentralizada, de forma semelhante ao que se demanda de todos os demais servi\u00e7os oferecidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Se a centraliza\u00e7\u00e3o das artes em S\u00e3o Paulo e no Rio de janeiro, por um lado, pode ser pr\u00e1tica, pois com uma ou duas viagens se pode ver tudo que acontece de importante no Pa\u00eds, por outro, alija desta participa\u00e7\u00e3o boa parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode realizar essas viagens continuamente. Assim, \u00e9 com satisfa\u00e7\u00e3o que se verifica que Curitiba ostenta um magn\u00edfico espa\u00e7o para a arte contempor\u00e2nea, o <a href=\"http:\/\/www.museuoscarniemeyer.org.br\/\" target=\"_blank\">Museu Oscar Niemeyer, MON<\/a>.\u00a0\u00a0Instalado em um pr\u00e9dio especialmente adaptado para essa fun\u00e7\u00e3o por projeto do mais famoso arquiteto brasileiro, o museu assume seu nome. O museu est\u00e1 instalado em um complexo de 144 mil metros quadrados, com mais de 35 mil metros quadrados de \u00e1rea constru\u00edda e em torno de 17 mil metros quadrados de \u00e1rea expositiva. Oscar Niemeyer utilizou no pr\u00e9dio a tecnologia do concreto protendido, criando grandes v\u00e3os livres entre as colunas e grandes balan\u00e7os. O tra\u00e7o sinuoso do arquiteto evidencia leveza formal e arrojo estrutural, explorando ao m\u00e1ximo as possibilidades formais do espa\u00e7o.\u00a0\u00c9 gratificante verificar que fora dos grandes n\u00facleos tamb\u00e9m existem espa\u00e7os importantes para grandes mostras de artes visuais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/i_mon.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-124162\" title=\"i_mon\" src=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/i_mon.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"297\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/5273833076_a0cd00b23d_z.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-124163\" title=\"5273833076_a0cd00b23d_z\" src=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/5273833076_a0cd00b23d_z.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"299\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Neste momento, em comemora\u00e7\u00e3o a seus dez anos de atividade, o MON apresenta, entre outras exposi\u00e7\u00f5es, uma especialmente digna de destaque: \u201c1911-2011 Arte Brasileira e depois\u201d. Constitu\u00edda por 187 obras de 138 artistas, pertencentes a <a href=\"http:\/\/www.itaucultural.org.br\/\" target=\"_blank\">Cole\u00e7\u00e3o Ita\u00fa<\/a>, a mostra, com curadoria de Teixeira Coelho, foi j\u00e1 apresentada no Pal\u00e1cio das Artes, em Belo Horizonte, e no Pa\u00e7o Imperial, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A exposi\u00e7\u00e3o, que faz uma revis\u00e3o hist\u00f3rica da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica no Brasil, sem se ater a uma cronologia r\u00edgida, est\u00e1 organizada em doze m\u00f3dulos. O primeiro, denominado \u201cA marca humana\u201d, est\u00e1 centrado na representa\u00e7\u00e3o da figura humana, com \u00eanfase nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, e na forma\u00e7\u00e3o do modernismo. O segundo, ainda bastante focado no in\u00edcio do s\u00e9culo e no modernismo, se intitula \u201cIrrealismos\u201d. Sob esta designa\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada toda uma gama po\u00e9tica de deriva\u00e7\u00f5es n\u00e3o objetivas da realidade. O terceiro m\u00f3dulo, denominado \u201cModos de Abstra\u00e7\u00e3o\u201d, foca o desenvolvimento das correntes abstratas \u2013 geom\u00e9trica e informal \u2013 como importante momento de forma\u00e7\u00e3o da arte no Pa\u00eds. No quarto m\u00f3dulo, \u201cNa linha da ideia\u201d, a curadoria enfoca a arte conceitual, com obras em que a id\u00e9ia e o conceito se sobrep\u00f5em \u00e0s formula\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas. No quinto, denominado \u201cArte antiarte\u201d, s\u00e3o apresentadas obras que buscam romper com o sistema da arte, colocando-se \u00e0 margem do mercado e negando-se como objetos art\u00edsticos. No sexto m\u00f3dulo, \u201cA contesta\u00e7\u00e3o Pop\u201d, s\u00e3o acolhidas obras que fazem, em termos locais, uma leitura da arte Pop que se desenvolveu internacionalmente. Apropriando-se de \u00edcones da cultura de massa e assumindo o banal como tema e recurso formal, elas estabelecem uma nova visualidade. No s\u00e9timo m\u00f3dulo, intitulado \u201dO ju\u00edzo jocoso\u201d, encontra-se um conjunto de obras que lidam com a ironia, o ceticismo e o cinismo, para estabelecer uma forma cr\u00edtica e divertida de olhar o mundo. No oitavo m\u00f3dulo, \u201cArte como arte\u201d, h\u00e1 uma \u00eanfase na apropria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da arte pelas produ\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. De forma mais ir\u00f4nica ou mais reflexiva, conhecidas obras hist\u00f3ricas retornam como \u00edcones e como tema. O nono m\u00f3dulo, \u201cA palavra imagem\u201d, agrupa um conjunto de trabalhos nos quais a palavra \u00e9 fundamental, seja como signo pl\u00e1stico, seja como informa\u00e7\u00e3o. No d\u00e9cimo, \u201cPintura p\u00f3s-pintura\u201d, s\u00e3o apresentadas reflex\u00f5es pict\u00f3ricas sobre a pintura. S\u00e3o trabalhos que tanto se elaboram sobre a tradi\u00e7\u00e3o da pintura como a desconstroem ou a reconstroem. O m\u00f3dulo, \u201cN\u00e3o objetos, antiformas\u201d, enfoca trabalhos preponderantemente tri-dimensionais, em que a mat\u00e9ria e a fatura s\u00e3o exploradas como elementos de significa\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo m\u00f3dulo, \u201cOutras m\u00eddias, outros modos\u201d, s\u00e3o apresentadas propostas art\u00edsticas que utilizam as tecnologias digitais, v\u00eddeos, holografia e videoinstala\u00e7\u00e3o como recurso para sua constru\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/MCK_4905-Edit-2.jpg\" data-gallery=\"\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-124164\" title=\"MCK_4905-Edit (2)\" src=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/MCK_4905-Edit-2.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"223\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/MCK_5013-2.jpg\" data-gallery=\"\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-124165\" title=\"MCK_5013 (2)\" src=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/MCK_5013-2.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"375\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/MCK_7621-2.jpg\" data-gallery=\"\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-124166\" title=\"MCK_7621 (2)\" src=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/MCK_7621-2.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"375\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As diferentes se\u00e7\u00f5es em que a exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 dividida funcionam com certa flexibilidade, e algumas obras poderiam estar em diversos m\u00f3dulos, n\u00e3o h\u00e1 um rigor classificat\u00f3rio. A grande quantidade de m\u00f3dulos pode, em alguns momentos, dificultar a compreens\u00e3o do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao conjunto que lhe \u00e9 apresentado. Entretanto, por outro lado, esta segmenta\u00e7\u00e3o estabelece pausas no percurso, o que parece ser bem adequado em uma exposi\u00e7\u00e3o de grande porte como esta. Seja como for, esta \u00e9 uma mostra importante, que oferece uma ampla vis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica nacional. Atrav\u00e9s dela, \u00e9 poss\u00edvel fazer um recorrido por diferentes e fundamentais momentos da arte que aqui se produziu e se produz. Contando com importantes artistas e obras, que v\u00eam desde o modernismo percorrendo todos os demais momentos dessa trajet\u00f3ria art\u00edstica, ela oferece ao p\u00fablico uma verdadeira aula de Hist\u00f3ria da Arte no Brasil. Nela \u00e9 poss\u00edvel perceber como os artistas nacionais acompanham os grandes movimentos da arte internacional, fazendo dela suas vers\u00f5es pessoais, criativas, vers\u00e1teis e bem articuladas com as quest\u00f5es locais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/ALBANO-AFONSO-_-SERIE-PARAISO-2.jpg\" data-gallery=\"\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-124167\" title=\"ALBANO AFONSO _ SERIE PARAISO (2)\" src=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/ALBANO-AFONSO-_-SERIE-PARAISO-2.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"449\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/NELSON-LEIRNER-_-SERIE-CLONAGEM-01928874-2.jpg\" data-gallery=\"\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-124168\" title=\"NELSON LEIRNER _ SERIE CLONAGEM 01928874 (2)\" src=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/NELSON-LEIRNER-_-SERIE-CLONAGEM-01928874-2.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"375\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na coluna da semana passada um leitor comentou que fora daqui (na It\u00e1lia) pode ver a verdadeira arte, que a produ\u00e7\u00e3o local \u00e9 muito fraca e decepcionante. Talvez se possa pensar na import\u00e2ncia de reconhecermos que esta \u00e9 a \u201cnossa arte\u201d. Ela diz de n\u00f3s e de nossa realidade. Talvez conhec\u00ea-la melhor seja uma forma de criar la\u00e7os e sensibilizar o olhar. Para isso exposi\u00e7\u00f5es de grandes cole\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais. Elas s\u00e3o fatores preponderantes para a constru\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria cultural e art\u00edstica. Assim, institui\u00e7\u00f5es privadas como o Banco Ita\u00fa, organizando e mantendo uma cole\u00e7\u00e3o de 3.600 pe\u00e7as, das quais parte est\u00e1 apresentada na mostra \u201c1911-2011 Arte Brasileira e depois\u201d, concorrem para esta constru\u00e7\u00e3o. Apresentando esta mostra, o MON, traz ao Sul do Pa\u00eds uma oportunidade para a forma\u00e7\u00e3o visual da popula\u00e7\u00e3o, permitindo que se construa uma rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima com as obras que fazem a nossa hist\u00f3ria da arte. Atraindo p\u00fablico n\u00e3o s\u00f3 de Curitiba, mas de toda a regi\u00e3o paranaense e catarinense, o museu funciona como importante polo art\u00edstico cultural na regi\u00e3o e merece uma visita.<\/p>\n<p>http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/despertando-interesse-e-construindo-olhares\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste pa\u00eds enorme, uma quest\u00e3o importante a se colocar \u00e9 sobre a necessidade de a arte ser cada vez mais descentralizada, de forma semelhante ao que se demanda de todos os demais servi\u00e7os oferecidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. 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