{"id":2970,"date":"2016-12-09T20:00:44","date_gmt":"2016-12-09T20:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=2970"},"modified":"2019-10-08T18:45:13","modified_gmt":"2019-10-08T18:45:13","slug":"trocar-experiencias-e-abrir-novos-horizontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2016\/12\/09\/trocar-experiencias-e-abrir-novos-horizontes\/","title":{"rendered":"Trocar experi\u00eancias e abrir novos horizontes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A apresenta\u00e7\u00e3o de Laura Cattani, Munir Klamt e T\u00falio Pinto, sobre suas experi\u00eancias de \u201cresid\u00eancia\u201d no <a href=\"http:\/\/www.eac.gub.uy\/anteriores.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Espacio de Arte Contempor\u00e1neo<\/a>, em Montevid\u00e9u, me fez pensar sobre esse tipo de proposta, que tem sido oferecida por centros de arte no Brasil e no exterior. A resid\u00eancia no EAC, em Montevid\u00e9u, foi a terceira realizada pela institui\u00e7\u00e3o, mas a primeira a contar com a participa\u00e7\u00e3o de artistas estrangeiros. Ela resultou de uma parceria com o Instituto de Artes Visuais da Secretaria de Cultura do RS, tendo os artistas enviado projetos que foram selecionados pela dire\u00e7\u00e3o do centro. O trabalho se desenvolveu durante tr\u00eas meses, no espa\u00e7o cultural localizado em uma antiga pris\u00e3o. Cada artista recebeu duas celas para trabalhar e expor, sendo poss\u00edvel aos outros artistas envolvidos na resid\u00eancia (seis) e ao p\u00fablico acompanhar os processos de cria\u00e7\u00e3o. A dura\u00e7\u00e3o da atividade com um mesmo grupo foi especialmente interessante, pois permitiu um afastamento total do cotidiano, e a realiza\u00e7\u00e3o de tocas entre eles e uma imers\u00e3o na experi\u00eancia vivencial, tanto dos processos art\u00edsticos como da cultura local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205eac-montevideu.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2971\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205eac-montevideu.jpg\" alt=\"20131205eac-montevideu\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205eac-montevideu.jpg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205eac-montevideu-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As resid\u00eancias de artistas s\u00e3o experi\u00eancias bastante enriquecedoras e frut\u00edferas, que respondem \u00e0 necessidade de di\u00e1logo entre esses indiv\u00edduos, quase sempre envolvidos em um fazer bastante solit\u00e1rio em seu ateli\u00ea. A circula\u00e7\u00e3o desses profissionais, cruzando fronteiras, compartilhando conhecimentos e experi\u00eancias, embora n\u00e3o seja um fen\u00f4meno recente, ganhou uma dimens\u00e3o internacional a partir dos anos 90, quando come\u00e7aram a se proliferar pelo mundo. As primeiras experi\u00eancias nesses programas datam de 1889, em Worpswede, Alemanha, com a participa\u00e7\u00e3o de Rainer Maria Rilke e Henrich Vogeler. Em Nova York, em 1900, a Take the Corporation of Yaddo implementou uma proposta nesse sentido, e, ainda em 1903, o Woodstock\/Byrdcliffe Colony Arts organizou, tamb\u00e9m, uma atividade desse tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diversidade de modelos de resid\u00eancias corresponde \u00e0 realidade de cada espa\u00e7o, variando em termos de conte\u00fados, propostas e linguagens. Cada programa conta com infraestrutura, objetivos e tempo de dura\u00e7\u00e3o espec\u00edficos. Alguns se destinam a apenas uma modalidade art\u00edstica (artes visuais, literatura, m\u00fasica, cinema, teatro etc.), enquanto outros estimulam diversos meios expressivos e a intera\u00e7\u00e3o entre eles. A dura\u00e7\u00e3o das resid\u00eancias, em geral, varia de duas semanas a seis meses, chegando, \u00e0s vezes, a mais de um ano. As diferen\u00e7as evidenciam-se, ainda, quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de financiamento, alojamento, sele\u00e7\u00e3o, acompanhamento e exposi\u00e7\u00e3o do projeto desenvolvido. Basicamente, elas s\u00e3o realizadas contando com apoio de institui\u00e7\u00f5es que oferecem um lugar onde os artistas possam conviver e criar, facilitando a intera\u00e7\u00e3o e a colabora\u00e7\u00e3o entre eles. Algumas s\u00e3o subvencionadas e gratuitas, mas outras s\u00e3o pagas pelos artistas residentes. Elas t\u00eam o objetivo ativar o campo art\u00edstico, dando visibilidade e reconhecimento ao local e \u00e0 institui\u00e7\u00e3o que as promovem. Com diferentes estruturas, elas tiveram um importante impulso nos anos 60, quando apresentaram caracter\u00edsticas <i>underground<\/i> e alternativas. Atualmente, elas t\u00eam car\u00e1ter mais profissionalizante e buscam colocar os artistas em intera\u00e7\u00e3o com as comunidades onde s\u00e3o inseridos pelo projeto financiador. Em seus diversos modelos, esta \u00e9 uma das formas mais caracter\u00edsticas de apoio e incentivo ao desenvolvimento das artes e, a partir dos anos 80, disseminou-se em v\u00e1rias cidades da Europa, dos Estados Unidos, do Canad\u00e1, do Jap\u00e3o e da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fen\u00f4meno tomou tanto porte que ensejou a cria\u00e7\u00e3o da Rede Mundial de Resid\u00eancias Art\u00edsticas, \u201c<a href=\"http:\/\/www.resartis.org\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Resartis<\/a>\u201d , uma associa\u00e7\u00e3o de mais de 400 centros e organiza\u00e7\u00f5es,em mais de 70 pa\u00edses. Os membros dessa rede s\u00e3o dedicados a \u201coferecer a artistas, curadores e toda sorte de pessoas criativas um tempo e lugar longe de sua vida de todos os dias, uma experi\u00eancia moldada dentro de um contexto geogr\u00e1fico e cultural \u00fanica\u201d. Artistas interessados podem aceder ao <i>site<\/i> para se informar sobre os lugares que fazem parte dessa associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <a href=\"http:\/\/www.artistcommunities.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alian\u00e7a de Comunidades de Artistas<\/a> , entidade dedicada a apoiar os espa\u00e7os que oferecem resid\u00eancias em sua organiza\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o, divulga os seguintes dados. Existem, atualmente, cerca de 500 comunidades de artistas nos EUA e mais de mil em todo o mundo. Em torno de 30 mil artistas realizam resid\u00eancias a cada ano, sendo 10 mil nos EUA. Esse tipo de atividade, nos EUA, movimenta, anualmente, em torno de US$ 40 milh\u00f5es em apoios. Dessas resid\u00eancias, 70% s\u00e3o multidisciplinares, servindo artistas pl\u00e1sticos, escritores, compositores, cineastas, core\u00f3grafos. Os locais de resid\u00eancias est\u00e3o 60% em \u00e1reas rurais e pequenas cidades, enquanto 40% est\u00e3o em \u00e1reas urbanas. Uma porcentagem de 90% deles t\u00eam programas p\u00fablicos que se dedicam \u00e0 comunidade local. A inscri\u00e7\u00e3o de candidatos, na maioria dos casos, \u00e9 feita <i>online<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maristela Salvatori, artista que esteve no <a href=\"http:\/\/fransmasereelcentrum.be\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Frans Masereel Centrum<\/a>, em Kasterlee , B\u00e9lgica, comentou que a institui\u00e7\u00e3o recebe cerca de dez artistas ao mesmo tempo, cada um deles para per\u00edodos de duas ou tr\u00eas semanas de trabalho aut\u00f4nomo. Cerca de metade dos artistas s\u00e3o belgas e os demais, das mais variadas proced\u00eancias. Cada artista fica alojado em um chal\u00e9 muito bem organizado e mantido. O centro conta com \u00f3timos e muito bem equipados ateli\u00eas coletivos para trabalho com xilogravura, gravura em metal, litografia e serigrafia e algum suporte tecnol\u00f3gico (computadores, m\u00e1quinas de xerox\u2026), al\u00e9m de t\u00e9cnicos muito prestativos e competentes. Al\u00e9m de receber artistas em resid\u00eancia, eventualmente, o centro promove cursos, e quando isso ocorre os chal\u00e9s s\u00e3o compartilhados entre os v\u00e1rios participantes. Em contrapartida pela resid\u00eancia, cada artista doa ao centro 10% de cada edi\u00e7\u00e3o de gravuras realizada (ou um m\u00ednimo de cinco exemplares). Dessas obras, parte passa a incorporar o acervo do Royal Museum of Fine Arts, e parte fica circulando. Desse modo, o artista participa de muitas exposi\u00e7\u00f5es promovidas pelo CFM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2972\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum.jpg\" alt=\"20131205frans-masereel-centrum\" width=\"620\" height=\"468\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum.jpg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum-300x226.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2973\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum-2.jpg\" alt=\"20131205frans-masereel-centrum-2\" width=\"620\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum-2.jpg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/20131205frans-masereel-centrum-2-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salvatori tamb\u00e9m fez resid\u00eancia na bem conhecida <a href=\"http:\/\/www.citedesartsparis.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cit\u00e9 Internationale des Arts<\/a>, em Paris. Ter seu dossi\u00ea aprovado para residir na Cit\u00e9 des Arts significou, al\u00e9m de um importante reconhecimento da qualidade de seu trabalho, condi\u00e7\u00f5es bastante favor\u00e1veis de poder desenvolver sua pr\u00e1tica art\u00edstica. A Cit\u00e9 abriga artistas visuais e tamb\u00e9m m\u00fasicos e escritores, ali \u00e9 poss\u00edvel conhecer muita gente interessante, com maior ou menor afinidades art\u00edsticas, frequentadores ou n\u00e3o dos ateli\u00eas. Nessa movimentada resid\u00eancia se estreitam la\u00e7os com outros profissionais e se participa de muitas exposi\u00e7\u00f5es, desde as promovidas pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, quanto outras decorrentes deste conv\u00edvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme os dados da Alian\u00e7a de Comunidades de artistas, mais da metade das resid\u00eancias se encontram na \u00e1rea rural. Nuno Sacramento, diretor do <a href=\"http:\/\/www.ssw.org.uk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Scottish Sculpture Workshop<\/a>, esteve em Porto Alegre, divulgando um desses espa\u00e7os rurais na Esc\u00f3cia. Criado em 1979, ali s\u00e3o oferecidas resid\u00eancias, com ateli\u00eas montados, materiais e assist\u00eancia t\u00e9cnica. O local \u00e9 bem integrado com o entorno e com a comunidade, possibilitando uma experi\u00eancia bastante original. No Brasil, o <a href=\"http:\/\/www.sacatar.com.br\/site\/ing\/introducao.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto Sacatar<\/a>, localizado na ilha de Itaparica, na Bahia, \u00e9 um dos espa\u00e7os rurais mais conhecidos, atuante desde 2001 ele oferece resid\u00eancias para diferentes \u00e1reas art\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma experi\u00eancia original \u2013 uma resid\u00eancia rel\u00e2mpago \u2013 foi proposta nas comemora\u00e7\u00f5es de 50 anos do Ateli\u00ea Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Durante 72 horas, realizou-se uma viv\u00eancia art\u00edstica coletiva, com artistas de diferentes tradi\u00e7\u00f5es e l\u00f3gicas de organiza\u00e7\u00e3o da imagem, assumindo um compromisso com a diversidade e a intera\u00e7\u00e3o. Os trabalhos resultantes dessa pr\u00e1tica imersiva foram expostos no Museu de Arte Contempor\u00e2nea do RS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os interessados em ter mais informa\u00e7\u00f5es sobre esse tipo de experi\u00eancia, h\u00e1, dispon\u00edvel <i>online<\/i>, um \u201c<a href=\"http:\/\/www.iar.unicamp.br\/blog_av\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/Resid%C3%AAncia_artistica.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Manual de Resid\u00eancias Art\u00edsticas<\/a>\u201d com dados e <i>links <\/i>de acesso a cada uma delas, organizadas por pa\u00eds. Considerando as condi\u00e7\u00f5es internacionalizantes da cultura atual, as resid\u00eancias oferecem din\u00e2micas muito estimulantes, que tiram o artista pl\u00e1stico de seu mundo mais fechado, no ateli\u00ea, para vivenciar experi\u00eancias coletivas desafiadoras. Um problema que parece se evidenciar, no entanto, \u00e9 que a maioria das propostas est\u00e1 voltada para jovens artistas, quando, tamb\u00e9m, os mais maduros, com trabalhos consolidados, muitas vezes precisam desse oxig\u00eanio para dinamizar e dar novas perspectivas a sua vida profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Originalmente postado no Jornal Sul 21, <span class=\"text\">7\/dez\/2013, 10h28min <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A apresenta\u00e7\u00e3o de Laura Cattani, Munir Klamt e T\u00falio Pinto, sobre suas experi\u00eancias de \u201cresid\u00eancia\u201d no Espacio de Arte Contempor\u00e1neo, em Montevid\u00e9u, me fez pensar sobre esse tipo de proposta, que tem sido oferecida por centros de arte no Brasil e no exterior. 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