{"id":3008,"date":"2016-12-18T16:22:54","date_gmt":"2016-12-18T16:22:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=3008"},"modified":"2023-12-07T21:55:06","modified_gmt":"2023-12-07T21:55:06","slug":"um-convite-voce-deve-escolher-um-caminho-cuidadosamente-e-entao-ir-por-um-dos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2016\/12\/18\/um-convite-voce-deve-escolher-um-caminho-cuidadosamente-e-entao-ir-por-um-dos-outros\/","title":{"rendered":"Um convite: \u201cVoc\u00ea deve escolher um caminho, cuidadosamente. E ent\u00e3o, ir por um dos outros&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 uma sugest\u00e3o que eu mesma estou aceitando no momento de escrever esta coluna. Ainda que os neurologistas aconselhem a fazer coisas diferentes para ativar zonas do c\u00e9rebro costumeiramente passivas, em geral, todos seguem os mesmos caminhos. Normalmente, as pessoas adotam sempre os trajetos que est\u00e3o habituadas a trilhar, deixando assim de conhecer outras paisagens e vivenciar novas oportunidades. As v\u00e9speras de um domingo de vota\u00e7\u00e3o, que tal pensar sobre as diferentes possibilidades que a vida oferece a cada um cotidianamente, sobre as escolhas e sobre suas repercuss\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que tem isso a ver com as artes visuais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cInquieta-me estarmos devotando nossa vida inteira a um p\u00fablico t\u00e3o min\u00fasculo.\u201d Essa afirma\u00e7\u00e3o de Aracy Amaral, em um debate, aponta uma problem\u00e1tica que perpassa o meio cultural nacional. Sabe-se que a arte \u00e9 um segmento muito espec\u00edfico e restrito das pr\u00e1ticas simb\u00f3licas, socialmente definido como tal, e historicamente determinado. Por que por ela se interessam t\u00e3o poucos? Ser\u00e1 que \u00e9 mais f\u00e1cil e divertido ir ao futebol e ao shopping, ou na verdade \u00e9 o mais usual e conhecido? Talvez esses sejam os caminhos que n\u00e3o apresentam surpresas nem exijam muito esfor\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a arte n\u00e3o \u00e9 algo para alguns poucos eleitos, como pode deixar antever a preocupa\u00e7\u00e3o de Aracy Amaral, ou pelo menos n\u00e3o deveria ser. Potencialmente, todos podem se deixar contaminar, se emocionar e serem conduzidos pelas ideias dos artistas, sem, necessariamente, possu\u00edrem um conhecimento espec\u00edfico para se conectar com os trabalhos e propostas apresentados. Por que ent\u00e3o muitos subestimam a si mesmos ao afirmarem \u201ceu n\u00e3o entendo de arte\u201d, sem perceberem que reagem com sua intelig\u00eancia e sensibilidade sempre que s\u00e3o provocados por uma imagem carregada de sentidos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um trabalho de arte aponta v\u00e1rios caminhos, e essa \u00e9 a sua grande qualidade, essa pluralidade de entradas. Arte n\u00e3o \u00e9 somente o que se encontra nos museus europeus e norte-americanos, ela est\u00e1 aqui ao lado, basta ficar atento. Quem mora em <a href=\"http:\/\/vejasp.abril.com.br\/materia\/veja-todas-as-exposicoes-em-cartaz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Paulo<\/a>, no <a href=\"http:\/\/vejario.abril.com.br\/arte-e-cultura\/exposicoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rio de Janeiro<\/a> ou em <a href=\"http:\/\/vejabh.abril.com.br\/arte-e-cultura\/exposicoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Belo Horizonte<\/a> encontra nos sites da Veja indica\u00e7\u00f5es de exposi\u00e7\u00f5es super interessantes, dispersas pela cidade, basta procurar. Em outras localidades o caminho \u00e9 mais dif\u00edcil, mas nem por isso menos interessante. Em Porto Alegre, podem procurar nos sites das institui\u00e7\u00f5es indicados em uma edi\u00e7\u00e3o mais antiga de <a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/2012\/06\/o-que-fazer-para-ver-exposicoes-de-arte-em-porto-alegre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">minha coluna<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodos os caminhos est\u00e3o errados. Mas voc\u00ea estar\u00e1 sempre onde deveria estar.\u201d Esta \u00e9 a continuidade do texto que deu t\u00edtulo a esta coluna e que se encontra na <a href=\"http:\/\/www.io.art.br\/io\/index.html#\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">obra site<\/a> de Laura Cattani.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 um trabalho que aponta para diferentes possibilidades de escolhas, em uma narrativa cambiante e mut\u00e1vel. S\u00e3o m\u00faltiplas maneiras de ver, s\u00e3o acordos em que se constroem mapas cognitivos da realidade e da fic\u00e7\u00e3o. Ele exige viver as contradi\u00e7\u00f5es e encontrar formas colaborativas de a\u00e7\u00e3o em uma hist\u00f3ria que pode ser contada, ou lida, a partir de diferentes locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oferecer portas de entrada nos sentidos mais complexos da arte \u00e9 tamb\u00e9m uma tarefa importante, para isso est\u00e3o os cr\u00edticos, os pesquisadores os curadores e mais uma dezena de especialistas. A atividade da cr\u00edtica tem como tarefa a aprecia\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise de obras, com vistas \u00e0 emiss\u00e3o de julgamento de valor e \u00e0 difus\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico, objetivando despertar seu interesse sobre as mesmas. Os trabalhos dos cr\u00edticos est\u00e3o dispon\u00edveis para aqueles que se interessarem em se adentrar mais profundamente esse universo. Entretanto, talvez o mais importante neste grande circuito seja o espectador, aquele cujo olhar an\u00f4nimo se encontra com a obra e percorre seus sentidos. Aquele que procura por ela ou que, a encontrando-a desprevenido, se deixa encantar. Se at\u00e9 algum tempo era necess\u00e1rio ir a um museu, hoje a arte est\u00e1 em muitos e inesperados lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, afinal, quem \u00e9 p\u00fablico de arte? Possivelmente voc\u00ea que est\u00e1 lendo este texto e se sente tocado por esse convite. Mas quais s\u00e3o seus canais de acesso \u00e0 arte? O que est\u00e1 sendo feito para a ativa\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o desses contatos? Quais as diferentes pol\u00edticas culturais que est\u00e3o sendo implantadas na \u00e1rea? Para quem e para o que servem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, os governos t\u00eam um papel no estabelecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura e \u00e0 arte. N\u00e3o havendo uma pol\u00edtica de constitui\u00e7\u00e3o de acervos especializados, de difus\u00e3o e de apoio aos produtores, n\u00e3o pode haver consolida\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Dentro do panorama das elei\u00e7\u00f5es est\u00e3o se desenhando a\u00e7\u00f5es mais pluralistas para o campo da arte? Que pol\u00edticas est\u00e3o sendo propostas para desenvolver estruturas institucionais mais s\u00f3lidas e eficientes para a supera\u00e7\u00e3o das defici\u00eancias na distribui\u00e7\u00e3o e na divulga\u00e7\u00e3o da arte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a arte \u00e9 pol\u00edtica, querendo s\u00ea-lo ou n\u00e3o, e ela envolve a sociedade como um todo. Ela pode sucumbir \u00e0s sedu\u00e7\u00f5es do mercado ou atuar no combate \u00e0 falta de acervos iconogr\u00e1ficos e centros de documenta\u00e7\u00e3o, ao reduzido n\u00famero de museus, e \u00e0 inexist\u00eancia de pol\u00edticas s\u00e9rias na forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico. Mas cada um \u00e9 respons\u00e1vel por suas escolhas, seja em termos pol\u00edticos, seja em termos de abertura para a arte. A vida exige tomadas de posi\u00e7\u00e3o. Sem escolher cuidadosamente um caminhos pode-se estar onde n\u00e3o se deveria estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto de arquivo, escrito por Maria Amelia Bulh\u00f5es e originalmente publicado no Jornal Sul 21, em\u00a0<span class=\"text\">6\/out\/2012, 5h21min<\/span><\/p>\n<p>http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/um-convite-voce-deve-escolher-um-caminho-cuidadosamente-e-entao-ir-por-um-dos-outros\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma sugest\u00e3o que eu mesma estou aceitando no momento de escrever esta coluna. Ainda que os neurologistas aconselhem a fazer coisas diferentes para ativar zonas do c\u00e9rebro costumeiramente passivas, em geral, todos seguem os mesmos caminhos. 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