{"id":4347,"date":"2019-02-25T22:52:44","date_gmt":"2019-02-25T22:52:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=4347"},"modified":"2025-10-24T11:32:13","modified_gmt":"2025-10-24T11:32:13","slug":"bienais-podem-ser-espacos-de-experimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2019\/02\/25\/bienais-podem-ser-espacos-de-experimentacao\/","title":{"rendered":"Bienais podem ser espa\u00e7os de experimenta\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Publicado no Sul21 em: junho 29, 2013<\/p>\n<p>O modelo das bienais encontra-se j\u00e1 faz algum tempo em crise, com a avassaladora for\u00e7a do mercado de arte pressionando seus espa\u00e7os e suas escolhas. Muitas alternativas est\u00e3o sendo experimentadas, como a abertura para outras \u00e1reas do conhecimento, como fez a curadora Carolyn Christov Bakargiev, na\u00a0<a href=\"http:\/\/d13.documenta.de\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Documenta de Kassel<\/a>, em 2012, ou a busca da diversidade art\u00edstica, como prop\u00f4s Massimiliano Gioni, no \u201cPalazzo Inciclopedico\u201d, da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.labiennale.org\/en\/art\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bienal de Veneza 2013<\/a>\u00a0.<\/p>\n<p>\u00c9 nestes momentos de crise de modelos e flutua\u00e7\u00e3o de poderes que se abre espa\u00e7o para que uma produ\u00e7\u00e3o mais reflexiva, resultante de pesquisa acad\u00eamica, como a do artista pl\u00e1stico professor da UFRGS\u00a0<a href=\"http:\/\/heliofervenza.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Helio Fervenza<\/a>, seja percebida, e ele convidado a participar da Bienal de S\u00e3o Paulo, e, depois, como um dos dois representantes do Brasil na Bienal de Veneza.<\/p>\n<p>Os curadores da representa\u00e7\u00e3o brasileira, Gabriel P\u00e9rez Oramas e Andr\u00e9 Severo, coordenam a ocupa\u00e7\u00e3o do pavilh\u00e3o projetado por Oscar Niemeyer, que disp\u00f5e de um amplo\u00a0<i>hall<\/i>\u00a0central e duas salas laterais. Cada um dos artistas convidados \u2013 Helio Fervenza e Odires Ml\u00e1szho \u2013 disp\u00f5e de uma das salas laterais para coloca\u00e7\u00e3o de obras criadas especialmente para esta mostra. No grande\u00a0<i>hall<\/i>, que se conecta com elas, est\u00e3o expostas as esculturas C\u00f4ncavo\/convexo (1946), de Bruno Munari, Unidade Tripartida (1948), de Max Bill, e Trepante\/Obra Mole (1965), de Lygia Clark, al\u00e9m de obras dos dois artistas convidados. Essa disposi\u00e7\u00e3o no grande\u00a0<i>hall,<\/i>\u00a0segundo a curadoria, recupera o di\u00e1logo antropof\u00e1gico da arte produzida no Brasil com as tend\u00eancias da arte consagrada nos centros hegem\u00f4nicos internacionais. Tendo, neste caso, como tema a Fita de Moebius, que, retorcida e presa em suas duas pontas, coloca em quest\u00e3o \u201co dentro e o fora\u201d que d\u00e3o t\u00edtulo \u00e0 mostra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p id=\"attachment_192375\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192375\"><a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627grande-hall.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-192375 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627grande-hall.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627grande-hall.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627grande-hall-300x200.jpg 300w\" alt=\"Foto: Helio Fervenza\" width=\"600\" height=\"400\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192375\">Foto: Helio Fervenza<\/p>\n<p aria-describedby=\"caption-attachment-192375\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Essa genealogia formal e conceitual funciona tamb\u00e9m como legitimadora dessa representa\u00e7\u00e3o brasileira, que traz nomes pouco conhecidos do meio de arte nacional e internacional. Fervenza e Ml\u00e1szho s\u00e3o artistas em meio de carreira ( 50 e 53 anos), residentes em regi\u00f5es perif\u00e9ricas (Rio Grande do Sul e Paran\u00e1). Com uma s\u00f3lida produ\u00e7\u00e3o, eles, no entanto s\u00e3o pouco integrados ao sistema e ao mercado, Ml\u00e1szho trabalha s\u00f3 com a galeria Vermelho, e, Fervenza com nenhuma. Segundo Fervenza, Oramas diz que ele realiza uma escrita da imagem, enquanto Ml\u00e1szho produz uma imagem da escrita. A quest\u00e3o \u00e9 que ambos deslizam nas fronteiras t\u00eanues do texto e da imagem.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p id=\"attachment_192377\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192377\"><a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-192377 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza-300x200.jpg 300w\" alt=\"Helio Fervenza\" width=\"600\" height=\"400\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192377\">Helio Fervenza<\/p>\n<p aria-describedby=\"caption-attachment-192377\">\n<p id=\"attachment_192378\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192378\"><a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627odires-mlaszho.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-192378 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627odires-mlaszho.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627odires-mlaszho.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627odires-mlaszho-300x200.jpg 300w\" alt=\"Odires Ml\u00e1szho\" width=\"600\" height=\"400\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192378\">Odires Ml\u00e1szho<\/p>\n<p aria-describedby=\"caption-attachment-192378\">\n<p align=\"JUSTIFY\">O t\u00edtulo da mostra, \u201cDentro\/Fora\u201d, cai como uma luva na pr\u00e1tica de Fervenza, que, abordarei com mais detalhes. Tivemos uma longa e agrad\u00e1vel conversa, na qual ele disse que, constantemente, se pergunta \u201cO que est\u00e1 fora e o que est\u00e1 dentro da experi\u00eancia de arte?\u201d. Seu trabalho possui uma porosidade que dificulta sua classifica\u00e7\u00e3o como obra de arte, fugindo aos padr\u00f5es do expectador tradicional. Seus objetos s\u00e3o captados em sua cotidianidade e suspensos pela imagina\u00e7\u00e3o interrogativa do artista, que questiona seus c\u00f3digos de interpreta\u00e7\u00e3o. Sua proposta est\u00e9tica funciona como uma intersec\u00e7\u00e3o de signos, explorando as dimens\u00f5es simb\u00f3lica e conotativa dos materiais. Assim, as imagens de anz\u00f3is, coloridos e atrativos ao olhar ao mesmo tempo apontam uma sedu\u00e7\u00e3o que conduz \u00e1 captura e \u00e1 morte, e suas fotos contra o c\u00e9u azul remetem, tamb\u00e9m, ao azul do mar. Assim, ele estabelece uma cartografia de rela\u00e7\u00f5es com outros usos para as topologias. Suas instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o quase teoremas, refer\u00eancia que ele j\u00e1 assume no pr\u00f3prio t\u00edtulo da obra \u201c(peixe, sombra) dentrofora (do c\u00e9u da boca) d\u00b4\u00e1gua ( , )\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p id=\"attachment_192380\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192380\"><a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627541.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-192380 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627541.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627541.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627541-300x200.jpg 300w\" alt=\"Foto: Helio Fervenza\" width=\"600\" height=\"400\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192380\">Foto: Helio Fervenza<\/p>\n<p aria-describedby=\"caption-attachment-192380\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Fervenza \u00e9 professor no Departamento de Artes Visuais da UFRGS, e desenvolve um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, \u00e0 margem dos modismos, que gostaria de destacar. Preocupado com a expans\u00e3o de quest\u00f5es conceituais em suas pr\u00e1ticas art\u00edsticas, ele inscreve, no espa\u00e7o expositivo, verdadeiras equa\u00e7\u00f5es enlouquecidas \u2013 com par\u00eanteses, colchetes e pontos \u2013 que alteram a significa\u00e7\u00e3o de objetos comuns, como uma rodinha com rolim\u00e3 ou uma folha de jornal. Muitos sentidos podem ser descobertos, remetendo-se a associa\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m \u00e0 falta delas. Seu trabalho aponta a possibilidade de um novo olhar, mais sutil e sens\u00edvel, aberto ao \u00ednfimo e \u00e0 surpresa, estabelecendo processos de suspens\u00e3o na visualidade trivial. Este \u00e9 o caso, por exemplo, da foto de um palito que flutua no ar, que faz parte de sua instala\u00e7\u00e3o. Ela resultou da descoberta, real, de um palito suspenso por um fio de teia de aranha, que criava uma estranha, amb\u00edgua e absurda realidade, rapidamente incorporada pelo artista ao seu discurso po\u00e9tico.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p id=\"attachment_192379\" class=\"wp-caption alignnone\" aria-describedby=\"caption-attachment-192379\"><a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza_img_5638_baixa-res2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-192379 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza_img_5638_baixa-res2.jpg\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza_img_5638_baixa-res2.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/20130627helio-fervenza_img_5638_baixa-res2-300x176.jpg 300w\" alt=\"Foto: Helio Fervenza\" width=\"600\" height=\"353\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-192379\">Foto: Helio Fervenza<\/p>\n<p aria-describedby=\"caption-attachment-192379\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Sua genealogia remonta aos artistas conceituais dos anos 70, que ele renova, associando aos seus conceitos operacionais uma extrema acuidade para o visual e para as contamina\u00e7\u00f5es que alimentam\/destroem nossa sociedade. Tudo pode ser material de arte para este artista que explora o mundo com olhos de um cientista ou descobridor. Em sua proposta de \u201ctransposi\u00e7\u00f5es do Deserto\u201d, nas cidades de Santana do Livramento (onde nasceu e viveu sua inf\u00e2ncia), no Brasil, e de Rivera, no Uruguai, professoras falaram sobre desertos, em um mesmo dia e hor\u00e1rio, para alunos, em escolas e idiomas trocados. Surpresas e d\u00favidas sobre o papel do artista e da arte inquietaram os participantes e o pr\u00f3prio Fervenza. O relato desta experi\u00eancia \u00e9 apresentado como um de seus trabalhos em um pequeno folheto de capa amarela, sem imagens.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A contemporaneidade de suas pr\u00e1ticas se estabelece na medida em que ele aponta caminhos desdobrados e instigantes para a consolida\u00e7\u00e3o da atividade art\u00edstica, realimentando a autonomia da est\u00e9tica, mas, ao mesmo tempo, abrindo-se para as inquietudes e os inesperados do mundo. Bienais que buscam outras alternativas, afastando-se do controle do mercado e do\u00a0<i>mainstream,<\/i>\u00a0podem ser bons lugares para este tipo de experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Link para acesso:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/postsrascunho\/2013\/06\/bienais-podem-ser-espacos-de-experimentacao\/\">https:\/\/www.sul21.com.br\/postsrascunho\/2013\/06\/bienais-podem-ser-espacos-de-experimentacao\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado no Sul21 em: junho 29, 2013 O modelo das bienais encontra-se j\u00e1 faz algum tempo em crise, com a avassaladora for\u00e7a do mercado de arte pressionando seus espa\u00e7os e suas escolhas. 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