{"id":4385,"date":"2019-03-06T18:00:37","date_gmt":"2019-03-06T18:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/?p=4385"},"modified":"2025-10-24T11:25:51","modified_gmt":"2025-10-24T11:25:51","slug":"ineditos-e-seus-diferentes-sentidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/2019\/03\/06\/ineditos-e-seus-diferentes-sentidos\/","title":{"rendered":"In\u00e9ditos e seus diferentes sentidos"},"content":{"rendered":"<h3>Publicado em: outubro 26, 2013<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3 align=\"JUSTIFY\">Quando se fala em obra de arte, ineditismo quase sempre \u00e9 pensado como nunca visto, como novo, como original; entretanto, o sentido da palavra tamb\u00e9m pode ser extraordin\u00e1rio, incr\u00edvel, inimagin\u00e1vel, inacredit\u00e1vel. \u201cIn\u00e9ditos, ou quase\u2026\u201d, exposi\u00e7\u00e3o de Vera Chaves, com curadoria de Ana Albani de Carvalho, que pode ser visitada na\u00a0<a href=\"https:\/\/fvcb.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Funda\u00e7\u00e3o Vera Chaves Barcelos, FVCB<\/a>\u00a0encontra-se em um lugar de tr\u00e2nsito entre esses dois significados do termo. As obras apresentadas, na sua maioria, nunca foram mostradas ao p\u00fablico, foram muito pouco vistas ou, s\u00f3 foram expostas fora de Porto Alegre, uma vez que a artista, apesar de ser um nome importante da arte brasileira, tem permanecido um tanto \u00e0 margem dos circuitos de difus\u00e3o. Por outro lado, s\u00e3o, tamb\u00e9m, obras incr\u00edveis, pouco convencionais, inimagin\u00e1veis, em que a artista, com sua percep\u00e7\u00e3o criativa, conduz nosso olhar por um extraordin\u00e1rio mundo das coisas prosaicas. Um exemplo disso \u00e9 a sequ\u00eancia de fotos de p\u00e9s dispostas no ch\u00e3o da sala principal da exposi\u00e7\u00e3o. \u201cTrabalho em processo, de cunho fotogr\u00e1fico, iniciado ainda nos anos 1970, e que continua at\u00e9 hoje. A artista fotografa os pr\u00f3prios p\u00e9s, em diferentes cen\u00e1rios e variada indument\u00e1ria.\u201d Eles colocam o espectador em um \u00e2ngulo de vis\u00e3o privilegiado, ou pelo menos n\u00e3o comumente observado.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-4386\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025artista-com-meus-pes-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025artista-com-meus-pes-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025artista-com-meus-pes-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025artista-com-meus-pes.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/p>\n<h3>Artista com meus p\u00e9s<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 align=\"JUSTIFY\">A produ\u00e7\u00e3o de Vera Chaves em seu in\u00edcio de carreira esteve ligada ao grupo de artistas, respons\u00e1veis pelo lan\u00e7amento do peri\u00f3dico\u00a0<a href=\"https:\/\/galeriasuperficie.com.br\/artistas\/grupo-nervo-optico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Nervo \u00d3ptico<\/i><\/a>, cujo primeiro n\u00famero foi publicado em 1977. Eles desenvolviam processos experimentais de trabalho, mesmo n\u00e3o havendo entre eles uma unidade formal ou conceitual, estavam unidos pelo desejo de encontrar na arte um espa\u00e7o de liberdade, possibilidades de experimentar diversos procedimentos e linguagens e de negar o consenso vigente da obra como objeto de mercado. O grupo manteve uma intensa atua\u00e7\u00e3o, publicando 13 n\u00fameros de seu peri\u00f3dico (com uma tiragem de 3 mil exemplares), distribu\u00eddos gratuitamente para cr\u00edticos e artistas locais, de outros estados e de outros pa\u00edses. Essas conex\u00f5es nacionais e internacionais, junto a seus pares, evidenciavam uma preocupa\u00e7\u00e3o em conseguir apoio para suas propostas de ruptura, que encontravam bastante resist\u00eancia naquele momento inicial. O uso dessas redes de relacionamento \u2013 caracter\u00edsticas da arte contempor\u00e2nea \u2013 colocava-se como uma estrat\u00e9gia de legitima\u00e7\u00e3o para superar os limites do pensamento local e mesmo certa marginalidade, decorrente de sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, econ\u00f4mica e pol\u00edtica perif\u00e9rica.<\/h3>\n<h3 align=\"JUSTIFY\">O grupo realizou, tamb\u00e9m, nos seus dois anos de atua\u00e7\u00e3o, diversas exposi\u00e7\u00f5es com obras de seus membros, reunindo diferentes manifesta\u00e7\u00f5es \u2013 instala\u00e7\u00f5es, fotografias,\u00a0<i>performances<\/i>\u00a0fotogr\u00e1ficas, objetos \u2013 al\u00e9m de ter desenvolvido experi\u00eancias com filmes super-8. Paralelamente, cada um dos artistas desenvolvia sua carreira individual, mas as altera\u00e7\u00f5es que promoveram no meio art\u00edstico local podem ser consideradas como um verdadeiro marco de renova\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>Nervo \u00d3ptico,<\/i>\u00a0em 1982, Vera Chaves criou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.margs.rs.gov.br\/midia\/espaco-n-o-40-anos-arquivos-de-uma-experiencia-coletiva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Espa\u00e7o N.O.<\/i><\/a>, como um lugar de arte contempor\u00e2nea, que gerou o importante acervo art\u00edstico e documental, que se encontra, a partir de 2005, sob a guarda da Funda\u00e7\u00e3o Vera Chaves Barcelos, FVCB. Essa institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltada ao apoio e \u00e0 difus\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es de arte contempor\u00e2nea, possuindo um significativo conjunto de obras de vanguarda de diferentes pa\u00edses. O papel de Vera Chaves foi, e continua sendo, ativista e aglutinador, apresentando proposi\u00e7\u00f5es inovadoras, apoiando artistas e formando um p\u00fablico mais informado.<\/h3>\n<h3 align=\"JUSTIFY\">As obras expostas em \u201cIn\u00e9ditos, ou quase\u2026\u201d trazem uma vis\u00e3o de sua trajet\u00f3ria, evidenciando os caminhos percorridos e as perman\u00eancias continuadas. Apresenta trabalhos atuais, como o v\u00eddeo\u00a0<i>Mulheres<\/i>, o conjunto de fotos\u00a0<i>Arroio Dil\u00favio<\/i>, ou a cole\u00e7\u00e3o de reprodu\u00e7\u00f5es de an\u00fancios de revistas,\u00a0<i>Consum<\/i>, todos de 2013; ou alguns mais antigos, como os da s\u00e9rie \u201cOrigem da abstra\u00e7\u00e3o\u201d, de 1988. Em todos eles se destaca a investiga\u00e7\u00e3o constante sobre os processos de funcionamento da percep\u00e7\u00e3o e da mem\u00f3ria, al\u00e9m do desenvolvimento de uma reflex\u00e3o aprofundada sobre quest\u00f5es da imagem. Sua obra, utilizando diferentes meios t\u00e9cnicos e tem\u00e1ticas, envolve processos de manipula\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o (fotografia manipulada, xerox, eletrografia, serigrafia, mecanografia de papel, v\u00eddeo), instala\u00e7\u00f5es e, mais recentemente, meios digitais.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 align=\"JUSTIFY\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-4387\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025consum-2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025consum-2.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025consum-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Consum-2A maioria das obras expostas \u00e9 constitu\u00edda de s\u00e9ries, nas quais a artista explora uma mesma ideia, conceito ou observa\u00e7\u00f5es. O desdobramento do foco de cada s\u00e9rie em um conjunto de trabalhos permite perceber como se elabora seu processo criativo. Explorando, desde o in\u00edcio de sua carreira, recursos mec\u00e2nicos de produ\u00e7\u00e3o da imagem, ela mistura, em alguns casos, procedimentos tradicionais, como desenho e pintura. Esse \u00e9 o caso de\u00a0<i>Origens da abstra\u00e7\u00e3o<\/i>, em que amplia um segmento de uma fotografia atrav\u00e9s de processo de fotoc\u00f3pia, e posteriormente pinta sobre essa imagem. A artista deixa evidente, no conjunto de trabalhos dessa s\u00e9rie, a passagem de uma refer\u00eancia direta \u00e0 realidade para uma figura abstrata. A quest\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito presente, a imagem fragmentada privilegia detalhes que ensejam o redimensionamento do olhar, enfatizando pormenores e oferecendo descobertas ao espectador.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-4388\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025origem-da-abstracao-baixa.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"885\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025origem-da-abstracao-baixa.jpg 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/20131025origem-da-abstracao-baixa-237x300.jpg 237w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/h3>\n<h3 id=\"attachment_207470\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-207470\">Origens da Abstra\u00e7\u00e3o Baixa<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3 align=\"JUSTIFY\">Origens da Abstra\u00e7\u00e3o Baixa<br \/>\nA utiliza\u00e7\u00e3o da fotografia \u00e9 seu ponto de partida para um jogo que intensifica e enriquece as sutilezas. Em\u00a0Aberto fechado,\u00a0de 1978-2010, por exemplo, ela faz um exerc\u00edcio fotogr\u00e1fico, flagrando o sentido de abrir e fechar em uma boca ou em um papel dobrado e desdobrado. Assim, muitas possibilidades s\u00e3o exploradas nas imagens, em seus detalhes e seus significados. O elemento inicial vem do cotidiano, apropria\u00e7\u00f5es e manipula\u00e7\u00f5es s\u00e3o a base de seu processo criativo, a artista observa ao seu redor com humor e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pequenas coisas do dia a dia. Como se ela quisesse conduzir o espectador a ver o mundo atrav\u00e9s de seu olhar e de suas reflex\u00f5es. Um convite que vale a pena aceitar, deslocando-se para Viam\u00e3o e vivendo essa experi\u00eancia \u201cin\u00e9dita, ou quase\u2026\u201d.<br \/>\nAcesso no link:\u00a0https:\/\/www.sul21.com.br\/postsrascunho\/2013\/10\/ineditos-e-seus-diferentes-sentidos\/A utiliza\u00e7\u00e3o da fotografia \u00e9 seu ponto de partida para um jogo que intensifica e enriquece as sutilezas. Em\u00a0<i>Aberto fechado,<\/i>\u00a0de 1978-2010, por exemplo, ela faz um exerc\u00edcio fotogr\u00e1fico, flagrando o sentido de abrir e fechar em uma boca ou em um papel dobrado e desdobrado. Assim, muitas possibilidades s\u00e3o exploradas nas imagens, em seus detalhes e seus significados. O elemento inicial vem do cotidiano, apropria\u00e7\u00f5es e manipula\u00e7\u00f5es s\u00e3o a base de seu processo criativo, a artista observa ao seu redor com humor e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pequenas coisas do dia a dia. Como se ela quisesse conduzir o espectador a ver o mundo atrav\u00e9s de seu olhar e de suas reflex\u00f5es. Um convite que vale a pena aceitar, deslocando-se para Viam\u00e3o e vivendo essa experi\u00eancia \u201cin\u00e9dita, ou quase\u2026\u201d.<\/h3>\n<h3>Acesso no link:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/postsrascunho\/2013\/10\/ineditos-e-seus-diferentes-sentidos\/\">https:\/\/www.sul21.com.br\/postsrascunho\/2013\/10\/ineditos-e-seus-diferentes-sentidos\/<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em: outubro 26, 2013 Quando se fala em obra de arte, ineditismo quase sempre \u00e9 pensado como nunca visto, como novo, como original; entretanto, o sentido da palavra tamb\u00e9m pode ser extraordin\u00e1rio, incr\u00edvel, inimagin\u00e1vel, inacredit\u00e1vel. \u201cIn\u00e9ditos, ou quase\u2026\u201d, exposi\u00e7\u00e3o de Vera Chaves, com curadoria de Ana Albani de Carvalho, que pode ser visitada na\u00a0Funda\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4387,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false},"categories":[19,67],"tags":[382],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4385"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":120359,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385\/revisions\/120359"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4387"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/artereflexoes\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}