INCERTEZA VIVA: Processos Artísticos e Pedagógicos – 32ª Bienal de São Paulo


O interesse da arte pelas práticas pedagógicas tem aumentado significativamente nas últimas décadas – por parte de alguns artistas e curadores contemporâneos em direção aos processos pedagógicos – , principalmente em contraposição a um modo de educação mais tradicional, ou de outra maneira, pensando a arte como um veículo pedagógico. Pablo Helguera, diz que seria um tipo de mudança social. Esse movimento tem se chamado “Virada educacional”, no qual artistas e curadores de arte de várias partes do mundo tem se voltado de diferentes formas para a educação como temática de produções e exposições.

A chamada virada educacional consiste em mudança nas maneiras de atuar e existir – principalmente, de artistas e curadores -, em que o foco da criação e organização dos objetos de arte se desloca para a produção de espaços de convívio e de troca, o encontro, o lugar público, a partilha. Para estudar tal tema temos nos interessado pelos materiais produzidos por instituições culturais sejam eles como programas permanentes, ou como propostas de material educativo, ou ações pedagógicas, as curadorias – principalmente aquelas que se assumem sob o nome de pedagógica e ou educativa.

Em 2016, estudamos o material pedagógico da 32ª Bienal Internacional de São Paulo, realizada entre 7 de setembro e 11 de dezembro de 2016. Sob o título Incerteza viva, a exposição buscava refletir sobre as atuais condições da vida e as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas. A Curadoria foi de Jochen Volz
e atuaram como Cocuradores: Gabi Ngcobo, Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen e Sofía Olascoaga. Esta última responsável pelo curadoria pedagógica da Bienal.

O material, organizado em encartes que podem ser dispostos de diferentes maneiras agrupa relatos reflexivos de professores, textos sobre a obra de 12 artistas que farão parte da mostra e ensaios de autores convidados – Mia Couto, Milene Rodrigues Martins, Rodrigo Nunes e Virginia Kastrup. O acesso aos textos pode ser feito pelo link: http://materialeducativo.32bienal.org.br/

O grupo trabalhou entre os meses de junho e dezembro de 2016 com os materiais a partir de leituras e problematizações sobre o interesse de exposições – como uma Bienal -, pelos processos pedagógicos que vão desde a formação de mediadores, formação de professores, a mediação, e os desdobramentos que vão sendo feitos a partir de uma exposição de arte contemporânea e suas ressonâncias com a educação.

O estudo deste material compõe parte das ações do atual projeto de pesquisa do grupo denominado de “O campo expandido da arte e da docência: aproximações, tensões, processos e práticas artísticas contemporâneas” e que dá continuidade ao trabalho anterior (desenvolvido entre 2013 e 2016) e que tinha como foco a “Docência como campo expandido: arte contemporânea e formação estética”.