Como viver na escola: relações entre arte, educação e docência, de Karine STORCK.


A pesquisa parte de inquietações cotidianas de uma professora de escola básica da rede pública, que, ao se aproximar dos conceitos de “docência artista” (LOPONTE, 2005), “estética da existência” (FOUCAULT, 2004b) e “vida como obra de arte” (NIETZSCHE, 2012), passa a buscar outras possibilidades para o exercício da docência. Relacionando os referenciais mencionados e a partir das evidências de experiências diárias na escola, engendra-se a ideia de uma “docência viva”, decorrente também de uma inquietação pontual: pensar em torno do que os, docentes estão fazendo de si mesmos no cotidiano escolar (GALLO, 2008). Esta não é uma busca de indicação de receita, solução ou prescrição, mas a procura por refletir a vida na escola através da relação com a arte, educação e docência e apostando numa vida entre, com e/ou a partir dessas relações. A arte entra nesta pesquisa por duas vias. Primeiramente, vinculada às relações entre arte e vida presente nos referenciais teóricos, implicando uma postura frente à vida, assim como no modo de fazer pesquisa. Por outra via, através de projetos e trabalhos de arte que problematizam a educação escolar, que a desnaturalizam, convocando a reflexão, fazendo, assim, pensar na atuação docente, sendo estes trazidos à investigação como parte da emergência de um discurso em “repensar a educação”. Junto a ele encontram-se inventariadas iniciativas e projetos de diversas ordens, os quais também caracterizam tal emergência. Com o foco na busca por uma docência viva e nos modos de ser docente implicados por esta, são escolhidas três práticas educativas para um olhar mais atento. São elas: Escola Projeto Âncora, em Cotia-SP; Escola Viva Inkiri, em Piracanga, Península de Maraú-BA; e a Escuela Pedagogica Experimental (EPE), na cidade de Bogotá – Colômbia. Cabe dizer que, num primeiro momento, o que nelas interessava era uma aparente “educação mais artista”, menos compartimentada, menos cansada, mais alinhada às necessidades cotidianas. O olhar lançado a essas práticas, tanto as educativas como as artísticas, pretende investigar experiências que possibilitam pensar em outros/novos modos de viver na escola e compreender o que as sustenta, o que as torna possíveis e o que é determinante na postura que assumem. Pretende-se não esquadrinhar quais as verdades implicadas, mas tentar compreender as relações dos sujeitos com essas – tanto para pensar em uma docência viva e também no que elas contribuiriam a pensar esta docência na escola contemporânea. Para isso, elucida-se a questão central: Como é possível pensar uma ética docente para uma docência viva na escola contemporânea? E ainda: Qual ética requer uma docência viva? De que modo práticas educativas vivas e um pensamento marcado pela arte podem movimentar os modos de ser docente e a constituição desta ética? De antemão, explicita-se que não chegamos a respostas pontuais; no entanto, a partir dos referenciais utilizados e do olhar lançado ao material empírico, há um forte indício de que a ética ligada a uma escolha de existência, que tem como base o trabalho constante sobre si mesmo e com os outros pode permitir uma existência menos conformada.

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STORCK, Karine. Como viver na escola: relações entre arte, educação e docência, 2015.

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