Arte Contemporânea e Docência: propostas de aproximação – Bianca Pinheiro


Arte Contemporânea e Docência: propostas de aproximação

Bianca Pinheiro (UFRGS) Orientadora: Prof. Dra. Luciana Gruppelli Loponte (FACED-UFRGS)

Trabalho apresentado no Salão de Iniciação Científica UFRGS 2016 – Indicado ao Prêmio Jovem Pesquisador 2015

 

Este trabalho faz uma breve reflexão a respeito da obra de três artistas contemporâneos e como a sua poética pode desafiar o olhar docente. A teórica e curadora Kátia Canton (2009) fala de um tipo de arte que diz respeito a todos, que nos faz viver na sociedade, apontando para temas como gênero, fome e ecologia, assuntos que provocam o espectador, procuram tirá-lo de sua zona de conforto, instigando-o a desenvolver um pensamento mais politizado e engajado e preocupando-se em problematizar o que acontece ao seu redor. A questão de Canton relaciona-se intimamente com um dos eixos da pesquisa “Docência como campo expandido: arte contemporânea e formação docente” que procura investigar ações de formação docente que contemplem uma dimensão estética aliada às provocações oriundas das artes, em especial das artes visuais contemporâneas. A pergunta que norteia a inserção dessa reflexão no contexto da pesquisa é: como a arte contemporânea e mais especificamente, uma arte que traz à tona temas de relevância bastante complexos (identidade, gênero, fronteiras territoriais ou denúncia social), pode desafiar o universo do professor, explorando a possibilidade de uma reflexão social e cultural? De que maneira ele poderia utilizar tais conhecimentos inserindo-os em sua própria vida? A partir destas indagações, apresenta-se a obra de três artistas que se fizeram presentes no estudo e discussões desta pesquisa. Apesar de distintos em relação à linguagem, seus trabalhos chamam a atenção por problematizar questões nodais, procurando dar voz a assuntos que não podem ficar no esquecimento e que atravessam também questões políticas. Poderemos, neste caso, nos perguntar sobre a contribuição que a arte contemporânea poderia exercer na formação docente, já que esta se preocupa justamente em “desalojar os nossos modos mais seguros”. A pesquisa procura aprofundar-se mais em relação aos trabalhos destacados, vinculando os mesmos a discussão feita por eles às leituras realizadas durante o período da Iniciação Científica, como os textos de Néstor García Canclini (2012) que defende a arte como uma plataforma para pensar, um lugar onde os sentidos são reconstruídos, ou de Viviane Mosé (2014), que entende que educação e cultura devem aproximar-se do pensamento e da vida. O intuito deste trabalho não é simplesmente o uso de novos artistas a serem apresentados dentro da sala de aula potencializando o ensino das artes, mas questionar o docente, fazendo-o ponderar como uma obra faz pensar a sua própria vida, a sua relação com o mundo e com suas práticas pedagógicas. Os artistas contemporâneos em foco aqui e as temáticas tratadas são: os elementos negativos ligados à educação (Paulo Meira), o tráfico negreiro (El Hadji Sy), alguns dos símbolos corruptos da sociedade (Erick Ravelo). O primeiro artista procura tensionar os acontecimentos da escola, criticando a educação e seus modelos utilizando elementos do próprio cotidiano escolar. Hadji Sy discute a viagem involuntária de homens e mulheres no Oceano Atlântico entre os séculos XVII e XVIII responsável por formar grande parte da história cultural e política do Brasil. Ravelo em sua série Os Intocáveis, apresenta crianças “crucificadas” a adultos, um trabalho que coloca a infância como protagonista de questões mais sérias como a pedofilia e a intolerância religiosa. Procurando dar acesso a esse tipo de informação, propõe-se a seleção de obras de alguns artistas com o intuito de criar uma curadoria digital, produzindo conteúdo para o site Arteversa, (também desenvolvido no período desta pesquisa), para que docentes, alunos e interessados possam usufruir destes materiais, oportunizando a aproximação com a produção destes e de outros artistas que fazem diálogo entre si.

Veja o pôster aqui.


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