﻿{"id":1897,"date":"2019-03-18T02:46:20","date_gmt":"2019-03-18T02:46:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/?p=1897"},"modified":"2019-12-18T21:39:29","modified_gmt":"2019-12-18T21:39:29","slug":"porque-as-artes-sao-importantes-para-nossa-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/porque-as-artes-sao-importantes-para-nossa-vida\/","title":{"rendered":"POR QUE AS ARTES S\u00c3O IMPORTANTES PARA NOSSA VIDA?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/alys.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-474\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/alys.jpg\" alt=\"alys\" width=\"590\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/alys.jpg 590w, https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/alys-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Francis Al\u00ffs , When Faith Moves Mountains [Quando a f\u00e9 move montanhas], (2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adoro as perguntas ordin\u00e1rias \u2013 da ordem do dia, de dentro. Gosto pouco das extraordin\u00e1rias, s\u00e3o extras mesmo, de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pergunta j\u00e1 contempla e instala um n\u00f3s, pessoas-em-plural \u2013 <em>nossa vida<\/em>. Somos mesti\u00e7os, h\u00edbridos, complexos, em permanente muta\u00e7\u00e3o. Somos constantes exerc\u00edcios de perguntas e inquietudes a nos deslocar e exigir inesperados. Temos que estar em <em>vig\u00edlia c\u00edvica<\/em>, conforme afirma Ana Mae Barbosa. Uma vig\u00edlia na vida-criativa, da qual a arte \u00e9 c\u00famplice e constituinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arte \u00e9 importante porque n\u00e3o \u00e9 \u201catividade\u201d, nem \u201cdisciplina\u201d, muito menos \u201cdom\u201d. Arte \u00e9 dimens\u00e3o da Vida-Acesa. Arte \u00e9 direito de conhecermos como fazemos presen\u00e7a-no-mundo, presen\u00e7as-coletivas e compar-trilhadas. Arte \u00e9 um estado criat\u00edvel (um estado de ser-constante-em-cria\u00e7\u00e3o). A cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o cessa. Arte \u00e9 um direito de cada um, do nascimento \u00e0 morte. <em>Somos um m\u00ednimo da biosfera<\/em>, como diz Regina Favre e, portanto, um m\u00ednimo dessa grande constela\u00e7\u00e3o ambiental que chamamos \u201cmundo\u201d. Somos cada um, muitos mundos-conexos. Sempre! Somos um m\u00ednimo \u2013 conte\u00fado e continente de est\u00e9ticas, estesias e \u00e9ticas que juntas, orientam os modos de fazermos corpos-pessoais e coletivos. Est\u00e9tica, estesia e \u00e9tica pode parecer uma redund\u00e2ncia, mas \u00e9 necess\u00e1ria para enfatizar o que penso, pergunto, defendo e invisto nos modos de atuar na arte e na vida-entre-muitos. Est\u00e9tica \u00e9 o refinamento, uma delicadeza e um destilamento das \u201cfor\u00e7as\u201d do mundo a nos pedir \u201cformas\u201d em qualquer dimens\u00e3o, seja nas palavras, nas imagens, nos corpos. A arte ativa, ati\u00e7a e nos atira \u00e0s emo\u00e7\u00f5es \u2013 as estesias \u2013 que por sua vez, s\u00e3o al\u00e9m dos sentimentos e das sensa\u00e7\u00f5es. Lembro de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dXA9Ew4jqCE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>A f\u00e9 move montanhas<\/em> de Francis Allys<\/a> (muitas pessoas juntas, movendo com p\u00e1s, uma montanha de areia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tr\u00edade, percep\u00e7\u00e3o-afiada, sensa\u00e7\u00e3o-refinada, emo\u00e7\u00e3o-coletiva, produzem uma experimenta\u00e7\u00e3o compar-trilhante (compartilha dos caminhos e das trilhas, sempre, sempre). Sem cessar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por que as artes s\u00e3o importantes para nossa vida?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa pergunta-em-exerc\u00edcio pretendo que, juntos, possamos ter muitas e muitas d\u00favidas sobre a responsabilidade \u00e9tica de como produzimos vida nesse momento em Brasis e mundos t\u00e3o esgar\u00e7ados. Amea\u00e7ados e devorados pelos desvarios economicistas e politiqueiros. Deshumanos. Est\u00e9tica, estesia e \u00e9tica, mais do que nunca s\u00e3o urg\u00eancias para insistirmos, resistirmos e re-existirmos em luta, pela arte na educa\u00e7\u00e3o e na vida em qualquer cantinho desses Brasis e desses mundos. Que s\u00e3o tantos. Arte \u00e9 subjetiva\u00e7\u00e3o-coletiva! Arte \u00e9 comunit\u00e1ria, em todas as comunidades m\u00ednimas. Habito e existo em muitas \u2013 sou comunidade(s): artista, professora, pesquisadora, av\u00f3, m\u00e3e, tia, filha, esposa&#8230; Quando estou doente habito outras comunidades \u2013 hospitalar, m\u00e9dica, farmac\u00eautica, laboratorial&#8230; Quando estou no museu, galeria, escolas, sou palavras, imagens, contextos, lugares, tempos e espa\u00e7os de deslocamentos e escapat\u00f3rias, principalmente se for arte contempor\u00e2nea &#8211; uma arte do instante, do aqui-agora-j\u00e1. Dos tempos em que vivemos. Arte \u00e9 processual assim como a vida. Mario Pedrosa afirma <em>Arte \u00e9 um exerc\u00edcio experimental da liberdade<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas minhas trilhas carrego tamb\u00e9m as tralhas, os pesos, os desabores. Mas fabrico alegrias. Meus temas t\u00eam sido as chamadas \u201cminorias\u201d, termo do qual discordo. Existem os massacrados, os anestesiados, os negados de Vidas-Acesas. Os temas t\u00eam sido, os ind\u00edgenas, as t\u00e9cnicas ordin\u00e1rias, um trabalho mambembe e a\u00e7\u00f5es-perform\u00e1ticas de mi\u00fados-do-mundo. A cada dia mais aciono as frestas de estar-junto fabricando pot\u00eancias de m\u00ednimos que somos, mas ENORMES de possiblidades de experimentar e atuar na LIBERDADE de ser-criat\u00edvel-no-mundo e nos mundos des.a.fiadores do s\u00e9culo XXI (carregando todos os s\u00e9culos anteriores). Reafirmo: somos um m\u00ednimo-mi\u00fado da biosfera, mas dela constituintes. Nossa responsabilidade na CRIA\u00c7\u00c3O \u00c9 IMENSA !!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Volto \u00e0 pergunta recebida:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por que as ARTES s\u00e3o importantes para nossa vida?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Lucimar Bello Frange<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(lucimarbello@terra.com.br)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadora volunt\u00e1ria no N\u00facleo de Estudos da Subjetividade &#8211; PUC\/SP e no Grupo Mameto\/UFBA. P\u00f3s-Doutora pelo\u00a0N\u00facleo de Estudos da Subjetividade e em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica, ambos pela PUC\/SP.Doutora e Mestra em Artes Visuais pela USP, graduada em Belas Artes pela UFMG. Professora Aposentada da UFU.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francis Al\u00ffs , When Faith Moves Mountains [Quando a f\u00e9 move montanhas], (2002). Adoro as perguntas ordin\u00e1rias \u2013 da ordem do dia, de dentro. 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