﻿{"id":2772,"date":"2020-06-01T18:45:32","date_gmt":"2020-06-01T18:45:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/?p=2772"},"modified":"2020-06-01T18:51:36","modified_gmt":"2020-06-01T18:51:36","slug":"em-defesa-da-fogueira-das-caixas-na-educacao-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/em-defesa-da-fogueira-das-caixas-na-educacao-parte-i\/","title":{"rendered":"Em defesa da fogueira das caixas na Educa\u00e7\u00e3o! PARTE I"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1756\" aria-describedby=\"caption-attachment-1756\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sem-titulo5.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1756\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sem-titulo5.png\" alt=\"Imagens retiradas da p\u00e1gina do facebook do artista (https:\/\/www.facebook.com\/antonioaugusto.bueno).\" width=\"960\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sem-titulo5.png 960w, https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sem-titulo5-300x173.png 300w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1756\" class=\"wp-caption-text\">Imagens retiradas da p\u00e1gina do facebook do artista (https:\/\/www.facebook.com\/antonioaugusto.bueno).<\/figcaption><\/figure>\n<p>EM DEFESA DA FOGUEIRA DAS CAIXAS NA EDUCA\u00c7\u00c3O! <em><strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><br \/>\n<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h2><em>Escrevo, pois n\u00e3o caibo mais em mim. (&#8230;)\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Acima de tudo escrevo porque decidi compartilh\u00e1-las e seguir esse caminho de busca. Minhas mem\u00f3rias mostrar\u00e3o quem fui e junto com momentos atuais contar\u00e3o quem sou&#8230;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ideias v\u00eam matutando aos poucos. Vygotsky h\u00e1 tempos me ensinou: a linguagem organiza o pensamento! Decidi, ent\u00e3o tentar colocar as ideias soltas e desamarradas no papel e, assim, costur\u00e1-las, bord\u00e1-las. Coloc\u00e1-las em caixas? Justo o contr\u00e1rio! Venho matutando uma fogueira de caixas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escola \u00e9 feita de caixas \u2013 tempos organizados em planilhas e tabelas; espa\u00e7os divididos por grupos e hor\u00e1rios; conte\u00fados especificados por grades curriculares; crian\u00e7as vistas em suas etapas de desenvolvimento&#8230; cada coisa no seu quadrado, cada um na sua caixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que as caixas n\u00e3o s\u00e3o necessariamente herm\u00e9ticas e incomunic\u00e1veis \u2013 h\u00e1 muitas vezes respiros e porosidades. Mas o \u201csistema\u201d se pensa como uma caixa, um tipo de \u201corganizador\u201d, cheio de divis\u00f3rias, etiquetas e hierarquias \u2013 desde Minist\u00e9rio ditando par\u00e2metros, Secretarias dizendo o que deve ser feito, passando por Projetos Pol\u00edtico Pedag\u00f3gicos esmiu\u00e7ando como deve ser feito, at\u00e9 Sindicatos patronais e de empregados movendo pe\u00e7as nesse intrincado tabuleiro, ditando as normas, regras e leis que regem essas tantas e tantas e tantas divis\u00f3rias devidamente etiquetadas, classificadas e ordenadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Arte, em suas diversas express\u00f5es, \u00e9 um dos mais potentes dutos de ventila\u00e7\u00e3o das escolas \u2013 e por isso sua conviv\u00eancia no espa\u00e7o escolar \u00e9, desde sempre, t\u00e3o complexa. A escola nasce normalizadora; e a Arte \u00e9 essencialmente transgressora. A tens\u00e3o fica assim (ex)posta desde o in\u00edcio. Mas os tempos atuais, entretanto, expuseram ouuuttttrrrras fraturas, outros rasgos e rusgas que h\u00e1 tempos ficavam meio esfuma\u00e7ados e, agora, bem n\u00edtidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 a escola sen\u00e3o o coletivo de personagens que a habita? A energia vital da escola est\u00e1 fora do pr\u00e9dio, longe dos materiais, independente dos conte\u00fados e m\u00e9todos \u2013 a vida da escola est\u00e1 fora de seus conjuntos de conhecimentos e de suas verdades. Est\u00e1 al\u00e9m muros, no mundo, nas pessoas, na natureza, na Cultura, na Arte, na imperman\u00eancia da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que nunca, essa perspectiva da fragilidade da vida escolar se consolidou de forma transparente. As escolas e creches est\u00e3o vazias, coisa morta, habitadas por ecos e mem\u00f3rias, por materiais inertes e silenciosos. E \u00e9 da minha escuta e do meu olhar (que se nutrem, sintonizam e sincronizam com muitos outros olhares e escutas) para esse v\u00e1cuo, para esses fantasmas e sombras, que brotam essas reflex\u00f5es desalinhadas, em busca de novos pontos e arremates.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>ESCOLAS E CRECHES EM TEMPOS DE PANDEMIA\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h2><em>(&#8230;) O mapa. O registro. A hist\u00f3ria.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Que desmancha, mancha, borra.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Sem mem\u00f3ria, sem registro, me perco.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Quem sou?<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a>\u00a0<\/em><strong><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<h2><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incerteza paira no ar diante do desconhecido. Quanto tempo permaneceremos sem levar as crian\u00e7as para as institui\u00e7\u00f5es educativas? Ningu\u00e9m sabe ao certo. O que imediatamente pensamos em fazer? Tal qual o ditado que diz \u201c<em>Se Maom\u00e9 n\u00e3o vai \u00e0 montanha, montanha vai \u00e0 Maom\u00e9<\/em>\u201d, muitas escolas e creches come\u00e7aram o trabalho de tentar replicar a escola fora de seus per\u00edmetros e dentro das moradias das meninas e meninos que costumavam povoar seus p\u00e1tios, parques, quadras, salas e laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como numa esp\u00e9cie de mimetismo, o sistema educativo busca se \u201cteletransportar\u201d e adentra os lares por meio de <em>tablets, laptops<\/em> e computadores de todo tipo. A cren\u00e7a parece ser un\u00edssona e reverbera como palavras de ordem: a escola n\u00e3o pode parar! H\u00e1 conte\u00fados a cumprir! As crian\u00e7as precisam aprender e n\u00e3o podem perder tempo! Sem a escola, as crian\u00e7as se desinteressar\u00e3o por aprender! Rotina \u00e9 necess\u00e1ria! Pelo lado dos familiares (leia-se: os clientes), h\u00e1 press\u00e3o pela \u201cpresta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o\u201d contratada (mesmo que seja uma escola p\u00fablica)&#8230; enfim! S\u00e3o in\u00fameras quest\u00f5es que desaguam numa mesma dire\u00e7\u00e3o: produtividade, efici\u00eancia, resultado, efic\u00e1cia&#8230; tempo!<\/p>\n<blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>Volto ao padr\u00e3o, piloto autom\u00e1tico. Gosto, exagero e desgosto. Me esgoto. Crio um ciclo n\u00e3o sustent\u00e1vel. (Des)humanizo. Visto uma armadura. Deixo de sentir, me perco, viro m\u00e1quina&#8230;<br \/>\n<\/em><\/h2>\n<h2><em>Tic, tac. Corre, corre. Produz, produz. Trabalha, trabalha.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>(Visto camisa)\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Meta, meta. Foco, foco. R\u00e1pido, r\u00e1pido. Caf\u00e9, caf\u00e9.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>(Prendo xixi)\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Aten\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o. Data, data. Equipe, equipe. Mais caf\u00e9, caf\u00e9.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>(Me esgoto)\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Reuni\u00e3o, reuni\u00e3o. Solu\u00e7\u00e3o, solu\u00e7\u00e3o. Aten\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>(Cad\u00ea eu?)\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>POP, POP. Planilha, planilha. Formul\u00e1rio, formul\u00e1rio.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>(Me perco)\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Resultado, resultado. Limite, limite. N\u00fameros, n\u00fameros.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Viro m\u00e1quina.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria mesmo poss\u00edvel (e desej\u00e1vel?) a escola, tal como \u00e9 concebida hoje, tal como funciona, se deslocar para dentro das casas e tentar ali se consubstanciar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u201c<em>homeschooling<\/em>\u201d \u00e9 usado para designar uma forma de estudos alternativa \u00e0 escola, que se desenvolve em casa, mediada por algu\u00e9m da fam\u00edlia, ou que more com a crian\u00e7a. Ele \u00e9 fruto de um debate sobre a institui\u00e7\u00e3o escola e seu papel, e \u00e9 resultante de uma op\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Certamente, n\u00e3o \u00e9 nisso que as escolas poderiam se espelhar nesse momento, pois a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 escolas e creches que est\u00e3o buscando a solu\u00e7\u00e3o pela chamada \u201cEduca\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia (EAD)\u201d. E assim, de repente, professoras e professores saem gravando aulas em casa, e enviando muitas tarefas, at\u00e9 com rigidez de prazo e cobran\u00e7as, e algumas at\u00e9 mesmo preconizando o uso do uniforme escolar para reestabelecer a rotina \u2013 mas, afinal, de que rotina estamos falando? N\u00e3o seria o uniforme um s\u00edmbolo identit\u00e1rio de pertencimento e elemento de padroniza\u00e7\u00e3o em busca de diluir diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas no espa\u00e7o escolar? O que nos faz crer que ele seja ind\u00edcio privilegiado de uma rotina? Seria o uso do uniforme uma esp\u00e9cie de interruptor que \u201capaga a luz\u201d e transforma crian\u00e7as em a-lunas e a-lunos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h2><em>(&#8230;) A mente entra com os dois p\u00e9s na porta, sem bater. Impondo um pensar, um pesar.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Quando isso acontece minha fisiologia muda. Meus movimentos j\u00e1 n\u00e3o fluem com a m\u00fasica. (&#8230;)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 apenas a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de alunxs que consolida a diferen\u00e7a entre a educa\u00e7\u00e3o formal (da escola), e a educa\u00e7\u00e3o informal (no contexto familiar e social)? Se pensarmos nos anos iniciais do Ensino Fundamental, de quem \u00e9 a tarefa do \u201censino formal\u201d? E se considerarmos as institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o infantil, qual \u00e9 seu papel primordial? Poderia mesmo ele ser transposto para as casas das crian\u00e7as? Ou estamos diante de um ponto de bifurca\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h2><em>(&#8230;) A criatividade \u00e9 uma propriedade inerente a todos os sistemas vivos. Todos os sistemas vivos s\u00e3o criativos, porque eles t\u00eam a capacidade de alcan\u00e7ar e criar a partir do velho, algo novo. Mas \u00e9 a falta de equil\u00edbrio, a desordem, que nos possibilitam chegar em pontos de bifurca\u00e7\u00e3o e mudar. (&#8230;)<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a>\u00a0 <\/em><strong><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<h2><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tarefa \u201cpedag\u00f3gica\u201d ou \u201cescolar\u201d n\u00e3o \u00e9 da fam\u00edlia; e as professoras e os professores n\u00e3o t\u00eam conhecimento nem tecnologia para, do dia para a noite, criarem toda uma metodologia diferenciada por meio de ambientes de aprendizagem virtuais. A maioria delas e deles ainda n\u00e3o \u00e9 da gera\u00e7\u00e3o de nativas e nativos digitais; e tamb\u00e9m n\u00e3o se pode desconsiderar que o Brasil \u00e9 muito vasto e desigual, e nem todxs t\u00eam bons acessos, ou repert\u00f3rio suficiente para propor desafios que vislumbrem algum mist\u00e9rio e incitem a curiosidade. Muitas vezes, a experi\u00eancia de EAD atual acaba por se alicer\u00e7ar em uma concep\u00e7\u00e3o superada (ser\u00e1?) de ensino-aprendizagem, com propostas: que muitas vezes mais se assemelham a um amontoado de atividades, desconectadas entre si, e que subestimam a autonomia intelectual das crian\u00e7as; que possibilitam apenas respostas \u00fanicas que n\u00e3o acolhem o pensamento divergente, tampouco a criatividade e a autoria; com foco exclusivo nos resultados e n\u00e3o nos processos; e tendo a pressa e a rapidez como pontos privilegiados sobre a reflex\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses&#8230; entre outros problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tampouco as crian\u00e7as dos anos iniciais t\u00eam instrumentos ou disciplina para EAD \u2013 imaginem as da Educa\u00e7\u00e3o Infantil! E menos ainda os familiares t\u00eam condi\u00e7\u00f5es apropriadas (ou conhecimentos espec\u00edficos) para criar essa pretensa \u201crotina escolar\u201d em casa, tendo que acumular todo o cuidado com as crian\u00e7as, o trabalho do funcionamento da casa, e o trabalho profissional agora majoritariamente instalado em home office&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o \u00e9 tentar adaptar o inadapt\u00e1vel? Estariam as institui\u00e7\u00f5es educativas, nesse momento, sofrendo de paralisa\u00e7\u00e3o diante da perda de suas identidades, e por isso, for\u00e7ando uma situa\u00e7\u00e3o que as distancia cada vez mais da realidade?<\/p>\n<h2><\/h2>\n<blockquote>\n<h2><em>Desconstruo-me. N\u00e3o perten\u00e7o. N\u00e3o identifico. N\u00e3o reconhe\u00e7o. N\u00e3o vejo. N\u00e3o sinto.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>(&#8230;) As pe\u00e7as n\u00e3o se encaixam mais.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>E agora? Perdi alguma coisa?\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>(&#8230;) O que est\u00e1 sendo montado? Perdi minha ID. Como saber\u00e1s quem sou? Como me reconhecer\u00e1? Como me encontrar\u00e1?\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Procuro instru\u00e7\u00f5es do quebra-cabe\u00e7a. Assisto tutoriais, mas n\u00e3o reconhe\u00e7o como pr\u00f3pria a montagem alheia. O manual n\u00e3o \u00e9 meu. Como (des)escrever algo que nunca montei?(&#8230;)<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em><strong><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 a realidade de grande parte das pessoas hoje? Crian\u00e7as confinadas em casas tensas, com rendas familiares diminu\u00eddas, onde o medo do desconhecido reina, e com o risco de a indefini\u00e7\u00e3o do amanh\u00e3 levar \u00e0 ang\u00fastia, depress\u00e3o, viol\u00eancia&#8230; portanto, nesse momento t\u00e3o delicado, me parece s\u00f3 trazer maior dose de tens\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es vislumbrar que o que escolas e institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o infantil devem fazer seja transferir para m\u00e3es e pais as tarefas escolares&#8230; n\u00e3o estar\u00edamos, assim, tamb\u00e9m criando mais um novo fake: um vai fingir que ensina; e o outro vai fingir que aprende&#8230; \u00e9 isso que quer a Educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h2><em>(&#8230;) Queria remontar alguns quebra- cabe\u00e7as, usar novos encaixes.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Mas nesse resgate, nessa coleta (ou seria, colheita?), me deparei com um problema: o que queria montar? Qual exatamente o sonho que queria sonhar?\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Indo al\u00e9m, percebi que n\u00e3o tinha respostas \u00e0s muitas perguntas, tinha que me satisfazer por ser, apenas, capaz de formul\u00e1-las.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Mas nessa pesquisa interna, em meio aos vendavais, percebi um ponto crucial: at\u00e9 onde me autorizaria a ir? Ou, pior: por que n\u00e3o me autorizaria realmente a mudar? (&#8230;)\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Era o medo da mudan\u00e7a, o medo de conseguir? De chamar aten\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>De ser juLgada? De n\u00e3o ser aceita? Seria o medo de ser respons\u00e1vel, de fato, pelo resultado, seja qual for?\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Seria o medo de perder a bengala imagin\u00e1ria que diz simplesmente: n\u00e3o d\u00e1?!\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Afinal, se \u00e9 externo, me isento da culpa de dar certo (e errado)?! (&#8230;)<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em><strong><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>NOTAS:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Todos os textos em it\u00e1lico pertencem ao livro \u201c<em>Mulheres que Soul<\/em>\u201d (SC: O Livreiro das Rosas, 2019). A autora, Dani Leite, \u00e9 Doutora em Fisiologia, com P\u00f3s-Doutorado em Farmacologia, e h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s trocou esta faceta da cura, por outra, buscando integrar as energias feminina e masculina, ajudando mulheres a se reconectarem consigo mesmas e a se expressarem de forma aut\u00eantica na vida pessoal e profissional \u2013 contato: leitedani@gmail.com<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Quem sou <\/em>\u2013 p. 22-23<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Inunda\u00e7\u00e3o <\/em>\u2013 p. 38<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>(Des)humanizo <\/em>\u2013 p. 128-129<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>Transe mental <\/em>\u2013 p. 57<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>\u00c0 procura do equil\u00edbrio <\/em>\u2013 p. 172<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <em>Desconstru\u00e7\u00e3o <\/em>\u2013 p. 49-50<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>Voc\u00ea se autoriza a ser diva? <\/em>\u2013 p.99-100<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Maria Isabel Leite<\/strong>, doutora em Educa\u00e7\u00e3o, pesquisadora e consultora aut\u00f4noma na \u00e1rea de inf\u00e2ncia, educa\u00e7\u00e3o, cultura e forma\u00e7\u00e3o, em espa\u00e7os\/propostas formais e n\u00e3o formais de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contatos: relicariosdeideias@gmail.com \u2013 instagram: @relicariosdeideias \u2013 wpp: 21-98850-7296<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; EM DEFESA DA FOGUEIRA DAS CAIXAS NA EDUCA\u00c7\u00c3O! [1] &nbsp; Escrevo, pois n\u00e3o caibo mais em mim. (&#8230;)\u00a0 Acima de tudo escrevo porque decidi compartilh\u00e1-las e seguir esse caminho de busca. Minhas mem\u00f3rias mostrar\u00e3o quem fui e junto com momentos atuais contar\u00e3o quem sou&#8230;[2]\u00a0 &nbsp; As ideias v\u00eam matutando aos poucos. Vygotsky h\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[322],"tags":[299,486,517,40,515,182,379,497],"class_list":["post-2772","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-textos-para-abrir-uma-conversa","tag-arte-e-educacao","tag-arteversaemquarentena","tag-creches","tag-educacao","tag-educacao-a-distancia","tag-educacao-infantil","tag-escolas-do-campo","tag-pandemia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2772"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2783,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2772\/revisions\/2783"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/arteversa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}