Equipamento Elétrico para Estímulos Locomotores em Invertebrados

Desenvolvido por um aluno de IC da Profa.Dra Marina Prigol/UNIPAMPA-Itaqui, recebeu o depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob número de processo de patente: BR1020200081349.

O aluno de iniciação científica Mustafa Munir Mustafa Dahleh, sob a orientação da professora Marina Prigol, desenvolveu o equipamento laboratorial intitulado “Equipamento Elétrico para Estímulos Locomotores em Invertebrados”, visando à avaliação de parâmetros de locomotores em invertebrados. A importância do desenvolvimento deste produto reside no fato de que apesar dos avanços utilizando o modelo alternativo de Drosophila melanogaster, poucas empresas desenvolvem produtos e equipamentos no mercado que possibilitem a adequação de situações comportamentais, como depressão, ansiedade e estresse em invertebrados. Com essa perspectiva, o LaftamBio Pampa vem desenvolvendo equipamentos e protocolos experimentais que possibilitem essas projeções de forma tão eficaz quanto as obtidas com murinos.

A utilização de animais em modelos experimentais tem se mostrado um desafio no desenvolvimento de pesquisas científicas devido a suas implicações éticas e operacionais. Neste sentido, a mosca da fruta Drosophila melanogaster teve importância fundamental, culminando em diversas descobertas na genética que hoje temos por conhecimento. Recentemente, esse invertebrado vem se caracterizando como um eficaz modelo para o estudo de patologias, assim como para avaliação de toxicidade e efetividade de compostos sintéticos e naturais, contribuindo assim para a busca de novas alternativas visando à diminuição da utilização de murinos em estudos preliminares de novos compostos.

O emprego de murinos em estudos experimentais vem se tornando cada vez mais difícil por encontrar diversas travas em torno de questões éticas no uso destes animais, as discussões têm como base o emprego dos 3R’s, que visam diminuir, refinar e substituir modelos animais. Sabe-se também que o alto custo de manutenção é um fator limitante para diversificação de certos estudos. Apesar disso, grande parte das ferramentas e equipamentos desenvolvidos para estudos de patologias em modelos animais, tem como enfoque a utilização de murinos.

A partir dessa problemática, o Laboratório de Avaliações Farmacológicas e Toxicológicas Aplicado às Moléculas Bioativas (LaftamBio Pampa), na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), localizado na cidade de Itaqui/RS, tem investido esforços, utilizando a Drosophila melanogaster, com foco no desenvolvimento de metodologias que mimetizem patologias neste modelo experimental alternativo.

Apesar dos avanços utilizando este modelo, existem poucos grupos de pesquisa que avaliem parâmetros comportamentais em D. melanogaster, consequentemente, poucas empresas no ramo desenvolvem produtos e equipamentos no mercado que possibilitem a adequação de situações comportamentais, como depressão, ansiedade e estresse em invertebrados, que possam então fazer uma projeção adequada de patologias que associem situações como as descritas acima. Com essa perspectiva, o LaftamBio Pampa vem desenvolvendo equipamentos e protocolos experimentais que possibilitem essas projeções de forma tão eficaz quanto as obtidas com murinos.

Entre os períodos de 2015 – 2018, estudantes do laboratório LaftamBio avaliaram distintos protocolos experimentais para o estudo da Doença de Parkinson em Drosophila melanogaster, visando diferentes propostas para estudo de indução de modelos mimético dessa patologia em D. melanogaster. Ainda os estudos associaram a utilização de compostos naturais e sintéticos como γ-oryzanol, 4-fenilselanil-7-cloroquinolina e hesperidina. Foram verificados resultados satisfatórios desses compostos em reduzir efeitos induzidos por este modelo, mostrando a capacidade de resposta da mosca nesses modelos de estudo.

Em 2018, a aluna de doutorado Stífani Machado Araujo, junto a colaboradores, desenvolveu um protocolo experimental que mimetiza um modelo do tipo-depressivo, induzido por estressores em D. melanogaster. O estudo publicado na revista Behavioral Brain Research, investigou a indução de estresse crônico moderado imprevisível em Drosophila melanogaster, através de um protocolo de 10 dias, envolvendo situações de estresse por altas e baixas temperaturas, e inversão do ciclo circadiano no invertebrado. Foi observada eficácia em reproduzir o estado tipo-depressivo, obtendo-se resultados satisfatórios em testes como nado forçado, testes de comportamento agressivo, e teste de comportamento de cortejo e cópula, mostrando a capacidade em mimetizar uma situação de patologia através da adaptação de um protocolo já conhecido na literatura na indução de estresse em ratos e camundongos.

Em torno da perspectiva da utilização de equipamentos que mimetizam determinadas situações experimentais, entre os anos de 2019 – 2020, o aluno de iniciação científica Mustafa Munir Mustafa Dahleh, sob a orientação da professora Marina Prigol, desenvolveu o equipamento laboratorial intitulado “Equipamento Elétrico para Estímulos Locomotores em Invertebrados”, visando à indução de atividade locomotora padronizada em invertebrados, para avaliação de determinados parâmetros a partir desse estímulo. Inicialmente foi desenvolvido um protótipo para testes internos, que se mostrou eficiente. Logo após ser aperfeiçoado, foi realizado um projeto técnico composto de planta baixa, modelos 3D animados e descrição detalhada do equipamento e encaminhado para o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob número de processo de patente: BR1020200081349. Foi observado preliminarmente que com o auxílio desse equipamento elétrico, consegue-se avaliar determinados parâmetros comportamentais e bioquímicos, semelhantes aos encontrados em murinos. As análises resultantes da utilização de moscas no equipamento estão em fase de finalização para publicação. Existem outros estudos em desenvolvimento pelo LaftamBio, que envolvem novas abordagens em Drosophila melanogaster¸ que em breve serão divulgados no meio acadêmico e científico.