Editoras usam inteligência artificial para detectar imagens alteradas em artigos científicos

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Desde janeiro de 2021, os manuscritos aceitos para publicação nas 10 revistas editadas pela Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) são submetidos ao escrutínio de um software de inteligência artificial (IA) capaz de identificar, em minutos, imagens duplicadas ou adulteradas, com partes giradas, invertidas e esticadas. A expectativa é que a tecnologia – chamada Proofing e desenvolvida pela empresa israelense Rehovot – reduza a incidência desse tipo de problema após a publicação dos trabalhos.

“Estamos bastante satisfeitos com os resultados até agora”, disse à revista Nature Daniel Evanko, diretor de operações da AACR. A adoção desse tipo de tecnologia é considerada uma tendência que deve ganhar força nos próximos anos. Em julho de 2021, a Sociedade Americana para Pesquisa Clínica passou a usar o mesmo programa em manuscritos aceitos para publicação no Journal of Clinical Investigation e JCI Insight. Também a editora Sage adotou esse software em outubro de 2021 em cinco de seus periódicos na área de ciências da vida.

Já a editora Frontiers foi por outro caminho. Desenvolveu seu próprio software de verificação de imagens, em uso desde agosto de 2020. A Springer Nature, por sua vez, diz que está avaliando algumas ferramentas, enquanto coleta dados para seu próprio software, o qual combinará elementos complementares de IA e humanos para identificar imagens problemáticas. Recentemente, editoras científicas criaram um manual para identificar artigos com imagens adulteradas ou duplicadas e combater esse tipo de má conduta (ver Pesquisa FAPESP nº 309).