Por que não houve grandes artistas mulheres?

No ensaio “Por que não houve grandes artistas mulheres?”, publicado em 1971 e traduzido para o português em 2016, a historiadora Linda Nochlin pontua a invisibilidade das mulheres no decorrer da história da arte, considerando a produção cultural através de uma abordagem social, ao mesmo tempo em que coloca em jogo a própria pergunta-título de seu ensaio.

O provocativo título carrega a afirmação de que não tivemos grandes artistas mulheres no decorrer da história. A autora a apresenta como uma questão com que se depara de modo recorrente. No entanto, com o desenvolvimento do ensaio, Nochlin ressalta que nos cabe perceber quem formula questões como esta e a que ou a quem servem quando são assim formuladas. 

A quem interessa uma narrativa em que mulheres não são capazes de produzir algo grandioso?

Nochlin desmembra a afirmação e a situa como uma deturpação da realidade: as mulheres artistas existiram sim, mesmo em meio a estruturas esmagadoras de qualquer favorecimento para que uma mulher se tornasse uma artista. 

Evocada a provocação do título durante todo o trabalho, a historiadora nos conduz durante a leitura a um caminho totalmente diverso ao de buscar nomes e listar seus feitos significativos. Nos instiga a refletir como, apesar de todas as contrariedades e obstáculos sociais, institucionais e culturais, sempre existiram mulheres excelentes nas artes e em todas as áreas de atuação e do conhecimento, mesmo perante o sufocamento de sociedades patriarcais. 

O texto de Nochlin nos permite extrapolar a reflexão para além das artes. Em quais áreas e situações ainda há vazios de diversidade e liberdade de gênero a serem conquistados? Quais opressões seguem naturalizadas? Quais histórias ainda não foram contadas?

Considerando que seguimos com receio de existir em vias públicas por medo da violência a que estamos ou a que podemos estar expostas, parece que há um longo caminho de reformulações…

Resistir, para uma mulher, não é só uma escolha. Por um #8M em que possamos celebrar. 

O artigo completo de Nochlin está disponível Aqui e vale muito a leitura!