“Sejamos todos leitores”: Super 8 com Chimamanda

“Sejamos todos leitores”: Super 8 com Chimamanda
Por Letícia Strehl

Chimamanda Ngozi Adiche é uma ativista social poderosa graças ao seu talento para a literatura. Nigeriana, nascida em 1977, Chimamanda escreve sobre a condição feminina, sobre a religião e sobre o racismo, este último por ela pessoalmente descoberto quando emigrou para os Estados Unidos (CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE, 2020).

Li “Americanah” (2014) descrente de que Chimamanda alcançaria no romance a genialidade de seus contos publicados no livro “No seu pescoço” (2017a). Me enganei, o romance de fôlego, relativamente longo, é brilhante, destrincha questões públicas complexas e dilemas individuais profundos, usando como fio condutor uma história de amor. Chimamanda é simples e sofisticada ao mesmo tempo, seja no pouco espaço do conto, seja no grande espaço do romance. “Hibisco roxo” (2011) e “Meio sol amarelo” (2008) são outros dois romances escritos pela autora.

A leitura de Chimamanda é indicada para duas categorias de leitores:

a) os engajados, que se informam e que buscam ganhar consciência sobre as diferentes nuances das desigualdades sociais e sobre a infelicidade imposta a partir do preconceito em suas inúmeras variações;

b) os amantes do texto, que se apaixonam quando se deparam com um escritor que consegue utilizar cada linha para reunir as palavras certas e expressar um sentimento ou uma situação que vale a pena aprender.

Além de escritora, Chimamanda é uma aclamada palestrante. Suas TED Talks são um sucesso (2009). Elas foram publicadas no Brasil e também valem a pena ser lidas. Eu considero o “Para educar crianças feministas: um manifesto” (2017b) particularmente indispensável, ele é curto e certeiro na discussão de aspectos fundamentais da igualdade de gênero. Se o livro “O segundo sexo” de Simone de Beauvoir é considerado a bíblia do feminismo, este pequeno livrinho pode ser considerado uma bíblia de bolso. Seu único defeito é o título, o manifesto não educa apenas crianças, ele independe da idade.

É com Chimamanda que começaremos a desenvolver dentro do Super 8 várias atividades que visam discutir e disseminar autores e livros de literatura. Os bons textos contribuem para a formação de boas práticas de escrita importantes para a vida acadêmica como um todo. Desta forma, esperamos inspirar com literatura a forma de tratar a pesquisa e o uso da informação científica no Sistema de Bibliotecas da UFRGS.

Nossa Roda de Conversa sobre Chimamanda acontecerá em 20/04, às 14h, na sala virtual “Bibliotecas UFRGS”.

“Sejamos todos leitores!”

Referências

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Meio sol amarelo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. E-book.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Chimamanda Ngozi Adichie | Speaker | TED. [s. l.], 2009. Disponível em: https://www.ted.com/speakers/chimamanda_ngozi_adichie?language=pt-br. Acesso em: 18 abr. 2020.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Hibisco roxo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. E-book.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Americanah. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. E-book.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. No seu pescoço. São Paulo: Companhia das Letras, 2017 a. E-book.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Para educar crianças feministas: um manifesto. São Paulo: Companhia das Letras, 2017 b. E-book.
CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE. In: CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE. Wikipedia., 2020. Disponível em: https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Chimamanda_Ngozi_Adichie&oldid=947616882. Acesso em: 18 abr. 2020.