{"id":1481,"date":"2010-04-27T13:51:00","date_gmt":"2010-04-27T16:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/blogdabc\/academia-passa-utilizar-redes-sociais\/"},"modified":"2020-03-19T12:15:07","modified_gmt":"2020-03-19T15:15:07","slug":"academia-passa-utilizar-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/academia-passa-utilizar-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Academia passa a utilizar redes sociais da internet para pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas utilizam sites de relacionamento e ferramentas virtuais para realizar seus trabalhos de campo, relacionarem-se com fins de estudo e divulgar suas publica\u00e7\u00f5es para al\u00e9m das paredes universit\u00e1rias<\/p>\n<p>Entre as vantagens dessa pr\u00e1tica, segundo pesquisadores consultados pelo Jornal da Ci\u00eancia, est\u00e3o a rapidez na troca de dados de pesquisa, a possibilidade de integrar mais pessoas a um determinado estudo e o aumento de informa\u00e7\u00f5es abertas sobre pesquisas em andamento.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o s\u00e3o poucos os grupos de pesquisa que utilizam a internet como plataforma de intera\u00e7\u00e3o e troca de informa\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o, escrita de artigos cient\u00edficos etc&#8221;, garante Raquel Recuero, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas (UCPel), no Rio de Grande do Sul, e autora do livro Redes Sociais na Internet.<\/p>\n<p>Para Raquel, as redes t\u00eam muitas outras fun\u00e7\u00f5es. &#8220;Os sites de rede social proporcionam maior contato com pesquisadores que focam o mesmo objeto, que comungam de aportes te\u00f3ricos semelhantes, e melhor difus\u00e3o de artigos, peri\u00f3dicos e revistas cient\u00edficas&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora Maria Beatriz Bonacelli, chefe do Departamento de Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as redes de relacionamento podem ter ainda outras aplica\u00e7\u00f5es. &#8220;Elas podem auxiliar na localiza\u00e7\u00e3o de pesquisadores para a forma\u00e7\u00e3o de grupos, bem como &#8216;vitrines&#8217; espec\u00edficas de profissionais de ci\u00eancia e tecnologia, como o Diret\u00f3rio de Grupos de Pesquisa do CNPq e a Plataforma Lattes&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>Neg\u00f3cio<\/p>\n<p>De olho nesses potenciais, empresas e pesquisadores j\u00e1 constroem sites voltados exclusivamente para cientistas. Entre eles est\u00e1 o Mendeley (www.mendeley.com), que se intitula &#8220;o ITunes para artigos de pesquisa&#8221;. O ITunes \u00e9 a plataforma de venda eletr\u00f4nica de m\u00fasica da Apple, empresa inventora do Ipod, o mais famoso tocador de m\u00fasica do mercado.<\/p>\n<p>O Mendeley, de acordo com seu diretor e fundador, Jan Reichelt, quer funcionar da mesma forma, por\u00e9m, voltado para a pesquisa cient\u00edfica. &#8220;Fornecemos n\u00e3o s\u00f3 uma plataforma de trabalho para pesquisa, como as ferramentas para a\u00e7\u00e3o colaborativa, entre elas o compartilhamento de anota\u00e7\u00f5es, listas bibliogr\u00e1ficas e meios de correspond\u00eancia entre as partes&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O site ainda oferece ferramentas de gera\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00e3o de listas de artigos e integra\u00e7\u00e3o com programas de produ\u00e7\u00e3o de texto, como o Word, a fim de facilitar a tarefa de indexa\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e autores.<\/p>\n<p>&#8220;O aspecto social dos dados tamb\u00e9m aumenta a transpar\u00eancia na ci\u00eancia, pois mostramos m\u00e9tricas baseadas no impacto do uso, como n\u00famero de leitores, localiza\u00e7\u00e3o dos acessos e, em breve, tempo de leitura de cada artigo, o que prov\u00ea contatos e conte\u00fados aos pesquisadores que n\u00e3o teriam essa possibilidade antes&#8221;, diz Reichelt.<\/p>\n<p>Segundo dados da empresa, a rede acad\u00eamica eletr\u00f4nica abriga mais de 18 milh\u00f5es de documentos, compartilhados por 250 mil pesquisadores, envolvidos em 21 mil grupos de pesquisa abrigados em sete mil institui\u00e7\u00f5es. Os brasileiros s\u00e3o 20 mil, nas contas de Ricardo Vidal, gerente de conte\u00fado em portugu\u00eas do site brit\u00e2nico. &#8220;A comunidade brasileira est\u00e1 em quarto lugar no ranking, atr\u00e1s apenas de EUA, Reino Unido e Alemanha&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Brasil<\/p>\n<p>Outra rede social na internet que tem chamado aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a brasileira Follow Science (www.followscience.com). Criado pelo programador Cleyverson Costa durante seu mestrado em Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o site publica informa\u00e7\u00f5es sobre chamada de revistas e congressos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina \u00e9 feita pelos pr\u00f3prios usu\u00e1rios, que tamb\u00e9m podem publicar artigos que considerem interessantes e acompanhar, gratuitamente, not\u00edcias sobre o mundo acad\u00eamico.<\/p>\n<p>&#8220;Durante meu mestrado, senti falta de um ve\u00edculo que publicasse chamadas de artigos e aberturas de inscri\u00e7\u00f5es para congressos&#8221;, relembra o pernambucano. &#8220;Conhecia outras redes sociais e decidi fazer algo parecido, por\u00e9m voltado para o mundo da ci\u00eancia.&#8221; A inspira\u00e7\u00e3o veio da rede de not\u00edcias Digg (www.digg.com), tamb\u00e9m alimentada pelos usu\u00e1rios, que linkam suas not\u00edcias favoritas na p\u00e1gina e, a partir da\u00ed, as comentam com outros internautas.<\/p>\n<p>No ar desde outubro de 2009, a rede brasileira conta com cerca de mil visitas \u00fanicas por dia, sendo a maior parte dos acessos oriunda do Brasil, seguido por EUA e Portugal.<\/p>\n<p>Consciente de seu potencial internacional, o Follow Science j\u00e1 possui vers\u00e3o em espanhol e ingl\u00eas. &#8220;O legal \u00e9 que ele permite centralizar informa\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo em que fomenta a colabora\u00e7\u00e3o entre estudantes e pesquisadores&#8221;, analisa Costa, tamb\u00e9m mantenedor do site.<\/p>\n<p>No campo<\/p>\n<p>As redes sociais t\u00eam gerado benef\u00edcios para diversos pesquisadores n\u00e3o s\u00f3 por permitirem intera\u00e7\u00e3o entre cientistas e facilitar seu trabalho, mas tamb\u00e9m por facilitar sua comunica\u00e7\u00e3o com pessoas envolvidas na pesquisa que n\u00e3o fazem parte da academia.<\/p>\n<p>No Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia sobre Toxicologia (INCTTox), que envolve diversas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, a participa\u00e7\u00e3o dos estudiosos se d\u00e1 de forma colaborativa e as redes sociais ajudam no trabalho de campo.<\/p>\n<p>Pesquisadores do Instituto Butantan, em S\u00e3o Paulo, integrante do INCT, por exemplo, costumam se comunicar pelo site de relacionamentos Orkut com moradores de Belterra, munic\u00edpio paraense onde realizam algumas de suas pesquisas.<\/p>\n<p>&#8220;O projeto de pesquisa voltado para a Hist\u00f3ria da Sa\u00fade em Belterra vem acompanhando a restaura\u00e7\u00e3o do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Mem\u00f3ria do munic\u00edpio, o que \u00e9 facilitado pela inser\u00e7\u00e3o de imagens e coment\u00e1rios por representantes locais&#8221;, conta Djana Contier, pesquisadora do N\u00facleo de Comunica\u00e7\u00e3o do INCT.<\/p>\n<p>&#8220;As redes sociais podem contribuir muito na comunica\u00e7\u00e3o entre os cientistas e os n\u00e3o cientistas. \u00c9 importante que pesquisadores tenham em mente que muitas vezes esta situa\u00e7\u00e3o os coloca em um mesmo patamar com o p\u00fablico em geral no que se refere \u00e0 troca de informa\u00e7\u00f5es&#8221;, recorda. &#8220;Essa troca pode ser entendida como um desafio para a comunidade cient\u00edfica &#8211; que deve entender sua import\u00e2ncia e saber tirar proveito desta uni\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O instituto ainda busca interagir com o p\u00fablico em geral por meio do site Ci\u00eancia em Rede (www.cienciaemrede.com.br). A p\u00e1gina veicula informa\u00e7\u00f5es sobre a pesquisa e as institui\u00e7\u00f5es participantes nos estudos em forma de blog. Tamb\u00e9m estimula a participa\u00e7\u00e3o de visitantes e o envio de perguntas.<\/p>\n<p>Perigos<\/p>\n<p>Apesar do otimismo de usu\u00e1rios desse tipo de ferramentas e muitas pesquisas apontarem diversos benef\u00edcios, h\u00e1 que se fazer algumas ressalvas ao uso indiscriminado da internet no mundo acad\u00eamico. Da mesma forma que as demais redes sociais da internet, os sites de relacionamento inseridos no conceito de web 2.0, aquele no qual a participa\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para o funcionamento da plataforma, suscitam medos.<\/p>\n<p>No mundo acad\u00eamico, h\u00e1 quem tema perder controle comercial sobre suas publica\u00e7\u00f5es ou facilitar pl\u00e1gios. Ou seja, ser v\u00edtima de fraudes. Afinal, como lembra Raquel Recuero, as redes sociais da internet s\u00e3o reflexo do que acontece no mundo offline.<\/p>\n<p>&#8220;Onde h\u00e1 maior acessibilidade de informa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 maior risco de essas informa\u00e7\u00f5es serem utilizadas de forma desviante&#8221;, endossa. &#8220;Mas n\u00e3o podemos condenar a acessibilidade das informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas por conta de pl\u00e1gios e outras pr\u00e1ticas que j\u00e1 aconteciam anteriormente. A rede tamb\u00e9m facilita a identifica\u00e7\u00e3o do pl\u00e1gio. O que temos a ganhar, como cientistas, \u00e9 muito maior do que os riscos que corremos com a disponibiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhos na internet.&#8221;<\/p>\n<p>O diretor do Mendeley, por sua vez, garante que n\u00e3o existe a possibilidade de vender informa\u00e7\u00f5es publicadas pelos autores ou mesmo dados pessoais de quem participa da rede.<\/p>\n<p>Segundo Reichelt, o site se financia por meio de cobran\u00e7a a acesso privilegiado a determinadas informa\u00e7\u00f5es, como dados agregados, e pela veicula\u00e7\u00e3o de publicidade direcionada aos usu\u00e1rios, de acordo com sua navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O diretor garante que a inten\u00e7\u00e3o da empresa, assim como de outras que atuam no segmento, \u00e9 abrir essas informa\u00e7\u00f5es aos pr\u00f3prios usu\u00e1rios para que eles possam construir aplicativos que tornem a comunidade do site mais interessante. &#8220;Os brasileiros, por serem bastante inovadores, podem se beneficiar disso&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>(Marcelo Medeiros, do Jornal da Ci\u00eancia)<\/p>\n<p>Nota da reda\u00e7\u00e3o: Esta mat\u00e9ria foi publicada na edi\u00e7\u00e3o 664 do &#8220;Jornal da Ci\u00eancia&#8221;, que tem conte\u00fado exclusivo. Informa\u00e7\u00f5es sobre como assinar a edi\u00e7\u00e3o impressa pelo fone (21) 2295-5284 ou e-mail jciencia@jornaldaciencia.org.br<\/p>\n<p>Fonte: JC e-mail 3996<\/p>\n<p>Data:26\/04\/2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas utilizam sites de relacionamento e ferramentas virtuais para realizar seus trabalhos de campo, relacionarem-se com fins de estudo e &hellip; <a class=\"kt-excerpt-readmore more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/academia-passa-utilizar-redes-sociais\/\">Leia mais<\/a>&hellip; <a class=\"kt-excerpt-readmore more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/academia-passa-utilizar-redes-sociais\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"kt_blocks_editor_width":"","footnotes":""},"categories":[111,122],"tags":[],"class_list":["post-1481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pesquisa-cientifica","category-redes-sociais"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - 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