{"id":1638,"date":"2010-02-03T19:05:00","date_gmt":"2010-02-03T22:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/blogdabc\/cidades-milenares\/"},"modified":"2010-02-03T19:05:00","modified_gmt":"2010-02-03T22:05:00","slug":"cidades-milenares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/cidades-milenares\/","title":{"rendered":"Cidades milenares"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\tPor F\u00e1bio de Castro<br \/>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ao compreender como as cidades da Gr\u00e9cia antiga eram organizadas espacialmente, os arque\u00f3logos podem descobrir muito sobre os sistemas socais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos e idol\u00f3gicos daquela civiliza\u00e7\u00e3o. Por isso, desde 2004, um grupo de pesquisadores brasileiros tem se dedicado a estudar o ambiente constru\u00eddo das cidades gregas dos per\u00edodos arcaico, cl\u00e1ssico e helen\u00edstico. <a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_2x6cnyuzC6w\/S2nJZmK_aMI\/AAAAAAAAAGw\/RrnzzhNKIeI\/s1600-h\/foto_dentro11703_2.jpg\"><img decoding=\"async\" style=\"TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 145px; CURSOR: hand\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5434095866979772610\" border=\"0\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/foto_dentro11703_2.jpg\" \/><\/a>No Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, laborat\u00f3rio dedicado a estudos sobre o espa\u00e7o constru\u00eddo das cidades da Gr\u00e9cia antiga traz novas perspectivas para pesquisa de base sobre a civiliza\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nea (Foto: S\u00edtoi arqueol\u00f3gico em Delfos, Gr\u00e9cia &#8211; Labeca)<\/p>\n<p>Essa linha de pesquisas ganhou um ponto de refer\u00eancia importante a partir de um Projeto Tem\u00e1tico apoiado pela FAPESP, agora em sua fase final, que permitiu a pesquisadores do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) a estrutura\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.mae.usp.br\/labeca\">Laborat\u00f3rio de Estudos sobre a Cidade Antiga<\/a> (Labeca).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de reunir instrumentos de trabalho para o aprofundamento de pesquisas de base sobre a Gr\u00e9cia antiga \u2013 como um amplo acervo de imagens, v\u00eddeos, mapas e material bibliogr\u00e1fico \u2013 o laborat\u00f3rio fundado em 2006 servir\u00e1 para formar recursos humanos em diversas \u00e1reas do conhecimento, segundo a coordenadora do Labeca e do Tem\u00e1tico, Maria Beatriz Florenzano, professora titular do MAE.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo principal do projeto era congregar pesquisadores que trabalhavam com a arqueologia da Gr\u00e9cia antiga, mas n\u00e3o tinham oportunidade de dialogar. Delimitamos um eixo tem\u00e1tico comum, com foco na organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o da polis. Esse eixo permitiu uma converg\u00eancia das v\u00e1rias vertentes de estudos. Desse modo, quem tinha interesse em estudar religi\u00e3o passou a estudar a espacialidade da religi\u00e3o grega e assim por diante\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A principal conquista do projeto, segundo Beatriz, foi a estrutura\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio, que permitiu comprar equipamentos, montar uma biblioteca pr\u00f3pria e oferecer a pesquisadores brasileiros acesso \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o reunida no MAE.<\/p>\n<p>Ela destaca que nos \u00faltimos dois anos o projeto recebeu apoio da FAPESP para sete bolsas de treinamento t\u00e9cnico. \u201cAl\u00e9m disso, viajamos duas vezes para o exterior, sendo uma delas com uma equipe de dez pessoas. Como a FAPESP financiou v\u00e1rias das passagens e di\u00e1rias, houve contrapartida da USP, que se disp\u00f4s a auxiliar tamb\u00e9m. A experi\u00eancia adquirida pelos alunos e pesquisadores nessas viagens foi inestim\u00e1vel\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Outro resultado do projeto foi a produ\u00e7\u00e3o de um DVD, acompanhado de um livro que sintetiza os estudos realizados em algumas das vertentes de pesquisa. O tema do DVD \u00e9 a antiga cidade grega de Siracusa, na Sic\u00edlia, atual It\u00e1lia.<\/p>\n<p>\u201cA cidade foi fundada 700 anos antes de Cristo e est\u00e1 viva at\u00e9 hoje. As pessoas que moram l\u00e1 precisam conviver com a Siracusa grega, romana e bizantina. O DVD aborda o comportamento dos habitantes atuais ao interagir com essa antiguidade. A malha vi\u00e1ria da cidade, por exemplo, \u00e9 a malha vi\u00e1ria grega, feita h\u00e1 mais de dois mil\u00eanios\u201d, disse.<\/p>\n<p>Um segundo DVD est\u00e1 sendo produzido. \u201cLan\u00e7amos tamb\u00e9m o site do Labeca, que \u00e9 um instrumento de divulga\u00e7\u00e3o importante, por ser bastante atraente para o grande p\u00fablico. No site, estamos aos poucos disponibilizando parte do nosso banco de imagens\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A Editora da USP (Edusp) acaba de editar, tamb\u00e9m, o livro Estudos sobre a cidade antiga, organizado por Beatriz e por Elaine Hirata, tamb\u00e9m professora do MAE. A obra re\u00fane textos apresentados no 1\u00ba Simp\u00f3sio do Labeca, realizado em 2007. \u201cO livro \u00e9 uma boa amostra do car\u00e1ter multifacetado dos estudos sobre o ambiente constru\u00eddo da antiguidade\u201d, indica Beatriz.<\/p>\n<p>Com a massa documental reunida no laborat\u00f3rio, os alunos e pesquisadores do projeto t\u00eam uma base importante para o aprofundamento de estudos sobre a cidade grega.<\/p>\n<p>\u201cEstamos agora entrando em uma fase de consolida\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio. J\u00e1 oferecemos recursos para dar forma\u00e7\u00e3o aos alunos que hoje pesquisam aqui desde o n\u00edvel da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica at\u00e9 o p\u00f3s-doutorado. Esse pessoal desenvolve pesquisa em conjunto com nossos pesquisadores de n\u00edvel s\u00eanior\u201d, disse Beatriz.<\/p>\n<p>Segundo ela, as m\u00eddias digitais s\u00e3o especialmente importantes para os estudos relacionados com a organiza\u00e7\u00e3o espacial das cidades. \u201cDurante as viagens, pudemos fotografar e filmar, in loco, s\u00edtios arqueol\u00f3gicos gregos de extrema import\u00e2ncia. As m\u00eddias digitais s\u00e3o um instrumento importante para que possamos disponibilizar essa documenta\u00e7\u00e3o visual imensa\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mais pesquisas<\/p>\n<p>O material disponibilizado pelo laborat\u00f3rio, destaca Beatriz, \u00e9 uma fonte intermin\u00e1vel para novos estudos. A casa grega, por exemplo, pode inspirar in\u00fameras abordagens de pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma rica cole\u00e7\u00e3o de imagens das casas gregas do per\u00edodo arcaico, cl\u00e1ssico e helen\u00edstico. Essa cole\u00e7\u00e3o pode suscitar muitos temas de pesquisa: pode-se, a partir dela, detectar hierarquias sociais no interior da casa, ou estudar o espa\u00e7o da mulher na casa, por exemplo. Com isso, vamos cercando a hist\u00f3ria da Gr\u00e9cia e preenchendo lacunas\u201d, disse.<\/p>\n<p>A longo prazo, o laborat\u00f3rio dever\u00e1 aumentar o n\u00famero de pesquisadores especializados no estudo sobre a Gr\u00e9cia antiga. \u201cNo Brasil temos muitos especialistas na hist\u00f3ria de Roma. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Gr\u00e9cia, temos muitos especialistas em filosofia e em letras. Mas a hist\u00f3ria da Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum. A consequ\u00eancia \u00e9 que o conte\u00fado sobre a hist\u00f3ria grega que circula no Brasil corresponde a uma historiografia do come\u00e7o do s\u00e9culo 20, bastante desatualizada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora do Labeca, a arqueologia incorporou muitos elementos da chamada escola dos Annales, ou Hist\u00f3ria Total \u2013 um movimento historiogr\u00e1fico que se interessa por toda a atividade humana, buscando uma unidade das ci\u00eancias humanas \u2013, e da Nova Hist\u00f3ria, que se interessa pelo cotidiano. Essa tend\u00eancia tamb\u00e9m se reflete nas diversas abordagens das pesquisas do Labeca. No entanto, a abordagem predominante no laborat\u00f3rio \u00e9 a arqueologia da paisagem.<\/p>\n<p>\u201cEntendemos que a paisagem \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do homem. Por outro lado, essa constru\u00e7\u00e3o interfere no pr\u00f3prio cotidiano humano. Trabalhamos com uma vis\u00e3o macro da distribui\u00e7\u00e3o da sociedade no espa\u00e7o. N\u00e3o tratamos das casas, por exemplo, de forma isolada. Trabalhamos sua disposi\u00e7\u00e3o nas ruas e investigamos o que essa disposi\u00e7\u00e3o significa em termos de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d, disse.<\/p>\n<p>Os estudos s\u00e3o essencialmente multidisciplinares. \u201cTemos arque\u00f3logos e historiadores, principalmente, mas fazemos muitas consultas a ge\u00f3grafos, porque precisamos de dados sobre a espacialidade. Temos tamb\u00e9m uma interface muito forte com arquitetos e urbanistas\u201d, disse Beatriz.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, temos muita gente com forma\u00e7\u00e3o em letras e conhecimento do grego antigo. Estamos fazendo uma vasta pesquisa sobre os termos e conceitos gregos relativos ao espa\u00e7o. Esse gloss\u00e1rio remete para um banco de dados que j\u00e1 tem mais de 600 termos \u2013 os principais j\u00e1 foram colocados no site\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Fonte: Boletim Ag\u00eancia FAPESP <br \/>Data: 01\/02\/20101\t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por F\u00e1bio de CastroAg\u00eancia FAPESP \u2013 Ao compreender como as cidades da Gr\u00e9cia antiga eram organizadas espacialmente, os arque\u00f3logos podem &hellip; <a class=\"kt-excerpt-readmore more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/cidades-milenares\/\">Leia mais<\/a>&hellip; <a class=\"kt-excerpt-readmore more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/cidades-milenares\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":5034,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"kt_blocks_editor_width":"","footnotes":""},"categories":[109],"tags":[],"class_list":["post-1638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - 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