{"id":22780,"date":"2023-01-19T09:52:00","date_gmt":"2023-01-19T12:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/?p=22780"},"modified":"2023-01-10T13:37:04","modified_gmt":"2023-01-10T16:37:04","slug":"a-ciencia-em-parceria-com-o-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/a-ciencia-em-parceria-com-o-publico\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia em parceria com o p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\">Texto de Rodrigo de Oliveira Andrade para <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/o-publico-a-servico-da-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revista Pesquisa Fapesp<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><img decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/RPF-ciencia-cidada-ilustra-1-2023-01-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/RPF-ciencia-cidada-ilustra-1-2023-01-1140-250x158.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/RPF-ciencia-cidada-ilustra-1-2023-01-1140-700x442.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/RPF-ciencia-cidada-ilustra-1-2023-01-1140-120x76.jpg 120w\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/RPF-ciencia-cidada-ilustra-1-2023-01-1140.jpg\" alt=\"\"><br>Ing Lee<\/p>\n\n\n\n<p><br>O bi\u00f3logo Ronaldo Christofoletti n\u00e3o estava acostumado a dar entrevistas em frente a c\u00e2meras de TV, mas isso foi antes de ele convidar moradores da Baixada Santista, no litoral paulista, para serem seus parceiros de pesquisa. \u201cA imprensa local queria entender o que est\u00e1vamos fazendo e como era poss\u00edvel indiv\u00edduos sem experi\u00eancia em trabalhos de campo produzir conhecimento cient\u00edfico\u201d, conta o docente do Instituto do Mar da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Em 2019, ele e sua equipe recrutaram 51 pessoas para ajudar em um mapeamento da distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies marinhas em cost\u00f5es rochosos. O grupo era bastante diverso: alunos de gradua\u00e7\u00e3o, profissionais com forma\u00e7\u00e3o em geografia e biologia, professores prim\u00e1rios, aposentados, t\u00e9cnicos ambientais, engenheiros e jornalistas, que se cadastraram como volunt\u00e1rios pela internet. Munidos de quadr\u00edculas \u2013 pequenos quadrados de metal usados para isolar e medir o tamanho de plantas e animais no solo \u2013, formul\u00e1rios e m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas, eles percorriam diferentes pontos da ilha Urubuque\u00e7aba, pr\u00f3xima \u00e0 orla da praia, em Santos, anotando os organismos que encontravam pelo caminho. Os dados eram entregues depois aos respons\u00e1veis pela pesquisa, que os comparavam com registros de cientistas profissionais para avaliar a precis\u00e3o dos resultados dos participantes.<br><br>O projeto coordenado por Christofoletti busca estudar e fomentar um movimento conhecido como ci\u00eancia cidad\u00e3, que tem como objetivo envolver indiv\u00edduos sem experi\u00eancia cient\u00edfica na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e criar metodologias que permitam essa intera\u00e7\u00e3o. A pr\u00e1tica ainda enfrenta desafios para se consolidar, mas vem ganhando cada vez mais espa\u00e7o no Brasil. V\u00e1rias iniciativas desse tipo surgiram nos \u00faltimos anos, permitindo que amadores se envolvam em levantamentos sobre padr\u00f5es ecol\u00f3gicos de esp\u00e9cies, propaga\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as, monitoramento da qualidade do ar em grandes cidades, registros de meteoros, entre outras atividades de pesquisa.<br>O modelo tamb\u00e9m despertou a aten\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias de fomento e algumas das principais institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa do pa\u00eds. Em fins de 2019, a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) lan\u00e7ou um edital com o Banco Santander no valor de R$ 180 mil para apoiar projetos baseados nessa abordagem; oito foram selecionados. Um deles, coordenado pela bi\u00f3loga Sheina Koffler, que faz est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP, conta com a ajuda de criadores de abelhas-sem-ferr\u00e3o para determinar as \u00e1reas de ocorr\u00eancia de um \u00e1caro (<em>Leptus <\/em>sp.) que as parasita e, assim, avaliar seu impacto na conserva\u00e7\u00e3o desses insetos polinizadores. Mais recentemente, em agosto de 2022, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) anunciou uma chamada de R$ 3 milh\u00f5es para iniciativas de ci\u00eancia cidad\u00e3 no \u00e2mbito de programas de oceanografia e estudos sobre a Ant\u00e1rtica, do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI).<\/p>\n\n\n\n<p>O esfor\u00e7o ocorre em v\u00e1rios pa\u00edses. As ag\u00eancias de prote\u00e7\u00e3o ambiental dos Estados Unidos e da Esc\u00f3cia, por exemplo, j\u00e1 incorporam a ci\u00eancia cidad\u00e3 em alguns de seus projetos, ao passo que o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) explora formas de usar o modelo no monitoramento de indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) ligados ao meio ambiente. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel acompanhar o progresso global dessas metas com base apenas em fontes de dados tradicionais\u201d, escreveu Jillian Campbell, especialista em estat\u00edstica do Pnuma, em estudo publicado em 2019 na <em>Nature Sustainability<\/em>. Dados gerados por pessoas sem experi\u00eancia em pesquisa podem ajudar nesse sentido, segundo artigo divulgado em 2020 na revista <em>Sustainability Science<\/em> que registrou as contribui\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia cidad\u00e3 no acompanhamento de indicadores dos ODS.<\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o Europeia tamb\u00e9m apostou em projetos dessa natureza por meio de seu programa de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o Horizonte 2020. Pelo menos 25 iniciativas apoiadas nos \u00faltimos anos pelo programa Science with and for Society receberam \u20ac 65 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u201cci\u00eancia cidad\u00e3\u201d come\u00e7ou a ser usado no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, mas seu significado contempla uma pr\u00e1tica bem mais antiga. Existem diversos registros na hist\u00f3ria sobre a contribui\u00e7\u00e3o de amadores na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento em \u00e1reas como astronomia, bot\u00e2nica, geologia, entre outras. \u201cNem sempre houve uma distin\u00e7\u00e3o formal entre quem poderia ou n\u00e3o fazer ci\u00eancia\u201d, esclarece a soci\u00f3loga Sarita Albagli, do Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia (Ibict). Isso s\u00f3 mudou no s\u00e9culo XIX, com a profissionaliza\u00e7\u00e3o da pesquisa, consolidada como uma atividade exercida por um seleto grupo de indiv\u00edduos especificamente treinados para gerar conhecimento objetivo. Essa vis\u00e3o come\u00e7ou a ser revista nos anos 1960, a partir de questionamentos sobre a imagem da ci\u00eancia como uma atividade neutra e que persegue a verdade n\u00e3o importem as consequ\u00eancias. \u201cAos poucos, ela passou a ser compreendida como uma atividade socialmente constru\u00edda\u201d, diz Albagli. Paralelamente, nos anos 1980, as discuss\u00f5es sobre a chamada <em>expertise<\/em> leiga ganharam for\u00e7a, alavancando a no\u00e7\u00e3o de que pessoas sem forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica formal tamb\u00e9m det\u00eam conhecimentos v\u00e1lidos, adquiridos a partir de suas experi\u00eancias, e que esses podem ser \u00fateis.<br><br>Um dos principais benef\u00edcios da colabora\u00e7\u00e3o da sociedade em pesquisas \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que talvez n\u00e3o pudessem ser geradas de outra maneira, em parte porque as iniciativas de ci\u00eancia cidad\u00e3 t\u00eam potencial para mobilizar volunt\u00e1rios na coleta de grandes volumes de dados durante longos per\u00edodos e em \u00e1reas extensas. O envolvimento de pessoas n\u00e3o especializadas tamb\u00e9m pode inspirar novas abordagens, permitindo que os cientistas investiguem quest\u00f5es ou problemas espec\u00edficos da realidade dos participantes, produzindo resultados com impactos diretos e imediatos na vida deles. Essa abordagem ajudaria, inclusive, a aprimorar o processo de avalia\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos em algumas \u00e1reas. Alguns peri\u00f3dicos t\u00eam convidado pacientes e seus cuidadores a cooperar com a an\u00e1lise de <em>papers<\/em> sobre os problemas de sa\u00fade que enfrentam, de modo a complementar o escrut\u00ednio feito por especialistas (<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/o-olhar-do-paciente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>ver<\/em> Pesquisa FAPESP <em>n\u00ba 270<\/em><\/a>).<br><br>Essa forma de intera\u00e7\u00e3o tem ainda outras ambi\u00e7\u00f5es. Em muitos casos, as iniciativas se d\u00e3o no sentido de promover o letramento cient\u00edfico e formar futuros pesquisadores. \u201cEm tempos de negacionismo cient\u00edfico, projetos de ci\u00eancia cidad\u00e3 ajudam a combater a desinforma\u00e7\u00e3o, despertar o pensamento cr\u00edtico e aumentar a confian\u00e7a da sociedade na ci\u00eancia\u201d, comenta a ec\u00f3loga Blandina Felipe Viana, do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), cofundadora do Guardi\u00f5es da Chapada. Esse projeto foi criado no Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares em Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o (INCT IN-Tree) e re\u00fane volunt\u00e1rios no monitoramento das intera\u00e7\u00f5es entre plantas e seus polinizadores em ambientes naturais, urbanos e agr\u00edcolas por meio de registros fotogr\u00e1ficos compartilhados em aplicativo e na plataforma digital Guardi\u00f5es da Biodiversidade.<br><br>Algumas experi\u00eancias indicam que as atividades de ci\u00eancia cidad\u00e3 podem produzir dados para tomada de decis\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. No Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o trabalho conjunto de cientistas da informa\u00e7\u00e3o, ge\u00f3logos, meteorologistas e estudantes do ensino m\u00e9dio de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds resultou em um aplicativo que informa com anteced\u00eancia o risco de inunda\u00e7\u00f5es, alagamentos e enxurradas em \u00e1reas vulner\u00e1veis.<br><br>A ideia da ferramenta nasceu de um projeto mais antigo, o Cemaden Educa\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ado em 2014 em escolas dos munic\u00edpios paulistas de S\u00e3o Luiz do Paraitinga e Cunha, no Vale do Para\u00edba, e de Ubatuba, no litoral, com o prop\u00f3sito de disseminar a cultura de pesquisa e a educa\u00e7\u00e3o ambiental entre os estudantes \u2013 e, a partir disso, engaj\u00e1-los no trabalho de verifica\u00e7\u00e3o do risco de desastres, sobretudo aqueles provocados pelo excesso de chuva. \u201cQuer\u00edamos transform\u00e1-los em jovens pesquisadores, capazes de coletar dados e us\u00e1-los no monitoramento de trag\u00e9dias nas regi\u00f5es em que viviam\u201d, diz o soci\u00f3logo Victor Marchezini, um dos coordenadores da iniciativa.<br><br>O projeto se dividiu em tr\u00eas etapas. Os alunos primeiro participavam de um treinamento em que aprendiam a coletar dados hist\u00f3ricos e a realizar entrevistas com antigos moradores de suas cidades sobre casos passados de desastres e mudan\u00e7as socioambientais. Eles ent\u00e3o usavam essas informa\u00e7\u00f5es para elaborar mapas das \u00e1reas de maior risco e identificar rotas de evacua\u00e7\u00e3o para o caso de uma emerg\u00eancia. Em seguida, meteorologistas do Cemaden os ensinavam a transformar garrafas PET em pluvi\u00f4metros artesanais e a us\u00e1-los para medir a quantidade de chuvas. Com base nesses dados, os estudantes constru\u00edram uma tabela de monitoramento, com s\u00e9ries hist\u00f3ricas sobre o volume de chuvas em diferentes per\u00edodos do ano.<br><br>A iniciativa chamou a aten\u00e7\u00e3o de outras institui\u00e7\u00f5es, interessadas em desdobr\u00e1-la em novos projetos. Um deles foi o Dados \u00e0 Prova D\u2019\u00c1gua, desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o com a Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), em S\u00e3o Paulo, e as universidades de Glasgow e Warwick, no Reino Unido, e Heidelberg, na Alemanha. A ideia era construir um aplicativo no qual estudantes pudessem compartilhar dados sobre \u00e1reas alagadas, intensidade de chuva e altura da \u00e1gua no leito de rios, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre \u00e1reas de risco. \u201cUsamos os roteiros das atividades desenvolvidas antes para treinar novos alunos e ensin\u00e1-los a construir pluvi\u00f4metros artesanais\u201d, comenta Marchezini. \u201cEles ent\u00e3o ficavam respons\u00e1veis por verificar todos os dias a quantidade de chuva medida e inserir os dados no aplicativo.\u201d<br><br>A estrat\u00e9gia foi testada nas cidades de S\u00e3o Paulo e Rio Branco, no Acre, e, mais tarde, em munic\u00edpios de Pernambuco, Santa Catarina e Mato Grosso, obtendo bons resultados. Em Jaboat\u00e3o dos Guararapes, na Regi\u00e3o Metropolitana de Recife, moradores de alguns bairros que participaram do piloto do aplicativo continuaram usando a ferramenta ap\u00f3s a conclus\u00e3o dos testes. Em maio, um deles a usou para alertar o registro de um volume de chuva acima do esperado para a \u00e9poca na regi\u00e3o em que morava, desencadeando uma mobiliza\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 evacua\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de risco.<br>Outras iniciativas de ci\u00eancia cidad\u00e3 se somam \u00e0 do Cemaden. Uma delas \u00e9 a Exoss Citizen Science, criada em 2015 por astr\u00f4nomos profissionais e amadores interessados no estudo de meteoros. \u201cA observa\u00e7\u00e3o amadora de objetos celestes \u00e9 antiga, mas se popularizou com o barateamento das c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia, as quais s\u00e3o facilmente adaptadas para essa finalidade\u201d, explica o astr\u00f4nomo Marcelo De Cicco, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e coordenador do projeto. \u201cEu e alguns colegas decidimos ent\u00e3o usar as redes sociais para ensinar outros interessados a monitorar esses fen\u00f4menos, compartilhando tutoriais sobre como adaptar esses equipamentos e instal\u00e1-los.\u201d<br><br>Foi assim que Adriano Fonseca, de 44 anos, ficou sabendo da iniciativa. Ele entrou em contato com De Cicco manifestando seu interesse em montar uma esta\u00e7\u00e3o de monitoramento em sua casa, em Sorocaba, em meados de 2020, ap\u00f3s ver uma publica\u00e7\u00e3o do grupo no Facebook. Formado em engenharia de automa\u00e7\u00e3o, Fonseca \u00e9 um aficionado por astronomia, algu\u00e9m que investe em telesc\u00f3pios e c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas para fazer registros da Via L\u00e1ctea. \u201cQueria me aproximar de f\u00edsicos e astr\u00f4nomos para aprender mais sobre como eles acompanham esses objetos celestes e calculam sua \u00f3rbita\u201d, ele conta.<br><br>O projeto se transformou em uma grande rede de observadores, com mais de 50 c\u00e2meras ativas espalhadas pelo pa\u00eds \u2013 cinco delas no telhado da casa de Fonseca. Os volunt\u00e1rios se comprometem a mant\u00ea-las apontadas para o c\u00e9u e a lig\u00e1-las todos os dias no final da tarde para que possam registrar movimenta\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas \u00e0 noite. Os dados s\u00e3o armazenados, pr\u00e9-analisados por um software e enviados para um servidor. \u201cAs c\u00e2meras s\u00e3o instaladas de modo que uma complemente o campo visual da outra, permitindo-nos triangular as imagens e calcular a origem dos meteoros, sua velocidade e \u00f3rbitas\u201d, esclarece De Cicco. Gra\u00e7as \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios, a rede conseguiu registrar v\u00e1rias explos\u00f5es de bolas de fogo e chuvas de meteoro pelos c\u00e9us do pa\u00eds. Muitos desses registros foram apresentados em congressos nacionais e internacionais, auxiliando tamb\u00e9m o trabalho de pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es tradicionais, como o Observat\u00f3rio Nacional, no Rio de Janeiro.<br><br>A maioria dos projetos, no entanto, est\u00e1 ligada ao meio ambiente, \u00e1rea em que a ci\u00eancia cidad\u00e3 mais prosperou no Brasil, sobretudo a partir de 2017, com a cria\u00e7\u00e3o da Rede SiBBr, lan\u00e7ada pelo Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre a Biodiversidade Brasileira, do governo federal, com o objetivo de reunir e divulgar iniciativas colaborativas sobre biodiversidade. Desde sua cria\u00e7\u00e3o, mais de 40 projetos foram cadastrados na plataforma. A din\u00e2mica mais comum nesses casos \u00e9 o de registro de esp\u00e9cies por \u201cobservadores cidad\u00e3os\u201d. Essa estrat\u00e9gia desperta o interesse de pesquisadores porque permite mobilizar indiv\u00edduos na coleta de dados em \u00e1reas extensas e desenvolver estudos abrangentes sobre a \u00e1rea de ocorr\u00eancia ou o tamanho da popula\u00e7\u00e3o de determinadas esp\u00e9cies.<br>O caso do projeto \u201cEu vi um macaco no mato\u201d ilustra essa voca\u00e7\u00e3o. Seu objetivo era fazer o monitoramento de primatas na regi\u00e3o de Santa Teresa, no Esp\u00edrito Santo, uma das mais impactadas pela epidemia de febre amarela entre 2016 e 2018. \u201cV\u00e1rias esp\u00e9cies foram afetadas pela doen\u00e7a; algumas chegaram a ser extintas localmente\u201d, comenta a m\u00e9dica veterin\u00e1ria Andresa Guimar\u00e3es, do Instituto Nacional da Mata Atl\u00e2ntica (Inma), organiza\u00e7\u00e3o vinculada ao MCTI, que coordena a iniciativa. A chegada da pandemia, em 2020, criou entraves ao projeto, mas ela e sua equipe tiveram a ideia de convidar moradores locais para ajudar no monitoramento dos animais. \u201cPedimos a eles que nos enviassem fotos, v\u00eddeos e \u00e1udios de primatas sempre que os avistassem, informando o tamanho do bando, o n\u00famero de filhotes, se havia algum machucado e o local em que foram vistos\u201d, diz a pesquisadora.<br><br>Deu certo. \u201cAtra\u00edmos volunt\u00e1rios de todo o estado, de tal modo que conseguimos obter registros de todas as esp\u00e9cies de primatas de que se tem not\u00edcia no Esp\u00edrito Santo\u201d, destaca Guimar\u00e3es. \u201cN\u00e3o ter\u00edamos conseguido cobrir uma \u00e1rea t\u00e3o grande sem a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.\u201d Essa massa de informa\u00e7\u00f5es indicou o retorno de esp\u00e9cies que haviam desaparecido por conta da epidemia de febre amarela. \u201cEles est\u00e3o conseguindo voltar e repovoar essas regi\u00f5es.\u201d<br><br>Casos como esse indicam que a ci\u00eancia cidad\u00e3 tem grande potencial para produzir dados \u00fateis para a avalia\u00e7\u00e3o do <em>status<\/em> da biodiversidade, ajudando a preencher importantes lacunas de informa\u00e7\u00e3o. Um artigo publicado em julho na revista <em>BioScience<\/em> estima que at\u00e9 50% dos estudos sobre aves migrat\u00f3rias e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas produzidos nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas tenham usado dados coletados por volunt\u00e1rios.<br><br>No Brasil, iniciativas relevantes tamb\u00e9m surgiram na \u00e1rea de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade. Duas delas, desenvolvidas pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), envolvem o uso de aplicativos, nos quais o p\u00fablico pode inserir dados que ajudem a identificar focos de leishmaniose e do mosquito <em>Aedes aegypti<\/em>, transmissor dos v\u00edrus causadores de zika, dengue, chikungunya e febre amarela.<br>A estrat\u00e9gia, no entanto, com frequ\u00eancia encontra dificuldades para manter os volunt\u00e1rios mobilizados. \u201cMuitos nos mandam v\u00e1rios registros no in\u00edcio, mas depois de um tempo eles se tornam cada vez menos frequentes at\u00e9 que uma hora param de chegar\u201d, diz Guimar\u00e3es. A bi\u00f3loga Nat\u00e1lia Pirani Ghilardi-Lopes, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Ci\u00eancia Cidad\u00e3 da Universidade Federal do ABC (UFABC), em S\u00e3o Paulo, explica que o compromisso dos participantes costuma variar de acordo com suas expectativas e motiva\u00e7\u00f5es. \u201cProjetos desenvolvidos desde o in\u00edcio pelos cientistas e o p\u00fablico, e lastreados em problemas locais ou quest\u00f5es de amplo interesse social, costumam resultar em um maior engajamento em compara\u00e7\u00e3o a iniciativas baseadas apenas no interesse dos cientistas em acelerar ou ampliar a coleta de dados\u201d, diz Ghilardi-Lopes, uma das fundadoras da Rede Brasileira de Ci\u00eancia Cidad\u00e3, lan\u00e7ada em 2021. Ela reconhece que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil envolver o p\u00fablico em todas as etapas das pesquisas, sobretudo porque alguns temas exigem conhecimentos ou treinamentos muito espec\u00edficos.<br><br>Garantir que os participantes dediquem parte de seu tempo \u00e0s pesquisas para as quais se voluntariaram n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico desafio. Nos Estados Unidos, uma dificuldade \u00e9 ampliar o alcance das iniciativas. O mesmo estudo publicado em julho na <em>BioScience<\/em> verificou que 77% dos 3.894 volunt\u00e1rios entrevistados participavam de v\u00e1rios projetos de ci\u00eancia cidad\u00e3 ao mesmo tempo, o que indica uma concentra\u00e7\u00e3o em um pequeno grupo de indiv\u00edduos j\u00e1 interessados. O perfil deles tamb\u00e9m era pouco diverso. Muitos tinham forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e trabalhavam nas \u00e1reas de ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica (Stem) e menos de 5% se identificaram como negros, asi\u00e1ticos, nativos ou latino-americanos. \u201cA ci\u00eancia cidad\u00e3 n\u00e3o est\u00e1 atingindo segmentos do p\u00fablico que esper\u00e1vamos alcan\u00e7ar\u201d, disse \u00e0 revista <em>Cosmos<\/em> a ecologista Caren Cooper, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, uma das autoras do trabalho.<br><br>No Brasil, h\u00e1 certa resist\u00eancia em aceitar a legitimidade do modelo. \u201cDe modo geral, nossos pesquisadores reconhecem seu potencial na produ\u00e7\u00e3o de dados \u00fateis\u201d, destaca Blandina Viana, da UFBA, que analisou a percep\u00e7\u00e3o de cientistas de diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina sobre essa abordagem em estudo publicado em 2020 na <em>Neotropical Entomology<\/em>. \u201cAinda assim, poucos participam ou coordenam projetos dessa natureza, talvez porque se dediquem a \u00e1reas muito espec\u00edficas, nas quais a contribui\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios n\u00e3o seja considerada necess\u00e1ria ou vi\u00e1vel\u201d, diz a ec\u00f3loga. Outra explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, segundo Viana, \u00e9 que muitos colegas ainda resistem em trabalhar com indiv\u00edduos sem forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica formal por desconfiarem da qualidade das informa\u00e7\u00f5es coletadas.<br><br>Trabalhos divulgados nos \u00faltimos anos t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o para problemas envolvendo dados produzidos por cientistas cidad\u00e3os, como desvios na aplica\u00e7\u00e3o de protocolos e vieses no registro ou na escolha dos locais de amostragem. H\u00e1 tamb\u00e9m casos de m\u00e1 conduta dos participantes. \u201cEm geral, os volunt\u00e1rios fazem um bom trabalho. As principais vari\u00e1veis s\u00e3o a complexidade da tarefa e o n\u00edvel de treinamento que eles recebem antes de colocarem a m\u00e3o na massa\u201d, diz Ghilardi-Lopes. No entanto, ainda existem pesquisadores que investem em projetos sem oferecer aos amadores treinamento adequado em gerenciamento de dados ou integridade, o que pode comprometer a capacidade dos indiv\u00edduos de coletar, registrar e gerenciar corretamente essas informa\u00e7\u00f5es, afetando a qualidade do estudo como um todo. Esse problema ficou evidente em um artigo publicado em 2022 pela bi\u00f3loga brasileira Larissa Kawabe sobre o uso de estrat\u00e9gias de ci\u00eancia cidad\u00e3 em levantamentos sobre a dispers\u00e3o de lixo marinho no mundo. Poucos trabalhos reportavam quest\u00f5es relacionadas \u00e0s estrat\u00e9gias de recrutamento, prepara\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o dos participantes.<br><br>A bioantrop\u00f3loga Mercedes Okumura, do Instituto de Bioci\u00eancias da USP, lembra que mesmo os alunos de gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabem fazer ci\u00eancia no in\u00edcio de sua forma\u00e7\u00e3o. \u201cEles aprendem conosco, nos laborat\u00f3rios, por meio de est\u00e1gios e projetos de pesquisa. Ou seja, a princ\u00edpio, n\u00e3o teria tanta diferen\u00e7a assim entre eles e os indiv\u00edduos engajados em uma iniciativa de ci\u00eancia cidad\u00e3. Ambos precisam de treinamento adequado\u201d, ela diz.<br><br>Alguns grupos t\u00eam se dedicado ao desenvolvimento, aplica\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de protocolos que orientem o trabalho antes e durante a coleta dos dados. No estudo na ilha Urubuque\u00e7aba, em Santos, Ronaldo Christofoletti e sua equipe promoveram oficinas preparat\u00f3rias, desenhadas para orientar os participantes sobre aspectos t\u00e9cnicos do monitoramento de esp\u00e9cies em cost\u00f5es rochosos e estimular sua consci\u00eancia ambiental. \u201cNo in\u00edcio, pedimos para que eles compartilhassem suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa proposta e destacassem suas habilidades e conhecimentos que poderiam ser \u00fateis\u201d, explica o bi\u00f3logo. Em seguida, os volunt\u00e1rios aprendiam como a ci\u00eancia \u00e9 feita e qual sua rela\u00e7\u00e3o com a cidadania e a tomada de decis\u00e3o. \u201cS\u00f3 ent\u00e3o eles entravam em contato com o protocolo de monitoramento e iam a campo\u201d, diz Christofoletti. A capacita\u00e7\u00e3o, segundo afirma, teve um impacto positivo no desempenho dos colaboradores, que produziram dados com qualidade equivalente aos de especialistas. \u201cNosso estudo indica que, se bem treinados, eles podem contribuir com dados cientificamente s\u00f3lidos.\u201d<br><br>Mas ainda h\u00e1 outras quest\u00f5es em aberto. Em muitas situa\u00e7\u00f5es, o envolvimento do p\u00fablico em projetos de ci\u00eancia cidad\u00e3 se restringe apenas \u00e0 coleta de dados, e estes acabam se convertendo em um saber \u00fatil apenas aos pesquisadores, quando o ideal seria que tamb\u00e9m pudessem ser apropriados pelos volunt\u00e1rios. Outra discuss\u00e3o importante diz respeito \u00e0 propriedade intelectual das informa\u00e7\u00f5es produzidas. \u201cH\u00e1 casos de pesquisadores que se aproximam de comunidades e exploram seus dados e conhecimentos sem depois lhes dar nenhum retorno em termos de forma\u00e7\u00e3o, resultados ou cr\u00e9dito por suas contribui\u00e7\u00f5es\u201d, comenta Christofoletti. \u201cEm geral\u201d, ele explica, \u201ca participa\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios costuma constar apenas nos agradecimentos dos <em>papers<\/em>, j\u00e1 que, na maioria dos projetos, eles colaboram exclusivamente com a coleta de dados, mas \u00e9 importante que isso seja discutido abertamente com todos os participantes da pesquisa\u201d, comenta o pesquisador.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Projetos<br>1.<\/strong> M\u00e9todos de pesquisa multidisciplinar em cen\u00e1rios de riscos e desastres: Subs\u00eddios \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de sistemas de alerta centrados nas pessoas e nas multiamea\u00e7as (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/185608\/metodos-de-pesquisa-multidisciplinar-em-cenarios-de-riscos-e-desastres-subsidios-a-formulacao-de-sis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00ba 18\/06093-4<\/a>); <strong>Modalidade <\/strong>Bolsa de Pesquisa no Exterior;&nbsp;<strong>Pesquisador respons\u00e1vel <\/strong>Victor Marchezini (Cemaden);&nbsp;<strong>Investimento<\/strong>&nbsp;R$ 231.701,10.<br><strong>2.<\/strong> Tornando vis\u00edveis os fluxos de dados e possibilitando sua transforma\u00e7\u00e3o em dados \u00e0 prova d\u2019\u00e1gua (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/187645\/tornando-visiveis-os-fluxos-de-dados-e-possibilitando-sua-transformacao-em-dados-a-prova-dagua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00ba 19\/06595-2<\/a>); <strong>Modalidade <\/strong>Bolsa de P\u00f3s-doutorado;&nbsp;<strong>Pesquisadora respons\u00e1vel<\/strong>&nbsp;Maria Alexandra Viegas Cortez da Cunha (FGV);&nbsp;<strong>Benefici\u00e1rio<\/strong>&nbsp;M\u00e1rio Henrique da Mata Martins;&nbsp;<strong>Investimento<\/strong>&nbsp;R$ 309.585,25.<br><strong>3.<\/strong> Dados \u00e0 prova d\u2019\u00e1gua \u2013 Engajando stakeholders na governan\u00e7a sustent\u00e1vel de riscos de inunda\u00e7\u00e3o para resili\u00eancia urbana (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/187120\/dados-a-prova-dagua-engajando-stakeholders-na-governanca-sustentavel-de-riscos-de-inundacao-para\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00ba 19\/06616-0<\/a>); \u00a8C45CBolsa de P\u00f3s-doutorado;&nbsp;\u00a8C46C\u00a8C47C&nbsp;Maria Alexandra Viegas Cortez da Cunha (FGV);&nbsp;\u00a8C48C&nbsp;Fernanda Lima e Silva;&nbsp;\u00a8C49C&nbsp;R$ 308.996,03.<br>\u00a8C50C Coastal biodiversity and public policies: Methodologies and actions to integrate stakeholders (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/99262\/coastal-biodiversity-and-public-policies-methodologies-and-actions-to-integrate-stakeholders\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00ba 17\/50220-8<\/a>); \u00a8C51CAux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Pesquisa em Pol\u00edticas P\u00fablicas;&nbsp;\u00a8C52C\u00a8C53C&nbsp;Ronaldo Adriano Christofoletti (Unifesp);&nbsp;\u00a8C54C&nbsp;R$ 165.242,24 (FAPESP).<br><strong>Artigos cient\u00edficos<br><\/strong>MARCHEZINI, V.&nbsp;<em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.emerald.com\/insight\/content\/doi\/10.1108\/DPM-01-2022-0016\/full\/html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Flood risk governance in Brazil and the UK: Facilitating knowledge exchange through research gaps and the potential of citizen-generated data<\/a>.&nbsp;<strong>Disaster Prevention and Management: An International Journal<\/strong>. v. 31, n. 6, p. 30-44. 2022.<br>VIANA, B. F.&nbsp;<em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13744-020-00793-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Why the views of Latin American scientists on citizen science as a tool for pollinator monitoring and conservation matter?&nbsp;<\/a><strong>Neotropical Entomology<\/strong>. v. 49, p. 604\u201313. 2020.<br>KASTEN, P.&nbsp;<em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmars.2021.681969\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Participatory monitoring \u2013 A citizen science approach for coastal environments<\/a>.&nbsp;<strong>Frontiers in Marine Science<\/strong>. v. 8, p. 1-9. 2021.<br>KAWABE, L. A.&nbsp;<em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0025326X22006932#:~:text=The%20systematic%20review%20of%20the,environment%20(mainly%20sandy%20beaches)%20and\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Citizen science in marine litter research: A review<\/a>.&nbsp;<strong>Marine Pollution Bulletin<\/strong>. v. 182, p. 114011. 2022.<br>FRITZ, S.&nbsp;<em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41893-019-0390-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Citizen science and the United Nations Sustainable Development Goals<\/a>.&nbsp;<strong>Nature Sustainability<\/strong>. v.&nbsp;2,&nbsp;p.&nbsp;922\u2013930. 2019.<br>FRAISL, D.&nbsp;\u00a8C66C. <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11625-020-00833-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapping citizen science contributions to the UN sustainable development goals<\/a>.&nbsp;\u00a8C67C. v. 15, p. 1735\u20131751. 2020.<br><br>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. 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