{"id":23712,"date":"2023-08-31T09:41:00","date_gmt":"2023-08-31T12:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/?p=23712"},"modified":"2023-08-07T11:32:48","modified_gmt":"2023-08-07T14:32:48","slug":"acesso-a-universidade-pela-trilha-olimpica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/acesso-a-universidade-pela-trilha-olimpica\/","title":{"rendered":"Acesso \u00e0 universidade pela trilha ol\u00edmpica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\">Texto de Sarah Schmidt para <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/acesso-a-universidade-pela-trilha-olimpica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revista Pesquisa Fapesp<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Estudantes que participam de olimp\u00edadas cient\u00edficas ganharam um motivo extra para se dedicar a elas: suas medalhas se tornaram uma porta de entrada para universidades p\u00fablicas sem que precisem prestar vestibular ou Enem. Desde 2019, quando os primeiros alunos medalhistas ingressaram na gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) \u2013 a primeira no pa\u00eds a utilizar essa via \u2013, as chamadas \u201cvagas ol\u00edmpicas\u201d t\u00eam avan\u00e7ado. Ao menos outras cinco institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas come\u00e7aram a reservar vagas para medalhistas: as universidades de S\u00e3o Paulo (USP) e Estadual Paulista (Unesp), e as federais de Itajub\u00e1 (Unifei), do ABC Paulista (UFABC) e de Mato Grosso do Sul (UFMS).<\/p>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia, j\u00e1 h\u00e1 quem aposte na medalha como estrat\u00e9gia de acesso ao ensino superior. Foi o caso da paulista Yasmin Bonet, de 18 anos, que no in\u00edcio de 2023 entrou no curso de ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o da Unesp, <em>campus<\/em> de Presidente Prudente, gra\u00e7as a uma medalha de bronze conquistada na Olimp\u00edada Brasileira de Rob\u00f3tica (OBR). \u201cNo \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio eu estava muito atarefada, fazendo inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e curso t\u00e9cnico\u201d, lembra. \u201cDepois que um professor me falou das vagas ol\u00edmpicas, pesquisei sobre os cursos e universidades que tinham essa modalidade. Decidi ent\u00e3o priorizar a prepara\u00e7\u00e3o e os estudos para as olimp\u00edadas\u201d, conta ela, que participava dessas competi\u00e7\u00f5es desde o ensino fundamental. Ela chegou a tentar o vestibular regular para ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o foi aprovada.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante capixaba Nathan Leonardo, de 19 anos, adotou t\u00e1tica semelhante para ingressar na turma de 2023 do curso de engenharia de controle e automa\u00e7\u00e3o da Unicamp. Com mais de 10 premia\u00e7\u00f5es em competi\u00e7\u00f5es de astronomia, matem\u00e1tica e rob\u00f3tica, ele usou sua medalha de prata da Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica de Escolas P\u00fablicas (Obmep) como credencial para uma vaga reservada a alunos campe\u00f5es. Durante o processo, diferentemente do que ocorreria no vestibular, ele nem precisou sair de Serra, a cidade onde vivia, j\u00e1 que p\u00f4de fazer tudo on-line, o que, segundo ele, tamb\u00e9m facilitou sua candidatura. \u201cColoquei como miss\u00e3o entrar na faculdade evitando cursinhos e apostei nas vagas ol\u00edmpicas. Por isso, em 2022 me preparei muito para a Obmep, que valia mais pontos para o curso que eu queria fazer\u201d, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em busca de talentos<br><\/strong>As universidades consideram as vagas ol\u00edmpicas uma alternativa na busca pela diversidade no perfil de seus estudantes, mas ainda procuram caminhos para consolidar a modalidade. \u201cA ideia \u00e9 atrair talentos que s\u00e3o muito bons em uma \u00e1rea, mas que podem se perder no processo do vestibular\u201d, explica o historiador Jos\u00e9 Alves Freitas, diretor da Comiss\u00e3o Permanente para os Vestibulares da Unicamp. Apesar do interesse crescente, ele ressalta que o n\u00famero de matriculados ainda \u00e9 inferior ao de vagas oferecidas, divididas em duas modalidades \u2013 as regulares e as extras. Para 564 vagas abertas nas cinco edi\u00e7\u00f5es dessa modalidade na Unicamp, 267 medalhistas se matricularam. Quando n\u00e3o s\u00e3o preenchidas, as regulares voltam para o sistema de ampla concorr\u00eancia do vestibular, enquanto as extras, criadas para essa modalidade, n\u00e3o s\u00e3o usadas. Para Freitas, outras quest\u00f5es est\u00e3o envolvidas no n\u00famero restrito de matriculados. \u201cMuitos alunos buscam vagas de cursos espec\u00edficos. Na Unicamp, o campe\u00e3o entre os ol\u00edmpicos \u00e9 a ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o\u201d, diz. Para o ingresso em 2023, a Unicamp ofereceu cinco vagas nesse curso \u2013 a quantidade de vagas abertas varia de acordo com o curso e a institui\u00e7\u00e3o.<br><br>Efeito similar \u00e9 observado na Unesp e na USP, universidades nas quais as vagas ol\u00edmpicas s\u00e3o oferecidas de maneira adicional \u00e0s regulares. Na Unesp, 863 vagas foram abertas desde 2020 e apenas 137 alunos as aproveitaram. Na USP, de 113 vagas abertas em 2019 para ingresso em 2020, s\u00f3 30 estudantes se matricularam. \u201cAinda estamos analisando a situa\u00e7\u00e3o, mas uma das hip\u00f3teses \u00e9 que nem sempre h\u00e1 vaga ol\u00edmpica para o curso que o medalhista quer. Ele pode se inscrever no processo, mas tamb\u00e9m busca outros caminhos, como o pr\u00f3prio vestibular\u201d, avalia o pedagogo Marcos Garcia Neira, pr\u00f3-reitor adjunto de Gradua\u00e7\u00e3o da USP. A universidade pausou a modalidade durante a pandemia, mas pretende retom\u00e1-la para o ingresso em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Neira, a USP deve ampliar a gama de cursos e de competi\u00e7\u00f5es aceitas para al\u00e9m das ci\u00eancias exatas e biol\u00f3gicas e, por isso, vai elevar o n\u00famero de vagas para 200. A Olimp\u00edada Brasileira de Lingu\u00edstica (OBL) e a Olimp\u00edada Nacional de Hist\u00f3ria do Brasil (ONHB), por exemplo, devem ser incorporadas no pr\u00f3ximo ano \u2013 esta \u00faltima j\u00e1 \u00e9 aceita na Unicamp, na Unesp e na UFMS. A Unesp tamb\u00e9m planeja ampliar a oferta de vagas. \u201cPretendemos discutir a possibilidade de revis\u00e3o do limite de 10% de vagas adicionais que podem ser oferecidas\u201d, informou a fonoaudi\u00f3loga Celia Giacheti, pr\u00f3-reitora de Gradua\u00e7\u00e3o da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o f\u00edsico Ant\u00f4nio Carlos Hernandes, que foi pr\u00f3-reitor de Gradua\u00e7\u00e3o da USP, esse movimento \u00e9 necess\u00e1rio. \u201cQuanto mais oportunidades de acesso ao ensino superior p\u00fablico forem oferecidas aos estudantes de ensino m\u00e9dio que se destacam em competi\u00e7\u00f5es de conhecimento, melhor ser\u00e1 para o ambiente acad\u00eamico das universidades. Ampliar a diversidade \u00e9 a certeza de uma melhor forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica aos alunos\u201d, disse, por e-mail. Freitas, da Unicamp, ressalta que muitos estudantes j\u00e1 usavam as medalhas em processos de sele\u00e7\u00e3o de universidades no exterior por serem valorizadas em pa\u00edses como os Estados Unidos. \u201cPara atrair esses alunos, s\u00f3 oferecer a vaga ainda \u00e9 pouco. Algo que poderia torn\u00e1-las mais atrativas seria oferecer bolsas, inclusive pelas ag\u00eancias de fomento\u201d, observa Freitas. A diretora do Departamento de Populariza\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia, Tecnologia e Educa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), Juana Nunes, concorda. \u201cOs que ganham medalhas precisam ter como horizonte as universidades p\u00fablicas brasileiras. Para isso, precisam de mais incentivos, como bolsas e subs\u00eddios\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio \u201cOpen doors 2022\u201d, do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Internacional, dos Estados Unidos, 14.897 estudantes de gradua\u00e7\u00e3o brasileiros estavam em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior norte-americanas nos anos letivos de 2021 e 2022, colocando o Brasil na oitava posi\u00e7\u00e3o no ranking de pa\u00edses que mais enviam alunos. \u201cVejo as vagas ol\u00edmpicas como uma tentativa de as universidades brasileiras evitarem que os alunos de alto rendimento saiam do pa\u00eds. Ao aceitar medalhas nacionais e internacionais, as institui\u00e7\u00f5es tentam se antecipar a essa partida\u201d, avalia o f\u00edsico Jo\u00e3o Canalle, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordenador da Olimp\u00edada Brasileira de Astronomia e Aeron\u00e1utica (OBA), uma das maiores do pa\u00eds, que em 2023 teve 1,38 milh\u00e3o de participantes.<br><br>Deixar o Brasil foi a decis\u00e3o de uma das medalhistas de ouro da OBA Katarine Emanuela Klitzke, de Timb\u00f3, Santa Catarina. Em 2018, ent\u00e3o no \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio, ela precisou escolher entre estudar para o vestibular e se preparar para disputar a final da Olimp\u00edada Latino-americana de Astronomia e Astron\u00e1utica (Olaa), que seria realizada no Paraguai. \u201cDecidi apostar na olimp\u00edada porque sabia que essa medalha contaria bastante para universidades fora do pa\u00eds\u201d, conta. Conquistou o ouro na Olaa, chegou a se inscrever no primeiro edital de vagas ol\u00edmpicas da Unicamp e foi selecionada. Mas, como foi aprovada tamb\u00e9m em tr\u00eas universidades norte-americanas, optou pelo Georgia Institute of Technology, na cidade de Atlanta. \u201cComo a iniciativa brasileira ainda estava no come\u00e7o e ningu\u00e9m sabia muito bem como iria funcionar, preferi ir para fora. Os laborat\u00f3rios de alta tecnologia foram um grande atrativo\u201d, lembra. No final de 2022, graduou-se em engenharia da computa\u00e7\u00e3o com \u00eanfase em astrof\u00edsica e intelig\u00eancia artificial. Hoje trabalha como engenheira de hardware da Microsoft, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Medalhista de ouro tamb\u00e9m na Obmep, a estat\u00edstica paulista rec\u00e9m-formada pela Unicamp Natain\u00e1 Novaes, de 22 anos, fez parte da primeira turma ol\u00edmpica que ingressou na universidade, h\u00e1 pouco mais de quatro anos. Ela faz um alerta aos estudantes interessados em concorrer a uma vaga na modalidade: \u00e9 preciso ficar de olho nas regras dos editais de cada universidade. Como n\u00e3o h\u00e1 provas seletivas, cada uma estabelece uma pontua\u00e7\u00e3o de acordo com o tipo de curso, da olimp\u00edada aceita e da premia\u00e7\u00e3o conquistada pelo estudante. Os alunos precisam se inscrever e anexar os certificados e documentos exigidos, e um comit\u00ea faz a avalia\u00e7\u00e3o. Dependendo do curso, alguns tipos de competi\u00e7\u00e3o podem valer mais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCada medalha tem um peso diferente, em alguns lugares as olimp\u00edadas internacionais pontuam mais. Em crit\u00e9rios de desempate, o hist\u00f3rico escolar conta bastante\u201d, observa. A estat\u00edstica come\u00e7ou a participar de competi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no 9\u00ba ano do ensino fundamental. Depois foi cursar o ensino m\u00e9dio com t\u00e9cnico em inform\u00e1tica no Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia (IFSP), <em>campus<\/em> de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, e ganhou mais tr\u00eas medalhas. Em 2018, quando se preparava para o vestibular, descobriu as vagas ol\u00edmpicas da Unicamp. \u201cDecidi me concentrar na prepara\u00e7\u00e3o para a Obmep. A meta era pegar o ouro para entrar na universidade estudando o que eu gosto, o que deixou esse processo mais leve\u201d, lembra. Hoje trabalha como engenheira j\u00fanior na Serasa, unidade de S\u00e3o Carlos, e planeja uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o ou intelig\u00eancia artificial.<br>O prazo de validade da medalha varia de acordo com a institui\u00e7\u00e3o: h\u00e1 as que aceitam premia\u00e7\u00f5es de at\u00e9 dois anos anteriores, enquanto outras admitem premia\u00e7\u00f5es mais antigas. O estudante Jonas Menino, de 18 anos, de Barra Bonita, interior paulista, ingressou em 2023 no curso de f\u00edsica m\u00e9dica no <em>campus<\/em> de Botucatu da Unesp gra\u00e7as a uma medalha de ouro da OBA conquistada quando ele ainda estava no ensino fundamental, em 2019. Essa foi a \u00faltima premia\u00e7\u00e3o que ele alcan\u00e7ou antes de ser diagnosticado com ansiedade e depress\u00e3o. \u201cEu sempre gostei muito de estudar, tinha um bom desempenho e j\u00e1 havia ganhado ouro e bronze em competi\u00e7\u00f5es de matem\u00e1tica. Em 2020, logo quando comecei o ensino m\u00e9dio, veio a pandemia e tudo mudou\u201d, recorda-se. \u201cAs aulas passaram a ser remotas. Assim como outros colegas de sala, eu n\u00e3o conseguia mais ter foco e ir bem nas disciplinas. Passei a fazer tratamento psicol\u00f3gico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1140\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-vagas-olimpiadas-montagem-2023-07-site-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-vagas-olimpiadas-montagem-2023-07-site-1140-250x117.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-vagas-olimpiadas-montagem-2023-07-site-1140-700x327.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-vagas-olimpiadas-montagem-2023-07-site-1140-120x56.jpg 120w\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/rpf-vagas-olimpiadas-montagem-2023-07-site-1140.jpg\" alt=\"\">L\u00e9o Ramos Chaves \/ Revista Pesquisa FAPESP | Arquivo pessoalOs medalhistas Novaes, Leonardo (\u00e0 esq.) e Bonet (\u00e0 dir.): ingresso na Unicamp e na Unesp sem precisar fazer o vestibularL\u00e9o Ramos Chaves \/ Revista Pesquisa FAPESP | Arquivo pessoal<\/p>\n\n\n\n<p>Ele chegou a participar de edi\u00e7\u00f5es remotas de competi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, mas n\u00e3o conquistou nenhuma premia\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m prestou vestibular para algumas universidades e n\u00e3o passou. \u201cAt\u00e9 que uma tia me avisou das vagas ol\u00edmpicas da Unesp. Descobri que minha medalha do ensino fundamental ainda poderia ser usada e me candidatei ao curso de f\u00edsica m\u00e9dica. Foi uma mudan\u00e7a radical: desde que entrei na universidade, um sonho meu, estou bem, voltei a ser focado.\u201d<br>Na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora do Instituto Butantan, Sonia Chudzinski, coordenadora da Olimp\u00edada Brasileira de Biologia (OBB), a crescente ades\u00e3o das universidades \u00e0s vagas ol\u00edmpicas representa um passo importante. \u201cO estudante \u00e9 agraciado pelo bom desempenho em uma \u00e1rea que ele realmente gosta. Nem os g\u00eanios s\u00e3o bons em tudo\u201d, observa. Ela ressalta que a edi\u00e7\u00e3o de 2023 da OBB contou com 150 mil inscritos \u2013 um crescimento de 50% em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero do ano anterior \u2013 e credita parte desse avan\u00e7o ao cen\u00e1rio p\u00f3s-pandemia e \u00e0s vagas ol\u00edmpicas. \u201cPercebemos que h\u00e1 um p\u00fablico novo interessado na possibilidade de entrar na gradua\u00e7\u00e3o por meio das premia\u00e7\u00f5es.\u201d A OBB \u00e9 aceita para ingresso na Unicamp, Unesp, USP, Unifei e UFMS.<\/p>\n\n\n\n<p>O matem\u00e1tico Claudio Landim, coordenador da Obmep e diretor-adjunto do Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, elogia a estrat\u00e9gia das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. \u201cUma universidade n\u00e3o deveria selecionar os alunos apenas pelo que s\u00e3o, ou seja, por aquilo que conseguem mostrar em uma prova, mas pelo que podem vir a ser.\u201d Para ele, muitas olimp\u00edadas t\u00eam esse papel de apontar quem pode brilhar, caso receba est\u00edmulo. \u201cA resolu\u00e7\u00e3o dos problemas da prova da Obmep n\u00e3o requer conhecimento em matem\u00e1tica, mas capacidade de racioc\u00ednio, imagina\u00e7\u00e3o e criatividade. Assim, conseguimos detectar aqueles que t\u00eam talento para a matem\u00e1tica.\u201d Criada em 2005, neste ano a Obmep teve 18 milh\u00f5es de participantes na primeira fase e \u00e9 considerada a maior olimp\u00edada do pa\u00eds. Ela j\u00e1 nasceu como uma pol\u00edtica do MCTI e do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), por meio do Impa, e conta com or\u00e7amento anual garantido \u2013 a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o custou cerca de R$ 40 milh\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel que em 2024 os medalhistas da Obmep tenham mais um lugar para ingressar com suas premia\u00e7\u00f5es. O Impa est\u00e1 desenvolvendo uma nova gradua\u00e7\u00e3o de matem\u00e1tica aplicada \u00e0 tecnologia e inova\u00e7\u00e3o cujo processo seletivo das 100 vagas levar\u00e1 em conta o desempenho dos destaques na olimp\u00edada.<br><br>O f\u00edsico Euclydes Marega J\u00fanior, do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos (IFSC) da USP, observa que essas competi\u00e7\u00f5es t\u00eam ganhado import\u00e2ncia para o calend\u00e1rio das escolas ao longo dos \u00faltimos 20 anos. \u201cIsso tem ocorrido porque elas prop\u00f5em uma atividade extracurricular que atinge uma quantidade cada vez maior de estudantes que desde o ensino m\u00e9dio se sentem motivados a adquirirem conhecimento para essas atividades\u201d, afirmou, por e-mail. Em 1995, ele criou uma competi\u00e7\u00e3o de f\u00edsica para estudantes do ensino m\u00e9dio que viria a se tornar, em 1999, a Olimp\u00edada Brasileira de F\u00edsica e por muitos anos preparou equipes de alunos para competi\u00e7\u00f5es internacionais.<br>Segundo o MCTI, o pa\u00eds conta atualmente com 104 competi\u00e7\u00f5es do conhecimento, nas mais diversas \u00e1reas das ci\u00eancias sociais, biol\u00f3gicas e humanidades. \u201cH\u00e1 alguns anos t\u00ednhamos cerca de 20 olimp\u00edadas. Hoje vemos uma profus\u00e3o delas, algumas que aparecem e somem em poucos anos. \u00c9 preciso ter um projeto educacional de longo prazo\u201d, diz Cristina Meneguello, da Unicamp, coordenadora da ONHB, que, neste ano, em sua 15\u00aa edi\u00e7\u00e3o, teve 30.524 equipes inscritas \u2013 cada uma tem at\u00e9 tr\u00eas alunos e um professor. \u201cAo mesmo tempo que as vagas ol\u00edmpicas s\u00e3o mais um reconhecimento do papel das olimp\u00edadas na promo\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, criam uma responsabilidade maior sobre elas\u201d, observa a historiadora, que integra um grupo de trabalho do MCTI, elaborado no come\u00e7o de junho, para avaliar e discutir as olimp\u00edadas cient\u00edficas, entre outras atividades de populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAlgumas perguntas que estamos fazendo nesse grupo de trabalho s\u00e3o: precisamos mesmo de mais de cem olimp\u00edadas? Ou precisamos qualificar melhor as propostas identificando iniciativas semelhantes, dando oportunidades para fomentar novas a\u00e7\u00f5es em diversas \u00e1reas do conhecimento?\u201d, questiona Juana Nunes, do MCTI. Segundo ela, o objetivo do grupo, que conta com 15 especialistas na \u00e1rea, \u00e9 construir uma proposta para um programa nacional de populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. \u201cA ideia \u00e9 discutir caminhos para que as vagas ol\u00edmpicas possam, no futuro, deixar de ser iniciativas isoladas e, quem sabe, serem expandidas para todas as universidades federais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para o coordenador da Olimp\u00edada Brasileira de Lingu\u00edstica (OBL), Bruno L\u2019Astorina, o crescimento no n\u00famero de competi\u00e7\u00f5es \u00e9 um processo esperado, j\u00e1 que mais professores e pesquisadores passaram a se interessar por essas atividades. \u201c\u00c9 natural que apare\u00e7am competi\u00e7\u00f5es sobre os mais diversos temas\u201d, afirma. Isso gera uma quest\u00e3o para as escolas, que s\u00e3o desafiadas a preparar alunos para m\u00faltiplas competi\u00e7\u00f5es. \u201cUm aluno n\u00e3o consegue participar de tantas olimp\u00edadas\u201d, diz. Ele conta que tem conversado com coordenadores de outras olimp\u00edadas sobre caminhos para fazer uma integra\u00e7\u00e3o de iniciativas. \u201c\u00c9 um desafio e ainda n\u00e3o sabemos como fazer isso sem perder a cultura de cada uma delas\u201d, diz. Na edi\u00e7\u00e3o de 2022, a OBL registrou cerca de 10 mil participantes.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>As fontes de financiamento das competi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Organizadores afirmam que as olimp\u00edadas se multiplicaram, mas os recursos para promov\u00ea-las, n\u00e3o<\/em><br>Segundo os coordenadores das olimp\u00edadas cient\u00edficas ouvidos nesta reportagem \u2013 com exce\u00e7\u00e3o da Obmep, que j\u00e1 tem seus recursos anuais garantidos \u2013, diversas fontes de financiamento se combinam para viabilizar as competi\u00e7\u00f5es. S\u00e3o verbas de institutos e universidades a que est\u00e3o vinculadas e parcerias privadas. Uma parcela importante \u00e9 proveniente das chamadas p\u00fablicas financiadas pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) e abertas anualmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), que ocorrem desde 2002.<br>Em um estudo publicado no <em>Caderno Brasileiro de Ensino de F\u00edsica<\/em> em abril de 2022, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) analisaram os editais do per\u00edodo de 2005 a 2015. Eles contabilizaram 11 chamadas, nas quais 229 projetos foram submetidos. Ao todo, 96 foram aprovados para realizar 21 olimp\u00edadas, com predomin\u00e2ncia de \u00e1reas das ci\u00eancias exatas e da Terra \u2013 o aporte foi de cerca de R$ 25 milh\u00f5es, uma m\u00e9dia de R$ 2,2 milh\u00f5es por ano, mas os valores variaram de R$ 800 mil a R$ 4 milh\u00f5es. Nessa varia\u00e7\u00e3o pesaram as fontes de recursos, que se revezaram e por vezes se acumularam: MCTI, CNPq, MEC \u2013 por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE) \u2013 e Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes). \u201cH\u00e1 um crescimento na relev\u00e2ncia dessas olimp\u00edadas, e o or\u00e7amento, por outro lado, se mant\u00e9m praticamente o mesmo de uma d\u00e9cada atr\u00e1s\u201d, diz o f\u00edsico Willian Vieira de Abreu, da UFRJ, primeiro autor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, a chamada do CNPq ofereceu R$ 4 milh\u00f5es. Na \u00faltima, de 2022, foram cerca de R$ 8,8 milh\u00f5es e 31 competi\u00e7\u00f5es foram contempladas. O aumento ocorreu por conta de um aporte do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (FNDCT) de cerca de R$ 5,8 milh\u00f5es, de acordo com a gestora da chamada das olimp\u00edadas cient\u00edficas no CNPq, Ana Cl\u00e1udia Mota. \u201cPela primeira vez, abrimos tr\u00eas linhas de projetos: al\u00e9m das olimp\u00edadas internacionais e nacionais, houve uma terceira para a categoria das regionais\u201d, explica Mota. Competi\u00e7\u00f5es que buscam ampliar a diversidade de participantes foram contempladas, como a II Olimp\u00edada Nacional de Povos Tradicionais, Quilombolas e Ind\u00edgenas, organizada pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Segundo a diretora de Populariza\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia e Educa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do MCTI, Juana Nunes, para 2023 ser\u00e3o aportados R$ 13 milh\u00f5es para a Chamada de Olimp\u00edadas, sendo R$ 8 milh\u00f5es do or\u00e7amento do MCTI e R$ 5 milh\u00f5es do or\u00e7amento do CNPq.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Artigo cient\u00edfico<\/strong><br>ABREU, W. V. <em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/fisica\/article\/view\/80531\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Olimp\u00edadas cient\u00edficas: An\u00e1lise dos projetos apoiados por editais do CNPq (2005-2015)<\/a>. <strong>Caderno Brasileiro de Ensino de F\u00edsica<\/strong>. v. 39, n. 1, p. 59-82. abr. 2022.<br><br>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/acesso-a-universidade-pela-trilha-olimpica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Sarah Schmidt para Revista Pesquisa Fapesp Estudantes que participam de olimp\u00edadas cient\u00edficas ganharam um motivo extra para se &hellip; <a class=\"kt-excerpt-readmore more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/acesso-a-universidade-pela-trilha-olimpica\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":23713,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"kt_blocks_editor_width":"","footnotes":""},"categories":[110],"tags":[515,537,538],"class_list":["post-23712","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","tag-ensino","tag-ensino-superior","tag-graduacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Acesso \u00e0 universidade pela trilha ol\u00edmpica - Biblioteca Central da UFRGS<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Acesso \u00e0 universidade pela trilha ol\u00edmpica - Biblioteca Central da UFRGS\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Texto de Sarah Schmidt para Revista Pesquisa Fapesp Estudantes que participam de olimp\u00edadas cient\u00edficas ganharam um motivo extra para se &hellip; Leia mais\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/acesso-a-universidade-pela-trilha-olimpica\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Biblioteca Central da UFRGS\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/biblioteca.centralufrgs\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-08-31T12:41:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/olimpiadas-cientificas.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1080\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1080\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"- Priscila S. 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